Energia solar fotovoltaica ganha espaço nos telhados de Resende Costa

Vereador Fernando Chaves propõe criar, no município, incentivo ao uso de energias renováveis, em especial a solar fotovoltaica, inclusive instalando paineis nos prédios públicos.


Economia

José Venâncio de Resende0

Paineis solares na Pousada Escondidinho (foto cedida por Marcelo Paiva).

O novo relatório sobre “Mitigação da Mudança Climática”, do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), divulgado em abril, traz vários alertas. Um deles é que “não dá para resolver a crise do clima apenas plantando árvores”. Em outras palavras, criar e recuperar florestas não são suficientes para compensar o aquecimento produzido pelos combustíveis fósseis e pelo desmatamento.

Outro alerta é sobre a urgência de reverter o aumento das emissões na pandemia, retomando a direção de substituir os combustíveis fósseis por energia renovável o mais rapidamente possível. Só assim seria possível limitar o aquecimento do planeta a apenas 1,5º C (meta do Acordo de Paris). O relatório do IPCC ainda adverte que o prazo está mais curto (algo em torno de 8 anos), às taxas atuais de emissões de CO2, para atingir a meta de1,5º C e proteger o clima.

O mundo está 1,1ºC mais quente do que na era pré-industrial, e os efeitos desse aquecimento já são sentidos em muitas partes do planeta. E se ultrapassarmos o limite de 1,5º C até o final do século, será preciso remover o dióxido de carbono da atmosfera para baixar as temperaturas abaixo deste limite.

Energia solar

Uma das energias renováveis, a solar fotovoltaica, vem ganhando terreno, ou melhor, telhados em Resende Costa. Há três anos, a Pousada Escondidinho, no bairro Zé Padeiro, instalou um kit (inversor e 17 paineis ou placas), cujo investimento na época foi de R$ 24 mil, de acordo com Weber Vieira.

A esta altura, o investimento já está pago, garante Weber que é filho de Gizelia do Zé Padeiro. Logo depois da implantação do sistema, a conta da energia, de cerca de R$ 1.200,00, caiu em média 70 a 80%. A pousada paga entre R$ 236,00 e R$ 252,00 de conta mensal.  

O projeto de Diego Tadeu da Silva Santos é mais recente, de junho de 2021. Com capacidade para 17 placas (14 efetivamente instaladas), o sistema atende a casa de Diego no bairro Santa Terezinha e a casa de seu pai no bairro Zé Padeiro. O plano é incluir mais uma residência.

Diego investiu R$ 21 mil no projeto, que gera 530 kilowatt (kW) por mês para um consumo de 390 kW. É justamente esta sobra que Diego pretende destinar a uma terceira residência.

Marcelo Paiva, técnico em montagem de painéis da EFL Energia Força e Luz, conta que no ano passado instalou 13 kits em Resende Costa, “uns maiores, outros menores”; e este ano, até agora, já instalou seis unidades. A tendência tem sido por inversores maiores, de 7 mil a 10 mil Watts para 20 a 25 placas, explica. “As pessoas estão preferindo comprar um inversor maior, mesmo pagando um pouco mais caro, para ficar com uma sobra para colocar mais placas no futuro. A gente vende também sistemas maiores para empresas; a gente acabou de vender um inversor de 60 mil Watts para 220 paineis.”

Formas de pagamento

Diego Santos é correspondente bancário, o que inclui a comercialização de energia renovável (serviço, engenharia, instalação e homologação junto à Cemig). Para ele, há diferentes formas de pagamento de um projeto fotovoltaico: empresas que financiam com capital próprio; empresas que aceitam entrada e parcelam o restante; e o financiamento bancário.

Em Resende Costa, é normal o financiamento bancário a taxas de juros bem mais baixas do que as linhas de crédito convencionais. Os bancos fazem aquilo que o governo deveria fazer, observa Diego. “São os próprios bancos que criam suas políticas de crédito (exceção é o BNDES para projetos empresariais com retorno), comprometendo-se com a Agenda 2030 da ONU. A energia limpa ou renovável é um dos instrumentos para atender a essa agenda.”

A Agenda 2030 é um plano de ação global que reúne 17 objetivos de desenvolvimento sustentável e 169 metas, destinados a erradicar a pobreza e promover vida digna às populações atuais, sem comprometer a qualidade de vida futura. Nasceu de um acordo firmado em 2015 pelos 193 Estado-membros da  Organização das Nações Unidas (ONU),  com o compromisso  de seguir as medidas recomendadas no documento “Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável” (A/70(L.1) para os próximos 15 anos (2016-2030).

Os objetivos e metas são integrados e abrangem as três dimensões do desenvolvimento sustentável – social, ambiental e econômica – e podem ser colocados em prática por governos, sociedade civil, setor privado e por cada cidadão comprometido com as gerações futuras. Entre esses objetivos, estão acabar com a pobreza e a fome; assegurar vida saudável, educação inclusiva; disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; e acesso confiável, sustentável e a preço acessível à energia.

No caso específico, faltam políticas públicas para incentivar energias renováveis, segundo Diego Santos. Ao contrário, o governo federal decidiu tributar a energia solar para aumentar a arrecadação. É o caso do novo marco legal, que impõe cobranças gradativas, a partir de 2023, para os consumidores que instalarem sistemas fotovoltaicos e limita até 2045 a isenção de encargos para os que já possuem o sistema e para os que solicitarem o serviço até 12 meses após a sanção da lei (Diário Oficial da União de 07/01/2022).

Prédios públicos

A campanha pela disseminação da energia solar em Resende Costa acaba de ganhar uma adesão importante. Na reunião da Câmara Municipal dia 18 de abril, o vereador Fernando Chaves requereu ao presidente da casa, vereador João Dias, que verificasse junto ao prefeito municipal a possibilidade de o Executivo Municipal, por meio da secretarias municipais de Administração e de Agropecuária e Meio ambiente, “criar um programa municipal de incentivo ao uso de fontes renováveis de energia, em especial, a energia fotovoltaica (energia solar)”.

A sugestão é no sentido de que “o Poder Público Municipal crie um programa para a instalação gradativa em prédios públicos de painéis solares e outras tecnologias limpas de geração de energia. Essa ação, além de representar economia para o poder público no médio e longo prazo, também seria uma forma de incentivar a sociedade no uso da energia sustentável. Outras ações para fomentar o uso de energia limpa pela iniciativa privada também podem ser planejadas dentro do programa ora sugerido”.

Entre os benefícios citados por Fernando Chaves, estaria a redução na taxa de iluminação pública. “O município realmente tem um parque de consumo de energia elétrica muito grande, considerando todos os prédios públicos. Então, a economia pode ser realmente muito representativa e auxiliar numa diminuição na taxa de iluminação pública, a exemplo do que já está acontecendo com a luz de Led, que tende a economizar no médio e no longo prazo. E uma iniciativa nesse sentido, da energia solar, somaria muito e nós poderíamos, quem sabe, mais adiante, pensar até em desonerar um pouco o cidadão.”

Mais fotos sobre Resende Costa no facebook de Marcelo Paiva: https://www.facebook.com/marcelopaiva.paiva.71653/photos_by

 

 

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