Trilha sonora

Precisamos de discos

14 de Abril de 2021, por Renato Ruas Pinto 0

Bem, ao menos eu preciso. Gosto de ouvir música e ter informações sobre o que está tocando e não abro mão de ter um encarte e poder admirar a capa. Alguém pode até argumentar que isso seria coisa de fanático e que um ouvinte casual só quer escutar música e pronto. E talvez seja verdade, visto que muita gente sempre ficou satisfeita de ouvir sua música favorita no rádio e depois migrou para os tocadores de mp3 e, recentemente, para o Spotify e outros serviços de streaming. Mas a minha preocupação é que se o formato do streaming não for revisto, pode contribuir para apagar parte de nossa memória cultural.

Por esses dias, eu comprei uma caixa de CDs da grande compositora e cantora Joyce Moreno, com quatro álbuns lançados por ela nos anos 80, remasterizados. Feliz com a aquisição, já estava preparando para tirar uma foto e compartilhar nas redes sociais, quando comecei a analisar o conteúdo com cuidado e as reflexões que se seguiram me levaram a escrever este texto. Nos CDs foi incluída uma reprodução dos encartes originais, além das letras e créditos aos músicos envolvidos. Não é uma edição de luxo, mas é um trabalho muito bem executado, promovido pelo selo “Discobertas”, do pesquisador Marcelo Froes, sobre o qual já escrevi nessa coluna.

E aí alguém pode me questionar: “Mas se não preciso do encarte, é só abrir no Spotify”. Pode tentar, caro leitor, mas já adianto que o sucesso será parcial. E é quando se percebe que essas plataformas precisam melhorar e muito. O problema começa na organização do acervo da Joyce. Parte dos seus discos está sob nome artístico “Joyce”, como ela começou a carreira, e outra como “Joyce Moreno”, que ela adotou após se casar com o baterista Tutty Moreno. Além disso, a caixa possui quatro CDs: “Feminina” (1980), “Água e Luz” (1981), “Tardes Cariocas” (1983) e “Saudades do Futuro” (1985). O terceiro simplesmente não está disponível no streaming. Finalmente, os dois primeiros aparecem com uma capa errada. Mais do que uma tremenda falta de respeito com a artista e seu trabalho, é uma parte da nossa rica música que vai sendo apagada e o acesso negado às futuras gerações.

Não me tomem como um saudosista que resiste às tecnologias. Gosto muito do streaming pela praticidade e pelo universo de possibilidades que ele me abre. Porém, a forma como essas plataformas operam precisa ser revista urgentemente. O primeiro grande problema é a remuneração pífia aos artistas, em especial os pequenos e independentes, que, ao fim de um ano, recolhem no máximo uns poucos reais e, mesmo assim, se conseguirem muitas execuções de suas músicas. Isso dificulta qualquer artista viver da sua arte e continuar produzindo material de qualidade. Com a pandemia, durante a qual os shows foram proibidos, o problema da remuneração ficou escancarado. Artistas são necessários e seu trabalho movimenta toda uma indústria. Ou o streaming se ajusta para pagar valores mais justos, ou estamos alimentando um modelo insustentável, em que só os artistas de grande repercussão poderão se sustentar. E não vamos depois reclamar que caiu o nível da música.

Além disso, a falta de informação sobre os álbuns e a desorganização dos catálogos só atrapalham e uma parte da história dos artistas e seus álbuns vão sumindo. Eu sempre preciso recorrer à internet e à Wikipedia para pesquisas sobre determinado artista ou grupo, até para saber coisas básicas, como qual álbum foi lançado primeiro, pois nem isso costuma aparecer corretamente no streaming.

Finalmente, quando faltam discos no catálogo, a possibilidade de ouvi-los vai se complicando, já que, por razões que desconheço, o CD está sumindo no Brasil. Enquanto esse formato segue firme em outros países, com várias lojas vendendo CDs novos, aqui até as grandes gravadoras estão deixando de lançar novidades. Considerando que o preço do vinil, mesmo o nacional, é alto, quando ficamos restritos aos CDs importados, o preço começa a ficar proibitivo.

Por isso tudo, eu acho que precisamos de discos. Curto e ouço muita coisa em streaming, mas, sem mudanças nas plataformas estamos perdendo oportunidades e apagando a nossa história recente. O que virá depois? É difícil prever. Mas algo precisa acontecer.

Instrumental para todos os gostos

17 de Marco de 2021, por Renato Ruas Pinto 0

Eu gosto muito de música instrumental, mas, curiosamente, me dei conta de que raramente escrevo sobre esse tipo de trabalho aqui na coluna. Retomando os bons álbuns lançados em 2020, vou falar justamente de dois discos instrumentais e de estilos bem diversos, mas que têm entre si uma pegada rock em comum. Os discos em questão são “Open source”, de Kiko Loureiro, e “Sessões elétricas para um novo tempo”, de Ricardo Vignini. Vamos aos discos.

 

Kiko Loureiro, “Open source” – Kiko Loureiro é, sem dúvida, um dos mais talentosos guitarristas de rock da atualidade. Se já era reconhecido há um bom tempo no Brasil, principalmente pelo seu trabalho com a banda Angra. O reconhecimento e a fama internacional vieram ao ser recrutado por Dave Mustaine para o Megadeth, banda de renome no heavy metal. No seu último disco solo, ele mostra mais uma vez sua técnica impecável em um disco instrumental. Existe uma lenda – ou preconceito – de que guitarristas muito virtuosos não transmitem sentimento nas suas músicas, e isso é algo que acho uma bobagem. De fato, há guitarristas que não têm nada a mais a oferecer além de velocidade, mas isso está longe de ser verdade no caso de Kiko Loureiro. É um guitarrista cujo som vai muito além da técnica assombrosa.

Já tive a oportunidade de vê-lo ao vivo e sempre fiquei impressionado, mesmo o seu estilo não sendo o tipo de música que curto. Fiquei curioso ao saber que ele lançou um disco em plena pandemia e fui conferir. Kiko recrutou músicos que sempre tocam com ele, como o excelente baixista Felipe Andreoli e o baterista Virgil Donati, e botou na praça um disco excelente para quem curte rock instrumental. O disco ganhou, inclusive, o prêmio de melhor disco de guitarra do ano concedido pela revista “Guitar World”. Um dos destaques é a pesada “Imminent Threat”, que conta com a participação do também virtuoso Marty Friedman, que comandou a guitarra do Megadeth por muitos anos.

 

Ricardo Vignini Trio, “Sessões elétricas para um novo tempo” – Já escrevi algumas vezes nesta coluna sobre os trabalhos do violeiro Ricardo Vignini: seus discos solos ou com a dupla Moda de Rock, que toca clássicos do rock na viola. Vignini é violeiro com todas as credenciais. Reverencia e trata com o máximo respeito as obras dos grandes mestres, como Tião Carreiro e Índio Cachoeira, mas nunca restringiu a viola caipira às modas, toadas e cururus, com os quais ela é normalmente associada. A viola caipira vem, desde os anos 80, passando por um renascimento impressionante, conquistando adeptos e alargando fronteiras. Vignini é um dos responsáveis por essa expansão de limites ao trazer a viola para o rock, colocar efeitos de distorção e até tocar em uma viola de corpo sólido e captadores tal qual uma guitarra com a qual estamos acostumados.

Trazer a distorção para a viola não significa que Vignini coloca para escanteio a tradição. Ao contrário, em seu trabalho estão sempre presentes os ritmos e técnicas tradicionais da viola, como ele mostra novamente no álbum “Sessões elétricas”. Neste trabalho inspirado pelo rock, Vignini explora muito bem as possibilidades e sonoridades da viola caipira. Primeiro, o som rico das cordas duplas e das afinações abertas (para quem é leigo, é quando você pode tocar um acorde mesmo com todas as cordas soltas). Finalmente, nas técnicas típicas da viola, como o ponteado, em que o violeiro explora o polegar e o dedo indicador da mão do ritmo para tirar efeitos melódicos, harmônicos e rítmicos muito interessantes. Dessa fusão saiu um trabalho extremamente original e de roupagem enxuta, o tradicional power trio, com bateria e baixo. É fusão, mas, se for para rotular, pode-se dizer que o disco é um trabalho de rock e que alterna faixas um pouco mais pesadas com baladas, como a bela “Beijando o céu”. Quem acha que o rock e a música caipira são universos complemente distintos, vai se surpreender.

Com tudo de ruim que rolou no ano passado, ouvir dois bons discos é um alento. As artes e os artistas são mais do que necessários para manter nosso espírito animado. E Kiko Loureiro e Ricardo Vignini o fizeram com louvor. Não deixem de ouvir essas duas ótimas pedidas!

Histórias secretas

18 de Fevereiro de 2021, por Renato Ruas Pinto 0

O que você acha do som da banda “Os Carbonos”? Possivelmente não conhece o nome ou nunca ouviu falar. Mas tenha certeza de que você já os ouviu tocando em dezenas de gravações, incluindo grandes sucessos da música brasileira, como “É o amor”, de Zezé di Camargo ou “Summer Holiday”, de Terry Winter. Aliás, sabia também que esse último artista, com nome gringo e cantando em inglês, é na verdade brasileiro? Essas e outras histórias curiosas estão no ótimo documentário “A história secreta do pop brasileiro”, disponível no Amazon Prime e outros serviços de assinatura.

A série de oito episódios é dirigida pelo jornalista e escritor André Barcinski, que conhece como poucos os temas tratados no documentário. Barcinski é o autor de “Pavões Misteriosos”, livro sobre o qual já escrevi aqui na coluna, e ele traz para a tela algumas histórias do livro, bem como dá rosto e voz aos personagens. Tal como no livro, o documentário faz um recorte específico da música brasileira, entre meados dos anos 70 e o começo dos 80. Foi um período de grande crescimento do mercado fonográfico e vendas generosas sustentavam toda uma indústria que ia desde o estúdio, com técnicos, músicos e cantores, até os shows dos artistas e disc jockeys (os DJs) de prestígio de rádios e bailes.

O documentário dá um peso maior justamente ao lado “indústria” da música, de produção em escala e com foco no atendimento de determinadas demandas ou oportunidades de mercado. Os episódios mostram principalmente o trabalho duro de bastidores de músicos e produtores e, assim, trazem histórias para lá de interessantes. Algumas destas histórias estão ligadas ao crescimento acelerado do mercado, que abriu oportunidades para gravadoras menores. As grandes gravadoras tinham matriz no exterior, de modo que tinham um catálogo de artistas estrangeiros à disposição. Se as menores não tinham esse acesso, então elas criaram os seus “estrangeiros”. E para isso se valeram de dois recursos, verdadeiras cópias de artistas estrangeiros e os falsos gringos. No primeiro caso, pegava-se um artista com algum reconhecimento no estrangeiro e colocava-se um artista nacional com um nome parecido interpretando as mesmas músicas. O documentário mostra, por exemplo, a história do brasileiro José Gagliardi, que cantava com o nome artístico Prini Lorez, que imitava o jeito de cantar e o repertório do norte-americano Trini Lopez.

O segundo recurso, o dos “falsos gringos”, rendeu frutos e alguns artistas que se faziam de estrangeiros conseguiram sucesso de alguma forma. O caso mais conhecido é o de Morris Albert, cujo nome é Maurício Alberto. Morris Albert emplacou um grande hit, “Feelings”, que foi regravado por artistas famosos como Johnny Mathis, Paul Anka e Ella Fitzgerald. Ou Michael Sullivan, que teve grande sucesso comercial compondo músicas infantis para a Xuxa e o Trem da Alegria. Artistas como Fábio Júnior começaram a carreira se passando por estrangeiros e, quando não sabiam falar inglês, iam aos programas de auditório ou shows sem poder abrir a boca para entrevistas para não entregar a encenação.

Por trás desses artistas havia alguns personagens essenciais, que eram os músicos de estúdio. Um capítulo do documentário é dedicado ao grupo paulista “Os Carbonos” e outro episódio, aos cantores de estúdio e de coros, responsáveis pelos backing vocals. A história d’Os Carbonos é digna de registro. O grupo é composto por três irmãos de talento que trabalhavam em estúdios incessantemente, de segunda a segunda, fazendo as bases para uma infinidade de artistas de vários estilos. Foram tantas gravações que nem eles sabem em quantas músicas e discos tocaram. Se houvesse registro, pelas contas de Barcinski, provavelmente o grupo estaria no livro Guinness como os artistas com mais horas registradas em fonogramas.

O documentário ainda trata de várias outras histórias bem legais como, por exemplo, o surgimento do mercado de música infantil no Brasil. São episódios curtos, algo como 30 minutos, e de conteúdo rico. Fica a dica para quem quiser saber mais sobre nossa música. E fico na torcida para ter uma segunda temporada.

Música, apesar de tudo

20 de Janeiro de 2021, por Renato Ruas Pinto 0

Vamos começando 2021 com uma ponta de esperança: a vacina que já se enxerga no horizonte. O ano que passou foi terrível em todos aspectos, após sermos atingidos por uma pandemia que parece ter saído de um filme ruim de terror e que está cobrando um preço altíssimo em vidas. Ao longo de 2020, tentei trazer nesta coluna uma série de dicas de grandes discos, dos mais variados estilos, para proporcionar algum conforto para a alma e o coração.

As atividades ligadas à cultura e ao entretenimento foram severamente afetadas pelo isolamento social e a consequente proibição de shows e abertura de teatros e cinemas. Ainda assim, alguns artistas conseguiram produzir em alto nível e, além de shows via internet – as lives –, alguns bons álbuns foram gestados e lançados em 2020. E para começar bem o ano, nada como um disco excepcional do grande Paul McCartney, que, nos últimos dias do ano, botou no ar o excelente “McCartney III”.

Sempre há uma expectativa quando um dos maiores compositores da música popular coloca um disco novo na praça. Os últimos trabalhos de Paul, entretanto, não haviam me impressionado de modo que não sabia exatamente o que esperar. A pandemia e o isolamento fizeram com que Paul gravasse e produzisse um disco literalmente sozinho, tocando todos os instrumentos. A fórmula não é nova. Ao romper com os Beatles em 1970, Paul lançou o seu primeiro disco solo, “McCartney”, gravado desse modo. É um disco excelente, diga-se de passagem, e que vale a pena ser ouvido. E repetiu em 1980, com “McCartney II”. Agora ele faz o seu terceiro álbum, no qual mostra por que é um dos grandes mestres da canção de nossos tempos, além de desfilar seus dotes como multi-instrumentista. O resultado foi surpreendente até para os fãs com maior intimidade com a obra fabulosa do Beatle.

“McCartney III” é um disco onde o artista se ateve unicamente em mostrar a força das suas melodias e letras, sem se preocupar com produções rebuscadas ou com algum apelo comercial. A voz de Paul sente o peso dos seus 78 anos, mas ele foi completamente honesto em relação a isso, sem se preocupar em soar diferente ou tentar dar algum retoque. Como seria de se esperar de um disco totalmente solo, as bases são simples, mas nem por isso falta qualidade. Paul domina diversos instrumentos e, desde quando gravou, junto com John Lennon, a maioria dos instrumentos da clássica “The Balladof John and Yoko”, ele sempre mostrou a sua intimidade com aqueles instrumentos que fazem a base de um bom rock: bateria, baixo, piano e guitarras. Tal como em seu álbum de estreia solo, Paul faz questão de mostrar que realmente sabe tocar, arriscando-se até em faixas instrumentais.

Com uma combinação de canções fortes, bases sólidas, produção enxuta e despojada – que deixa passar até o que poderia ser chamado de pequenos erros de corte e edição – e toda a sinceridade na interpretação de Paul, que, como disse, mostrou sem maquiagens na voz quem ele é, o disco foi sucesso instantâneo. Curiosamente, um disco que passa longe de buscar fórmulas de sucesso, estreou de cara no topo das paradas britânicas e em segundo lugar nos Estados Unidos. Mais do que o sucesso comercial, Paul nos brinda com mais um trabalho de alto nível e em um momento particularmente delicado. Que a boa vibração das canções do disco traga uma boa energia de que tanto precisamos para encarar um ano que não há de ser fácil.

O trabalho de Paul não foi o único disco novo lançado em meio à pandemia, de modo que ainda temos bastante assunto para as próximas colunas ao longo do ano. Comecem o ano conferindo essa pérola que um dos maiores compositores de todos os tempos nos trouxe.

Em tempos difíceis é que artistas como Paul McCartney se fazem necessários para nos trazer leveza e beleza. Falando em tempos difíceis, cuidem-se, pois ainda estamos longe de sair desse pesadelo e toda atenção ainda é necessária. E que 2021 traga tempos melhores para todos.

O Blues britânico

18 de Novembro de 2020, por Renato Ruas Pinto 0

O blues é um estilo musical surgido no sul dos EUA e foi uma das principais formas de expressão do sofrimento dos negros daquela região do país. Ainda que libertos, eles conviviam com a miséria, com a exploração e a negação de todos os direitos humanos em estados que até os anos 60 possuíam leis abertamente racistas e segregacionistas. Nascido de uma fusão de músicas africanas com cantos de trabalho e religiosos, o estilo cresceu, popularizou-se e está na raiz de outros gêneros musicais importantes, como o jazz e o rock.

O estilo teve um caminho curioso. Muito popular nos EUA até os anos 50, o blues perdeu espaço para o rock e foi quase esquecido no seu país de origem. Porém, os discos cruzaram o Atlântico e desembarcaram na Inglaterra e Irlanda, onde renasceu com características próprias nos anos 60. Uma febre de blues tomou a Grã-Bretanha com o surgimento de vários clubes dedicados ao ritmo e diversas bandas e artistas que se projetaram internacionalmente.

Com forte influência da sonoridade do blues de Chicago, mais apoiado na guitarra elétrica, o blues britânico definitivamente acrescentou mais peso e distorção. Com o sucesso de grupos britânicos, como o Bluesbreakers de John Mayall, o Cream, e mesmo os Rolling Stones – que nasceram como um grupo de blues –, o estilo renasceu nos EUA. Felizmente, grandes lendas como B.B. King, Muddy Waters, Howlin’ Wolf e John Lee Hooker tiveram uma segunda chance na carreira e voltaram aos holofotes com uma ajuda dos seus fãs britânicos.

Para conhecer um pouco do blues britânico, listo abaixo alguns discos importantes do estilo e que são garantia de música de qualidade.

 

Blues Breakers with Eric Clapton (John Mayall & The Bluesbreakers): John Mayall era o líder da banda e um dos pioneiros do blues na Inglaterra. Ele recrutou para o grupo um jovem e ainda pouco conhecido Eric Clapton, um estudioso do blues e que, no conjunto de Mayall, rapidamente despontaria como um dos maiores guitarristas da Inglaterra. A guitarra de Clapton chamou atenção imediatamente e criou uma legião de fãs. Dizem as lendas, a inscrição “Clapton is god” (Clapton é deus) teria aparecido pintada nas paredes de Londres na época, tamanho foi o impacto do guitarrista.

 

Mr. Wonderful (Fleetwood Mac): a grande maioria do público conhece a fase mais pop da banda, de discos de grande sucesso, como “Rumours”, com Stevie Nicks e Lindsay Buckingham na formação. Mas a banda nasceu dedicada ao blues, com o virtuoso Peter Green nas guitarras. Green, aliás, foi outro guitarrista revelado por John Mayall e que teve a difícil missão de substituir Clapton no grupo. Peter Green, infelizmente, teve sérios problemas psiquiátricos que praticamente acabaram com sua carreira. De todo modo, a fase inicial do Fleetwood Mac é excelente para fãs mais puristas de blues.

 

Fire and Water (Free): o grupo Free ficou conhecido pelos ótimos shows e pelo talento precoce da banda, que despontou quando alguns membros ainda eram menores de idade. O grupo teve uma breve duração, de 1968 a 1973, mas chamou atenção na cena e teve relativo sucesso comercial. A precocidade da banda talvez tenha cobrado um preço alto e, logo após o fim do grupo, o talentoso guitarrista Paul Kossoff faleceu muito jovem, provavelmente por conta do uso de drogas e vida desregrada.

 

Além dos discos citados aqui, já escrevi na coluna sobre um ótimo tributo que os Rolling Stones fizeram recentemente ao estilo, Blue & Lonesome (https://www.jornaldaslajes.com.br/colunas/trilha-sonora/as-pedras-que-ainda-rolam-e-lancam-bons-discos/1008). Conhecidos como um grupo de rock, foi o blues que aproximou os jovens Mick Jagger e Keith Richards, que formaram uma banda dedicada ao estilo. Não por acaso, o nome da banda veio de uma canção de um disco de um ícone do estilo: Muddy Waters.