Nome de rua homenageia avô do poeta Abel Lara
25 de Marco de 2026, por Edésio Lara 0

Rua José Jacinto, centro de Resende Costa (foto Edésio Lara)
A rua José Jacinto localiza-se entre a Praça Dr. Costa Pinto e a Praça Coronel Souza Maia (Praça do Rosário), bem no centro da cidade. Se perguntarmos quem foi José Jacinto, poucos saberão. A Prefeitura Municipal, diferentemente da placa que traz seu nome no local, a identifica como rua José Jacinto Lara. Ela não é longa. Nela está o quartel da Polícia Militar do município, residências e comércios. E é nela que nasce a rua Dr. José de Alencar Texeira (médico que todos o chamavam de Dr. Teixeira), um dos três acessos que temos para a Laje do Rosário.
José Jacintho Lara Sobrinho nasceu no Arraial da Laje (hoje Resende Costa), naquela época pertencente a Tiradentes, em 9 de novembro de 1859 e faleceu em 12 de agosto de 1902, sendo sepultado na sua terra natal. Foi casado com Custódia Josina de Resende, que nasceu em 1863 e faleceu em 1942. Tiveram 10 filhos, sendo um deles João Evangelista Lara, este, sim, pai do poeta Abel Lara, autor do hino da nossa cidade. Ao consultar o livro “Apresentando (e recordando) um ramo da família Resende”, escrito por Gilberto Lara Resende e publicado em outubro de 1987 em Juiz de Fora/MG, notamos o tamanho expressivo das famílias Resende e Lara em nossa cidade. Não por acaso, os nomes de família Resende e Lara em Resende Costa são muitos. Por isso mesmo, seus nomes aparecem em vários logradouros do município.
Em épocas passadas, quando as famílias geralmente eram enormes, eram comuns nomes se repetirem. Aqui registramos uma dúvida: além do José Jacintho (com h) e outro sem o “h” no nome. No nome deixado nas placas colocadas na rua, apresentam o Jacinto, sem o “h”. E, ao que parece, também em sua certidão de nascimento, de acordo com pesquisa feita na internet. Dele ainda não tivemos acesso às suas certidões de batismo, casamento ou morte. Certo é que seu décimo e último filho recebeu o mesmo nome do pai: José Jacintho. Sobre pai e filho, ainda não temos qualquer história de vida deles. A respeito de suas atividades no município, qual profissão tinham ou onde trabalharam, nada sabemos. Sabe-se que o pai tinha o apelido de Zezé, e nada mais.
Nomes de ruas, praças e avenidas contribuem para contarmos a história da cidade. Compete à Câmara Municipal propor, através de projetos de lei, o nome a ser dado em vias públicas, praças e bairros da cidade. O prefeito municipal pode encaminhar sugestões, porém é de competência dos vereadores apreciar sugestões recebidas e decidir, através do voto, a escolha do nome de um logradouro. Pode ser que, para alguns, isso não seja relevante. Mas destinar o nome de alguém para identificar espaços públicos é coisa séria, importante.
Não sabemos quando nem os motivos que levaram o Legislativo Municipal a dar à via pública o nome de José Jacinto. Infelizmente, não sabemos onde foi parar o documento em que consta essa decisão. Isso é ruim, demonstra pouco apreço com a memória e a história que devemos guardar e contar às próximas gerações acerca do nascimento e do desenvolvimento da nossa cidade. Seria bom recolocar as placas com o nome de José Jacinto: José Jacinto Lara Sobrinho. E escolhendo o certo: se com o “h” ou sem ele. Para isso, precisamos ter acesso a documentos que registram de forma correta o seu nome.
Morei com meus pais e irmãos por longo tempo nessa rua, da qual guardo ótimas lembras, muita saudade. Nossa casa era a de número 22 e tinha um quintal imenso, que se estendia até às lajes do Rosário, além de ótimos vizinhos e bons amigos.
Agradeço a colaboração recebida da Stella Vale, que reside na Rua José Jacinto, e de Nair Cristina Lara, filha do poeta resende-costense Abel Lara e bisneta de José Jacinto, para a escrita desse texto.
Jesus Barbeiro não poderia ser nome de algum logradouro?
25 de Fevereiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto do Jesus Barbeiro que ilustrou a galeria dos foliões homenageados no RC Folia 2026 (imagem - Produção do RC Folia 2026)
Quem participou do Carnaval de Resende Costa, encerrado recentemente, ficou perguntando o motivo de terem colocado imagens de algumas pessoas afixadas ao longo da Rua Gonçalves Pinto (que insistimos em nos referir a ela como avenida). Lá estavam: Márcio Daniel (Brizola), Camilo do Tomé (Bananeira), Deizinho, Lili Tatú, Antônio Resende (dentista prático), Laurita, Dico, Mário, Paga Luz, Galdino, Barbacena, Didi da Nina, dona Lia e Jesus Barbeiro. Sem dúvida, foram pessoas que se tornaram conhecidas devido ao jeito como tocavam a vida na cidade. Não foram políticos, líderes religiosos, professores, militares ou grandes empresários, os quais, muitas vezes são lembrados em edifícios, placas de ruas ou avenidas espalhadas pelo município com seus nomes. Alguns estão vivos, tais como Zezinho do Célio e Chiano. O Zezinho deixou de se vestir de palhaço e desfilar com sua vaca no carnaval, o que era uma para alegria das crianças, principalmente. Já o Chiano, continua firme à frente da Bateria do Rifugo, que desfila há anos durante os festejos carnavalescos de Resende Costa. Portanto, as fotos colocadas não se referem somente aos já falecidos
A imagem do Jesus Barbeiro chamou a atenção dos foliões. Seu nome: Jesus Maria José, casado que foi com dona Maria José de Jesus. Com ela teve um filho: José Constantino, que herdou do pai a barbearia até hoje instalada na Rua Gonçalves Pinto, n° 32. Zé barbeiro faleceu em 2010 e a barbearia continua funcionando, agora a cargo do seu filho Cláudio (Cláudio do Zé Barbeiro). Essa barbearia, a mais antiga da cidade, serve também como ponto de encontro de pessoas que comparecem para um bate-papo com o Cláudio, ler um jornal ou assistir a alguns vídeos de rock, gênero musical que ele aprecia.
O avô do Cláudio foi uma pessoa especial. Muito simpático, adorava o Carnaval. Era também benzedeiro muito solicitado, que atendia pessoas sem lhes cobrar nada pelos atendimentos que fazia. Amava também o futebol, chegando a ser membro da diretoria do Expedicionários Sport Club.
Até meados da década de 1980, a cidade via desfilarem na avenida dois blocos. Um nos vinha das bandas da Rua Sete de Setembro e outro, da hoje mais conhecida como Avenida dos Artesanatos (Av. Alfredo Penido). Era uma festa linda que se encerrava com os foliões buscando entrada nos bailes carnavalescos que aconteciam no Teatro Municipal. Jesus barbeiro desfilava com a turma que vinha da região do Varginha, do Zé Padeiro (Avenida dos Artesanatos) e que tinha como destaque o Bié do Lindoufo e Darci Ramos. Dele, há uma foto de 1978, na qual desfila junto com o bloco carnavalesco que acompanhava, estando atrás de Darci Ramos, a primeira mulher a desfilar na cidade somente de biquini. “Festeiro, Jesus Barbeiro adorava Carnaval. Solange, sua neta, lembra-se dele organizando e liderando um bloco de crianças que desfilava pelos “Quatro Cantos”, após a concentração no Teatro Municipal¨. (Cf. JL de 12 de julho de 2012, por João Magalhães).
Suas ações não se limitavam a ajudar a organizar desfiles de blocos carnavalescos. Foi pedreiro, benzedeiro e membro da diretoria do Expedicionários Sport Club, como já dito. Além disso, não deixava de participar da Festa do Rosário, acompanhando grupo de congado que ajudava a organizar. Jesus Maria José, o Jesus Barbeiro, bem que merecia ser lembrado através de um nome de prédio público, rua, praça ou avenida da cidade.
Nome de rua homenageia mãe de ex-prefeito
27 de Janeiro de 2026, por Edésio Lara 0

Foto de Maria Cândida de Andrade, a dona Candinha (foto arquivo familiar)
A rua que nasce no início da Praça Coronel Souza Maira (Praça do Rosário) e se estende até a Rua Moreira da Rocha, onde fica a Escola Municipal Conjurados Resende Costa chama-se Rua Maria Cândida de Andrade. Os que descem a rua veem à esquerda a sede da Prefeitura Municipal e, à direita, as lajes de baixo. O nome desta rua foi dado na década de 1970, época em que Ocacyr Alves de Andrade exerceu o cargo de prefeito municipal por duas vezes (1971-1972 e 1977-1982).
As lajes continuam como antigamente, apesar de que a visão que tínhamos dela vai, aos poucos, sendo ofuscada, senão impedida, com a construção de residências e prédios no seu entorno. Quanto ao espaço ocupado hoje pela Prefeitura Municipal, este era coberto por árvores, pasto, lugar onde se criavam animais. Não havia o bairro Jardim e nem o Bela Vista. É preciso notar que os limites da cidade eram estabelecidos pelo campo de futebol do Expedicionários e das quatro casas mantidas pela Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Dessas casas restaram somente alguns alicerces (ruínas), bem em frente à Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Para além da residência do Chico Carioca – até a roça do Miro e de dona Dalila –, o espaço era repleto de pés de gabiroba, de araçá e um belo riacho de água cristalina e limpa que usávamos para beber e nadar. Mas, isso é passado.
Na década de 1970, ergueu-se ali, em frente às lajes de baixo (do Rosário), um prédio destinado à educação escolar para os que queriam continuar os estudos depois dos quatro primeiros anos realizados entre os 7 e 10 anos de idade na Escola Estadual Assis Resende. Naquela época, cursavam o “admissão”, em um ano, aqueles que se preparavam para ingressar no Colégio Nossa Senhora da Penha, para mais quatro anos do ginásio. Em 1986, com o encerramento das atividades da escola, o prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal para ali se instalar.
Foi no início da década de 1980 que deram o nome de Maria Cândida de Andrade à rua onde está a sede do poder executivo municipal. Atualmente, muitos perguntam quem foi esta senhora que dá nome ao movimentado logradouro. Trata-se de dona Candinha, como era popularmente conhecida, mãe do ex-prefeito Ocacyr Alves de Andrade, muito mais conhecido por Cici da Candinha. Ela nasceu em Resende Costa em 29 de agosto de 1896 e, na cidade, faleceu em 17 de julho de 1981, com 85 anos de idade. Candinha casou-se com Antônio Alves de Andrade (1898-1961) no dia 30 de janeiro de 1918 e com ele teve seus filhos: Ida Eleonice de Andrade Maia (casada com Francisco de Assis Maia), José Conceição Andrade (mais conhecido como Gringo, excelente bombardinista da Banda de Música Santa Cecília), Maria Amelina de Andrade (Amelina do Ari, do Pau de Canela), Maria José de Andrade (Maria do Zé Evaristo), Ocacyr Alves de Andrade, Efigênia Andrade (Efigênia do Altivo, que residia em Jacarandira).
O marido de dona Candinha era serralheiro, atividade profissional que transferiu para o filho Ocacyr. Dona Candinha, por sua vez, era do lar. Ela, ao longo de sua vida, se dedicou aos afazeres da casa e, ao lado do marido, da criação dos seus filhos. Segundo um de seus bisnetos, na foto em que dona Candinha aparece com uma bolsa, tal bolsa era cheia de balas que ela gostava de levar para os netos. Como não tivemos acesso ao documento da sessão plenária da Câmara Municipal que justificou a decisão dos vereadores municipais em homenageá-la, consideramos que seus votos indiretamente alcançaram o prefeito Ocacyr, bem como os inúmeros membros da família Andrade no município.
Agradeço a colaboração recebida dos advogados Adenor Amadeu Coelho, Mateus José Resende e do Juiz de direito Dr. Marcos Alves de Andrade, para a escrita desse texto.
Errata: na coluna do mês passado, quando escrevi sobre a rua que leva o nome do Padre Ézio de Melo Daher, cometi um equívoco. Disse que ele era filho de dona Alzira. Na verdade, ele era filho de Maria Alacoque Melo, do primeiro casamento do senhor João Daher, tendo todos os nomes dos filhos iniciados com a letra “E”: Elmo, Élio, Ézio, Elzi, Elisa, Elaine e Edson.
Rua Padre Ézio de Melo Daher
24 de Dezembro de 2025, por Edésio Lara 0

Padre Ézio Daher, resende-costense e sacerdote salesiano (foto arquivo familiar)
A Rua Padre Ézio de Melo Daher é pequena, como tantas outras na cidade de Resende Costa, tendo início na praça onde se encontra a igreja de Nossa Senhora do Rosário e a rua Joaquim Leonel. Filho de João Daher e de dona Alzira, ele passou seus primeiros anos de vida morando na residência de sua família que fica ao lado da rua que hoje leva seu nome. A casa, bem cuidada, guarda seus traços antigos e pertence à sua irmã Maria Alacoque Reis Daher, mais conhecida pelo apelido de Tote. A família era grande, tendo senhor João Daher dezessete filhos, sendo sete do primeiro casamento com dona Maria Alacoque Melo e outros dez, com dona Alzira Reis Daher.
Padre Ézio nasceu no dia 11 de novembro de 1924, em Resende Costa. Sua permanência no município foi curta. Ele saiu muito novo para estudar noutra cidade. Tinha doze anos de idade quando padres o levaram primeiro para Roseiras, próximo a Aparecida, Taubaté e Pindamonhangaba, em São Paulo. Ali teve início a sua formação junto aos Salesianos de Dom Bosco. Naquela primeira metade do século XX, era comum adolescentes serem encaminhados para seminários. Muitos tornavam-se sacerdotes, outros não. Os valores salesianos ele os levou até o dia da sua morte ocorrida em 23 de julho de 1986, quando estava com 62 anos de idade.
Em anotações que deixou, disse ter sido batizado no dia 30 de novembro de 1924. Treze anos depois, deu entrada em Lavrinhas/SP, em 13 de novembro de 1937. Desde a vestidura da batina até a ordenação sacerdotal em 8 de novembro de 1952, foram quinze anos de estudos, até tornar-se padre aos 30 anos de idade. Durante a primeira missa que celebrou em Resende Costa, o coro cantou: “sacerdote como és feliz, escutando grave e terno, a voz de Nosso Senhor que diz, tu és sacerdos in aeternum”. A partir de então, foram muitas as cidades que o receberam: Araxá, Cachoeira do Campo / distrito de Ouro Preto, Uberlândia, Pará de Minas e Belo Horizonte, no bairro conhecido como Cabana do Pai Tomás, um conglomerado (favela/bairro) próximo da cidade de Contagem. A pobreza do povo sofrido desta favela o entristecia, visto que, segundo dona Lúcia Daher, sua irmã, “ele tentava consertar coisas, mas, não conseguia.”
Padre Ézio, quando vinha a Resende Costa, fazia questão de visitar seus familiares. Tinha um gosto especial pela dona Hercília Reis e Sousa (Ciloca, esposa do Duque) e pelo seu amigo Oscar, (marido de dona Inácia) com o qual saía para apanhar frutas em fazendas do município. E para celebrar missa, preferia a igreja do Rosário por dois motivos: ficava ao lado da residência dos seus pais e irmãos e evitava sair a pé até a matriz de Nossa Senhor da Penha de França, devido a problemas sérios de saúde que já o atormentavam. Um persistente ferimento no tornozelo dificultava sua caminhada.
O sacerdote fez voto de pobreza; não possuía bens, patrimônio algum. Vestia-se de forma simples que chegava a incomodar seu pai, que não gostava de vê-lo com a batina remendada e desbotada. Andava com uma mala pequena, feita pelo próprio pai. Até para comprar uma clérgima (colarinho clerical), faltava-lhe dinheiro.
Em 22 de fevereiro de 1986, deixou a Cabana de Pai Tomás, tendo sido transferido para Pará de Minas, levando sua mudança em uma kombi. Foi empossado na paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Dom Bosco, como vigário paroquial em 17 de maio de 1986. Naquela época sua saúde já estava bastante comprometida.
Padre Geraldo M. Lisboa, em Pará de Minas/MG, ao apresentar aos irmãos de batina dados biográficos do padre Ézio - o inesquecível irmão - destacou-o como homem otimista e alegre. Impecavelmente ordenado, revelou-se ótimo cronista, bom sacerdote e confessor de uma paciência fora do comum. Padre Ézio foi professor de Dom José Eudes, atual bispo diocesano de São João del-Rei.
O homem simples e de voz mansa começou a luta contra os problemas cardíacos em 1971. Sofreu infarto em Araxá, extraiu a safena interna da perna direita em Ponte Nova/MG. Deixou anotado que em 1976, dia 11 de novembro, sofreu espasmo cerebral, com paralização do lado direito. Poucos dias depois, no dia 18, sofreu paralização do lado esquerdo. Esses distúrbios o acompanharam até o ano de 1986. Naquele ano, depois de uma Assembleia dos Salesianos em Cachoeira do Campo no dia 21 de julho, viajou no dia seguinte para as bodas de prata de seus amigos ex-paroquianos em Uberlândia. Lá, após um jantar, dizendo estar um pouco tonto, levantou-se da mesa para caminhar um pouco. Deu três passos e caiu, morrendo imediatamente.
Em Resende Costa seu corpo foi velado na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da qual tanto gostava, até o dia 25 quando foi realizada missa de corpo presente, presidida pelo Monsenhor Nelson.
Praça Coronel Souza Maia ou do Rosário
25 de Novembro de 2025, por Edésio Lara 0

Praça Coronel Souza Maia, mais conhecida pela população da cidade como Praça do Rosário, devido à presença da igreja de N. Sra. do Rosário (foto Raquel Resende)
A praça Coronel Souza Maia é uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Ampla e com canteiro central espaçoso, nela há de tudo um pouco. Há ainda algumas residências, que têm resistido ao crescente e variado comércio instalado no lugar: supermercado, loja de eletrodomésticos, gráfica, farmácias, lojas de móveis, pequena agência bancária, distribuidora de bebidas e um trailer que serve sanduíches. Há ainda espaço para feirantes que, aos sábados, vendem mel, queijos, verduras e legumes, principalmente. A praça serve como ponto de encontro de pessoas que saem da cidade em ônibus de turismo ou mesmo para aqueles ônibus que ligam a sede do município a um povoado, como é o caso de Jacarandira. Mas, o que nela mais se destaca: a igreja de Nossa Senhora do Rosário. E é por isso mesmo que ela é mais conhecida pelo nome da santa do que pelo nome do estimado Coronel Souza Maia.
João Evangelista de Souza Maia, filho de João Evangelista de Souza (Prados/MG – 08/08/1878) e dona Francisca Maria Cristina (? / ?), pelo que sabemos, faleceu aqui em Resende Costa no ano de 1945. Para alguns, o citado coronel veio residir em Resende Costa no ano de 1901; outros, como relata o memorialista Antônio Lara Resende, a chegada dele ao Arraial da Laje se deu depois de 1903. Souza Maia, “ao lado do doutor Domingos Alves Moreira da Rocha e do major Domingos Teodoro de Resende, participou anos antes da primeira Câmara Municipal de Tiradentes no regime republicano, vindo depois em 1903, a tomar assento no Conselho Distrital da Lage”. [1]
João Evangelista de Souza Maia, apesar do título de coronel, nunca foi militar. Durante a primeira República no Brasil (1889-1930), tornou-se comum conferir a determinadas pessoas, títulos como o de tenente, capitão, major, coronel, por exemplo, sem que elas tenham seguido carreira militar. Assim aconteceu com João Evangelista e outros munícipes que tiveram acrescentados aos seus nomes essas denominações honoríficas. Se observarmos, na cidade há ruas que receberam nomes desses conterrâneos, tidos como filhos ilustres: Tenente Francisco Marcos dos Reis, Capitão Marcos de Oliveira Braga, Major Joaquim Leonel de Resende Lara, Coronel Francisco Mendes de Resende são alguns deles.
João Evangelista de Souza Maia, portanto, mereceu ter seu nome perpetuado devido à sua habilidade em atuar como político em Resende Costa. Manteve residência nos “Quatro Cantos”, (travessa entre as avenidas Monsenhor Nelson, Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e rua Assis Resende), tendo sua casa apelidada de “Senado”, pois era nela que muitas decisões tomadas por políticos locais eram previamente elaboradas. Atribuía-se ao coronel a habilidade em cuidar dos assuntos de interesse da comunidade, destacando-se como pessoa hábil em “desvencilhar-se das incômodas e inoportunas situações por que passam os homens públicos em face das complicações partidárias e dos pedidos de favor solicitados como troca ou compensação por prestígio político”. [2]
João Evangelista casou-se com dona Eufrásia Mendes de Resende Maia, da qual ainda não temos datas de nascimento e morte. Diz-se, no entanto, que não teve filhos. Os nomes de família Mendes, Resende e Maia também são muito presentes entre nós. Portanto, é comum vê-los estampados em placas de logradouros na cidade.
Em se tratando da praça Coronel Souza Maia, seu nome tem sido substituído por “Praça do Rosário” ou, simplesmente “Rosário” pelo povo. Isso, sem dúvidas, tem a ver com a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XIX. Ir à igreja do Rosário para missas e festas prevaleceu e tornou-se mais forte e falada do que a da praça Coronel Souza Maia. O uso da Praça Coronel Souza Maia tem servido mais para os Correios ou outros órgãos públicos ligados a registros de imóveis, em virtude de Rosário não ser um nome oficial escolhido pela Câmara Municipal nem reconhecido pela Prefeitura Municipal.
[1] CHAVES, José Maria da Conceição. Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: desde os proêmios de sua existência até os dias presentes; [org. Elaine Amélia Martins, Rosalvo Gonçalves Pinto] – Resende Costa/MG: Amirco, 2014, p.229.
[2] Idem, p. 229.