Uma Seleção que fez o suficiente para conquistar a Copa América

Depois de doze anos, Brasil volta a conquistar o título sem muito brilho de campeão da América do Sul


Esporte

Vanuza Resende0

Depois do apito inicial, 90 minutos de partida, 11 jogadores para cada lado. O objetivo: balançar as redes do time adversário. Toda partida de futebol se encaixa nessa definição, certo? Errado. Claro que de acordo com os termos técnicos e as regras até então conhecidas, sabemos que é assim um jogo do esporte mais popular do país. No entanto, para ele alcançar esse posto de titularidade absoluta do mais visto e praticado esporte no país, foi preciso ir além do cumprimento dessas regras. E isso foi comprovado durante a Copa América realizada no Brasil, de 14 de junho a 7 de julho.

Vários jogos do torneio aconteceram com os estádios vazios, sem muita emoção e uma fase inicial com pouca torcida. Aquela tradicional frase “Hoje tem jogo!” foi substituída por “O Brasil jogou ontem?” O jogador considerado, até então, o melhor do país, é questionado por boa parte dos torcedores. Neymar, que tinha tudo para ser o craque do time, carrega consigo a incerteza se merece ser destaque da Seleção Canarinho. Com a experiência de Daniel Alves e a revelação do garoto Everton Cebolinha – artilheiro da competição com três gols –, a especulação, ou para alguns, a confirmação de que Neymar não faz falta na Seleção campeã da Copa América 2019.

 

Zebra, cantos para Messi e polêmica com o VAR

Se o árbitro de vídeo (VAR) tivesse mãe, coitada da genitora. O mais xingado nessa copa foi justamente a novidade dos últimos tempos na arbitragem. A torcida ainda não engoliu as paralisações das partidas para a conferência de lances polêmicos, mas fica ainda mais inaceitável, por parte dos torcedores, a não utilização do recurso tecnológico em determinadas situações. Foram inúmeras partidas com polêmicas de arbitragem, em especial para a utilização das cabines de vídeo.

Como em quase todos os campeonatos, acontecem as famosas surpresas. A dessa Copa América foi, com certeza, a chegada do Peru às finais. O Peru foi goleado pelo Brasil por 5x0 na fase de grupos; ainda assim, conseguiu passar. E chegou às quartas de final contra o Uruguai. Caminho até longo para a Seleção de Guerrero, jogador mais conhecido do time peruano. Eis que as surpresas do futebol aparecem. O Peru bateu o Uruguai de Cavani e Soares... e foi para as semifinais. Chegar à final era possível ou agora não tinha mais jeito? Teve jeito e teve Peru ganhando de 3 a 0 do Chile e indo para a final enfrentar o anfitrião.

Para chegar às finais, o Brasil ganhou de 3x0 da Bolívia, empatou em 0x0 com a Venezuela e goleou o Peru. Classificou-se em primeiro do grupo. Nas quartas, enfrentou o Paraguai e, depois de um sofrido 0x0, nos pênaltis garantiu a classificação para as semifinais, que para muitos foi a grande final.

O Brasil enfrentou a Argentina no Mineirão. Estádio palco do 7x1 da Alemanha! Se em alguns jogos sobraram cadeiras vazias, na capital mineira faltava espaço para camisas verde e amarela e azuis e brancas. De um lado, os brasileiros que davam mais um crédito para a única seleção pentacampeã mundial. Do outro, os hermanos, que, empolgados, gritavam pelo melhor do mundo. Ainda que apagado na seleção argentina, Messi também é penta, cinco vezes o melhor do mundo! E se faltou um pouco de qualidade no maior clássico da América, sobrou animação. Entre os cantos entoados no Mineirão, o mais usado, com certeza, foi o: “Êta, êta, o Messi não tem Copa, quem tem copa é o Vampeta”! Era a criatividade que faltava em algumas jogadas dentro de campo, sobrando nas arquibancadas! Mesmo com um jogo de pouca qualidade técnica, a oportunidade de ter assistido a Brasil e Argentina nas semifinais da Copa América foi uma das coisas para se colocar na listinha das realizadas na vida.

Finalizado o torneio, as atenções voltam para o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores da América. Com a seleção brasileira afastada dos gramados, as torcidas voltam a se dividir, cada qual torcendo para seu time do coração. Fica a torcida, inclusive, para que o futebol dos clubes brasileiros seja mais bonito e mais empolgante do que o apresentado pelo time de Tite.

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