Causos & Cousas

Parabéns, queridos Tixas!

12 de Dezembro de 2017, por Rosalvo 0

O 2018 já está batendo à porta do velho 2017. Enquanto o nosso Brasil se debate na lama da incerteza, da vergonha, da podridão em todos os sentidos, a nossa Resende Costa caminha altaneira. O 2017 marcou mais um passo no seu progresso até dando-se ao luxo de criar um novo nome: os resende-costenses passaram a ser também “Tixas”. E não é que ficou bonito? De repente, na calada da noite, várias pessoas espalharam pelas ruas o símbolo de Tixas, representadas por esculturas coloridas  de lagartixas, dando um ar de juventude. Lembremo-nos de que nossos vizinhos nos chamam de lagartixas e a gente não gostava. Mas nós nos orgulhamos de, dia e noite, subirmos e descermos de nossas lajes. Pena que em tempos passados muitos de nossos habitantes “invadiram”, pelas beiradas, as lajes “de Cima”, “de Baixo” e “da Cadeia”. Essa, infelizmente, desapareceu do mapa...

Bem, resende-costenses ou Tixas, a verdade é que a nossa cidade vem crescendo velozmente em diferentes setores. Há quem diga que esse crescimento é atribuído apenas ao desenvolvimento do artesanato. Não é só. Há outros fatores em cena e em jogo. Vejamos alguns deles.

Seria interessante e mesmo necessário voltar à história da cidade, a partir de sua emancipação (1911/1912) e consolidação política. Deixaremos esse assunto para outra oportunidade. Ao que se sabe, foi nas décadas de 40/50/60 que houve alguns problemas na administração municipal (funcionários com oito meses sem receber, demissões, roubos, chegando-se até o uso do famoso “impeachment” de prefeito...).   

Voltamos ao presente. Por esses dias resolvi dar um passeio pela cidade. Voltei impressionado com tanta coisa boa e bonita. Antes de tudo, a cidade vem crescendo vertiginosamente. Por todos os lados há construções de residências e abertura de espaços para comércios. As casas existentes em sua maioria estão conservadas, bem pintadas. Ressaltam-se as igrejas católicas do centro e dos bairros e os 12 templos evangélicos. 

Predomina na cidade o famoso tipo de casario, os três andares, sendo o terceiro com uma cobertura aberta. Não é lá muito bonito, mas... serve para outras utilidades (roupas, festas, trabalhos do artesanato).

Chamaram minha atenção cinco coisas que poucas cidades não têm: a limpeza das ruas, o cuidado com as praças, as casas bem cuidadas, a ausência de pichações e de pessoas dormindo nas ruas. Evidenciam-se as duas praças mais altas, da frente e do fundo da igreja Matriz sempre limpas e ajardinadas.  Nos bairros, as ruas e as pequenas praças também são limpas e bem cuidadas, fruto do respeito e da educação das pessoas.

Os edifícios públicos e outros particulares que compõem a vida da cidade estão todos bem apresentados. Igrejas, Escolas, Hospital, Postos de saúde, APAE, Lar São Camilo, Teatro, Biblioteca, Cadeia, Cemitério e Velório, Expedicionários, o Parque do Campo, Casas de Festa...Enfim, a cidade progride sempre. Voltaremos depois: há muita coisa boa para contar...

O sistema de calçamento também vem sendo cuidado: paralelepípedos e pedras comuns (antigos), “bloquetes” e, ultimamente, o asfalto.

Sugestões de um simples morador para o Sr. Prefeito:

Fechamento de lotes abertos;

  1. A cidade cresce.... está na hora de se implantar um sistema adequado de sinalização para conter a velocidade dos motoristas (sobretudo os jovens) nas ruas principais.
  2. O prédio da Prefeitura merece uma visão mais bonita para a sua frente, depois do que se fez o estacionamento. Grama, árvores adequadas ou plantas ornamentais, muro etc. são muitas maneiras de embelezar.

Lembro-me, em fins da década de 40, de que o povo contava que teve como vigário um tal de Pe. José Duque de Siqueira, de 1892 a 1899. Não se sabe bem o que aconteceu por lá, mas dizia-se que houve uma quizumba entre padre e povo. O padre, que fora destinado para São Tiago, ao montar no cavalo teria dito em alto e bom som: “Por castigo, esta cidade vai dar um passo pra frente e dois para atrás”. E partiu. Mas, de onde você estiver, Sr. Padre, os Tixa lhe perdoam. E venha nos conhecer.

Resende Costa e o “Ó, Senhora Aparecida!”

14 de Novembro de 2017, por Rosalvo 0

Assim, às 12 horas da manhã, os 13 sinos badalaram e “cantaram” os últimos sons do hino “Ó, Senhora Aparecida”, daquele inesquecível domingo do vinte e dois de outubro passado, em momentos de silêncio e de fé.

Os romeiros já vinham subindo a rampa em direção à Basílica, ou desta saindo, terminada a missa das onze. Seus olhos tinham uma única direção: o monumental carrilhão do conjunto de sinos, vindos da Itália. As linhas arquitetônicas foram traçadas pelo gênio do nosso saudoso Oscar Niemeyer. Nesse momento, um inesperado silêncio. Os romeiros, atentos à beleza do pontiagudo gigante de ferro, se espantaram com o que viram e ouviram: o hino cantado pelos 13 sinos. E, rápido, os ouvintes passaram a cantores, juntamente com os sinos.

Esse hino, composto pela cantora Joanna (letra e música), passou a ser o adotado como um consagrado oficial. O título da canção é “Viva a Mãe de Deus e nossa” e começa pelo estribilho, que se repete entre as cinco estrofes. Curiosamente, o título correto da Nossa Senhora Aparecida seria “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, que é pouco conhecido. Apresento aqui a canção (sem a repetição do estribilho):

 

Estribilho: Viva mãe de Deus e nossa

Sem pecado concebida!

Viva a Virgem Imaculada

A Senhora Aparecida!

 

Aqui estão vossos devotos

Cheios de fé incendiada

De conforto e de esperança

Ó, Senhora Aparecida!

 

Virgem Santa, Virgem bela

Mãe amável, Mãe querida

Amparai-nos, socorrei-nos

Ó, Senhora Aparecida!

 

Protegei a Santa Igreja

Ó Mãe terna e compadecida

Protegei a nossa Pátria

Ó, Senhora Aparecida!

 

Amparai todo o clero

Em sua terrena lida

Para o bem dos pecadores

Ó, Senhora Aparecida!

 

Velai por nossas famílias

Pela infância desvalida

Pelo povo brasileiro

Ó, Senhora Aparecida!

 

Pelo visto, são versos claros, curtos e singelos, revestidos de uma música simples, fácil e melodiosa. Registre-se também que a autora tem outras belas canções religiosas. Há outros inúmeros hinos à Nossa Senhora Aparecida. Cito aqui apenas dois: o hino comemorativo dos 300 anos, de autoria do padre Zezinho (SCJ) e a famosa música “Romaria”, do Renato Teixeira.

O leitor certamente estará sem saber, a esta altura, o que tem a ver Resende Costa com este texto. Vejamos.

Podemos dizer que Resende Costa tem uma antiga amizade com a cidade de Aparecida e, obviamente, com a Santa. Nas décadas de quarenta/cinquenta a cidade já havia recebido pessoas de nossa cidade e por lá ficaram.

Há tempos que os resende-costenses visitam a Santa, quer individualmente ou em grupos. Em Setembro de 2006, dez valentes cavaleiros foram os primeiros a visitar a Basílica. Essa mesma façanha aconteceu no princípio deste ano.

Neste ano, talvez, tenha acontecido o maior afluxo de romarias oriundas da cidade. Neste outubro aconteceu a maior delas, quando se comemoram os 300 anos do “aparecimento” da imagem da Santa nas águas do rio Paraíba.

Só no dia 20 de outubro saíram 5 ônibus. Foi uma festa. Sob o comando do resende-costense Rodrigo de Paula Magalhães, em três ônibus, os 123 romeiros aportaram na cidade sagrada. Viagem organizada, alegre e segura, ida e vinda. Rompendo a noite, o comboio chegou com absoluta segurança, graças ao profissionalismo dos motoristas Jander Coelho, Erme Reis e Adair José dos Passos.

Por outro lado e da mesma maneira, os resende-costenses Luiz Dias e Luana Silva organizaram suas caravanas, com seus dois ônibus e seus 105 romeiros. Ainda em Outubro, os tradicionais organizadores Zezito, Camilo e Totonha do Curralinho dos Paula também trataram de levar seus romeiros.

Vamos a algumas informações. Por decreto, em 1930, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida “Padroeira do Brasil”. Em 1945, o Cardeal de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta (1890/1982), mineiro de Bom Jesus do Amparo (1890/1982), foi quem levou ao Vaticano o projeto da futura Basílica (*). A construção, calculada para 43 mil pessoas, começou em 1955 e terminou em 1980. Nessa data, foi consagrada pelo Papa João Paulo II, quando de sua visita ao Brasil. No ambiente externo, tem capacidade para 2.000 ônibus e 3.000 carros. Enfim, entre os maiores templos dedicados à Nossa Senhora no mundo, a Padroeira do Brasil está entre os demais, conhecida pela sua grandeza e por ser uma das mais visitadas. Encerrando e resultado: os romeiros deste Outubro com certeza voltarão no próximo...

 

(*) Curiosa e saudosamente, o autor deste texto foi paraninfado pelo cardeal em sua colação de grau em Letras Anglo-Germânicas na Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei, em 1961.

Resende Costa

15 de Setembro de 2017, por Rosalvo 0

 Prezado leitor, talvez você possa estranhar o título deste texto. Talvez, mesmo ele não tenha aparecido desde a 1ª. edição do JL (abril de 2003) até a última (agosto deste ano, nº 170). Então vou me arriscar a fazê-lo.

Partimos dos donos das terras descobertas, os índios da região. Como aconteceu em todo o território do Brasil, os autóctones foram sendo escaramuçados de suas terras. E os portugueses recém chegados começaram a receber, do Reino, as sesmarias para o cultivo das terras e a exploração de suas riquezas: alimentação e enriquecimento.

O português João de Rezende Costa foi, inicialmente, para o Arquipélago dos Açores. Tempos depois, estabeleceu-se no Brasil. Um de seus 13 filhos já nascido brasileiro e, como era de praxe, recebeu uma sesmaria. Além disso, já sendo elevado ao título de Capitão, estabeleceu-se à distância do imenso colosso de pedra que se erguia e dominava a região, a uns 8 quilômetros de sua sede.

Em pouco tempo o “colosso de pedra”, situado aos 1.140 metros de altura, passou a ser um caminho ligando as Minas Gerais a Goiás. E assim nasceu o “Arraial da Lage”, capitaneado pelo Rezende Costa. E o arraial foi crescendo.

Na década de 1780 veio o desastre. O movimento em prol da separação das Minas Gerais frente à Coroa Portuguesa foi covardemente denunciado por Joaquim Silvério dos Reis e Basílio de Brito Malheiro do Lago, entre outros. (Vale lembrar que, na mesma década (1776), os americanos afrontaram os ingleses, estabelecendo a liberdade e declarando sua república. Nós, coitados! ... estamos patinando até hoje e sonhando com uma...). Tendo fracassada a tentativa separatista, o Brasil (e com ele o arraial) atravessou o resto do século e as primeiras décadas do seguinte, só se livrando de Portugal em 1822, tornando-se uma república em 1889. No início, uma caricatura de militares e, posteriormente, um bando de civis que vem até agora capengando.

Nos inícios do século 20, ainda “Arraial” da Lage (com “g”), tornou-se Município”, em 1912. E quase de imediato, veio a 1ª. escola (o Grupo Escolar Assis Resende). Parece que os resende-costenses já sonhavam (e previam) com o valor e a beleza da estrutura escolar que temos hoje em Resende Costa.

As décadas de 20, 30 e 40 do século 20 foram penosas, aliás, também para o Brasil. A cidade sofreu, em todos os sentidos: falta de eletricidade, de água, dificuldade de transporte, de atividades físicas, ruas de terra etc. A situação era tão difícil que os rapazes, em fins dos anos quarenta, organizavam passeatas de protesto pelas ruas gritando: “Resende Costa, cidade que seduz – de dia falta água – e de noite falta luz”. Curiosamente, e com muito trabalho, foram ao mesmo tempo anos de “cultura”: o cinema, os teatros, a banda de música e até uma bela orquestra. Talvez para compensar os problemas. 

A partir dos anos 50 parece-me que a cidade pôs em ação uma trajetória que vem cada vez mais crescendo velozmente. Com relação à Política e ao serviço municipal, houve alguns deslizes, por parte de prefeito e de funcionários. Mas há muito tempo que não se veem essas coisas.

E assim continuam os anos. Pouco a pouco muitas e importantes obras foram sendo feitas para o bem da cidade. A vinda da CEMIG, as águas da COPASA, a ligação asfáltica com São João del-Rei, a aquisição do terreno para a criação do “Parque do Campo”, os calçamentos de quase todas as ruas, os cuidados com as três escolas (as duas principais da cidade e a do Ribeirão e as demais da zona rural, os cuidados com os dois cemitérios e, contíguo, o Velório, a reforma do Teatro Municipal, o extremo cuidado com o Hospital e com o alojamento dos idosos, recentemente o Campo do Expedicionário, o Salão Paroquial, o Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson, os cuidados com os ambientes dedicados à saúde e a performance da Banda de Música Santa Cecília).

Mas, talvez o grande empreendimento particular que alavanca o desenvolvimento da cidade seja o Artesanato. Veio da Zona Rural, inicialmente para seu consumo e, rapidamente, espalhou-se pelo Brasil.

Bem, está aqui o esboço de um pequeno texto: “Resende Costa”. Que apareçam outros. Por hora, abraço carinhosamente minha terra. Andei trabalhando por outras plagas, mas o meu coração esteve, está e estará sempre no singelo “Arraial da Lage".

Uma visita à Costa Oeste dos Estados Unidos

10 de Agosto de 2017, por Rosalvo 0

Anos atrás eu deixei a coluna “Causas & Cousas” para visitar as belezas de Paris. Suas monumentais catedrais, seus sinos e seus antigos santos. A doçura do Sena e a grandiosidade de suas avenidas e de seus monumentos. Pois bem, deixando a vetusta Europa, hoje revolvi visitar a jovem Costa Oeste dos Estados Unidos, banhada pelo Oceano Pacífico.

Entre muitas semelhanças com Paris, como o casario oriundo da velha Europa, fixo-me nos “antigos santos” que permeiam as cidades que enfeitam o oceano. Para essa tarefa, é necessário valer-se de sua curiosa história, mas por vezes triste. Sabemos que toda aquela região foi tomada pelos norte-americanos ao México na famosa “Guerra México/EUA”, de 1846/48. O México não aguentou a pressão dos EUA, interessados nos novos territórios e nas potenciais riquezas da Califórnia. Essa foi a 1ª. vez que uma força inimiga ocupava a capital do México. E agora, vem o destrambelhado novo presidente dos EUA, querendo erguer um gigantesco muro, separando os dois países, para firmar o que não lhe pertencia...

Os espanhóis começaram a chegar, em massa, ao continente americano, tal como os portugueses, nos inícios do século seiscentos. Ao norte do continente, vieram também com o intuito de catequizar os indígenas chegando, no século oitocentos, até o oeste. Um dos principais colonizadores e catequizadores foi o franciscano Junípero Serra (1713/1784), posteriormente declarado santo pelo atual papa Francisco, em 2016. Frei Junípero difundiu 21 missões ao longo da Califórnia, desde San Francisco, mais ao norte, até San Diego, na divisa com o México, passando por Santa Bárbara e Los Angeles.

As quatro cidades acima mencionadas (San Francisco, Santa Bárbara, Los Angeles e San Diego) são, atualmente, as mais importantes e mais ricas, numa região fértil, berço de grandes universidades e inventos técnicos (o famoso “vale do silício” ...). Quem pretende visitar a Costa Oeste não pode deixar de, no mínimo, conhecer essas cidades.

Dada a quantidade de missões, nasceram inúmeros conventos e muitas igrejas católicas, com seus respectivos padroeiros. Cito aqui apenas algumas, além das acima citadas, que deram seus nomes às respectivas suas cidades: São José – Sacramento – Santa Rosa – Santa Maria – Santa Clarita – Santa Paula – Santa Ana – San Clemente – San Marco – San Juan – San Bernardino Campristano – San Andreas – San Luís Obispo de Tolosa – San Simeon – Santa Catalina – San Onofre – São Miguel – Santa Cruz – San Jacinto – San Juan Bautista – Santa Monica.

Ressalto algumas curiosidades especiais, para quem queira fazer o trajeto “San Francisco/San Diego”. Em San Fancisco, a “Mission San Francisco”, a famosa ponte pênsil e o belo e imenso porto, de onde se vê a internacionalmente lendária prisão de “Alcatraz”; em Santa Bárbara, a famosa Universidade, que está “escondida” numa bela enseada do Pacífico, longe de tudo da cidade, com seus imponentes edifícios (muitos de nossos professores da UMFG já passaram por lá); em Los Angeles, o maior movimento de cinema do mundo, com as marcas tradicionais de seus atores pelas calçadas da cidade e, em San Diego, o seu maravilhoso e imenso parque e, no mar, a visita detalhada ao “porta-aviões” da Marinha Americana, o famoso “Midway”, que na 2ª Grande Guerra, em 1942, destruiu a marinha japonesa.

E fico por aqui. Prepare seu passaporte e, boa viagem!

Uma noite de festa no Palmital

18 de Maio de 2017, por Rosalvo 0

A manhã do Sábado do dia 6 de maio amanheceu embaçada e morrinhenta na Pimenta e no Palmital. Abri a janela e pensei: adeus Reza, adeus festa! Chuviscava. Na Sexta havia chovido um pouco. Lá pelo meio-dia alguém chegou a informar pela rádio que a festa iria gorar. Mas, talvez, São João tenha ajudado e o sol mostrou sua cara.

Essa “reza” se realiza no Palmital, à noite, com o objetivo de angariar grana para a grande e tradicional festa de São João no “Povoado dos Pinto”. Essa é a sua 4ª. edição no Palmital, comandada pelos anfitriões Tânia e Lourenço e contando com a ajuda do Valdinei Ribeiro (Jacaré) para preparar o local.

Enfim, desceu a noitinha, cobrindo um clima agradável. Começaram a chegar os carros pelos dois acessos ao Palmital. De longe podia-se ver um rosário de lâmpadas e, chegando-se ao pátio coberto de bandeirolas, prenunciava-se uma alegre noitada. As barracas iluminadas já estavam abertas, ostentando a canjica, os churrasquinhos, o caldo de feijão com torresmo, os choconhaques, as cervejinhas e as cachacinhas.

150 ou 160 pessoas já aguardavam o início da Reza, que foi puxada pela Ana do Galo. Terminada a Reza, a “Banda do Chá Preto” já começava a afinar seus instrumentos: os 3 violões, do Chá Preto, do Leonel e o do Lourenço, o anfitrião; o acordeon do Geraldo de Ritápolis; o contrabaixo do Tilu e, preparando a sua garganta, o cantor/solista da banda, o Claudinei do Dativo.

De repente, saindo da sala da casa dos anfitriões, começou um frenético leilão, com cerca de 60 prendas que rodaram pelo pátio: doces, salgados, bebidas, prendas do artesanato de Resende Costa etc. Chamou a atenção dos presentes uma interessante prenda: um grande e pesado galo, branquinho, marchetado de preto. Por R$ 40,00 o nosso amigo Guilherme Cascão o arrematou. Também pudera: fanático atleticano como ele é, saiu satisfeito com sua preciosa prenda.

E a Banda do Chá Preto entrou em ação. Uma beleza! Começou por um longo cardápio de peças sertanejas, bem escolhidas, que durou uma hora e meia. Sem perder o fôlego, passou para um animado forró. Aí a turma caiu num frenético arrasta-pé. Brilhou no “palco” do pátio o José Mateus, lá da vizinha Restinga. Deve ter dado um show para as moçoilas presentes, jogando os pés para trás com um elegante “coicinho”. Fiquei observando a performance da banda, típica do interior. E como é gostoso ouvir essas bandas! Ali por perto eu olhava, entre os outros, a classe e a beleza do baixista. Levantei-me e me aproximei dele por um bom tempo. Mas também, era o nosso Tilu! Não precisava dizer mais nada sobre o ex-maestro da banda de música do Exército 11º BI de São João del-Rei.

Aproximando-se a meia-noite, a banda fechou a festa com uns três belos boleros e os participantes foram se retirando. Como é gostoso uma festa na roça, entre árvores, sapos, grilos e corujas, tendo, além do colorido das bandeirinhas, a cobertura de um céu límpido e estrelado, longe do barulho infernal de nossas cidades. E vamos aguardar a Festa de São João. Que tal a banda do Chá Preto?

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P.S. – No Sábado anterior pude apreciar a Banda do Chá Preto. Hoje, Quinta, pude saborear algo semelhante, aqui em Belo Horizonte. Pena que não foi numa roça. Trata-se de um evento, “Festival Internacional de Acordeon”, que se iniciou ontem e vai até o Domingo, no Sesc Palladium. O evento de hoje chamou-se “Toninho 8 Baixos”. Essa banda tem, como líder, o senhor Antônio Fortunato, conhecido por “Toninho dos 8 Baixos”, acompanhado por um violão, uma guitarra, um contrabaixo e a sanfona (isso mesmo, não um acordeon!). A legítima sanfona, que tem apenas 8 baixos, é construída pelo próprio Toninho. Uma beleza. Ele exibiu também uma outra sanfona, esta mais sofisticada, também construída por ele. Além de fabricar, o Toninho dos 8 Baixos é um exímio técnico: conserta e regula sanfona e acordeon. Muita gente parou na rua para ver e ouvir o show. E eu pensava na nossa banda do Chá Preto lá na roça, tão bonita quanto a sanfona do Toninho dos 8 baixos...