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Educação: água mole em pedra dura...
 
Tanto bate e nunca fura. Em matéria de educação, é incontestável que ao Brasil não se aplica o consagrado dito popular. Tanto se fala sobre educação e pouco se faz concretamente para transformá-la em realidade. Anos, décadas, até séculos de estudos, discursos e promessas, e a educação continua patinando no vermelho. E com ela, o Brasil. Vejam-se os dados do IDEB, 2009

Tomando como referência o ano da Independência do Brasil, é possível dizer que, até hoje, quase dois séculos depois, nenhum governo foi capaz de propor e iniciar um sólido projeto de desenvolvimento de educação a longo prazo. Impossível? Outros países o fizeram. Educação é investimento para as gerações futuras: o Japão, para ser o que é hoje, começou a investir maciçamente em educação em meados do século 19. Nós, em 200 anos, continuamos com o velho e surrado projeto dos imperadores romanos: a política do “pão e circo”. Distribuindo pão e divertimentos, o povo não protesta, fica feliz e continua sustentando os que estão no poder. É bem mais fácil governar assim. No nosso quadro social de milhões de brasileiros famintos, abaixo da linha de miséria, não se nega a urgência de se matar a fome. Mas é bom lembrar que com os recursos a serem destinados ao monumental circo que começa a ser armado no país (copa do mundo e olimpíadas), poderíamos implementar um também monumental projeto educacional. Só o trem-bala vai nos custar, segundo se estima, algo em torno de 50 bilhões de reais. É ingênuo acreditar nos 33 bilhões oficialmente divulgados. Sabemos como se fazem as megaobras no Brasil. Com 50 bilhões é possível acabar com a pobreza no país, se tais recursos forem aplicados em projetos educacionais de grande envergadura. Educação produz cidadãos informados, cultos, éticos e responsáveis, gera bem estar, cria oportunidades de emprego, contribui para eliminar as desigualdades, a violência e a insegurança, entre outras vantagens. O país está crescendo, mas uma ”espada de Dâmocles” paira sobre a cabeça desse crescimento: falta educação até para a qualificação de trabalhadores necessários ao mesmo.

Para não sermos radicalmente pessimistas, nesses 16 anos de governo – FHC e Lula -, alguns passos, modestos, foram dados: processos de avaliação, qualidade dos livros didáticos, bolsa-estudo e a expansão dos ensinos técnico e universitário. Coisas raras: Lula deu continuidade ao que foi iniciado por FHC e os ministros de ambos, técnicos, cumpriram os oito anos de mandato. Antes, era um troca-troca de nomes políticos, que nada tinham a ver com a educação. Mas continuamos esperando por um governo que revolucione a educação no Brasil.

Devemos nos preocupar com a educação em nossa cidade. Há rumores de problemas na Escola Estadual Assis Resende. Os resultados do ENEM deixam a desejar. O JL contribui para levantar as causas desses problemas, ouvindo os vários segmentos envolvidos nessa questão. Quem sabe, ao menos por aqui, a “água mole em pedra dura” vai bater e pode furar.
     
 
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