Equipe dos Bombeiros Voluntários de Resende ajudou nas buscas por criança de 2,5 anos

O caso do menino Noah, de Proença-a-Velha , que ficou 36 horas desaparecido, comoveu Portugal


Cidades

José Venâncio de Resende0

Menino Noah e sua cadela, final feliz (foto divulgada nas redes sociais).

“Força da natureza porque nasceu na natureza!” Foi assim que o jornalista José Alberto Carvalho abriu o “Jornal das 8”, na noite de 20 de junho (um domingo), ao se referir ao menino Noah, de 2,5 anos, que ficou desaparecido por mais de 36 horas na freguesia de Proença-a-Velha, concelho (município) de Idanha-a-Nova, na região centro de Portugal. 

Sem perder tempo, a Marinha portuguesa, via redes sociais, convidou Noah a se inscrever no Destacamento de Ações Especiais, quando completar 18 anos, “onde as táticas de sobrevivência são fundamentais”. “Aproveita a tua infância. Todo um país ficou muito feliz com o teu regresso”, concluiu a mensagem. 

A criança saiu de casa logo cedo, no dia 16 de junho (quarta-feira), à procura do pai que trabalhava no campo a cerca de 300 metros. Ao não encontrar o pai, Noah andou mais de 10 km em zona de mato agreste, por terrenos sinuosos e íngremes, atravessou curso d´água e deixou para trás pistas como as galochas, roupas, suas pegadas e até mesmo a cadela que o acompanhava e que não teria conseguido passar pelo mesmo espaço de uma cerca que o menino. 

A criança foi encontrada, desidratada, porém lúcida e bem-disposta, na noite do dia 17 (quinta-feira), a pouco mais de 6 km da casa onde morava com os pais e uma irmã de seis anos. Internado no serviço de pediatria do Hospital de Castelo Branco para recuperação e avaliações médica e psicológica, no dia 21 de junho foi liberado para retornar à família.  

As operações de busca mobilizaram militares da GNR (Guarda Nacional Republicana), bombeiros, proteção civil e voluntários, muitos deles estrangeiros, chegando a envolver mais de uma centena de pessoas, com o apoio de equipes cinotécnicas (cães treinados), drones e mergulhadores. Faziam parte do grupo o bombeiro Antônio Bártolo e o cão Zeus, da equipe de buscas e salvamento dos Bombeiros Voluntários de Resende, norte de Portugal. (As outras duplas ou binômios de Resende são Filipe Pereira e o cão Zion e Fábio Severino/Ox.) 

Antônio Bártolo e o cão Zeus integraram-se à equipe de buscas ao menino Noah porque os Bombeiros Voluntários de Resende são os únicos do país certificados pela GNR para trabalhar em conjunto com a corporação policial neste tipo de atividade. Ao todo, participaram das operações nove cães da GNR e o cão Zeus dos BV Resende. 

Nas redes sociais, houve tentativas de apontar negligência aos pais de Noah. Mas a família da criança (pais, irmã e avós materna) é muito querida pela vizinhança, a julgar pelas reações de apoio aos pais e de alegria com a volta de Noah. O casal (o pai belga ou uruguaio, não se sabe ao certo, e a mãe portuguesa, filha do escritor Nuno Caupers de Bragança) trocou a cidade pelo interior onde se dedica à permacultura e a uma vida sustentável. 

A investigação do caso está a cargo da Polícia Judiciária (PJ) e do Ministério Público. Até agora, não há indícios de crime. 

 

 

 

Deixe um comentário

Faça o login e deixe seu comentário