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Educação
José Venâncio de Resende
Jornal das Lajes > Educação
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Educação em Resende Costa
 

Escola Municipal dos Conjurados atinge nota 5,7 no IDEB 2009

Os últimos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) – IDEB 2009 mostram que menos de 6% das escolas públicas brasileiras do ensino fundamental alcançaram 6,0 no IDEB, nota mínima aceitável como de qualidade pelos os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O IDEB, divulgado pelo Ministério da Educação, avalia a evolução na qualidade da educação em todos os níveis de ensino - primeira e segunda etapas do ensino fundamental e ensino médio.

Na primeira fase do ensino fundamental, o IDEB nacional passou de 4,2 para 4,6, superando a meta prevista para 2009 e antecipando a de 2011. Nos anos finais do ensino fundamental, o IDEB do País evoluiu de 3,8 para 4,0, superando a meta para 2009 e também ultrapassando a de 2011, que é de 3,9. No caso do ensino médio, o IDEB do Brasil avançou de 3,5 para 3,6, superando a meta nacional de 2009.

Nesta entrevista, o secretário de Educação de Resende Costa, Adriano Magalhães, faz um balanço do IDEB das escolas municipais Conjurados e Paula Assis e da Escola Estadual Assis Resende. Também fala de outros assuntos relacionados com a educação, como a importância de se combater a indisciplina na escola.


Jornal das Lajes – Qual é o balanço que o sr. faz do IDEB 2009, divulgado recentemente?
Adriano –
A primeira edição do IDEB (o índice que mede a qualidade da educação básica no Brasil) foi em 2005-2007. A nota média do IDEB, que seria o padrão de qualidade do mundo desenvolvido, é a nota 6. A meta para o ano de 2022, que é o bicentenário da Independência, é que toda a educação básica no Brasil tenha atingido a nota 6. É bom esclarecer que o IDEB mede o quinto ano, ou seja, as séries iniciais até o quinto ano (antigo quarto ano); o nono ano (antiga oitava série) e o ensino médio. As disciplinas avaliadas são língua portuguesa e matemática. Além de fazer essa avaliação da proficiência dos alunos em língua portuguesa e matemática, o IDEB também mede taxa de aprovação, abandono e assim por diante. Então, essas notas são divididas – aí tem todos aqueles cálculos para chegar à nota. Se a média de anos que os alunos levam para fazer uma série, por exemplo do ensino fundamental, é de dois anos, então você divide por dois. Vamos supor que todos os alunos tenham atingido na proficiência (nas provas de português e matemática) a nota média 8 (de uma determinada escola ou um determinado município) e que tenham uma aprovação de 100%. Aí vai ficar com um IDEB 8 durante esse tempo. Mas se teve reprovação, vai sempre dividir pela média de quantidade de anos que os alunos levaram para concluir o quinto ano ou o nono ano.

JL – Então, não seria mais 8?
Adriano – Não seria mais 8. Se a média de anos que os alunos levam para fazer uma série (por exemplo, do ensino fundamental) é de dois anos, então aí você divide 8 por dois. Vai dar o IDEB 4. Então, os dois parâmetros principais que medem o IDEB são a proficiência e a taxa de aprovação, de abandono e assim por diante.

JL - Então inclui abandono?
Adriano –
Também abandono.

JL – E no caso de Resende Costa?
Adriano –
Até 2009, mediu-se o IDEB só das escolas com mais de 100 alunos, geralmente escolas urbanas. Também tem o número de alunos por série – escolas que tem menos de 25 alunos por série é que fazem o IDEB. No caso de Resende Costa, o IDEB de 2007 da Escola Municipal Conjurados foi 4,6. Em 2009, o IDEB do Conjurados atingiu a meta de 5,7 que estava prevista para 2013 – nós antecipamos três anos (o IDEB é bianual, de dois em dois anos). Em 2009, já entrou no cálculo do IDEB a Escola Municipal Paula Assis, que tem mais de 100 alunos.

JL – Ainda sobre o Conjurados, o IDEB abrange todas as séries?
Adriano –
O Conjurados é uma escola até o quinto ano. Então, no caso do Conjurados, essa meta de 2013 já foi alcançada. A média do IDEB mineiro é de 5,6. Então, nós estamos um ponto acima da média de Minas Gerais, a média estadual. Um dos fatores que explicam o bom índice no Conjurados (5,7) é isso; quer dizer, quase não tem abandono. E também o índice de reprovação é bem menor.

JL - E a Escola Paula Assis do Ribeirão?
Adriano –
Foi a primeira que foi medido o IDEB da escola do Ribeirão. No caso do Ribeirão, em 2009, só uma série (nono ano) tinha o número estabelecido pelo Ministério da Educação para fazer o IDEB. Para o próximo IDEB, 2011, o quinto ano vai ser avaliado. A proficiência em matemática, por exemplo, o índice é de 276,46. Em português, é 267,52. Para fazer uma comparação, a maioria das escolas públicas de Minas Gerais e do Brasil ficaram com o índice em torno de 260 em matemática e 230 em português. Comparando com o índice geral das escolas públicas do Brasil, a proficiência lá é boa. Mas o que pesou no nosso IDEB, no caso do Ribeirão, foi a taxa de reprovação, que está um pouco alta. É uma escola de melhor qualidade, que exige mais, cobra mais, portanto tem uma taxa proporcional de reprovação maior. Quando vai fazer o cálculo, isso acaba afetando o índice do IDEB.

JL – E o Assis Resende?
Adriano -
O Assis Resende tem uma proficiência de matemática em torno de 260 e português de 238,90. Então, a proficiência da escola municipal está melhor que a do Estado. Se a gente for comparar os dois IDEB, o do Assis Resende ficou 0,2 pontos na nossa frente; ou seja, ficou com IDEB 4 e nós, no Paula Assis, ficamos com 3,8. Mas é bom sempre destacar que é a primeira vez que foi medido o IDEB na Paula Assis – aquela dificuldade de fazer avaliação externa, que provoca um certo medo etc. A diferença, o que pesou, é a questão do índice de reprovação no Paula Assis. No quinto ano, por exemplo, o Assis Resende teve um índice de aprovação de 73,7 e a Paula Assis teve um índice de aprovação de 56,1. É bem distante. O sexto ano no Assis Resende tem o índice de aprovação de 86,7 e o Paula Assis teve um índice de aprovação de 75,5. O sétimo ano, no Assis Resende, de 83,6; e no Paula Assis, de 67,7. Nono ano, Assis Resende, de 79,3; e o Paula Assis, de 63,9. Então, o nosso índice de aprovação foi bem menor do que o índice de aprovação do Assis Resende, que é uma escola estadual. Então, isso acabou afetando o IDEB, ou seja, dando um IDEB melhor para o Assis Resende em relação ao Paula Assis. Mas o que nós achamos mais interessante é a questão da proficiência: se a escola está ensinando bem. É claro que a Escola Municipal Paula Assis tem provado que o ensino dela é de qualidade e nós queremos melhorar ainda mais. Cabe à rede municipal pensar novas estratégias, forma de intervenção para reduzir o índice de reprovação, o índice de abandono, para a gente manter o padrão, colocar aí um padrão que a gente pensa que é de uma escola de qualidade do século XXI.

JL – Quais foram as notas do nono ano da Paula Assis e do Assis Resende?
Adriano –
Essas duas notas do Paula Assis e do Assis Resende são as notas do nono ano.

JL – Você tem os dados do ensino médio de Resende Costa no IDEB 2009?
Adriano –
Eu tenho dado geral do Assis Resende, ou seja, o IDEB do Assis Resende como um todo (do ensino médio e do ensino fundamental) que é nota 4.

JL – Por que há uma procura grande pela Escola Paula Assis, do Ribeirão, por parte de alunos residentes na própria cidade, sede do município?
Adriano –
Antigamente, para levar para o Ribeirão mesmo um profissional do magistério era aquela dificuldade... Mas a situação se inverteu. A procura é muito grande não só por parte dos profissionais da educação mas também por parte dos alunos e das famílias. Nós temos mais de 60 alunos da cidade que estudam no Paula Assis. Temos vários casos de alunos que a família morava no Ribeirão, ou em outro povoado, e por isso começaram a estudar lá, mas a família veio para a cidade e quis manter o filho na escola de lá. Outros foram por causa de opção mesmo. Então, a procura é grande mesmo de famílias que se preocupam com a educação dos filhos, e assim por diante.

JL - Esses 60 representam quantos por cento do total de alunos do Paula Assis?
Adriano –
A escola tem hoje 322 alunos...

JL –Vai chegar o momento em que a escola não comporta a demanda crescente...
Adriano –
Na verdade, desde quando começou a extensão de sede, sempre houve essa procura. Isso lá desde 1994. Primeiro, filho de algum funcionário público da prefeitura, professores, diretor e assim por diante. Depois, ficou basicamente, vamos dizer, sem critério. A pessoa procura... “Eu quero!”. A gente já praticamente esgotou as vagas... Na escola, até que tem vagas, o problema está no transporte. Também não podemos abrir assim as portas da escola, porque o que funciona mesmo na educação básica, na minha opinião, não é mais aquela ideia de escola grande, com milhares de alunos. Tem que ser uma escola pequena com no máximo 300 alunos.

JL - E o ideal de alunos por classe?
Adriano –
No pré, não pode passar de 20 (o ideal é 16, 18). Nas séries iniciais do ensino fundamental (do primeiro ao quinto ano), passou de 25 já não é bom (o ideal seria 20, 22) – É difícil você estabelecer um número exato porque às vezes tem uma turma com 20, mas se chega uma família lá perto da escola com duas crianças você vai deixar de matricular a criança? Não pode. O ideal vai ser entre 20 e 25. Do quinto ao nono ano, 30 é o ideal. No ensino médio, o ideal é 35. Mais de 35, não é muito bom, não. Então, em algumas séries a escola tem vagas. Por exemplo, tem sexto ano com 20, 22 alunos. Sétimo ano também com 20. Tem até nono ano com 20... No ensino médio, nós já estamos com uma turma no primeiro ano de 35 alunos – não tem vaga mais. No segundo ano, eu acho que tem 22 ou 23. E o terceiro ano – como é o primeiro terceiro ano que nós temos na escola – é pequeno (são 12 ou 13 alunos). Então, o problema é vaga no transporte. A partir do momento que você aceita a matrícula do aluno lá, você tem que garantir o transporte para ele. Agora, quando surgir vaga no transporte... Nós estamos pensando, através de um decreto do poder executivo, regulamentar como se pode aceitar a transferência de um aluno da cidade pra lá, desde que tenha vaga na escola e no transporte. Agora, vamos ter que pensar direitinho sobre os critérios para quem vai pra lá. Se pensar num tipo de vestibulinho, de uma prova, eu acho que aí já exclui também. Você corre o risco de ter curso pré-vestibulinho na cidade para o aluno ser transferido pra lá. As famílias que tem mais recursos vão querer preparar o filho para fazer o vestibulinho para ir pra lá. Eu não sei, eu não pensei outro critério.

JL – Teoricamente, não existe uma separação entre zona urbana e zona rural para efeito de matrícula de aluno...
Adriano –
Não. Qualquer cidadão que mora na zona rural e quiser manter o seu filho na cidade ele pode manter. Só que daí o poder público não tem a obrigação de garantir o transporte. Se o pai quiser levar por conta dele, pagar o transporte, ele pode matricular o filho dele...

JL – E o inverso também é verdadeiro?
Adriano –
O inverno também. Por exemplo, nós temos 10 vagas na escola do Ribeirão, mas não temos vagas no transporte, se alguém quiser estudar e bancar o transporte lá, aí já é problema da família. O poder público oferta a escola – no caso, quando a escola é distante da casa do aluno, ele oferta o transporte pra lá. No caso dos meninos da cidade que estudam no Ribeirão, esse sistema de transporte existe porque ele atende alunos do meio do caminho. São os meninos que moram na rota da escola. Então, por isso é que atende. Agora, falar que o menino da cidade não pode estudar lá e que o da zona rural não pode estar aqui, isso não existe porque o cidadão é tanto cidadão na cidade quanto na zona rural. Agora, a opção do pai, se não estiver dentro daquilo que o poder público oferta, aí já é de responsabilidade da família. Não há como.

JL – No Conjurados e no Assis Resende, o número de alunos por classe está dentro do padrão ideal?
Adriano –
Das escolas municipais, está dentro do que é desejado. Nós não temos nenhuma turma em qualquer escola municipal com excesso de alunos... Na escola estadual, existem turmas que ultrapassam o número ideal de alunos por sala. Eu mesmo que sou professor do Estado – agora eu estou licenciado – já tive turma no Assis Resende com 58 alunos. O excesso de alunos em sala de aula é um dos fatores que acabam contribuindo para o rendimento não muito ideal...

JL – do aluno e do professor...
Adriano –
Imagine você numa sala de aula com 58 alunos, adolescentes. O professor tem dificuldades para manter a atenção da turma, fazer o manejo de turmas e, também, considerando o conhecimento com os meninos, com os alunos... Então, é uma situação que nos preocupa muito. O Assis Resende, por exemplo, é uma escola que foi inaugurada em 1918, uma escola planejada para ter em torno de 300 alunos – não mais do que isso – e hoje praticamente funciona em três períodos, em três turnos, com mais de 1200 alunos. É uma escola que não tem nem espaço para as atividades de recreio. Ela foi ampliando a área construída com salas etc. Então, aqueles antigos pátios foram sendo encurtados. A quadra do Assis Resende, que a diretora fez lá alguns anos atrás, é uma quadra pequena, totalmente fora do padrão esportivo. E você está dando aula e os meninos estão jogando bola na porta da sala de aula - ela está colada na sala de aula. Imagine que você tem uma média de 400 alunos por turno e, na hora do recreio, não tem onde os meninos ficarem, formarem aqueles grupos... Aí fica todo mundo no corredor, começa a gerar transtornos para a escola...

JL – Inclusive de indisciplina...
Adriano –
Inclusive. Nós já cobramos do Estado para que tome providência. Como é uma escola estadual, o poder público municipal não tem poderes de intervenção. A responsabilidade é do Estado. Mas não impede que o poder público municipal faça gestões ao governo do Estado para resolver essa situação do Assis Resende que é seriíssima. Uma questão de espaço mesmo. Vai verticalizar sempre a escola? Aí você vai sair totalmente do padrão arquitetônico da escola, que é um prédio antigo... Não tem como fazer. Eu brinco de vez em quando que a única saída do Assis Resende é sair com o Assis Resende de lá.

JL – Ou criar o Assis Resende B...
Adriano –
A cidade cresceu, nós tivemos a universalização da educação básica... Quando o Assis Resende foi inaugurado, em 1918, o ensino primário não era nem obrigatório. Ele só se torna obrigatório no Brasil com a Constituição de 1934. E, mesmo sendo obrigatório a partir de 34, poucas famílias colocavam os filhos na escola. E quando colocava às vezes saía rápido através dos processos de exclusão, de reprovação etc., etc. Como é impensável o abandono, vai manter esse número. Mas, se a cidade permanecer nesse padrão demográfico de 10.500 habitantes, 11 mil habitantes, vai sempre manter essa quantidade de alunos na escola. Então, o Estado tem de tomar providência... Agora, cabe à administração cobrar, e nós já estamos cobrando. Já fizemos gestão junto ao Estado, estamos cobrando para ver se resolve esse problema do Assis Resende.

JL – Uma saída para isso seria construir um novo prédio?
Adriano –
Um novo prédio, um novo espaço. Por exemplo, a questão do IDEB. Todo mundo sabe que o IDEB é um termômetro, o IDEB não resolve. È como o médico que usa o termômetro para medir febre. Ele vai medir a sua febre, mas não vai curar a sua febre. Então, o IDEB dá apenas um diagnóstico da situação para você fazer as intervenções corretas. Por exemplo, no Assis Resende que está com o IDEB 4, e que tem que avançar mais, vai ter que pensar num monte de atividades, num monte de intervenções pedagógicas - por exemplo, contraturnos, aulas de reforço. Mas se você não tem espaço para isso... Então, se a ideia é fazer a inclusão dos alunos no sistema, manter esses alunos no sistema educacional, você tem que ter uma série de atividades fora das atividades normais porque um professor sozinho na sala de aula não vai resolver, porque também grande parte dos problemas educacionais estão fora da escola. E se a escola quer dar uma ajuda ela tem que pensar em atividades como por exemplo atividades contraturno. Atividades esportivas, de reforço, culturais precisam de espaço. Por exemplo, como é que você vai pensar nisso numa escola que não tem espaço? Nem para uma quadra não tem. E, se tiver aula de reforço lá, eu fico pensando... Se vier uma determinação para a Luzia fazer contraturno – tantas turmas de contraturno – como é que ela vai fazer? Vai ficar correndo atrás do padre para emprestar o CPP, que já é fora do ambiente escolar? Não tem jeito. Então, é pensar nisso aí. Um outro problema que nós temos aqui em Resende Costa – essa questão de espaço – é que nós não temos áreas disponíveis no centro. Ou seja, qualquer intervenção no sentido de construir espaços escolares tem que ser ao redor da cidade. Não existem áreas disponíveis no centro. E se tiver alguma área o valor é muito grande. E também não tem área do tamanho suficiente para uma escola – eu penso numa escola que tem área para quadra, campo de futebol, teatro... Então, é um desafio para a gente ir pensando para o centenário de Resende Costa. Pelo menos dar os encaminhamentos para o centenário: o que que nós queremos nesse sentido (?).

JL – 2012... E o do Assis Resende é logo em seguida, seis anos depois. E em relação ao ensino médio, como está?
Adriano –
No Brasil, o IDEB do ensino médio foi baixo, ou seja, 3,6. Ou seja, para atingir a nota 6 em 2022 vai ter que ser uma intervenção não só dos governos estaduais como também do governo federal e dos governos municipais. Então, vai ter que ter uma intervenção mesmo em relação ao ensino médio... Agora, para melhorar o ensino médio tem que repensar. Existe uma preocupação do Ministério da Educação com um novo ensino médio, existem propostas que devem caminhar para a formação técnica, proposta de manter a educação básica e depois a formação técnica. Eu acho que o caminho melhor é esse mesmo. Você daria uns três anos de educação básica do ensino médio – que prepara o aluno para o ensino superior - e aquele que, ao completar os três anos do ensino médio, se não quiser ir para o ensino superior vai para o curso técnico.

JL – Para quem não quer cursar o ensino superior, não é um prejuízo em termos de tempo?
Adriano –
Mas tem que pensar no geral como um todo, na formação do ser... porque senão você vai pensar só na formação de mão-de-obra.

JL – Mas não poderia ter um ensino profissionalizante de nível médio com formação humana?
Adriano –
Teria sim. Teria que ser praticamente um curso de tempo integral.

JL – As Escolas Técnicas Federais (IFETs) substituem o ensino médio?
Adriano –
É o ensino médio, elas dão o direito ao aluno de fazer vestibular, normal... O que não pode por exemplo é voltar aquelas escolas técnicas – nós tivemos o tecnicismo dos anos 70 – em que o aluno num ano tinha todas as disciplinas – química, física, biologia, história, geografia etc. – e acabava aprendendo muito pouco e depois entrava nas matérias específicas. Agora, fazer articulado a formação geral com a formação técnica seria um bom caminho...

JL – Hoje, elas são período integral?
Adriano -
Eu acho que os IFETs são praticamente período integral... Por exemplo, nas escolas técnicas de São Paulo, parece que é de período integral. Tem algumas escolas técnicas em São Paulo que o aluno mora na escola. Tem alojamento, tem tudo lá... Nos IFETs –antigas escolas técnicas federais – tem alojamento, tem tudo. A de Barbacena, de Ouro Preto tem... Só que aí o governo federal teria que fazer mais investimentos para ampliar o número de escolas técnicas. Nos últimos anos se fez bastante escolas técnicas, mas tem que fazer mais...

JL – Os estados não tem escolas técnicas equivalentes aos IFETs?
Adriano –
O Estado de São Paulo tem – umas 200 escolas -, mas é muito pouco para a população de São Paulo. Em Minas Gerais eu não conheço...

JL – Mas este é um caminho interessante?
Adriano –
Talvez esse seja o caminho mais certo. O problema está nas pequenas cidades. Você manter uma escola técnica tipo o IFET em Resende Costa? Tem uma questão de custo...

JL – Talvez tenha que pensar regionalmente?
Adriano –
Pensar regionalmente. Por exemplo, em São João del-Rei, o IFET começou o ano passado. Mas a quantidade de vagas ofertadas até agora para a região de São João del-Rei é insuficiente ... Talvez mais uns dois ou três IFETs na região do Campo das Vertentes resolva o problema. Agora, que tem que repensar o ensino médio no Brasil, ele tem que ser repensado mesmo.

JL – Entramos na questão dos padrões de referência para uma escola do século XXI... Levando em consideração as exigências hoje do mercado, das próprias universidades, o que seria a adequação da escola a essa nova demanda?
Adriano –
A primeira coisa seria ampliar o tempo dos alunos na escola, a quantidade de horas, dias, anos... Antigamente, a minha geração por exemplo, você completava 18 anos e já tinha aquela preocupação de ter um registro em carteira, um emprego, porque daí 30 anos você estaria aposentado aos 48 anos, 50 anos. E para essa geração que está entrando agora na escola – todos sabem disso – praticamente não vai existir essa ideia de aposentar aos 48, 50 anos de idade, porque o sistema previdenciário público não vai suportar. A idade média de vida do brasileiro está aumentando, e a tendência é aumentar mais – você pensa no mundo desenvolvido, está pensando numa idade média de 80 anos... Outra questão também é que os adolescentes estão terminando o ensino fundamental aos 14 anos de idade... A gente poderia pensar num ensino médio com mais tempo. Esses meninos estão chegando com 14 anos no ensino médio, então poderíamos pensar um ensino médio para quatro anos, cinco anos – mais horas. A hora que ele terminar o ensino médio com 18 ou 19 anos, se ele fez a opção pelo profissionalizante ele já é um técnico formado, já vai entrar no mercado de trabalho, sem aquela correria de entrar no mercado de trabalho, com 17, 18 anos, e trabalhar um tempo até chegar a aposentadoria dele. Ou, se ele for para a universidade, eu não vejo nada demais um aluno chegar com 20, 21, 22 anos numa gradução. Se chegar bem preparado, melhor... Eu sei que existem problemas sociais, muita gente precisa de trabalhar... mas a gente não pode pensar só nisso. Temos que pensar além disso.

JL – Uma das coisas que chamaram a atenção no IDEB foi a falta de interesse dos alunos... Muitas vezes os alunos faltam ou abandonam a escola por falta de interesse, a aula não motiva... Como ampliar o tempo na escola e manter esse interesse?
Adriano –
Diversificar as atividades porque até então toda a responsabilidade da escola é jogada em cima do professor, do regente, que está em sala de aula. Você pode ter uma série de outras atividades pedagógicas na escola que não são necessariamente do professor alfabetizador ou daquele professor de conteúdo específico. Você pode ter atividades tanto na área de esportes, culturais, mesmo na área de informática que não seriam necessariamente de responsabilidade do professor. No Brasil, a gente tem que romper essa ideia de que o professor tem que ser tudo na escola. Então, se a turma está desmotivada, é o professor que não motiva a turma. Esquecemos de pensar que o professor é apenas um ser humano que foi preparado para exercer aquela profissão dele. Então, cobra-se muito do professor para motivar a aula. O professor não tem dotes artísticos.

JL – Como nos cursinhos pré-vestibular...
Adriano –
Os primeiros critérios para contratar um professor de cursinho é se ele é um “showman”. Nem todos os professores são assim, e também não tem que ser assim. O professor tem que dominar o conteúdo. Talvez, sim, diversificar essas atividades... Ampliar o tempo na escola não é colocar o menino mais três, quatro horas sentado na cadeira e acompanhar. Tem algumas coisas que fazem parte da vida da escola, senão não seria escola. Muita gente critica: “O professor dá aula do mesmo jeito de séculos passados”. Eu acho que algumas coisas permanecem. A sala de aula vai permanecer, quadro negro, o giz, o professor explicando uma equação, um cálculo de matemática ou uma teoria da física, algum fato histórico...

JL – O feijão com arroz...
Adriano –
O feijão com arroz vai existir sempre, não tem como. Agora, não pode ficar só nisso. Se for pra ficar só no professor, aí eu proponho que, ao invés de ampliar, reduza o tempo para ver se motiva os alunos.

JL – Tem uma avaliação das melhores escolas no IDEB, como Cajuru em São Paulo, que adotaram o chamado feijão com arroz... Ainda dá ditado, tabuada de cor...
Adriano –
Eu ouvi a professora Marilena Chauí uma vez, numa palestra em São Paulo, em que ela toca nessas questões. Se a escola não está preparada para as novas propostas pedagógicas, não tem quadros suficientes, não tem esses espaços para múltiplas atividades na escola, é melhor ficar no feijão com arroz porque pelo menos o professor domina... E funciona, sim. Geralmente é atribuído ao professor a responsabilidade pelo fracasso escolar... Eu não concordo em hipótese alguma com isso. É claro que o professor é a peça fundamental. Se não é a peça fundamental da escola, é um das mais importantes. Não existe em hipótese alguma escola sem professor e sem o aluno... O professor é peça fundamental na escola. Pra gente melhorar esses índices, fazer as intervenções corretas, os governos de uma forma geral vão ter que investir muito nessa categoria de profissionais que vem há muito tempo sendo esquecida. Pensou-se em tudo: na inclusão, na expansão da rede física, no sistema de transporte... E a motivação da classe dos professores é muito pouca, porque quando a gente fala em motivar o professor, preparar o professor, tem que pensar na questão da auto-estima dele: salário... Capacitação, treinamento e preparo resolvem? Resolve sim, mas não pode ser só isso. Por exemplo, a questão do IDEB do Conjurados (5,7)... Se eu fosse definir alguns dos motivos que levaram a esse IDEB, eu falaria em capacitação, treinamento, o curso que eles fizeram aí durante dois anos, chamado Pró-Letramento, na área da língua portuguesa e na área das matemáticas, que tem parceria do Ministério da Educação, UFMG etc. Terminaram agora e já deu um resultado bastante positivo. Mas só isso não resolve. Tem que pensar na auto-estima do professor... Quando eu estou falando em auto-estima, motivação, salário é também peça importante aí.

JL – Porque o professor não tem somente a sala de aula, tem trabalho em casa, a preparação da aula...
Adriano –
O professor tem essa jornada dupla que pouca gente conhece. Só quem está no meio é que conhece como é essa jornada dupla... Além disso, ele está lidando com seres humanos... Então, as situações de conflito acabam pesando...

JL – Tem a falta de interesse dos alunos, os alunos que não querem saber de nada, o próprio fruto do trabalho do professor...
Adriano –
Por experiência própria – eu tenho mais de 30 anos de magistério – o que fica na nossa cabeça, o que todo mundo lembra, é aquele aluno que não aprendeu, aquele aluno que bagunçou... O aluno bom, aquele que aprendeu etc., pouca gente lembra. Eu mesmo já tive excelentes alunos. No Assis Resende mesmo já saiu muitos alunos bons... Alunos que já fizeram a universidade, alunos que já fizeram o doutorado... No Paula Assis, eu tenho aluno que entrou no mestrado... Eu não sou alfabetizador, eu nunca trabalhei com séries iniciais, mas você percebe que a maior alegria da professora do pré e do primeiro ano é quando o aluno começa a ler. Elas fazem questão de contar pra você...

JL – Não se vê isso no ensino médio... Por exemplo, um aluno do Assis Resende virou juiz ou professor-doutor de uma universidade famosa...
Adriano –
Nós temos vários casos, mas acho que talvez seja uma das falhas da escola não divulgar isso aí, mostrar...

JL – As escolas particulares costumam fazer bem essa divulgação ...
Adriano –
Eu entrei no Assis Resende em 1991. Antes eu trabalhava em São Paulo. Então, tem... que eu estou lembrando agora, tem uma professora-doutora de física na Universidade Federal de Outro Preto (se não me falha a memória); tem um professor-doutor de filosofia da Universidade Federal de Alfenas; tem uma série de ex-alunos que são mestres; tem ex-alunos que estão fazendo medicina; tem um punhado na área de engenharia, na medicina; tem jornalistas...

JL – A história do Assis Resende é muito rica, talvez falte essa visão...
Adriano –
Eu vou propor para a Luzia, diretora, quando chegar em 2012, centenário da cidade, preparar também o centenário do Assis Resende, resgatando essa história de ex-alunos, não só dos antigos ex-alunos, mas também dos mais recentes que você está encontrando toda hora aí na rua. Muita gente que não foi para o ensino superior está exercendo profissões dignas por aí, lidando na área do comércio... A educação básica não é só para preparar para o ensino superior; é para preparar cidadãos.

JL – Uma das coisas no IDEB que ficam claras é que os maiores problemas da educação estão nos grandes centros urbanos; as cidades menores em geral tem um desempenho melhor... E você teve uma experiência em São Paulo e em Resende Costa...
Adriano –
A minha experiência de São Paulo é mais antiga, dos anos 80... Eu trabalhei numa escola de periferia, situações de conflitos, isso acabava afetando. Então, em termos de qualidade, a escola do interior tinha uma qualidade melhor. É bom que se diga que havia diferenças... As escolas públicas de São Paulo tinham quatro turnos - eu nunca vi isso na minha vida. Começava as 7 horas da manhã, outro começava às 11 horas, outro às 3 horas da tarde e outro às 7 da noite. A escola não parava, tipo uma linha de montagem. Às vezes não tinha nem tempo de lavar os banheiros. Uma loucura isso aí, no Estado mais rico da Federação. Hoje, não sei se funciona ainda quatro turnos... Os turnos da manhã e da tarde tinham um rendimento melhor, a situação era mais tranquila. Agora, violência dentro da escola naquela época não tinha. Eu não peguei essa época da violência, a não ser um aluno furar pneu de um carro, essas coisas assim. Mas de agressão a outra pessoa, de intimidação, essas coisas, não.

JL – Como você vê a questão da indisciplina hoje?
Adriano –
A Constituição é muito clara: a educação é responsabilidade do Estado e da família. Agora, as situações de comportamento, aquilo que nós chamávamos antigamente de relação de respeito, isso a família tem uma influência muito grande, moldando os seus filhos para que tenham uma relação de civilidade com outras pessoas. Agora, isso é um problema sério. Às vezes, aluno trata o professor com desrespeito. Não admito essa ideia de tratar com desrespeito. Mas você tem casos de desrespeito a professor... embora na minha atuação eu nunca tenha tido esses problemas, a não ser aquelas indisciplinas mais leves, de o aluno brincar, conversar, tentar atrapalhar a aula... mas eu nunca enfrentei, pessoalmente, uma relação de confronto, parte de indisciplina de aluno, não. Mas eu acho que atrapalha, sim. Tem uma frase do (professor) Mário Sérgio Cortella que eu gosto muito: “Muita gente se preocupa: que mundo nós vamos deixar para os nossos filhos. Devíamos inverter: que filhos vamos deixar para o mundo”. Aí entra uma questão de as famílias repensarem sua relação com as crianças na questão da educação, na imposição de limites. Houve nos últimos tempos o que poderíamos chamar de uma certa “ditadura” das crianças com relação aos pais. Então, os pais, os responsáveis pela educação dos filhos fora da escola, tem que impor limites. A escola também tem que impor os seus limites. É o limite que vai educar mesmo: “Até onde eu posso ir”. Se não impor limites, tanto a família em relação aos seus filhos ou a escola em relação aos alunos, a situação se complica. A imposição de limites é fundamental. Um dos motivos que levam os pais a procurar a Escola Municipal Paula Assis é nós mantermos uma certa disciplina lá. A gente não tem muita tolerância com indisciplina de aluno, não. Quando tem que fazer alguma intervenção, a gente faz. Engraçado que todos que ultrapassam os limites sabem perfeitamente os seus direitos... “Eu vou procurar o conselho tutelar...”, “Eu vou procurar o Ministério Público”... Aqueles que gostam de ultrapassar os limites - “Se você fizer isso, eu procuro...” - aí nós temos que responder: “Se você procurar, nós vamos responder ao Ministério Público, nós vamos responder ao Poder Judiciário, ao conselho tutelar... E se o poder judiciário achar que você tem o direito de fazer isso na escola, ele vai baixar uma sentença, uma ordem e, aí sim, nós vamos cumprir”. Lá no Paula Assis é uma prática antiga manter o controle... Mesmo assim, tem momentos que a diretora tem que usar o pulso mesmo para segurar. Afinal de contas lidamos com adolescentes. Se não tiver uma certa firmeza para com eles, aí você perde o controle, eles te botam para fora da sala de aula...

JL – Você disse que uma das razões de a nota do Paula Assis ter sido mais baixa foi a taxa de reprovação e de abandono. E agora você fala da disciplina mais rígida lá...
Adriano –
Aí influi no índice de proficiência. Paulo Freire sempre dizia: “Não existe aprendizagem num ambiente de indisciplina. A disciplina é fundamental para qualquer relação pedagógica”. Ele sempre chamava a atenção: não confundir a autoridade do professor com o totalitarismo, o absolutismo do professor. A autoridade não tem nada a ver com o autoritarismo. O professor tem que exercer a autoridade. Você não pode admitir espaços de indisciplina que vai afetar o rendimento dos alunos...

JL – Voltando a Ribeirão, a extensão de série continua lá? O aluno, terminando o ensino médio, fica mais um ano?
Adriano –
A idéia é fazer o quarto ano técnico.

JL – Já está valendo?
Adriano –
(mudança de fita) ... administração rural etc., sempre de acordo com a demanda da zona rural, abrindo também espaços obviamente para os alunos da cidade. Aí a gente vai ter que pensar a forma de como poder incluir algum aluno da cidade...

JL –A que se atribui esse sucesso da Escola Paula Assis, essa construção de ser uma escola referência?
Adriano –
Primeiro, eu acho que foi uma novidade para a zona rural quando nós levamos isso em 1994 pra lá, porque até então a zona rural tinha somente aquelas escolas pequenas, com professoras trabalhando com turnos multisseriados; algumas escolas iam só até o terceiro ano – não tinha o antigo quarto ano. E a Constituição de 1988 universalizou o ensino fundamental - o ensino fundamental completo passou a ser um direito constitucional. E a administração da época – eu estava na Secretaria – decidiu fazer o seguinte: ao invés de fazer a expansão do ensino fundamental na cidade, por que não fazer na zona rural? Em vez de tirar o menino da zona rural e trazer pra cá, aí nós resolvemos fazer lá. Então, isso foi uma novidade na zona rural para a região das Vertentes, como um todo. É a primeira cidade a ter ensino fundamental completo na zona rural aqui na região das Vertentes e uma das poucas cidades no Estado de Minas. Começamos a escola com essa ideia. Estivemos a felicidade de ter um quadro de professores bom, professores comprometidos, alguns estão lá desde o início; então, isso deu uma certa continuidade no processo – todos os professores são conhecidos da população...E o jeito que a gente criou a escola desde o primeiro momento foi baseado nesse fundamento da disciplina, ou seja, aprendizagem com disciplina, cuidado com a escola, isso nós não abrimos exceção. Eu lembro que na primeira semana de aula – acho que no terceiro ou quarto dia de aula – nós começamos lá a extensão de série em 94, alguns alunos chegaram numa kombi – que fazia o transporte escolar – com um mico, que pegaram no meio do caminho. E chegaram naquela alegria. Quando entraram na escola, um professor lá, positivo na questão da disciplina, passou o maior sabão nos meninos. Foi uma meia hora de discurso, fez os meninos soltarem o mico no meio de uma bananeira para cima da escola e alertou para que não fizessem isso mais porque iam ter sérios riscos. E os meninos ficaram com medo. Então, são questões simbólicas que levam a gente a afirmar que a questão da disciplina é fundamental. Mas não é só isso. Tem a permanência do quadro de professores...

JL – O sr. considera que a municipação ajuda nesse sentido?
Adriano -
Por ser uma escola municipal, o prefeito está próximo, o secretário está próximo... É diferente da escola do Estado. A diretora da escola, quando tem algum problema, tem que entrar em contato com a inspetora, a inspetora com a diretora regional... até chegar ao secretário de Educação. Passa por uma hierarquia de poder que tem umas 10 ou 15 pessoas. Nem pensar em governador intervir numa situação concreta da escola. E nos municípios grandes é mais difícil, mas num município pequeno, com menos de 30 mil habitantes, o prefeito sabe tudo o que acontece na escola, o secretário sabe... Então, a municipalização nesse sentido facilita muito mesmo as intervenções públicas. E os investimentos que foram sendo feitos ao longo do tempo na escola. Quando nós fizemos a extensão de sede em 94, logo depois veio outra administração que deu sequência ao processo ... Depois veio outra e agora essa . Então, não houve um abandono das adminsitrações. Ainda bem porque a educação se pensa a longo prazo. Não é porque um prefeito fez uma obra boa que um opositor que ganhou a eleição seguinte diz: “Aquilo lá foi feito por fulano de tal... Eu vou destruir e fazer outra”. Quando eu deixei a Secretaria de Educação em 96, também por felicidade nossa a pessoa que assumiu a Secretaria, a dona Inácia, assumiu a escola como um todo. Ela viu o projeto, gostou e permaneceu. E assim foi a mesma coisa com a Maria das Dores... Então, eu acho que é a continuidade, é a sequência de investimentos. A educação você só tem resultado a longo prazo. Ou seja, nós estamos colhendo os frutos desses investimentos agora.

JL – Algum novo investimento?
Adriano –
Nós estamos entregando mais uma obra de ampliação da escola Paula Assis. Nós fizemos mais um bloco de salas de aula, laboratório, pátio reformado... investimento aí de quase 300 mil reais. Se fosse uma escola do Estado, até o secretário de Educação lá em Belo Horizonte despachar esse investimento para recuperar leva no mínimo um ano, dois anos. Além das idas e vindas de diretor, de projeto, de dinheiro...

     
 
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