Meio Ambiente

Fonte da Mina: em estado de abandono

16 de Junho de 2017, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Já falamos sobre a Fonte da Mina em reportagens e artigos anteriores no Jornal das Lajes. Localizada entre os bairros São José e Canela, antes da chegada da Copasa, era um dos principais locais onde se buscava água para consumo nas residências. Aos poucos, a beleza e a utilidade dessa e de outras minas que rodeiam Resende Costa foram se acabando.

Você já deve ter visto algumas ações realizadas pelo Projeto ReNascentes, fruto da parceria entre o IRIS e a Secretaria Municipal de Saúde, executado no biênio 2015/2016. A Fonte da Mina recebeu atenção especial por ser uma das mais tradicionais. Até sua água foi analisada em laboratório, estando potável, ou seja, não tinha contaminantes químicos ou bacteriológicos.

Infelizmente, depois de pouco mais de um ano da revitalização da Fonte da Mina, o estado de abandono que a mesma se encontra é lamentável. O local se tornou ainda ponto para uso de entorpecentes. Tanto o poder público, a Prefeitura Municipal, quanto a comunidade não tiveram os devidos cuidados em sua preservação. As manutenções iniciais foram realizadas pelo IRIS, no entanto, não temos condições operacionais para uma atuação periódica nessa e em outras fontes objetos do projeto. Dessa forma, quase todas as ações realizadas para recomposição paisagística local perderam seus efeitos. Por fim, ficamos com uma foto atual da Fonte da Mina, novamente no abandono.

Água e gênero

18 de Maio de 2017, por Instituto Rio Santo Antônio 0

O conceito de gênero é comumente utilizado para se referir à questão da diferença sexual. Ele faz alusão à construção inteiramente social das atribuições dadas aos homens e às mulheres dentro de uma comunidade, em contraposição à sua aparente determinação físico-biológica. Dessa forma, falar de gênero é falar de mulheres, de homens e da relação entre ambos.

A conferência que marcou o início das discussões internacionais mais amplas sobre recursos hídricos foi a Conferência das Nações Unidas para a Água, realizada em Mar del Plata na Argentina, em 1977. O princípio mais importante estabelecido foi o do direito de todos ao acesso à água potável, em quantidade suficiente. Já na terceira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, a Rio+10, realizada na África do Sul em 2002, o documento intitulado “Metas do Milênio” apresentou algumas questões vinculando a mulher ao meio ambiente, fornecimento de água potável e acesso ao saneamento, principalmente entre as populações marginalizadas.

A ligação feminina com a água é laboral e biológica, uma vez que a mesma está presente em nossas vidas desde a gestação, a exemplo do líquido amniótico que envolve o filho no ventre da mãe. Curiosamente, cerca de 70% do corpo humano é água. Historicamente, as mulheres são as principais gestoras dos recursos naturais em nível familiar, em especial da água. Em termos laborais, elas representam mais da metade da mão de obra agrícola do mundo, especialmente nas zonas rurais dos países em desenvolvimento. E nessas regiões, as mulheres ainda têm a responsabilidade de buscar água, gerenciar o saneamento em nível doméstico e educar as crianças em matérias higiênicas.

No Brasil, em áreas mais pobres, notadamente as rurais, as mulheres são responsáveis pelo gerenciamento da água dentro de casa e nas plantações próximas às residências, garantindo, assim, a sustentabilidade do recurso dentro do ambiente familiar. Cabe destacar também as comunidades indígenas, nas quais as mulheres exercem um papel central na questão hídrica. Dessa forma, o trabalho e o saber femininos são essenciais à preservação e utilização da água e à proteção da biodiversidade na agricultura e no meio ambiente.

Atualmente, a maioria absoluta das moradias urbanas possui rede pública de abastecimento de água, como é o caso de Resende Costa. Mas, há poucas décadas atrás, o privilégio de ter água encanada era só para os moradores do centro da cidade. No entanto, o volume, captado principalmente em um poço localizado na Fonte dos Cavalos, não era suficiente para atender à demanda. A distribuição era realizada pela Prefeitura, substituída pela Copasa no princípio dos anos 80.

E a residência que não era contemplada com a água encanada? E quando faltava água na rede? As fontes que rodeavam a cidade “salvavam a pátria”. Delas provinha a água para todos os afazeres: beber, lavar vasilhas, tomar banho. Algumas dessas fontes eram ainda utilizadas para lavar roupas. E aí entravam em cena as mulheres: as lavadeiras e as carregadeiras. Essas últimas carregavam as latas de água na cabeça, apoiadas em uma rodilha de pano. Particularmente, tenho lembranças de ver algumas lavadeiras na fonte Biquinha, situada nos fundos da Rua Moreira da Rocha. Lembro ainda dos bambuzais, da água limpa e das amoras que cresciam ao longo dos trilhos. Hoje, o local está totalmente deteriorado e sem acesso público. A água virou esgoto e a bica de pedra foi destruída. Realidade compartilhada também pelas outras fontes.

Tanto nas cidades quanto nas áreas rurais, muitos dos afazeres domésticos que envolvem água ainda são realizados predominantemente por mulheres. No entanto, com o empoderamento das mulheres, a situação vem se transformando. Cada vez mais elas têm se inserido na esfera pública, no mercado de trabalho e na gestão, participando de cooperativas, conselhos, Comitês de Bacia. Enfim, não só na área dos recursos hídricos, estamos caminhando para uma sociedade que almeja a participação equitativa de homens e de mulheres nas decisões, nas tarefas e nas responsabilidades. 

Impactos ambientais no Parque da Capoeira

13 de Abril de 2017, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Continuando nossa conversa sobre impactos ambientais em Resende Costa, uma questão merece destaque: a situação socioambiental do nosso Parque Capoeira Nossa Senhora da Penha. O IRIS fez uma caminhada ecológica no local, no sábado 25, em comemoração ao dia mundial da água, 22 de março. O estado de conservação não é dos melhores, os problemas que assolam a unidade de conservação (UC) persistem ao longo de décadas.

Você certamente conhece a Capoeira Nossa Senhora da Penha, também conhecida como Fonte João de Deus ou Horto Florestal. O Parque, criado pela Lei Municipal 1.930 de 21/10/1992, ocupa uma área de 8,7369 ha ou 87.369 m². Ele circunda o Horto, que é uma propriedade de 3,0 ha doada pela Prefeitura ao Estado e administrada pelo IEF desde 1967. No interior da UC existem três nascentes. A área, coberta com vegetação nativa do bioma Mata Atlântica, é habitat de vários animais, com destaque para uma família de bugio ou macaco barbado e 57 espécies de aves.

Dentre os impactos ambientais, o primeiro a ser mencionado são as invasões na área da Capoeira, o que acontece desde antes mesmo de ser criada a UC. Vários moradores do entorno aumentaram suas hortas incorporando partes do terreno público. Recentemente, foi construída uma casa incorporando parte do Parque. Uma situação crítica é a divisa da UC com a rua Antônio Carlos de Resende, onde há várias ocupações irregulares (construção de garagens, horta de couve, amontoado de tijolos) que foram autorizadas pela própria Prefeitura. Outra ocupação autorizada foi uma área do Parque na divisa entre a rua José de Resende Costa e a Travessa Marechal Deodoro. No local há criação de cavalo e até de porco.

Atualmente, a situação mais deplorável no Parque é a questão da drenagem pluvial e do esgoto doméstico, que infelizmente são direcionados para a Capoeira sem maiores cuidados. Alguns fatos já são conhecidos pelos resende-costenses: a rede pluvial, que foi construída para receber a água da chuva, se tornou praticamente uma rede de esgoto, recebendo água residual de pias, tanques, chuveiros e até mesmo de banheiro. Por ser uma área mais baixa, a UC recebe toda água da chuva (e junto com ela o esgoto doméstico) de quase toda parte oeste da cidade.

Quais são os resultados? Primeiro, o esgoto contamina a água que brota das nascentes. Segundo, quando chove, a enxurrada traz todo o lixo que fica nas ruas e nos fundos das hortas. O Parque está abarrotado de todo tipo de lixo (latas velhas, panos, sacolas plásticas, embalagens etc.). Terceiro, devido à força das águas da chuva, após as manilhas do sistema de drenagem, a enxurrada provoca buracos no solo. Assim, há deslocamento de argila, que dá a cor barrenta à água; de areia, que se acumula nas partes baixas (o que provocou o assoreamento da antiga bica na fonte João de Deus e atualmente entope os canais que levam água até o viveiro de mudas) e surgiu um processo erosivo enorme (voçoroca) dentro do Parque. Menciona-se ainda a recorrência de outra voçoroca dentro da área do Parque, na divisa com a Travessa Marechal Deodoro. O esgoto, aumentado pela água da chuva, proveniente da rua José de Resende Costa e jogado sem nenhum controle dentro do Parque, provocou novamente a formação do barranco. Se a Prefeitura não recuperar a área, no próximo período chuvoso, casas e a rua próxima serão afetadas.

Ainda sobre a Travessa Marechal Deodoro, moradores do entorno continuam jogando entulho dentro da área da UC, mesmo com o cercamento e a colocação de uma placa educativa no local. Inclusive, foi cortado o arame da cerca construída recentemente pelo IRIS.

Dentro da área do Horto também existem problemas: roubo de mudas e de mourões tratados (alguns eram do IRIS e seriam usados na continuação do cercamento da UC). E, acreditem, parte da cerca de divisa do Horto com o Parque, no meio da mata, foi destruída para retirada de mourões.

Mais uma vez o IRIS pede sua ajuda para revitalização e conservação desse patrimônio ambiental de Resende Costa. Visite e preserve o Parque Municipal da Capoeira.

Adriano Valério de Resende

Impactos ambientais em Resende Costa

16 de Marco de 2017, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Primeiramente, devemos lembrar de que não há atividade humana sem transformações no meio natural. No entanto, algumas alterações são tão significativas que merecem maior controle. Se não é possível sanar todo o impacto negativo, deve-se mitigá-lo, ou seja, diminuir de tal forma as perturbações ambientais para que a natureza e a sociedade consigam absorvê-las. Nessa perspectiva, apontaremos a seguir os principais impactos ambientais em Resende Costa e as possíveis mitigações para os mesmos.

Uma das questões mais preocupantes é o esgotamento sanitário. Resende Costa é uma das cidades mineiras que mais utiliza fossa negra como destino do esgoto doméstico oriundo do banheiro, o que não é ambientalmente recomendado. Consiste em um buraco escavado no solo, às vezes revestido com tijolos, tampado com laje de cimento. Os efluentes de cozinhas, de banhos e de lavagem de roupas são geralmente direcionados para a rede pluvial (de captação de água da chuva), que literalmente se transformou em rede de esgoto. O correto seria tratar o esgoto antes de jogá-lo no solo ou nos cursos d’água. No entanto, a construção de fossa séptica em cada residência é inviável. A solução é construir e operar uma Estação de Tratamento de Esgoto. A Copasa recentemente construiu uma ETE, que ainda não está em operação. Parte da rede coletora está pronta e recebendo esgoto, com autorização da própria empresa. Resultado: estão jogando esgoto sem tratamento no córrego do Tijuco.

Outra questão é a poluição de nossas fontes, que tempos atrás eram locais onde várias famílias buscavam água para uso doméstico. Além de receberem esgoto, sofrem com invasões, acúmulo de lixo, desmatamento e destruição das antigas bicas. Incluímos aqui o Parque da Capoeira, que além de sofrer com tudo isso, ainda vê uma voçoroca surgir por causa de uma rede pluvial mal planejada.

Falando ainda de água, cabe mencionar as dificuldades que a Copasa vem enfrentando nos últimos anos para manter o abastecimento regular da cidade. Como a captação no córrego Tijuco não consegue sozinha suprir a demanda, foi preciso buscar água no córrego Vassouras. Mesmo assim, a situação não é confortável. Em nossa região há pouca água disponível no subsolo por estarmos sobre embasamento cristalino. E este é o quinto ano seguido com chuva abaixo da média. Para piorar, continuamos desmatando, principalmente áreas de recarga dos aquíferos: cabeceiras das nascentes, topos dos morros e áreas planas nas partes mais altas. Já estamos vivenciando as consequências.

O aterro controlado que havia no município se esgotou. Assim, estamos enviando nosso lixo para um aterro sanitário em Sabará, a 200 km de distância. A disposição final do lixo está ambientalmente correta, mas tal prática custa caro aos cofres públicos. Portanto, precisamos melhorar a coleta seletiva, visando diminuir a quantidade de resíduos levada pelos caminhões. Sobre os resíduos da construção civil (chamados de entulho), sempre foram jogados em voçorocas, o que é proibido. A mais recente área de bota-fora (área que recebe entulho) é o barranco do Tijuco.

Recentemente, acompanhamos o início da abertura de uma avenida para desafogar o trânsito na entrada da cidade. Além de cortar árvores, a movimentação de terras, sem a devida revegetação ou a finalização das obras, trouxe carreamento de sólidos para as cabeceiras do córrego Picada. Esse, que recebe esgoto e está desmatado, agora convive com terra e areia entupindo seu leito. Além disso, o impacto visual é gritante, ou seja, sem a finalização da obra o local está muito feio.

A mais recente polêmica ambiental em nossa cidade foi a arborização urbana. Lembro-me de uma frase da bióloga que veio fazer os estudos de fauna do Parque: “Resende Costa não tem árvores”. Cena curiosa foi ver três carros disputando, no meio da tarde, a sombra de uma jovem Sibipiruna em frente à prefeitura. Existem vários estudos sobre arborização urbana: tamanho de copas, tipos de raízes, flores, folhas etc.  Por fim, apesar das opiniões contrárias, a cidade também é lugar de árvores.

O lixo nas áreas públicas

16 de Fevereiro de 2017, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Lembro-me da primeira vez que cheguei ao Rio de Janeiro pela rodoviária. Eu nem acreditei que aquele era o Rio mostrado pela mídia e que é conhecido como Cidade Maravilhosa. Uma confusão de gente e de veículos, moradores de rua pelos cantos nas avenidas, vendedores ambulantes te parando, muita sujeira nas ruas, água podre na beira das calçadas, o cheiro forte da maresia vindo da área portuária, um córrego que virou esgoto a céu aberto. Era um lugar muito diferente da zona sul da cidade, como Ipanema e Copacabana, ou de outras cidades praianas, com suas belezas naturais e a organização rotineira para receber os turistas. Esse sim é o Rio que se mostra nas novelas e nas propagandas.

A história se repete nas proximidades da rodoviária de Belo Horizonte: lixo espalhado pelas ruas, até sendo queimado em alguns locais, drogados nas esquinas, montes de pedras que são usados como fogão, o Ribeirão Arrudas que mais parece um esgoto a céu aberto etc. Falando especificamente da questão do lixo, os garis limpam cotidianamente os logradouros públicos e até caminhões-pipa jogam água nos lugares mais sujos, mas a sujeira insiste em prevalecer. Realmente, nossa sociedade ainda não aprendeu a conviver com resíduos e sobras do nosso dia a dia.

Mas, curiosamente, a capital mineira foi construída na forma de um xadrez, avenidas e ruas retas, formando quarteirões quadrados. Algumas ruas que começam perto da rodoviária acabam na zona sul. Aí percebermos a diferença. Na parte nobre, como nos bairros Lourdes e Savassi, a história é outra. As ruas estão sempre limpas e as pessoas bem vestidas. Tempos atrás, um morador de rua montou sua barraca numa praça, no coração da Savassi. O fato virou notícia de televisão. Segundo alguns moradores, isso é um absurdo, estava atrapalhando a boa convivência do local.

Assim, percebe-se a organização das grandes cidades. Em alguns locais são permitidos certos convívios e movimentos. O centro que antes era local de residência das elites, o que ainda o é nas pequenas e médias cidades, se tornou moradia improvisada das pessoas que vivem nas ruas. Dessa forma, o poder público fecha os olhos e aceita, ou talvez seja obrigado a aceitar, práticas que desrespeitam as etiquetas da convivência social e do meio ambiente. Mas, o que nos interessa é afirmar que, certamente, a degradação socioambiental está associada à falta de informação/conhecimento e à pobreza.

Com relação ao quesito lixo, nas cidades pequenas, a situação do centro é diferente. As pracinhas geralmente são limpas e bem cuidadas. Por Minas afora, nas cidades do interior, sempre há uma pracinha como referência do centro. Nossa região é exemplo disso. No caso de Resende Costa, muitas vezes, nem percebemos que as ruas do centro e de seu entorno estão limpas. Isso é fruto do trabalho invisível, feito por funcionários da Prefeitura, que todos os dias, durante a madrugada, varrem ruas e praças. Mesmo assim, andando pela cidade, ao longo do dia, facilmente se encontra resíduos jogados pela população: bitucas de cigarro, pedaços de papéis, todos os tipos de plástico (papel de bala, restos de embalagens etc.). Certa vez, questionando um cidadão que lançou um pedaço de embalagem ao chão, a resposta que obtive foi que, se não tiver o que limpar os garis vão perder o emprego.

Recentemente, o IRIS contribuiu para a coleta do lixo gerado pelos transeuntes em nossa cidade. Confeccionamos e espalhamos pelo comércio várias lixeiras, feitas com bombonas devidamente pintadas. A Prefeitura, com verba do governo federal, também implantou várias lixeiras pela cidade. Mas isso só não basta, é preciso criar uma consciência coletiva sobre a questão socioambiental. Comportamentos básicos e simples devem ser incorporados em nossa rotina, como não danificar as plantas dos jardins; evitar cortar caminho pela grama; não agredir animais que foram abandonados ou estão transitando; colocar o lixo em lixeiras. Ou será que você joga papel ou resto de comida pelos cantos de sua casa?