Giro Esportivo

Jogos Olímpicos no Brasil ficarão marcados na história

16 de Setembro de 2016, por Emanuelle Ribeiro 0

Encerradas as Olimpíadas 2016, a sensação é de que o Brasil ganhou muito mais do que as 19 medalhas conquistadas pelos nossos atletas. Apesar do instável momento político-econômico, o país mostrou para o mundo a capacidade para a organização de um grande evento como foram os Jogos Olímpicos Rio 2016. Até podemos tentar, mas não é fácil colocar defeitos no que aconteceu aqui entre os dias 5 e 26 de agosto. Alguns problemas e imprevistos ocorreram, mas não o suficiente para apagar o brilho das Olimpíadas.

Quem não irá se lembrar de Bolt, o imbatível? O raio humano deixou o Brasil com um feito inédito: foi o único a conquistar o chamado "triplo triplo" (tricampeonato dos 100m rasos, 200m rasos e do revezamento) na história dos Jogos. Com as três medalhas de ouro conquistadas no Brasil, Bolt chegou à marca impressionante de nove ouros em Olimpíadas.

Como esquecer as performances do nadador mais rápido do mundo? No Rio, Michael Phelps ganhou seis medalhas, tornando-se o atleta olímpico mais premiado da história. Agora, o norte-americano tem 28 medalhas. Falando nos Estados Unidos, o que foi a ginasta Simone Biles no Brasil? Um verdadeiro fenômeno! Em sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, Biles deixou o país como rainha. Conquistou quatro ouros (por equipes, no individual geral, no salto e no solo) e um bronze (na trave).

Os brasileiros também emocionaram. O primeiro ouro, conquistado pela judoca Rafaela Silva, coroou a história de superação da brasileira: após uma participação difícil em Londres 2012, Rafaela foi vítima de racismo e chegou a parar com os treinos. Ainda bem que voltou! Quem também deu a volta por cima foi Diego Hipólito, que superou os tombos nos dois últimos Jogos e caiu de pé no Brasil após uma apresentação perfeita: ficou com a prata na Ginástica. Bonito fez também Thiago Braz, no salto com vara. O brasileiro desbancou o francês Renaud Lavillenie e ficou com o ouro. O adversário, porém, não aceitou a derrota e deu declarações ofensivas, assim como o seu técnico, que relacionou a vitória de Braz à intervenção de forças místicas. Quem vai ficar marcado para sempre na memória dos torcedores é Isaquias Queiroz, de 22 anos. O canoísta conquistou três medalhas: prata no individual mil metros, bronze no individual 200 metros e prata nos mil metros em dupla (junto com Erlon Souza).

Sete medalhas de ouro, seis de prata e seis de bronze. Esta foi a marca do Brasil em casa. Destaco, também, o ouro do Vôlei Masculino, marcado pela despedida do ídolo Serginho das quadras. Foi ainda no Rio 2016 que o futebol brasileiro desencantou e conquistou seu primeiro ouro nas Olimpíadas. A seleção liderada por Neymar começou mal, mas se recompôs e, justamente contra a Alemanha, foi campeã pela primeira vez. Mas não foram os homens que ganharam o apoio do torcedor. As meninas, lideradas por Marta, levaram os brasileiros aos estádios e retomaram a confiança das arquibancadas. Pena que não veio a medalha: as brasileiras terminaram em quarto. A participação feminina nos Jogos levantou um questionamento: após ver a empolgação dos brasileiros com a seleção, não seria o momento de a CBF olhar mais pelo futebol feminino? Um campeonato nacional para a categoria é necessidade!

Foi tudo muito bonito e bem preparado, mas há o que se aprender: o bom desempenho do Brasil em esportes coletivos, como futebol e vôlei, é fruto dos investimentos que tais modalidades têm recebido ao longo dos anos. Então, se quiser melhorar seu desempenho nos Jogos Olímpicos, o Brasil precisará investir na prática de modalidades esportivas variadas nas escolas, como fazem os países mais vencedores do evento. Segundo o Censo Escolar 2015, seis em cada dez escolas públicas do país não possuem quadra esportiva. Além de investir na estrutura, é preciso preparar melhor os profissionais. Há modalidades que podem desenvolver talentos sem necessidade de investimento inicial alto, como o atletismo: corrida, revezamento e corrida com obstáculos, por exemplo. Quando o ensino público incorporar de fato a educação para o esporte, além das medalhas, será formada uma geração de jovens mais preparados, com mais qualidade de vida e bem-estar. No Rio 2016, foi observado que a maioria dos atletas campeões nos esportes individuais pertence às forças armadas. O Desporto Militar do Ministério da Defesa informou que está elaborando uma nova estratégia para apoiar a formação de atletas que competirão nas duas próximas edições das Olimpíadas e dos Jogos Mundiais Militares e para identificar talentos esportivos em escolas públicas. Aguardamos os resultados.

Enfim, com uma festa de abertura sensacional e vários momentos que ficarão para a história, as Olimpíadas no Brasil foram um sucesso. Os Jogos Paralímpicos, com encerramento no próximo dia 18, também estão ótimos! Temos personagens e histórias incríveis, que devem ser valorizados. Eu adorei e estou adorando. Inclusive, queria mais. Os Jogos no Brasil deixaram saudade e o desejo de que o evento poderia ser realizado todos os anos. Se era ou não era o momento certo para a realização do evento por aqui, isso não importa mais. Já foi. E foi muito bom. Parabéns, Brasil!