Quatro cidades, ligadas histórica e culturalmente aos fundadores da família Resende, João de Resende Costa e Helena Maria de Jesus, tornaram-se legalmente cidades-irmãs. As leis da irmandade foram aprovadas pelas Câmaras Municipais de Resende Costa (20 de abril), Prados (05 de maio), Tiradentes (11 de maio) e Lagoa Dourada (25 de maio). A iniciativa foi dos vereadores Cleiton Santos e Elson Antônio Ribeiro, o Coló, por sugestão do jornalista José Venâncio de Resende e do secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, André Eustáquio.
A nova lei visa ao maior intercâmbio e aproximação entre as cidades, levando em conta as suas origens e tradições, de forma a fortalecer as relações culturais, sociais e econômicas e estimular o fomento intermunicipal. Assim, a legislação propõe o estreitamento dos laços de irmandade, por meio de acordos, convênios, programas e projetos, troca de informações e difusão de ações, iniciativas e experiências comuns, alinhamento de políticas públicas e culturais e ações administrativas; e até autorização, explicitada por Prados, “a integrar-se, juntamente com as cidades-irmãs nela (nesta lei) referenciadas, à Rota Açoriana de Minas Gerais através da Casa dos Açores – MG”.
Resende Costa, antigo Arraial da Lage de meados do século XVIII, celebrou em 2 de junho 114 anos de emancipação política. Prados comemorou, em 24 de maio, 322 anos de fundação. Tiradentes, antiga São José del-Rei do início do século XVIII, completou 308 anos de história a 19 de janeiro deste ano. E Lagoa Dourada, antigo povoado de 1717, se prepara para realizar o 26º Reszendão, em 24-26 de julho – celebração dos 300 anos de casamento dos açorianos João de Resende Costa e Helena Maria de Jesus, os primeiros Resendes de Minas Gerais.
Justificativa
Os laços entre Resende Costa, Prados, Tiradentes e Lagoa Dourada são antigos. Reportam ao final do século XVII e início do século XVIII, quando começaram a chegar os primeiros açorianos à antiga Comarca do Rio das Mortes, com sede em São João del-Rei. Um deles foi João de Resende Costa, nascido em 02/11/1695 em Vila do Porto, Santa Maria, uma das nove ilhas do arquipélago dos Açores, no Oceano Atlântico, que desempenhou papel importante na expansão marítima portuguesa.
João de Resende Costa migrou para a região por volta de 1720, instalando-se em Lagoa Dourada, então freguesia (equivalente a distrito) de Prados. Aqui conheceu Helena Maria de Jesus, uma das três famosas ilhoas açorianas. Helena nasceu em 15/01/1710 na freguesia de Nossa Senhora das Angústias, ilha do Faial, Açores, e migrou em 1723 para São João del-Rei junto com a mãe viúva e outras duas irmãs, além de cunhado e sobrinhos.
Neste ano, completam-se três séculos do casamento de João de Resende Costa com Helena Maria de Jesus na igreja matriz Nossa Senhora da Conceição de Prados. O casal estabeleceu-se na Fazenda Engenho Velho dos Cataguazes (ou Catauás), posteriormente denominada Engenho Grande, em Lagoa Dourada, dando origem à extensa família Resende.
Um dos filhos de João e Helena, José de Resende Costa, foi um dos primeiros moradores do antigo Arraial da Lage, então freguesia de São José del-Rei, atual Tiradentes. O neto de João e Helena, José de Resende Costa (filho), nasceu no antigo Arraial da Lage e, com a emancipação em 1911, o arraial tornou-se município de Resende Costa em homenagem ao seu ilustre filho. Ambos, pai e filho, participaram da Inconfidência Mineira.
Desde 3 de outubro de 2018, Resende Costa é cidade-irmã do município açoriano de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, de acordo com a lei nº 4.390 aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo então prefeito Aurélio Suenes de Resende.
Ao se tornarem oficialmente cidades-irmãs, as quatro formam uma rede de cidades açorianas ligadas aos Resende Costa, que em futuro próximo deverão integrar-se à Rota Açoriana de Minas Gerais, já patenteada. O principal objetivo da Casa dos Açores de Minas Gerais é resgatar e valorizar as tradições açorianas no estado, tanto religiosas e culturais quanto sociais e econômicas, bem como promover o intercâmbio cultural e comercial entre os dois lados do Oceano Atlântico.
Prefeitos
A reportagem do JL ouviu os prefeitos dos quatro municípios sobre a importância da lei de cidades-irmãs.
Lucas Paulo, prefeito de Resende Costa:
“É uma grande satisfação para Resende Costa oficializar, por meio da Lei das Cidades-Irmãs, uma relação que já existe há muito tempo na prática. Nossa história está profundamente ligada à de Tiradentes, Prados e Lagoa Dourada, municípios com os quais compartilhamos tradições, valores, vínculos familiares e uma importante herança cultural construída ao longo das gerações.
Essa lei representa mais do que um reconhecimento de nossas origens comuns. Ela cria oportunidades para ampliar a cooperação entre as cidades, incentivando projetos e ações conjuntas nas áreas da cultura, do turismo, da educação, do esporte e do desenvolvimento econômico, sempre com o objetivo de gerar benefícios para a nossa população e fortalecer toda a região.
Resende Costa tem orgulho de fazer parte dessa história e acredita que o trabalho integrado entre os municípios é fundamental para preservar nossas raízes, valorizar nossas potencialidades e construir um futuro ainda mais promissor para as próximas gerações.
Agradeço aos prefeitos parceiros e a todos que contribuíram para essa iniciativa. Tenho convicção de que essa união fortalecerá ainda mais os laços de amizade, respeito e cooperação que unem nossos municípios há tantos anos.”
Ismar José de Melo, prefeito de Lagoa Dourada:
“Este é um momento muito importante. Essa iniciativa nasceu do reconhecimento de que nossos municípios compartilham raízes históricas, culturais e familiares profundas.
Mais do que um gesto simbólico, essa lei abre caminhos para novas parcerias e projetos conjuntos. Queremos ampliar o intercâmbio cultural, turístico, educacional e econômico entre os municípios, promovendo ações que fortaleçam o desenvolvimento regional e beneficiem diretamente nossa população.”
José Antônio do Nascimento (Zé Antônio do Pacu), prefeito de Tiradentes:
“Recebo esse reconhecimento com alegria porque nossas cidades compartilham profundas raízes históricas, culturais, familiares, construídas ao longo da formação do nosso Campo das Vertentes. Resende Costa, como todos sabem, teve origem ligada a Tiradentes, conquistando a sua emancipação pela lei de 1911, com a instalação oficial do Município em 1912. Essa história comum fortalece ainda mais os laços entre os nossos povos.
A lei das cidades-irmãs vai além de um gesto simbólico, abrindo caminho para intercâmbios culturais, turísticos e econômicos, fortalecendo a cooperação e o desenvolvimento regional. Tenho certeza que essa aproximação de Resende Costa, Tiradentes, Prados e Lagoa Dourada contribuirá para um futuro de mais união entre nós, preservando nossa história e valorizando nossas origens. Deixo o meu abraço a todo o povo de Resende Costa e afirmo o nosso compromisso com o desenvolvimento, a amizade entre os municípios e o fortalecimento da nossa região.”
Rildo Costa, prefeito de Prados:
“Como prefeito municipal de Prados, entendo extremamente válida a iniciativa de substanciar e consolidar, através de lei municipal específica, a aliança fraterna entre Prados e Resende Costa, a partir fundamentalmente das formas de ser, viver e agir que dentro das cercanias de cada uma dessas cidades modelaram traços individuais e sociais envolvidos em um único contexto.
Reafirmo que esse proceder nutre a condução de questões sociais, econômicas, culturais e turísticas de forma equânime entre essas cidades, reaproximando seus cidadãos no compartilhamento de experiências, fazeres e das demais ações prospectivas que, em função deste fraterno reconhecimento, certamente serão alcançadas sob a luz de um breve porvir.”




