O custo da cesta básica são-joanense caiu 3,81%, para R$ 148,29, no primeiro mês do ano, quando comparado com dezembro de 2009, segundo estimativa do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade de São João del-Rei (UFSJ). As quedas mais relevantes ocorreram nos preços do feijão preto (18,59%); da batata (17,59%); da banana (12,04%) e da carne bovina de segunda (5,34%).
Já os aumentos mais expressivos de preços ficaram por conta da margarina (21,47%); do óleo de soja (6,73%); do tomate (5,59%) e do arroz tipo dois (1,31%), de acordo com o professor Ivis Bento de Lima (coordenador do levantamento) e o técnico Paulo Afonso Palumbo. Assim, o trabalhador são-joanense desembolsou 31,60% de sua renda líquida mensal, cujo valor este mês passou a ser de R$ 469,20 (com o reajuste do salário mínimo), para adquirir a cesta básica. Para o pagamento das outras despesas, restaram R$ 320,91.
Em dezembro de 2009, a cesta básica são-joanense custava R$ 154,17. Esse valor era bem inferior ao custo da cesta básica de um ano atrás (dezembro de 2008), calculado em R$ 166,82. |
Pouca gente sabe. As locomotivas de empresas conhecidas (como Vale e MRS) que rodam pelas principais ferrovias do País têm um reservatório de areia na parte dianteira, que de tempo em tempo deixa cair um pouquinho no trilho para evitar que a roda deslize e que o atrito de ferro com ferro gere faíscas e coloque em risco a segurança do trem. Trata-se de areia nobre - areia de sílica -, que depois de industrializada é difícil de ser diferenciada de açúcar refinado.
Este é um dos destinos da areia extraída e processada pela Mineração Omega Ltda., no Sítio Alto da Serra, em Santa Cruz de Minas, de propriedade do resende-costense Dimas Antonio de Resende. A areia branca especial tem uso diversificado, desde servir como matéria-prima para a fabricação de argamassa para a construção civil, por parte da empresa Revestmais do próprio Dimas, até o seu fornecimento para atividade mais nobre como produção de vidros e cristais (em Santa Catarina). Ele admite que seja um desperdício usar essa areia para material de construção. “É uma areia quartzita, uma matéria-prima especial para vidros. Mas o mercado do vidro caiu, porque hoje tem muita reciclagem”.
Dimas entrou nesse negócio há três anos, depois de ter trabalhado com açougue em Resende Costa, cursado engenharia no Rio de Janeiro, atuado no ramo de supermercado em Itabirito... “Meu sangue é negócio, comércio e indústria”, gosta de dizer. “Fiquei sabendo da oportunidade através do João Afonso (ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei). Um grupo alemão queria passar a mineração pra frente. Eu vi no negócio uma boa perspectiva, não tanto na área de vidro, o ramo do alemão, mas sim de entrar no ramo da construção civil. Então, eu e o João Afonso abrimos a fábrica de argamassas”. Atualmente, Dimas é o único proprietário, pois Afonso decidiu desligar-se da sociedade, atuando apenas como uma espécie de consultor técnico.
Dimas vê uma vantagem no aproveitamento da areia de sílica para a fabricação de argamassa. “Você tem que transformar e crescer, agregar valores. O antigo grupo alemão vendia a matéria-prima para vidro. Hoje, a gente transforma a matéria-prima num produto final. Minha primeira providência foi informar como se fazia argamassa. Fui fazer curso em São Paulo para entrar no mercado. Hoje, a gente já atende a três estados (Rio, 100%; Minas, 80% e uma parte São Paulo)”.
A decisão do empresário tem a ver também com a abundância de matéria-prima “na porta”. Isto aumenta a sua condição de competir “num mercado que é muito dinâmico, está crescendo e tem perspectiva de crescer ainda mais”. Por isso, Dimas acredita que até vá faltar material de construção. “Nos próximos seis anos, vai ser um período crítico para a construção, um mercado que não teve crise. A gente cresce mais que a China. Talvez, a gente não tenha crescido mais devido à falta de recursos humanos e financeiros”.
Outra vantagem é a posição estratégica da fábrica para crescer, diz Dimas. “Nós estamos bem centralizados, bem localizados – nós estamos no eixo Rio, São Paulo e Belo Horizonte. E já temos a matéria-prim”.
Diante disso, o planto de Dimas é ampliar a diversificação da atividade da empresa. “Nós temos novos projetos da empresa de rejunte, de tinta em pó e de textura que estão pra sair. Tudo com matéria-prima nossa. É assim que a gente prevê o crescimento da empresa. A gente já está num processo de ampla diversificação”.
Emprego, renda e meio ambiente
Alguns números mostram a pujança do negócio de Dimas. “Começamos aqui vendendo quase quatro mil sacos, quer dizer, no primeiro mês nós vendemos 3.820 sacos e, em novembro (de 2009), já multiplicamos isso aí por quase mil. Em quase três anos, já passamos de cinco milhões de sacos”. Além disso, o empreendimento gera cerca de 200 empregos, nas contas do empresário. “Hoje, nós temos diretamente na mineração quase 80 funcionários. Mas a gente tem uma transportadora que presta serviço; então, indiretamente, são mais uns 30 a 40 funcionários. Tem também a área comercial (área de vendas), com mais uns 30 a 40 funcionários”.
Na fabricação de argamassa, além da areia, Dimas utiliza produto químico, importado direto dos Estados Unidos através da Zona Franca de Manaus, e ainda usa o cimento. “A argamassa é uma mistura, como se fosse um bolo”. Mas, em caso de “boom” no mercado de construção civil, ele acredita que o gargalo será principalmente a mão-de-obra e a distribuição. “O nosso problema não seria com a matéria-prima em si. A gente pode ter problema na mão-de-obra, na logística de distribuição, no agregado que a gente compra para fazer a mistura”.
O problema é que este boom de mercado está muito próximo, na visão do empresário. “Copa do mundo em 2014, Olimpíadas em 2016. Não se faz um prédio, não se faz um estádio da noite para o dia. Você precisa de planejamento. Você começa três, quatro, cinco anos antes. Mas a gente vê nisso uma oportunidade de negócio. Agora, a oportunidade é para quem vai ter condição; não é fazer um produto de fundo quintal. Uma construtora, para construir um hotel, não vai comprar produto de fundo de quintal. Hoje, ninguém pode comprar um produto que não tem licença ambiental, porque vai ser co-responsável pela degradação”.
No caso de Dimas, a extração de areia exige uma compensação ambiental, na forma de recuperação de área degradada. “Isso é atrelado à licença ambiental. Você tira, mas tem que recuperar. No ano passado (2008), nós tivemos que plantar 10 mil mudas de árvores nativas da região, do local. Isso é feito periodicamente, a gente é fiscalizado por isso. E hoje eles fiscalizam você através do satélite. Quando veem que você tirou, eles olham o seu compromisso. E pelo satélite já veem se você recuperou (ou não) a área. Se você não recuperou, o fiscal vem pessoalmente cobrar. Então, nós temos licença; quem quiser, pode consultar na internet. Não é uma extração predatória, como antigamente”.
Para atender a essas exigências, Dimas modernizou a empresa. Trocou a lenha das caldeiras pelo gás GLP e, mais recentemente, pelo gás natural “com poluição zero”. Além disso, partiu para a automatização. “Esta é uma área muito visada porque a areia tem sílica, que é um veneno para a saúde. É uma exigência da lei que alguns postos de trabalho tenham que ser extintos, de ser substituídos pela máquina. Modernização e informatização vão dar mais competitividade. Esse é o futuro, não tem outro jeito”.
Posto de gasolina
Dimas tem ainda uma rede de postos de gasolina, dois em São João del-Rei e um em Barroso. “Eu já mexo com posto de gasolina há mais de 20 anos. Foi justamente para diversificar os negócios. E uma coisa faz parte da outra. A gente fabrica argamassa, tem areia, tem a transportadora. E a transportadora precisa abastecer. Então, aí entra o posto, uma coisa completa a outra”.
Um dos postos de São João del-Rei é o Posto Resende Costa que fica na Colônia; outro é o Posto Central, na Praça Raul Soares. “O posto no centro foi uma luta grande com o patrimônio, com política, com justiça. E graças a Deus chegou ao final. Saiu uma coisa até boa. É um dos postos mais antigos dentro de São João del-Rei, posto tradicional. Eu comprei esse posto anos atrás; reformei dentro da exigência do patrimônio e, lógico, para acompanhar o estilo da cidade. Ficou uma coisa bonita. É uma contribuição também que a gente dá para a cidade”. |