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Política e Cidadania  
Fábio Abreu dos Passos
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Qual o nível de nossa discussão política?
 

O que significa nível? Nos dicionários da língua portuguesa, nível possui o significado de um valor atingido por uma grandeza. Assim, fica uma indagação: Qual a grandeza que damos à nossa discussão política?

Vocês já experimentaram ficar em casa, durante a semana, na parte da tarde, na tentativa de se entreterem com a programação da televisão nesse horário? É uma tarefa que nos faz saber da vida alheia, inevitavelmente. Se pularmos para o horário noturno, nos deparamos com nossos famosos e badalados “reality shows” que têm como objetivo principal demonstrar como se passa, dentro de uma casa, as relações humanas: seus medos, angústias, sonhos, conflitos. Mas esse objetivo fica à margem em detrimento de se conseguir alguns minutos de fama com a exposição de corpos plasticamente moldados, além de sermos “obrigados” a testemunhar as relações amorosas desenroladas debaixo dos edredons. Diante de tal enxurrada de noticiários da vida alheia, fica difícil, beirando a impossibilidade, que nossas conversas no nosso dia-a-dia não sejam impregnadas de “fofocas” e, o que é pior, ou menos “útil”, fofocamos sobre a vida de pessoas que não dizem o menor respeito à nossa realidade. Sabemos quem está namorando com quem, no rol dos famosos; quem separou; quem traiu; qual o vestido que a fulana usou na festa tal...

Nesse momento de nossa história é difícil para uma coluna que procura tratar de política tenha suas linhas distantes das futuras eleições que teremos em outubro. Nesse sentido, o que saber da vida alheia tem haver com política?

A atenção que gostaria de chamar de você, caro leitor, é para o tipo de nível que estamos imprimindo em nossa discussão política. Os debates com os candidatos aos cargos de deputados estaduais e federais, de senadores, de governadores e presidente da república começam a surgir e, junto com os mesmos, surgem ou nossa indiferença ou nossa aversão aos mesmos, pois política é assunto para chatos ou intelectuais, como supõe o vulgo comum.

Querer que haja, de maneira ampla e quase geral, por parte dos eleitores, voto consciente, pode ser taxado de utopia e falta de realismo político. Mas, também, permitir que sejamos descrentes de políticos somente por nossa falta de informação é um pouco caso com nossa vida em comunidade. Para que isso não ocorra, devemos elevar o nível de nossa discussão política, perguntando aos nossos candidatos quais são suas propostas; se essas são viáveis; qual sua plataforma de governo; quais serão as pessoas que trabalharão com eles. Essas são perguntas mínimas que devemos fazer àqueles que almejam nos representar. Pouco deve nos importar a vida particular de nossos políticos. O espaço público, como o próprio nome já indica, deve se referir à vida em seu sentido público, ou seja, deve trazer à tona questões que dizem respeito a todos nós. Questões que irão modificar nossas vidas e a dos futuros chegados, os quais temos um dever: preservar o mundo para que eles possam, também, deixar suas marcas que, em seu conjunto, formam a história humana.

O nível de nossos representantes vai depender, diretamente, do nível de discussão política que vamos realizar. Se nossa discussão for superficial, teremos representantes ou sem nenhuma capacidade para tal tarefa, ou teremos representantes que já nos provaram que não são dignos de tal incumbência. Se nossa discussão for superficial, consequentemente as perguntas direcionadas aos nossos candidatos serão superficiais na mesma proporção e, para nossos representantes, o quanto é bom essas perguntas serem superficiais, pois para perguntas desse naipe, respostas igualmente baixas. Pergunta tola, resposta igualmente tola. Fingimos que perguntamos, eles fingem que respondem e continuamos fingindo que somos cidadãos...

O sábio filósofo Pelé, certa vez, disse que o povo brasileiro tem os políticos que merecem. Será que essa frase de nosso rei do futebol não é uma das poucas dignas de consideração? 

     
     
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