“Que lixo é esse?”: cartilha de gestão de resíduos comerciais, sob medida para São João del-Rei


Cidades

José Venâncio de Resende0

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A “Cartilha Informativa: Que Lixo é Esse?”, elaborada para contribuir com a gestão dos resíduos comerciais, acaba de ser lançada pela ONG São João del-Rei Lixo Zero, em parceria com do SindComércio e seu conselho de jovens empreendedores, o SindJovem. O manual simplificado propõe boas práticas de coleta e descarte de resíduos, pensadas para a realidade do empresariado da cidade, partindo do princípio de que “lixo é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, fabricantes, comerciantes e consumidores”.

A cartilha aborda itens como legislação; diferença entre resíduo, rejeito e lixo; resíduos gerais; informática e eletroeletrônicos; casa e construção; saúde, beleza e bem-estar; automotivo e gráficas. Também publica a lista de empresas de coleta.   
Os autores do manual advertem que: “Sempre que se fala em coleta seletiva é comum aparecer a palavra resíduo e é importante entender a diferença entre ela e os termos lixo e rejeito”.

A cartilha define resíduo como material que, após ser limpo e organizado, pode ser encaminhado para reutilização e reciclagem, entrando novamente num ciclo de produção. Já rejeito é tudo que não pode ser reciclado ou reaproveitado, incluindo material que não tem viabilidade financeira ou tecnológica. Por fim, o lixo é gerado quando se mistura num único recipiente de descarte os resíduos sólidos (recicláveis e orgânicos) e os rejeitos.

“O termo lixo se relaciona a algo que já perdeu seu valor e utilidade, enquanto os resíduos, quando corretamente descartados, podem se tornar matéria-prima para um novo produto ou processo. Portanto, a partir de agora, a palavra lixo não será mais usada para descrever materiais que têm potencial para reutilização e reciclagem e que devem ser incluídos na coleta seletiva.”

Tipos de resíduos

No item denominado “Resíduos Gerais”, a cartilha apresenta recomendações detalhadas e dicas para o manuseio e a destinação de vidro, papel, plásticos, alumínio, ferro, óleo e gordura de cozinha usados e orgânicos.

Sobre resíduos eletrônicos, alerta que “muitas vezes são descartados de qualquer maneira, mas precisam de atenção especial pela difícil degradação de seus componentes, além da presença de componentes prejudiciais à saúde e ao meio ambiente”. São equipamentos como celulares, computadores, tablets, acessórios de TV, monitores, aparelhos eletrônicos, elétricos e de som, eletrodomésticos e todos os componentes desses equipamentos.

Os consumidores devem ser informados das suas responsabilidades quanto ao descarte correto. Os comerciantes devem ainda receber e armazenar o resíduo entregue pelos consumidores e devolver aos fabricantes ou importadores; participar de planos de comunicação e de educação ambiental; e disponibilizar informações aos órgãos competentes, quando solicitado. “O retorno dos produtos após o uso pelo consumidor deve ocorrer independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.”

A cartilha orienta, ainda, que esses resíduos devem ser devidamente acondicionados, identificados e armazenados em local ventilado e seco para evitar que a umidade e a temperatura danifiquem as peças internas. Devem ser destinados aos fabricantes ou importadores ou para empresas devidamente autorizadas para a coleta e descarte final.

No caso da construção civil, alguns resíduos específicos necessitam atenção especial. A cartilha explica como cada resíduo deve ser armazenado para posterior coleta por empresa especializada. “Os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos sólidos urbanos, em áreas de ´bota fora´, em encostas, corpos dágua, lotes vagos e em áreas protegidas por lei.”

As tintas vencidas, por conter substâncias que podem ser prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, devem ser descartadas de maneira correta. O entulho deve ser armazenado em caçambas do próprio empreendimento ou de empresa terceirizada; então, deve ser encaminhado para aterros destinados a resíduos de construção civil. A sucata pode ser armazenada em caçambas ou tambores; então, é destinada à reciclagem. A lâmpada, por conter mercúrio em sua composição, deve ser armazenada em recipiente fechado e impermeável, para evitar contaminações em caso de vazamento. A destinação tanto de tintas vencidas quanto de lâmpadas pode ser feita por logística reversa ou, caso não haja essa possibilidade, pela contratação de empresa terceirizada.

Saúde

Os diferentes tipos de resíduos, gerados pelos serviços de saúde (humana e animal), beleza e bem-estar, podem provocar danos à saúde pública e ao meio ambiente, caso sejam armazenados e destinados de maneira inadequada. São remédios vencidos e frascos de medicamentos e resíduos infectantes e perfurocortantes. A dica é que se coloque um ponto de coleta de remédios vencidos no estabelecimento, de forma a atrair mais pessoas para conhecer o espaço e ainda contribuir para o meio ambiente.

Em relação aos automotivos, a cartilha alerta para os danos à saúde pública e ao meio ambiente que podem provocar o armazenamento e a destinação inadequados dos diferentes tipos de resíduos gerados pelas atividades de manutenção e reparo realizadas em oficinas mecânicas. Importante lembrar que resíduos perigosos e não-perigosos devem ser armazenados separadamente para evitar contaminação.

“Óleo usado deve ser armazenado em um tanque estanque, localizado dentro de uma contenção impermeável. Após o armazenamento, o óleo deve ser destinado para a reciclagem. Sucata pode ser armazenada em caçambas ou tambores. Após o armazenamento, a sucata é destinada para a reciclagem. Embalagens de óleo podem ser armazenadas diretamente em piso impermeável e empilhadas umas nas outras de forma a ocupar menos espaço. Depois deverão ser coletadas por empresa especializada.”

O manual cita, ainda, resíduos de estamparia ou gráfica que podem ser levados à reciclagem e ao reaproveitamento, desde que descartados de maneira adequada. São eles: estopas sujas (encaminhados para empresas de lavação industrial); tintas endurecidas e tinners (encaminhados à reciclagem); chapas de alumínio e embalagens retornáveis (encaminhadas à reciclagem); tintas pretas vencidas (reutilizadas para produção de outras tintas com menor qualidade); prata de filmes e papéis fotográficos vencidos (podem ser recuperados).

As gráficas devem controlar os seguintes resíduos: sólidos perigosos (embalagens com restos de tinta, solventes e vernizes, borras de tinta, materiais de limpeza, matérias-primas vencidas e lâmpadas fluorescentes); não inertes (restos de papel, embalagens de filmes e sobras de plástico da pós-impressão); efluentes líquidos (água da lavagem de pisos, coleiros, molhas ácidas, processo de revelação, resíduos de óleo e graxa); emissões atmosféricas (compostos orgânicos voláteis -VOCs, evaporados de solventes, tintas e vernizes).

Por que São João del-Rei?

A cidade histórica, que atrai milhares de turistas, foi escolhida porque a realidade da sua gestão dos resíduos é considerada distante do ideal, o que “tem sido pauta de discussão entre os que se preocupam com uma cidade mais limpa. Ainda assim, já existem atitudes que podem ser tomadas hoje para diminuirmos os impactos do lixo que é gerado nas casas e nos comércios”.

A cartilha aponta uma economia lucrativa nesse setor, que pode ser lapidada tanto pelo âmbito do turismo ecológico quanto pelo receptivo. “Para isso acontecer, é preciso que a cidade esteja com pensamentos e ações sustentáveis, tornando-a visualmente mais limpa e aconchegante para que esse cliente exponencial tenha sua estada por muito mais tempo e queira voltar para excelentes recordações.”

Os parceiros

A ONG SJDR Lixo Zero é um projeto independente e sem fins lucrativos, que busca a defesa, a valorização e conservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável na cidade de São João del-Rei. Desde 2019, atua no sentido de sensibilizar a população, as empresas e o poder público a respeito do problema do lixo e suas consequências, priorizando o diálogo para a construção de soluções para uma cidade mais limpa e sustentável. 

O Sindcomércio (Sindicato do Comércio de Bens e Serviços de São João del-Rei) representa os empregadores e auxilia empresas. A instituição atua em diversas frentes: econômica, profissional e social, permitindo melhorar a competitividade e a sustentabilidade de seus representados, visando a uma economia mais saudável e a um ambiente favorável ao empreendedorismo. Em 2018, o SindComércio criou o primeiro Conselho de Jovens Empreendedores do sistema Fecomércio-MG: o SindJovem, que tem por objetivos complementar as suas ações e identificar, treinar e desenvolver futuros líderes empreendedores.

Íntegra da “Cartilha Informativa: Que Lixo é Esse?”

https://sindcomerciosjdr.com.br/imagens/arquivos/58eb58b790454e1fa195f20eb62d2499.pdf

 

 

 

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