Após grande impacto de denúncias contra padres pedófilos, instituições religiosas locais se pronunciaram sobre acusações. A Igreja católica mineira se manifestou através de uma nota de esclarecimento ao público liberada pelos representantes legais da Arquidiocese de Juiz de Fora e da Congregação do Verbo Divino sobre as acusações de que três padres teriam abusado de um seminarista. No comunicado, as denúncias do acusador, Francisco José Gomes Filho, são consideradas unilaterais, incorretas e inverídicas. O documento alega que as acusações do ex-seminarista não possuem veracidade ou fundamentações cabíveis e que este possui apenas a pretensão de se enriquecer ilicitamente à custa da igreja.
A nota, que nega todas as acusações, diz respeitar o Princípio do Livre Acesso ao Judiciário, porém declara que não permite que “atitudes infundadas como esta” denigram e manchem o nome e a reputação de “instituições tão sólidas e respeitáveis”. Além disso, as duas instituições declaram que se reservam a tomar medidas judiciais cabíveis e lamentam que Francisco José tenha agido de forma inverídica e utilizado da imprensa para vincular dados “absurdos e infundados”.
O caso começou no último mês de março, quando o ex-seminarista Francisco José Gomes Filho entrou com uma ação de danos morais contra paróquias da Igreja Católica de Juiz de Fora. A ação alegava que o acusador teria sido assediado sexualmente e sofrido ameaças e intimidações por três padres mineiros. Francisco, que atualmente é funcionário de um hotel na cidade de Ponte Nova, reivindicou uma indenização de 1,3 milhões de reais pelas possíveis violações à sua integridade. Apesar de várias movimentações favoráveis, o caso foi levado a júri e considerado improcedente. O tribunal alegou falta de provas e arquivou o processo.
Essa não é a primeira vez que líderes e instituições católicas se manifestam sobre casos de pedofilia. Após o surgimento e a intensificação de denúncias envolvendo membros sacerdotais, o Papa, maior autoridade religiosa católica, se manifestou sobre o assunto, dizendo sentir vergonha e tristeza pelos momentos de sofrimento e constrangimento vividos pelas vítimas e suas famílias. Diferentemente das paróquias locais, o líder reconhece a existência da pedofilia na Igreja e declarou que estão sendo tomadas medidas drásticas para que os jovens sejam protegidos e prevenidos de qualquer crime dessa natureza.