BR-265: queda de ponte agrava situação da rodovia que já matou 123 pessoas em 4 anos


Especiais

José Venâncio de Resende 0

Queda de ponte próximo ao Trevo de Nazareno (Foto: Estado de Minas).

Há pouco menos de um mês, na madrugada de 11 de março, uma ponte de cerca de 12 metros caiu na altura do Km 300 da BR-265 – próximo ao trevo de Nazareno (MG) no trecho Lavras-São João del-Rei. Com o trecho interditado, é preciso fazer um desvio de cerca de 80 quilômetros por rodovias pavimentadas, como a BR 494 (via São Tiago). No entanto, vários motoristas resolveram arriscar-se pelo desvio para veículos leves, na estrada rural de Palmital, em Nazareno, e muitos caminhoneiros não estão respeitando o limite de 10 toneladas.

Cerca de 3 mil veículos circulam diariamente na BR-265, dos quais entre 300 e 900 veículos pesados (dois eixos), dependendo do mês, de acordo com relatório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DENIT). “Isso é mais que suficiente para causar acidentes, deteriorar a estrutura da rodovia e, mais ainda, justificável para exigirmos uma duplicação (ou a terceira faixa em pontos críticos)”, diz Daniel Gedder Silva, um dos líderes do movimento “Somos todos vítimas da BR265”, ao lado de Kelly Torres e Érlon Halis.

A queda da ponte, “sem manutenção e fiscalização do DNIT”, veio agravar a situação de uma rodovia, marcada pelo desleixo e abandono, diz com Daniel. Milhares de pessoas dependem da BR-265 para trabalhar, estudar e fazer tratamentos nos hospitais de Lavras e São João del-Rei. A rodovia é rota importante de caminhões e carretas, tanto para entregar cargas em outras regiões do país (produtos agrícolas e industriais, cimento etc.) quanto para abastecer o comércio e as populações dos  municípios da região. Sem falar dos ônibus interurbanos, que transportam turistas e passageiros que trabalham em outras cidades. As rotas alternativas não atendem satisfatoriamente essas demandas, seja pelas condições precárias de tráfego em trecho de terra, seja pelo aumento no número de acidentes que paralisam o trânsito e resultam em vítimas, entre feridos e mortos. 

Acidentes

Considerada uma das rodovias mais violentas do Brasil, a BR-365 ocupa o terceiro lugar nesse triste ranking, perdendo apenas para a MG-050 e a BR-381, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). As péssimas condições da BR-265 contribuem para o alto número de acidentes, diz Daniel. “Em quatro anos, 123 pessoas perderam suas vidas no trecho de Lavras a São João Del Rei. O alto fluxo de automóveis, animais na pista, curvas perigosas, buracos no asfalto, radares em locais adequados, terceira pista e acostamentos contribuem significativamente para que acidentes automobilísticos ocorram de forma constante nessa rodovia.”

Dos dos 427 km pesquisados da BR265, apenas 10 km estão em ótimas condições; 238 km, em situação regular; 75 km, ruim; e 10 km, péssima, de acordo com o mais completo estudo sobre as condições das rodovias brasileiras, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A classificação do estado geral e a pavimentação são regulares, a sinalização é boa e a geometria da via é péssima. “As indicações da Pesquisa CNT de Rodovias são uma referência para a definição e aplicação dos recursos de forma eficaz. Contudo, os usuários da BR-265 não têm notado a aplicação adequada desses recursos”, afirma Daniel.

Essa falta de investimentos é a causa do elevado número de acidentes fatais, acrescenta Daniel. “No ano de 2014, a SEDS registrou 39 mortes e em 2015 foram 30 mortes. A SEDS ainda registrou o número de vítimas graves: foram 108, em 2014, e 67, em 2015. Desde a criação do movimento (Somos todos vítimas da BR 265), em 12 agosto de 2015, até agosto de 2016, foram registadas 25 mortes. No ano seguinte (2016-2017), o movimento registrou 23 mortes. Neste ano (2018), em apenas três meses já foram registradas seis mortes.”

Dados do movimento “Somos todos vítimas da BR265” mostram que ainda prevalece o alto número de acidentes, complementa Daniel. “Semanalmente, são registrados em média quatro acidentes graves.” Riscos e perigos concentram-se em trechos como: o Km 283 (trevo de Nazareno); o trevo do Tijuco, em São João Del Rei; a curva do Tio Romeu, em Barroso; a ponte do Rio Grande e do Capivari, entre outras localizadas nas curvas. Em pontos mais críticos, como a famosa “curva do Dr. Hélcio”, localizada depois da ponte do Rio Grande, sentido Itutinga-Nazareno (entre o Km 306 e o 290), em um só dia chuvoso registraram-se 10 acidentes.

Providências

Nos últimos anos, aumentou exponencialmente o tráfego de carretas e caminhões na via, o que contribui para a deterioração da rodovia e o aumento da concentração diária de veículos, diz Daniel. “No dia 5 de maio de 2016, o superintendente do DNIT, engenheiro Fabiano Martins Cunha, compareceu na Audiência Pública em prol da duplicação da BR-265, que ocorreu em Itutinga. Ele informou que estava sendo realizado um balanço do número de veículos que transitam na BR-265, por meio de um equipamento instalado no Km 311. Segundo o engenheiro, no mês de abril de 2016, cerca de cinco mil veículos por dia transitaram na rodovia (no trecho entre Lavras e São João del-Rei).”

A providência mais urgente seria a construção de um acesso provisório, até o erguimento da nova ponte. Além disso, o movimento “Somos todos vítimas da BR-265” propõe soluções para minimizar os problemas em pontos críticos da rodovia, diz Daniel. São medidas como implantação de 40 km de terceiras faixas no segmento São João del-Rei - Lavras, com acostamentos; trevo próximo ao bairro Fonte Verde (Km 353), em Lavras; instalação de radar nas curvas do Rio Capivari (Km 333), divisa Lavras-Itumirim; instalação de radar na "curva do Dr. Hélcio", localizada depois da ponte do Rio Grande, sentido Itutinga-Nazareno (entre o Km 306 e o 290); e balança para pesagem estática de caminhões (km 287).

Segundo Daniel, o movimento “Somos Todos Vítimas da BR265” não tem medido esforços para tentar sanar os problemas da rodovia federal. Ele cita ações como manifestações na BR-265; blitzs educativas; pedidos de melhorias via ofício e até mesmo ida pessoalmente ao DNIT, bem como o envio de ofícios para (e reuniões com) os deputados mais votados da região.

LINKS RELACIONADOS:

- Blog Somos todos vítimas da BR265 - http://somostodosvitimasdabr265.blogspot.com.br/ 

- Facebook - https://www.facebook.com/somostodosvitimasdabr265/

 

 

 

Deixe um comentário

Faça o login e deixe seu comentário