Apesar das oscilações de mercado, preços dos imóveis continuam elevados em SJDR


Cidades

José Venâncio de Resende0

fotoVista panorâmica da cidade a partir do Edifício São João (Foto José Venâncio)

Passado o período de chegada a São João del-Rei dos estudantes universitários, a tendência é o mercado ficar “morno”, como define o corretor José Ronaldo Trindade, da Imobiliária Trindade, no centro da cidade. “O mercado está com oferta maior. Já acomodamos todos os estudantes, praticamente.” Resta atender à demanda composta por pessoas que chegam à cidade para trabalhar, as que vão se casar ou as que se mudam para imóveis menores a fim de cortar gastos.      

Para Sônia Maria Campos, da Krásis Empreendimentos Imobiliários, que atua principalmente no bairro Fábricas, “o início desse ano foi muito bom, melhor do que no ano passado.” Entraram na Krásis cerca de 25 imóveis por mês para aluguel e todos foram alugados.

Nos períodos de início (janeiro-fevereiro) e meio de ano (julho-agosto), nas regiões próximas às universidades, há muita procura por imóveis e não há oferta suficiente, diz Sônia Campos. “Os estudantes procuram principalmente casas grandes (a partir de quatro quartos) para formar repúblicas. Mas há também procura de quitinetes, abaixo de R$ 500,00.”

Agora, esse movimento caiu pela metade, constata Sônia Campos. De um lado, sobram apartamentos e, de outro, famílias procuram casas para alugar, mas não encontram. “E o pessoal se assusta com o preço do aluguel, que é mais alto do que em Belo Horizonte e Lavras.”

Luiz Carlos Faccion Cipriani, da Imobiliária Líder, no centro da cidade, concorda que os preços do aluguel estão altos, mas diz que “está havendo muita negociação.” Ele considera que, nesse ano, a procura dos estudantes não foi tão elevada.  

Para Luiz Carlos, entre os estudantes tem havido maior procura por quitinetes (30 a 50 m2) devido à opção dos pais. Por outro lado, menos repúblicas têm sido montadas. “O que existe é uma rotatividade de moradores nas repúblicas.” Atualmente, há muita oferta de imóveis e pouca demanda.  

É difícil avaliar o impacto da presença de universitários de outras cidades no mercado imobiliário local. Na UFSJ, por exemplo, a evolução do número de alunos matriculados na graduação (campi Santo Antônio, Dom Bosco e CTAN) foi negativa nos últimos três anos. Ou seja, o número caiu de 7.655 alunos, em 2016, para 7.375 este ano, segundo a Assessoria de Comunicação. O alojamento da Universidade, no CTAN, tem 112 vagas, das quais 52 já ocupadas, e o plano é preencher logo as vagas remanescentes, de acordo com o Setor de Moradia. Mas até que ponto isso se reflete no mercado de aluguéis?

 

Oscilação

Esse mercado oscila muito, observa José Ronaldo, da Trindade. Um dos fatores é justamente a presença das universidades. Todo início e meio de ano, a cidade recebe novos calouros que vêm procurar imóvel de aluguel, o que aquece a demanda. Dois grupos de estudantes sobressaem: aqueles que procuram imóveis maiores (para 10 ou mais pessoas) e os que procuram imóveis para duas a quatro pessoas. “Duas vezes por ano se faz bastante negócio.”  

Outro fator é a entrega, de tempo em tempo, de casas e apartamentos populares (40 a 45 m2), o que “é bom para quem procura imóvel para alugar. Como vagam imóveis, a gente tem de baixar o preço para alugá-los”, acrescenta o corretor da Trindade.   

 Da mesma forma, a construção de imóveis semipopulares, padrão “Minha Casa Minha Vida” (50 a 60 m2), financiada em 100% pela Caixa, contribui para a queda do preço do aluguel. “Com essa oferta maior, os preços tendem a se estabilizar”, avalia José Ronaldo.

Cerca de 50% do grande número de imóveis, entre quitinetes e apartamentos (70 a 80 m2) financiados pela Caixa Econômica Federal nos últimos anos, são colocados nas imobiliárias, de acordo com Luiz Carlos. “A outra parte é administrada pelos próprios donos.”

Além disso, nos últimos anos houve incentivo à construção de casas para a venda, acrescenta o sócio da Líder. “Essas construções para venda diminuíram muito ultimamente por falta de incentivo. Mas os imóveis construídos estão no mercado, não foram absorvidos pela demanda.”

No momento, ainda existe a opção de financiamento total do imóvel (inclui o custo do terreno) para moradia, mas o investimento é caro. “Tudo isso está influindo no preço do aluguel”, conclui Luiz Carlos.  

O corretor Eustáquio Coelho Resende, da Venância Imóveis, está há pouco menos de um ano no mercado de aluguel de imóveis residenciais (casas e apartamentos). “Temos clientes toda hora procurando imóveis para alugar, mas não temos. Estamos com falta de imóveis para aluguel.”

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