De olho na cidade

Nomes de ruas e praças perpetuam a memória de ex-vereadores do município

01 de Julho de 2026, por Edésio Lara 0

Quadro que retrata a primeira Câmara Municipal de R. Costa empossada em 2 de junho de 1912 (arquivo Câmara Municipal)

Resende Costa, no último dia 2 de junho, completou 114 anos de emancipação política. Sua origem remonta a meados do século XVIII, quando, em 12 de dezembro de 1749, foi inaugurada uma capela de Nossa Senhora da Penha de França, construída por aqueles que se instalaram pequeno arraial, com destaque para as famílias Resende Costa, Pinto Lara e Pedrosa de Morais. Ponto privilegiado pelo encontro de dois caminhos (estradas) que ligavam Goiás ao Rio e outra que vinha do Sul da Província em direção ao Norte, nele abrigavam-se tropeiros em um rancho durante suas viagens. Surgia, pois, naquele momento, o Arraial da Lage, constituído de oito casas pertencentes a fazendeiros estabelecidos na região, ligado ao Arraial de Santo Antônio do Rio das Mortes, atual cidade de Tiradentes.  Passados 162 anos, o Arraial da Lage se emancipou de Tiradentes, através da Lei Estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, tendo sua instalação oficial decretada em 2 de junho de 1912. Em 1923 o município passou a adotar o nome oficial de Resende Costa, em homenagem ao inconfidente José de Resende Costa (filho).

A primeira Câmara Municipal da cidade foi instalada em 2 de junho de 1912. Naquela época, o Coronel Francisco Mendes Resende tomou posse como presidente do Conselho Municipal (ou distrital), função equivalente hoje à de prefeito municipal. Quem aprecia a foto (afixada em quadro na parede da sala de reuniões da Câmara Municipal) dos membros desse conselho, identifica o Coronel ao centro do quadro, ladeado pelos conselheiros (vereadores) que tomaram posse naquele dia 2 de junho de 1912. São eles: Francisco Marcos dos Reis, Marcos de Oliveira Braga, José Joaquim Coelho, Geraldo de Rezende Mendonça, Avelino de Sousa Santos e Francisco Gonçalves Pinto.

Esses senhores, após suas mortes, tiveram seus nomes escolhidos para nomear duas praças e cinco ruas de Resende Costa. Como a cidade era muito pequena, os nomes deles aparecem mais ao centro; tudo se concentrava entre as três lages e a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Atrás da matriz fica a linda praça Mendes Resende, nome de família do primeiro prefeito. O mesmo pode-se dizer da Praça Marcos Reis, que se localiza um pouco mais abaixo, onde finda a Rua Joaquim Pinto Lara, em direção ao Parque de Exposições Prefeito Gilberto José Pinto.  Marcos de Oliveira Braga, natural de Rio Preto, nas divisas de Minas Gerais com o estado do Rio de Janeiro, foi um dos fundadores do Arraial de Salvaterra, atual distrito de Jacarandira, é o nome de uma rua do bairro Bela Vista.

As ruas José Avelino e José Coelho possivelmente são de dois dos primeiros vereadores. Tudo indica que seus nomes aparecem incompletos, o que é bastante comum aqui em Resende Costa. Há muitos logradouros que não registram o nome completo nas placas afixadas em paredes pela cidade. É como nos referimos à rua Gonçalves Pinto – bem no centro da cidade – em vez de aparecer com seu nome completo Francisco Gonçalves Pinto.

Por fim, Geraldo de Rezende Mendonça foi o único a não ter sido lembrado para receber uma homenagem póstuma. Ele nasceu na Fazenda do Sumidouro de Baixo do Arraial da Lage em 22 de julho de 1871. Na Câmara, atuou como secretário da mesa diretora na legislatura inicial. Em 1918, depois de cumprir seu mandato como vereador, mudou-se com a família para o estado de Goiás, onde veio a falecer na cidade de Santa Cruz de Goiás, em data incerta. Talvez seja esse o motivo de esse senhor Capitão Geraldo de Rezende Mendonça não ter sido lembrado para dar nome a uma rua ou qualquer bem público municipal.

Devemos considerar que os nomes de pessoas nem sempre aparecem completos, como dito acima, nas placas espalhadas pela cidade. Faltam-lhes, às vezes, o prenome ou partes dos nomes de família. Muitas vezes ficamos sem saber ao certo de quem se trata, quando não aparecem seus nomes completos.  No caso dos políticos da primeira legislatura, seria bom destacar as patentes de Coronel, Major, Capitão ou Tenente, que lhes foram dadas em virtude de poder político ou de serem grandes fazendeiros, como foi o caso de Geraldo Rezende Mendonça.

Casal tem nomes de rua e até de bairro em Resende Costa

27 de Maio de 2026, por Edésio Lara 0

José Nicolau Filho (Zé Padeiro)

Mês passado, quando abordei o assunto relativo aos nomes de rua que lembram cidades vizinhas à nossa, disse do extinto nome Rua Lagoa Dourada. Noutro tempo, ela era conhecida como Cava Funda. A rua passou a receber outro nome:  Francisca Felix Vieira (1913/1954). Afinal, muitos perguntarão: Quem foi esta senhora? Trata-se da primeira esposa do senhor José Nicolau Filho (1910/1991), mais conhecido por Zé Padeiro. Localizada na saída para os povoados Barracão e Ressaca, esquina com a atual Avenida Alfredo Penido (Avenida dos Artesanatos) e seguindo até a praça Expedicionário Vicente Machado Neto, recentemente revitalizada pela Prefeitura Municipal e que tem uma linda árvore de óleo, há nela residências e estabelecimentos comerciais. A via recebe pouco trânsito de veículos e ainda guarda casario de meados do século passado.   

Zé Padeiro, descendente de italianos pelo lado paterno, e do materno, de portugueses, chegou a residir no povoado do Barracão. Não foi alfabetizado, mas era craque quando se dedicava a fazer contas. Era comerciante nato. Possuía um caminhãozinho no qual fazia viagens frequentes a São João del-Rei, circulando com produtos diversos a serem vendidos lá e cá. Outra atividade que teve foi a de plantar mandioca, laranja e receber pessoas na piscina que mandou construir no vasto terreno que tinha e que se transformou em bairro, chamado “Bairro do Zé Padeiro”. Trabalhador, Zé Padeiro, segundo Maria Rosa Vieria Castro (71), a décima quarta e última filha do casal, dedicava-se a levar pães, torradinhos e roscas para vender em Desterro de Entre Rios, antiga Capela Nova. Ia num dia e voltava noutro, transportando os produtos no lombo de um burro em duas canastras, uma de cada lado do animal. Lá ele conheceu Francisca, com quem se casou.

A jovem Francisca casou-se com ele quando completou 18 anos de idade e teve 14 filhos. Ao completar 23 anos de casada, faleceu com a idade de 41 anos. De acordo com Gisélia Vieira, sua filha, agora com 80 anos de idade, sua mãe foi uma guerreira. Natural de Desterro de Entre Rios, era dedicada ao lar, trabalhou muito e conseguiu, com os recursos financeiros provindos do seu trabalho, criar patrimônio e ajudar o marido a criar seus filhos. Era ela que ajudava a preparar e colocar para assar os pães e os biscoitos para venda. Se o marido, em momentos difíceis, às vezes deixava passar do ponto seus produtos no forno a lenha, era ela quem se incumbia de preparar as fornadas seguintes e colocar os produtos em boas condições para o consumo de seus clientes.

Pouco tempo depois do falecimento de Francisca, Zé Padeiro cuidou de buscar nova esposa. E, curiosamente, a escolhida foi Geralda Vanini Coelho, também da cidade vizinha de Desterro de Entre Rios. Segundo Maria Rosa, que perdeu a mãe quando tinha 3 meses de idade, Geralda, sobrinha de Francisca, mudou-se para Resende Costa a fim de ajudar a cuidar dos filhos mais novos da falecida tia e Zé Padeiro. Ela também era afilhada do casal. Pouco tempo depois, acabou se casando com seu padrinho Zé Padeiro e com ele teve outros 14 filhos. Gisélia e Maria Rosa me disseram que o pai, além dos 28 filhos, teve outros fora dos dois casamentos. Para Gisélia, eles são 4; porém, Maria Rosa discorda ao dizer que, na verdade, eles são 5.   

A Câmara Municipal, em dois momentos, escolheu os nomes do casal (do primeiro matrimônio) para dar nome a duas ruas da cidade: Rua José Nicolau Filho e Rua Francisca Félix Vieira, ambas no bairro Zé Padeiro. Para o bairro Zé Padeiro, foi o povo que naturalmente foi nomeando uma área da cidade onde os casais e seus filhos se estabeleceram com suas moradas e seus trabalhos.  A padaria do casal ficava no início da Rua São João del-Rei (onde hoje funciona uma hamburgueria), bem em frente a uma igreja evangélica, tendo, do outro lado, na Rua Padre Joaquim Carlos, o Lar São Camilo de Lelis (antigo asilo que teve por longo tempo o Zé Padeiro como vice-presidente da instituição). Dona Geralda (por alguns chamada de Lalada), a segunda esposa de Zé Padeiro, diferentemente da primeira, não teve seu nome destinado a uma das vias públicas da cidade.

Trocas e/ou supressões de nomes de ruas em Resende Costa

29 de Abril de 2026, por Edésio Lara 0

Há em Resende Costa algumas ruas que levam o nome de cidades vizinhas. Isso é comum não só em nosso município, mas também noutros em nosso país. Se aqui temos Rua São Tiago, Rua Entre Rios de Minas e Rua São João del-Rei, vamos encontrar noutras cidades, principalmente nas vizinhas, o nome Resende Costa em alguma via pública. Há Rua Resende Costa em Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Barroso, Desterro de Entre Rios e Barbacena. Se ampliarmos a pesquisa, outras cidades terão um logradouro com o nome da nossa Resende Costa. Em Prados, ela se chama Inconfidente Resende Costa. Em Entre Rios de Minas, há uma rua Rezende Costa, escrita com a letra “z”, em vez de “s”. Por fim, em São João del-Rei ela fica em lugar dos mais nobres: no centro histórico da cidade. Em página dedicada aos Amantes de São João Del Rei e Demais Cidades Históricas Mineiras, na internet, com 77mil seguidores, um turista destacou: a apaixonante Rua Resende Costa com a Vista para a Lindíssima Igreja de Nossa Senhora do Carmo.  Para ele, só quem ama SJDR iria compartilhar foto da maravilhosa Igreja. Nós, resende-costenses, imagino, gostamos de ver o nome da nossa cidade ali, em lugar maravilhoso, entre construções - muitas delas erigidas no século XVIII, cujo conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo Iphan em 1938.

Nomes de ruas, praças, avenidas, homenageiam pessoas importantes, figuras históricas, lideranças comunitárias, artistas locais ou não, datas significativas, preservando a cultura local. Uma cidade, ao colocar o nome de outra em um dos seus logradouros, revela o apreço que tem por ela. Belo Horizonte, sendo a capital do estado, optou por colocar em boa parte de suas ruas, nomes de cidades do interior de Minas Gerais. O nome da nossa Resende Costa encontra-se no bairro Bomfim, que está localizado ao lado da rodoviária. Ela está entre a Rua Alberto Gualberto e a Rua Itatiaia, as três próximas do Cemitério do Bomfim e da Avenida Dom Pedro II. Quem abre o mapa da região percebe isso facilmente.

Aqui em Resende Costa, apenas três ruas acolhem nomes de cidades vizinhas: São Tiago, Entre Rios de Minas e São João del-Rei. Elas se localizam em locais que são como uma saída para as três cidades mencionadas aqui. Duas delas foram, de certa forma, encurtadas; uma prática que tem sido adotada em Resende Costa para incluir nomes de pessoas escolhidas para receber homenagens. A única que não sofreu qualquer alteração é a Rua São João del-Rei.

Até a década de 1980, era pela Rua São João del-Rei que nos dirigíamos até Coronel Xavier Chaves e, depois, a São João del-Rei. Além das três cidades citadas acima, havia outra: Rua Lagoa Dourada. Em 20 de janeiro de 1983, através da Lei Ordinária nº 1000, a Rua Dr. Gervásio Pereira passou a chamar Avenida Alfredo Penido, atualmente mais conhecida como “Rua dos Artesanatos”. Mas, como Gervásio Pereira foi pessoa influente no Arraial da Lage, de família detentora de muitos escravos e terras, seu nome passou a ser estampado em outro lugar, isto é, na chamada Rua Lagoa Dourada. O logradouro era a saída mais usada para quem se dirigia à nossa vizinha cidade de Lagoa Dourada.

Naquele momento, quando outra estrada foi asfaltada pela Construtora Serveng-Sivilsan Ltda, sediada em São Paulo, capital, de propriedade de membros da família Penido, aqui de Resende Costa, com recursos do governo do Estado de Minas Gerais, o Executivo Municipal e a Câmara dos vereadores decidiram prestar homenagem a Alfredo Penido, dando seu nome à avenida localizada na entrada da cidade. O nome de Rua Lagoa Dourada, devido às trocas, foi extinto. Será que não seria interessante escolhermos outra rua ou praça e dar-lhe o nome de Lagoa Dourada?

Nome de rua homenageia avô do poeta Abel Lara

25 de Marco de 2026, por Edésio Lara 0

Rua José Jacinto, centro de Resende Costa (foto Edésio Lara)

A rua José Jacinto localiza-se entre a Praça Dr. Costa Pinto e a Praça Coronel Souza Maia (Praça do Rosário), bem no centro da cidade. Se perguntarmos quem foi José Jacinto, poucos saberão. A Prefeitura Municipal, diferentemente da placa que traz seu nome no local, a identifica como rua José Jacinto Lara. Ela não é longa. Nela está o quartel da Polícia Militar do município, residências e comércios. E é nela que nasce a rua Dr. José de Alencar Texeira (médico que todos o chamavam de Dr. Teixeira), um dos três acessos que temos para a Laje do Rosário.

José Jacintho Lara Sobrinho nasceu no Arraial da Laje (hoje Resende Costa), naquela época pertencente a Tiradentes, em 9 de novembro de 1859 e faleceu em 12 de agosto de 1902, sendo sepultado na sua terra natal. Foi casado com Custódia Josina de Resende, que nasceu em 1863 e faleceu em 1942. Tiveram 10 filhos, sendo um deles João Evangelista Lara, este, sim, pai do poeta Abel Lara, autor do hino da nossa cidade. Ao consultar o livro “Apresentando (e recordando) um ramo da família Resende”, escrito por Gilberto Lara Resende e publicado em outubro de 1987 em Juiz de Fora/MG, notamos o tamanho expressivo das famílias Resende e Lara em nossa cidade. Não por acaso, os nomes de família Resende e Lara em Resende Costa são muitos. Por isso mesmo, seus nomes aparecem em vários logradouros do município.

Em épocas passadas, quando as famílias geralmente eram enormes, eram comuns nomes se repetirem. Aqui registramos uma dúvida: além do José Jacintho (com h) e outro sem o “h” no nome. No nome deixado nas placas colocadas na rua, apresentam o Jacinto, sem o “h”. E, ao que parece, também em sua certidão de nascimento, de acordo com pesquisa feita na internet. Dele ainda não tivemos acesso às suas certidões de batismo, casamento ou morte. Certo é que seu décimo e último filho recebeu o mesmo nome do pai: José Jacintho. Sobre pai e filho, ainda não temos qualquer história de vida deles. A respeito de suas atividades no município, qual profissão tinham ou onde trabalharam, nada sabemos. Sabe-se que o pai tinha o apelido de Zezé, e nada mais.

Nomes de ruas, praças e avenidas contribuem para contarmos a história da cidade. Compete à Câmara Municipal propor, através de projetos de lei, o nome a ser dado em vias públicas, praças e bairros da cidade. O prefeito municipal pode encaminhar sugestões, porém é de competência dos vereadores apreciar sugestões recebidas e decidir, através do voto, a escolha do nome de um logradouro. Pode ser que, para alguns, isso não seja relevante. Mas destinar o nome de alguém para identificar espaços públicos é coisa séria, importante.

Não sabemos quando nem os motivos que levaram o Legislativo Municipal a dar à via pública o nome de José Jacinto. Infelizmente, não sabemos onde foi parar o documento em que consta essa decisão. Isso é ruim, demonstra pouco apreço com a memória e a história que devemos guardar e contar às próximas gerações acerca do nascimento e do desenvolvimento da nossa cidade. Seria bom recolocar as placas com o nome de José Jacinto: José Jacinto Lara Sobrinho. E escolhendo o certo: se com o “h” ou sem ele. Para isso, precisamos ter acesso a documentos que registram de forma correta o seu nome.   

Morei com meus pais e irmãos por longo tempo nessa rua, da qual guardo ótimas lembras, muita saudade. Nossa casa era a de número 22 e tinha um quintal imenso, que se estendia até às lajes do Rosário, além de ótimos vizinhos e bons amigos.  

 

Agradeço a colaboração recebida da Stella Vale, que reside na Rua José Jacinto, e de Nair Cristina Lara, filha do poeta resende-costense Abel Lara e bisneta de José Jacinto, para a escrita desse texto. 

Jesus Barbeiro não poderia ser nome de algum logradouro?

25 de Fevereiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto do Jesus Barbeiro que ilustrou a galeria dos foliões homenageados no RC Folia 2026 (imagem - Produção do RC Folia 2026)

Quem participou do Carnaval de Resende Costa, encerrado recentemente, ficou perguntando o motivo de terem colocado imagens de algumas pessoas afixadas ao longo da Rua Gonçalves Pinto (que insistimos em nos referir a ela como avenida). Lá estavam: Márcio Daniel (Brizola), Camilo do Tomé (Bananeira), Deizinho, Lili Tatú, Antônio Resende (dentista prático), Laurita, Dico, Mário, Paga Luz, Galdino, Barbacena, Didi da Nina, dona Lia e Jesus Barbeiro. Sem dúvida, foram pessoas que se tornaram conhecidas devido ao jeito como tocavam a vida na cidade. Não foram políticos, líderes religiosos, professores, militares ou grandes empresários, os quais, muitas vezes são lembrados em edifícios, placas de ruas ou avenidas espalhadas pelo município com seus nomes. Alguns estão vivos, tais como Zezinho do Célio e Chiano. O Zezinho deixou de se vestir de palhaço e desfilar com sua vaca no carnaval, o que era uma para alegria das crianças, principalmente. Já o Chiano, continua firme à frente da Bateria do Rifugo, que desfila há anos durante os festejos carnavalescos de Resende Costa. Portanto, as fotos colocadas não se referem somente aos já falecidos

A imagem do Jesus Barbeiro chamou a atenção dos foliões. Seu nome: Jesus Maria José, casado que foi com dona Maria José de Jesus. Com ela teve um filho: José Constantino, que herdou do pai a barbearia até hoje instalada na Rua Gonçalves Pinto, n° 32. Zé barbeiro faleceu em 2010 e a barbearia continua funcionando, agora a cargo do seu filho Cláudio (Cláudio do Zé Barbeiro). Essa barbearia, a mais antiga da cidade, serve também como ponto de encontro de pessoas que comparecem para um bate-papo com o Cláudio, ler um jornal ou assistir a alguns vídeos de rock, gênero musical que ele aprecia. 

O avô do Cláudio foi uma pessoa especial. Muito simpático, adorava o Carnaval. Era também benzedeiro muito solicitado, que atendia pessoas sem lhes cobrar nada pelos atendimentos que fazia. Amava também o futebol, chegando a ser membro da diretoria do Expedicionários Sport Club.

Até meados da década de 1980, a cidade via desfilarem na avenida dois blocos. Um nos vinha das bandas da Rua Sete de Setembro e outro, da hoje mais conhecida como Avenida dos Artesanatos (Av. Alfredo Penido). Era uma festa linda que se encerrava com os foliões buscando entrada nos bailes carnavalescos que aconteciam no Teatro Municipal. Jesus barbeiro desfilava com a turma que vinha da região do Varginha, do Zé Padeiro (Avenida dos Artesanatos) e que tinha como destaque o Bié do Lindoufo e Darci Ramos. Dele, há uma foto de 1978, na qual desfila junto com o bloco carnavalesco que acompanhava, estando atrás de Darci Ramos, a primeira mulher a desfilar na cidade somente de biquini.  “Festeiro, Jesus Barbeiro adorava Carnaval. Solange, sua neta, lembra-se dele organizando e liderando um bloco de crianças que desfilava pelos “Quatro Cantos”, após a concentração no Teatro Municipal¨. (Cf. JL de 12 de julho de 2012, por João Magalhães).

Suas ações não se limitavam a ajudar a organizar desfiles de blocos carnavalescos. Foi pedreiro, benzedeiro e membro da diretoria do Expedicionários Sport Club, como já dito. Além disso, não deixava de participar da Festa do Rosário, acompanhando grupo de congado que ajudava a organizar. Jesus Maria José, o Jesus Barbeiro, bem que merecia ser lembrado através de um nome de prédio público, rua, praça ou avenida da cidade.