Meio Ambiente

Em 2025 o IRIS completou 16 anos de fundação

27 de Janeiro de 2026, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Membros da nova diretoria do IRIS (foto arquivo IRIS)

O IRIS - Associação Instituto Rio Santo Antônio – completou no dia 27 de dezembro último 16 anos de sua fundação. O Instituto é uma entidade da sociedade civil sem fins lucrativos fundada em 2009, que tem como objetivo principal realizar ações voltadas para a promoção e a defesa da sustentabilidade ambiental e cultural de Resende Costa.

No dia 14 de dezembro de 2025, foi realizada reunião para a eleição da nona diretoria da Associação, ficando assim composta: Diretor-Geral: Osvaldo Otelo de Magalhães Monteiro; Vice-Presidente: Keila Aparecida da Silva Santos; Diretor Técnico de Meio Ambiente: Charles Henrique Fernandes; Diretor de Cultura: Ângelo Márcio Resende; Diretor de Comunicação: Emerson Gonzaga Fernandes; Diretor-Financeiro: Adriano Valério de Resende; Secretária: Flávia Cristina da Silva; titulares do Conselho Fiscal: Cleisiane de Sousa Silva, Ricardo Sales Santos e Robson Antônio Lopes Pires; suplentes do Conselho Fiscal: Francisco Eduardo Pinto e Bárbara Vitória Mariano Sousa.

Na reunião foi apresentado um balanço da atuação do IRIS e feitas projeções para 2026. Assim, apresentaremos as principais ações realizadas em 2025. No quesito ambiental, em janeiro, o IRIS (através dos membros Adriano Valério, Flávia Cristina e Mateus Resende) participou da organização e da realização da Primeira Conferência Intermunicipal de Meio Ambiente, envolvendo os munícipios de Coronel Xavier Chaves, Nazareno, Prados, Tiradentes e São João del Rei, que a sediou. Acrescenta-se que Adriano proferiu a palestra intitulada “O que deve ser feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa?” e Mateus representou o IRIS na Conferência Estadual realizada em março.

Em julho, foi assinado um Termo de Fomento com a Prefeitura Municipal, visando realizar estudos para a institucionalização do Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha. Nesse sentido, em agosto, o IRIS assinou um contrato de prestação de serviço com a empresa de consultoria Avanço Ambiental e Soluções Empresariais Ltda para elaboração do Plano de Manejo (documento fundamental para a gestão da unidade de conservação) e dos seguintes projetos socioambientais: cercamento do parque, recuperação de uma voçoroca ativa, trajeto de uma trilha ecológica, desassoreamento e limpeza da nascente (fonte João de Deus), revitalização do viveiro de mudas e de Educação Ambiental. Além disso, será elaborado material gráfico digital sobre o parque, realizadas duas reuniões para apresentação dos estudos (uma com a comunidade do entorno e outra com o poder público), realizado um mapeamento aéreo com drone e elaborados arquivos digitais georreferenciados.

Com relação à atuação nos Comitês de Bacia Hidrográfica, a associação continua participando no CBH Nascentes do Rio Grande (estadual) e no CBH do Rio Grande (federal). O IRIS, através de seus membros Douglas Cobucci e Osvaldo Otelo, realizou visitas técnicas a várias cacheiras localizadas no município de Resende Costa e foi postado nas redes sociais um roteiro ambiental e turístico para as mesmas. Foram verificados os acessos, as belezas naturais e os possíveis perigos em sua utilização.

No quesito cultural, o IRIS organizou algumas oficinas educativas, como o Bloco dos Palhacinhos no Carnaval e Oficinas de Percussão - ambas atenderam crianças de várias idades e de diferentes bairros da cidade. A associação participou ativamente, em conjunto com o poder público municipal, na criação do “Sistema Municipal de Cultura do Município de Resende Costa”, aprovado pela Lei 5.658 de julho de 2025 e também na elaboração de uma minuta (já entregue ao jurídico municipal) para adequação da Lei 4.027/2015 (que dispõe sobre Plano de Apoio às Atividades Culturais), visando ao incentivo aos artistas locais em eventos realizados no município. Em setembro, foi realizada a décima sexta edição do Luau nas Lajes. O evento contou com muita música, variadas atividades, lazer e diversão no Mirante das Lajes. E uma das reivindicações foi um maior cuidado do poder público e da população com a gruta chamada “Buraco do Inferno”. Em novembro o IRS apoiou a realização da primeira edição do festival “Pedregulho Rock Fest” no Parque de Exposições, com a participação de bandas locais e regionais.

Cabe destacar que está sendo finalizado um livro contando a trajetória dos 15 anos de existência do IRIS, além de contar com alguns artigos publicados na coluna “Meio Ambiente” do Jornal das Lajes, o que acontece desde 2012. Por fim, agradecemos a todos os colaboradores e simpatizantes que, juntos, chegamos a 16 anos de existência da associação. E que 2026 seja um ano de muitas realizações ambientais e culturais para a nossa Resende Costa.

A COP 30: uma reflexão sobre sustentabilidade

25 de Novembro de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Enquanto estava escrevendo o presente texto, a COP 30 se iniciava. Também chamada de COP da Amazônia, a 30ª edição da “Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas” está sendo realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, entre os dias 10 a 21 de novembro. Diante do simbolismo do evento e das reais necessidades ambientais em que vive o planeta, compartilho algumas reflexões.

O que é uma COP? Originalmente, COP significa “Conferências das Partes”, essas partes são os 198 países que assinaram o primeiro acordo climático da ONU na ECO-92, também realizada no Brasil. Na época, foi assinada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). Essa convenção “criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima.”

As COPs, na verdade, são reuniões anuais sobre o tema das mudanças climáticas e normalmente acontecem no final do ano em algum país membro. São o principal espaço de negociações e de decisões sobre o clima no mundo e reúne, além dos representantes oficiais dos países, especialistas, cientistas e ativistas da sociedade civil organizada. Assim, são definidas metas, tratados e mecanismos para reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global e para enfrentar os impactos da crise climática.

Convém destacar que o Brasil tem um papel central nas questões ambientais. Só a título de exemplo, temos o maior percentual de água doce superficial do planeta, cerca de 12% (e ¾ está na Amazônia), a maior floresta tropical e a maior biodiversidade. E temos feito nosso dever de casa em relação às questões ambientais? Certamente não. Por exemplo, não conseguimos zerar o desmatamento na Amazônia nem no Cerrado. A principal contribuição brasileira de gases estufa provém justamente das queimadas, muitas em áreas desmatadas. A expansão da soja e do gado para a Amazônia é uma realidade, mas o Brasil continua batendo recordes na exportação desses comodities. O difícil é fazer o agronegócio entender que a chuva que faz o Brasil produzir provém justamente da floresta que eles ajudam a derrubar. Vejamos uma questão polêmica: foi tomada uma decisão para desmatar milhares de hectares de floresta visando a construir uma rodovia para melhorar o tráfego para Belém por causa da COP 30. E outra mais estrutural: a concessão de licença pelo IBAMA para a Petrobrás pesquisar petróleo e gás natural nas proximidades da foz do rio Amazonas. É bom lembrar que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global. E o Brasil é um dos assinantes do Acordo de Paris, celebrado em 2015 durante a COP 21, que preconiza a diminuição das emissões dos GEE de forma a limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC. Pergunta-se: enquanto país, estamos cumprindo nossos compromissos com os acordos internacionais que assinamos?

Vamos trazer mais para perto de nós. É engraçado que as secretarias de Meio Ambiente de cidades pequenas sempre estão subordinadas a outros setores e, por incrível que pareça, quase sempre aparecem no último lugar no nome das mesmas e, muitas das vezes, estão subordinadas à agropecuária, como se fosse um apêndice. Vejamos alguns exemplos de secretarias na região do Campo das Vertentes: Resende Costa (Agropecuária e Meio Ambiente), Coroas (Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente), São Tiago (Agropecuária, Comércio, Indústria e Meio Ambiente), Tiradentes (Obras, Meio Ambiente, Integração Rural e Agricultura).

E, mais particularmente, as pessoas ainda não internalizaram os pressupostos da sustentabilidade ambiental, mesmo entre nós, os reconhecidamente ambientalistas ou simpatizantes da causa. Tarefas simples e cotidianas ainda são menosprezadas, como separar o lixo, economizar água, não jogar lixo em ambientes públicos, consumir de forma consciente, evitar copos descartáveis, não desperdiçar comida.

Percebemos que a questão ambiental é apenas um discurso, uma retórica proferida por políticos, agentes públicos, empresas e cidadãos. Precisamos realmente interiorizar a sustentabilidade se quisermos que as gerações futuras não sofram enormemente com o desequilíbrio ambiental. Por fim, precisamos urgentemente sair da fase do discurso.

Processos erosivos em Resende Costa

29 de Outubro de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Voçorocas vistas a partir do Mirante das Lajes, em Resende Costa (foto arquivo Adriano Valério Resende)

Continuando nossa conversa sobre informações geográficas de Resende Costa, baseada num documento impresso elaborado pelo Estado de Minas Gerais em 1982, falaremos sobre os processos erosivos no município.

Regionalmente, a bacia hidrográfica do rio das Mortes é considerada, na sua quase totalidade, como área com alta susceptibilidade à erosão dos solos e com alta ocorrência de focos erosivos isolados ou concentrados. Localizada no trecho médio do rio das Mortes, a bacia do rio Santo Antônio, e em especial o município de Resende Costa, é conhecida na literatura (Moreira, 1992; Moreira et al., 2003; Larios e Calijuri, 2012) como uma área de referência em degradação ambiental devido a processos erosivos, sobretudo voçorocas. Para se ter uma ideia, na bacia do rio Santo Antônio foram identificados 754 focos de erosão, sendo 447 voçorocas ativas e 384 paleovoçorocas (que são processos erosivos antigos, já estabilizados e colonizados por vegetação).

A declividade do relevo, o alinhamento das falhas geológicas, o tipo de solo (com destaque para os cambissolos) e especialmente as questões antrópicas justificam porque a bacia do rio Santo Antônio está sujeita a fortes processos erosivos. Comumente chamadas de barrancos, as voçorocas fazem parte da paisagem do nosso município. No entorno da cidade elas estão visíveis, notadamente nas direções norte e oeste. No cartão- postal de Resende Costa, o Mirante das Lajes, pode-se ver as marcas das voçorocas na paisagem.

Antes de irmos ao texto do documento, convém fazermos alguns comentários e definições. Os processos erosivos são os maiores desencadeadores da degradação dos solos, o que contribui para a diminuição do potencial produtivo das terras, bem como para o assoreamento e decréscimo da qualidade dos recursos hídricos. Eles podem ser naturais ou antrópicos. Em ambientes com cobertura vegetal natural e sem pressão de fatores antrópicos, a erosão se manifesta de forma muito lenta, sendo perceptível após um longo período. Já a erosão antrópica ou acelerada é fruto da ocupação inadequada dos solos por atividades agropecuárias ou urbanas e está associada a solos sem cobertura vegetal, compactados ou recentemente movimentados.

Em termos técnicos, erosão é o processo de desprendimento e arraste acelerado de partículas do solo causado, entre outros fatores, pela ação da água da chuva, a chamada erosão hídrica, que se caracteriza por duas formas principais: erosão laminar e erosão linear. A primeira é a remoção, com certa uniformidade, da camada superior do solo, sendo comum até mesmo em áreas com pequeno grau de declividade.

Já a erosão linear é causada por concentração das linhas de fluxo das águas de escoamento superficial, o que resulta em incisões no solo na forma de sulcos, ravinas e voçorocas. A erosão em sulcos acontece quando a enxurrada escorre por pequenas irregularidades do terreno, formando riscos mais ou menos profundos. As ravinas são feições de maior porte, com profundidade variável e não atingindo o nível de água subterrâneo. As voçorocas são o estágio final dos processos erosivos, havendo deslocamento de grandes massas de solo e formação de grandes cavidades em extensão e profundidade.

Diante das colocações, podemos ir ao documento: “No município de Resende Costa, os processos erosivos são bastante atuantes, o que pode ser observado pela extensão e quantidade de voçorocas ativas e de erosões laminares. Os ravinamentos e as voçorocas colonizadas, embora presentes no município, não apresentam um quadro significativo.”

“As formas de erosão predominantes são as voçorocas ativas, ocasionadas pelo lençol de escoamento superficial. Essas formas erosivas distribuem-se por todo o município, exceto na porção central (o povoado do Ribeirão está praticamente no centro do município). Em alguns pontos, como as proximidades do Córrego do Retiro (perto do Curralinho dos Maias) e a oeste do núcleo urbano de Resende Costa, as voçorocas ocorrem em grande número e paralelas umas às outras.”

“As formas laminares apresentam-se também bastante difundidas no município, ocupando, na sua maioria, os topos das colinas, ou seja, as áreas de menor declividade. Aí os solos apresentam coloração mais clara e a vegetação rarefeita contribui para os processos mais ativos de lixiviação.”

Cidades-esponja: uma esperança para o futuro

01 de Outubro de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Yasmine Santos Mesquita*

Adriano Valério Resende**

 

Nas últimas décadas, houve um aumento da população morando em cidades e concomitantemente os problemas ambientais urbanos vêm se acumulando. A ideia de cidades sustentáveis parece ser um dos caminhos mais promissores para mitigar esses problemas. Um exemplo são as chamadas cidades-esponja. Sendo assim, vale pensar um pouco mais sobre a questão.

Atualmente, cerca de 55% da população mundial reside em áreas urbanas, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU-Habitat) e esse percentual tende a aumentar, alcançando aproximadamente 68% até 2050. O Brasil se tornou um país urbano na década de 1970 e, de acordo com o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, a população urbana chegou a 87,4%. Assim, há perspectiva de uma crescente urbanização no mundo e de estabilização da população urbana no Brasil nas próximas décadas.

Com a tendência de aumento do contingente de pessoas vivendo em cidades no mundo, há também uma ampliação dos problemas ambientais que impactam o meio ambiente urbano. Na maioria das situações, esses fenômenos possuem causas naturais, mas são potencializados pelo processo de intervenção antrópica, assim como pela acentuada transformação da natureza. O Brasil já convive com muitos problemas que estão ligados à expansão desordenada dos centros urbanos. Por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores cidades do país, são exemplos de metrópoles que acumulam problemas ambientais urbanos devido à aglomeração de indústrias e de pessoas. Dentre esses problemas, destacam-se: poluição do ar e da água, ilhas de calor, inversão térmica, chuvas ácidas, enchentes e deslizamentos de terra.

As cidades sustentáveis são uma alternativa para a diminuição da poluição em centros urbanos, pois têm como foco central reordenar o seu funcionamento para evitar o esgotamento e a deterioração do meio ambiente, mas mantendo as cidades habitáveis para as gerações futuras, adotando várias práticas inteligentes para o aprimoramento da qualidade de vida da população e a preservação ambiental.

Um modelo de cidade sustentável são as chamadas cidades-esponja - conceito baseado na integração de infraestruturas verdes e azuis em paisagens urbanas (como parques alagáveis, telhados verdes, jardins de chuva e pavimentos permeáveis) para absorver, limpar, infiltrar e armazenar a água da chuva no próprio solo urbano, evitando escoamento superficial, reduzindo enchentes, recarregando aquíferos e, assim, aumentar a resistência das cidades frente a eventos climáticos extremos.

O conceito de cidade-esponja foi desenvolvido pelo arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongjian Yu. A partir de 2013, essa ideia vem se transformando numa iniciativa governamental adotada na China para enfrentar os problemas de inundação urbana causados pelos rios locais. Recentemente, foi lançado um programa para criar 30 cidades-esponja em todo o país, com o objetivo de garantir que 80% das áreas urbanas possam absorver e reutilizar pelo menos 70% da água da chuva até 2030. Desde então, esse modelo de cidade sustentável, ou pelo menos alguns de seus princípios, vêm sendo aplicado em vários locais ao redor do mundo, como em Bangkok, Berlim, Cardiff, Copenhague, Nova York, Roterdã e Curitiba, aqui no Brasil.

Por fim, enfrentar os problemas ambientais urbanos é um processo complexo e caro, mas é possível solucionar os desafios a partir de um planejamento sustentável que combine infraestrutura verde, gestão eficiente de recursos, tecnologia e participação social. A expansão de áreas verdes urbanas contribui para a redução das ilhas de calor, melhoria da qualidade do ar e absorção de água da chuva, enquanto a modernização da gestão de resíduos previne a saturação dos aterros e reduz impactos ambientais. A adoção de soluções com o design urbano sensível à água, como as cidades-esponja, também é uma abordagem eficiente no combate aos obstáculos da resolução da poluição na zona urbana, contribuindo para a mitigação de enchentes e otimizando o uso do recurso hídrico. Somado a isso, ações de educação ambiental, em parceria com a participação ativa da comunidade, são fundamentais para a sensibilização e o engajamento dos cidadãos e de gestores públicos na realização de práticas sustentáveis.

 

*Aluna do Curso Técnico de Meio Ambiente – CEFET/MG.

**Professor CEFET/MG.

O relevo de Resende Costa

27 de Agosto de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio 0

Fotografia tirada na região do povoado do Cajuru que mostra o terreno ondulado, típico do município de R. Costa (foto arquivo Adriano Valério)

Continuando nossa conversa sobre informações geográficas de Resende Costa, baseada num documento impresso elaborado pelo estado em 1982, falaremos sobre o relevo do município, acrescentando alguns comentários quando for necessário.

Conforme consta no documento: “No município de Resende Costa predominam as declividades fortes, englobadas no intervalo de 12 a 50% que, segundo o Manual Brasileiro para Levantamento da Capacidade de Uso da Terra, podem ser trabalhadas mecanicamente em curvas de nível (esta técnica consiste na orientação do plantio seguindo as linhas imaginárias que unem pontos de mesma altitude em um terreno) e por máquinas simples de tração animal ou em certos limites por tratores de esteira. As vertentes formam ângulos que variam de 7º a 26º. Essas áreas distribuem-se por todo o município sendo mais densa na porção NW.”

“Outra classe bastante representativa no município é a que engloba declividades inferiores a 12%. Corresponde a um relevo suave, com ângulos de 40’ a 7º, que pode ser trabalhado em todas as direções e sentidos, e em alguns casos em curva de nível por tratores de roda. Distribui-se por todo o município correspondendo aos topos das colinas e principalmente às planícies fluviais dos rios do Peixe e Santo Antônio, dos ribeirões do Pinhão, dos Pintos, dos Marianos, de Baixo, de Cima, dos Paulos, São José da Ponte Nova e do Mosquito.”

“Ocupando uma área pouco expressiva ocorrem no município alguns núcleos de declividade superior a 50%, correspondendo aos trechos serranos: serra da Galga, do Capão Grande, dos Macacos, da Água Limpa, do Ginete, do Corisco e das Vertentes. São áreas bastante íngremes com vertente que formam ângulos de 26º a 45º. São terrenos que não podem ser trabalhados mecanicamente nem mesmo por máquinas simples de tração animal e, em alguns casos, existem limitações até mesmo para os trabalhos com instrumentos e ferramentas manuais.”

Falando propriamente do relevo, o município de Resende Costa está localizado num cinturão orogenético conhecido como Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste e no domínio morfoclimático dos “Mares de Morros”. Essa denominação faz referência ao aspecto ondulado do relevo da região, com destaque para as colinas e os morros arredondados que lembram ondas no horizonte.

Ressalta-se que, conjuntamente com o documento escrito, há um mapa do município contendo várias informações, dentre essas a declividade. Pela análise visual do citado mapa, das terras do município, em termos percentuais, aproximadamente 60% são onduladas (declividades fortes, englobadas no intervalo de 12 a 50%), 30% são planas (declividades inferiores a 12%) e 10% são “montanhosas” (declividade superior a 50%).

Sobre a utilização das terras do município, as áreas planas, especialmente as várzeas dos cursos d’água, e as encostas mais suaves foram historicamente utilizadas para a agricultura. Até o terceiro quartel do século XX era muito comum a utilização da tração animal para movimentar as terras (seja com a aração ou com o trabalho no solo) ou para transportar insumos e a produção. Posteriormente passou-se a utilizar máquinas modernas, o que aumentou a área cultivada e a produção.

Uma questão a ser destacada é que a nossa região não foi alvo de grandes empresas agrícolas ou de reflorestamento de eucalipto, que expandiram nos anos 1970/80 por Minas. Isso foi devido ao maior preço da terra se comparado com o centro-norte-leste do estado e, especialmente, à geografia regional. Nesse quesito, as questões do relevo e hídricas foram determinantes. O relevo ondulado dos “Mares de Morros” limita a mecanização em algumas áreas. E a existência de muitas nascentes e cursos d’água diminui a área produtiva, uma vez que o seu entorno é Área de Preservação Permanente, isto é, deve ser mantido com vegetação nativa. Tomemos como exemplo a bacia do rio Santo Antônio, onde, além da predominância de um relevo ondulado, há uma alta densidade de drenagem e de rios.

A densidade de drenagem ou densidade da rede de canais é calculada dividindo-se o comprimento total de todos os canais (em km) pela área da bacia hidrográfica (em km²). A bacia do rio Santo Antônio possui uma drenagem média de 2,51 km/km², considerada alta pela literatura específica da área. Já a densidade de rios é a relação entre o número de rios ou curso d’água e a área da bacia hidrográfica. Se for comparada com a literatura, percebe-se que a bacia citada também possui elevada densidade de rios, uma média de 3,52 rios/km².