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Agência de Notícias
Gabriel Silva Riceputi
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A popularidade de Lula e seus efeitos no país e no Campo das Vertentes
 

O que se vê nessa lista claramente pode ser descrito como um reflexo da imensa popularidade que Lula vem construindo em seu governo. Com 76% da população brasileira considerando seu governo bom ou ótimo, Lula deixa o cargo em 2010 com o maior índice de popularidade desde que esses dados começaram a ser coletados pelo instituto Datafolha, em 1990.
 
Os índices econômicos favoráveis são um ponto chave na questão dessa popularidade do presidente – nota-se que a popularidade de Lula se alavanca junto com a melhora dos indicadores econômicos e sociais do país. E mesmo com um governo marcado por diversos tumultos políticos e escândalos de corrupção, Lula conseguiu se desvincular destes acontecimentos e manter seu favoritismo junto à população.
 
Lula obtém seu quinhão maior de popularidade na parcela da população que recebe até 5 salários mínimos, mas é no Nordeste, região que recebe grande parte dos benefícios do programa Bolsa Família, que o presidente alcança seu maior índice de aprovação (87%). Até mesmo entre os segmentos de brasileiros que ganham mais de dez salários mínimos e com ensino superior, as taxas de aprovação de Lula subiram, apesar de serem nestes segmentos que o presidente possua os piores índices.
 
Se junta a isso todo o trabalho que Lula vem fazendo para impulsionar o país no cenário internacional. Episódios como o da estadia do presidente deposto Manuel Zelaya no consulado brasileiro em Honduras, o envio de tropas para o auxílio às vítimas do terremoto no Haiti e, antes mesmo, nas missões de paz da ONU no país e a mais recente intervenção nas negociações com o Irã sobre o desenvolvimento de tecnologia nuclear, mostram que o Brasil não está mais disposto a ser coadjuvante nas decisões globais, como disse o próprio Lula.
 
Todos estes fatos podem ser encarados como fatores de extrema importância nesse ano de eleição. Lula e o PT estão lançando a campanha de Dilma Rousseff para a sucessão presidencial. Neste cenário fica a questão de como e se essa popularidade de Lula pode ser explorada para a campanha de Dilma e como a oposição reage a esses índices altíssimos de popularidade.
 
Em São João del-Rei, onde o apoio historicamente esteve sempre voltado para a família Neves, levanta-se a questão de qual caminho o eleitorado irá seguir. O ex-governador Aécio Neves, que abandonou o cargo para concorrer ao senado este ano (e que estava cotado como possível candidato à presidência pelo PSDB), já declarou seu apoio ao co-partidário José Serra. Com isso é valido questionar se o saojoanense irá manter seu apoio aos Neves e, consequentemente, apoiar Serra ou irá ser influenciado pelo fator da popularidade da figura do presidente e votar na candidata do PT, Dilma Rousseff.

Questionada sobre o assunto, a vereadora Silvia Fernanda de Almeida, do PMDB, declarou que a questão dos feitos internacionais do presidente não influencia na decisão do povo: “O brasileiro comum não toma conhecimento desses fatos, pois o povo não cultiva o hábito de ver jornais”. Para ela, o que pode levar o saojoanense a apoiar a candidata do PT são outros fatores: “O presidente possui a vantagem de falar com a linguagem do povo. Isso opera a seu favor. Além disso, temos os programas sociais, como o Bolsa-Família, que possuem muito mais impacto do que acordos internacionais”.
 
Daniela Lourdes da Silva, moradora do bairro São Dimas, corrobora a visão da vereadora ao dizer que “essa popularidade internacional do Lula só vai influenciar se for usada durante a campanha, porque o povo não quer mesmo saber de política”. Esse papel importante que a mídia exerce sobre a política ainda é destacado por Daniela: “O Aécio só é tão popular porque a campanha que ele faz aqui é muito boa”.
 
A base aliada do presidente Lula na câmara de vereadores de São João reforça o grupo de pessoas que acha que a figura do presidente irá contribuir em muito para a campanha de Dilma. Vera Lucia Gomes de Almeida, vereadora do PT, argumenta que ela, enquanto base do presidente, está muito feliz com o sucesso de Lula no cenário nacional. “Realmente o ‘cara’ é bom e deve fazer seguidores”, afirma Vera. Completa ainda sobre como a influência de Lula afeta o voto da população: “Ele é um bom exemplo e tenho certeza de que a população assimilou ‘a maneira petista de governar’”. Para a vereadora, a tendência é aumentar a base petista no governo e nas administrações, e essa grande popularidade pode vir ajudar não somente Dilma, mas o PT nas eleições “menores”, para deputados e senadores.
 
O vereador Rodrigo Deusdedit da Silva (PMDB) concorda que o PT poderá se beneficiar bastante com a figura de Lula. “Basta ver o crescimento de Dilma nas pesquisas” aponta o vereador. De fato, a última pesquisa realizada pelo Datafolha apontava o empate técnico entre a candidata do PT e José Serra, seu principal adversário. Rodrigo ainda aponta uma possibilidade curiosa: “Acredito que o cidadão saojoanense não irá apoiar Serra, pois a cidade contava com a candidatura de Aécio para a presidência”.
 
“Os mineiros podem dar um ‘troco’ em Serra pelo fato de Serra ter ‘tomado’ o lugar que para nós era de Aécio. Minas pode fazer o Dilmazia ou Anastadilma: prefeitos do PSDB e do PT podem fazer campanha de voto em Dilma e Anastásia” diz o reitor da UFSJ, Helvécio Luiz Reis, que completa dizendo que “há, por enquanto, reclamações de que Serra tem baseado seu staff excessivamente em nomes de São Paulo, irritando políticos mineiros”. Para o reitor, o posicionamento não só do saojoanense, mas de todos os mineiros, dependerá de como Aécio se comportará nestas eleições. “Minas pode decidir essas eleições. Se ele (Aécio) for para o campo, o candidato José Serra pode tirar muito proveito disto em Minas e em São João del-Rei, diminuindo iferena diferença para a candidata Dilma”.
 
Helvécio acredita que esse apoio das “figuras fortes” do PT e do PSDB (Lula e Aécio, respectivamente) pode influenciar tremendamente a balança nas eleições e toca num ponto importante do eleitorado brasileiro: “Acho que assim que Lula aparecer nos horários eleitorais ao lado da Dilma, isto poderá fazer diferença a favor dela. Alguns especialistas em pesquisas eleitorais têm avaliado que o brasileiro não escolherá o mais competente, o mais preparado, o melhor currículo para presidente. Marcos Coimbra da Vox Poppuli analisou isso recentemente e a Folha divulgou uma pesquisa na qual o próprio eleitor de Dilma confirma que Serra seria um candidato mais experiente”. Sobre a popularidade de Aécio ajudar Serra, o reitor lembra que “recentemente, bastou que Aécio ‘ombrasse’ com Eliseu Resende e vimos o senador ser eleito, depois de estar em grande desvantagem nas pesquisas. Vimos também Márcio Lacerda, praticamente desconhecido da política, ser eleito prefeito de Belo Horizonte, depois que Aécio e Pimentel foram para o corpo a corpo no segundo turno das eleições de 2008”.
 
Finalizando sua fala, o reitor aponta justamente qual a influência que Lula poderá exercer no eleitorado ligado à UFSJ. Tendo sido beneficiada diretamente pelo programa REUNI estabelecido no mandato do atual presidente, a universidade se expandiu consideravelmente, criando diversos novos cursos e inaugurando novos campi no estado. “A UFSJ e todas as universidades federais foram muito prestigiadas pelo Governo Lula, em todos os aspectos. E acho que isto pode influenciar sim, não só na decisão do voto de sua comunidade universitária, como no voto de pessoas da comunidade que assistem o nosso crescimento”. Faz questão de enfatizar, no entanto, que a universidade não manifesta apoio oficial a nenhum candidato. E levanta o convite para o debate aberto, tanto entre candidatos quanto entre as opiniões dos alunos: “Recentemente, Dilma quis visitar a UFSJ, e não podíamos deixar de recebê-la. Os outros partidos reclamaram disso. Se Serra tivesse vindo, seria diferente? Acho que não. Agora, Serra foi convidado a vir, e se vier, será tão bem recebido quanto foi Dilma”.

Mesmo que os feitos internacionais do presidente aparentemente fiquem em segundo plano para o cidadão comum, certamente fazem parte de uma enorme e carismática persona que Lula construiu em seus oito anos de mandato. O PT possui a seu favor esse poderoso coringa, e os resultados já são notados antes mesmo do início das campanhas oficiais. Serra, em muitos cenários de pesquisas de intenção de votos, fica atrás de Dilma na disputa do segundo turno. O PSDB está ciente disso.
 
Desta disputa acirrada surgirá nosso novo (ou nova) presidente em 2010. O que se pode constatar é a importância destas figuras políticas poderosas suportando os dois candidatos, retrato da forma política brasileira que, mais ou menos visivelmente, destaca muito mais o candidato, deixando o partido em segundo plano. O resultado dessa disputa, porém, só saberemos em outubro deste ano.
 

     
 
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