Praça Coronel Souza Maia ou do Rosário
25 de Novembro de 2025, por Edésio Lara 0

Praça Coronel Souza Maia, mais conhecida pela população da cidade como Praça do Rosário, devido à presença da igreja de N. Sra. do Rosário (foto Raquel Resende)
A praça Coronel Souza Maia é uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Ampla e com canteiro central espaçoso, nela há de tudo um pouco. Há ainda algumas residências, que têm resistido ao crescente e variado comércio instalado no lugar: supermercado, loja de eletrodomésticos, gráfica, farmácias, lojas de móveis, pequena agência bancária, distribuidora de bebidas e um trailer que serve sanduíches. Há ainda espaço para feirantes que, aos sábados, vendem mel, queijos, verduras e legumes, principalmente. A praça serve como ponto de encontro de pessoas que saem da cidade em ônibus de turismo ou mesmo para aqueles ônibus que ligam a sede do município a um povoado, como é o caso de Jacarandira. Mas, o que nela mais se destaca: a igreja de Nossa Senhora do Rosário. E é por isso mesmo que ela é mais conhecida pelo nome da santa do que pelo nome do estimado Coronel Souza Maia.
João Evangelista de Souza Maia, filho de João Evangelista de Souza (Prados/MG – 08/08/1878) e dona Francisca Maria Cristina (? / ?), pelo que sabemos, faleceu aqui em Resende Costa no ano de 1945. Para alguns, o citado coronel veio residir em Resende Costa no ano de 1901; outros, como relata o memorialista Antônio Lara Resende, a chegada dele ao Arraial da Laje se deu depois de 1903. Souza Maia, “ao lado do doutor Domingos Alves Moreira da Rocha e do major Domingos Teodoro de Resende, participou anos antes da primeira Câmara Municipal de Tiradentes no regime republicano, vindo depois em 1903, a tomar assento no Conselho Distrital da Lage”. [1]
João Evangelista de Souza Maia, apesar do título de coronel, nunca foi militar. Durante a primeira República no Brasil (1889-1930), tornou-se comum conferir a determinadas pessoas, títulos como o de tenente, capitão, major, coronel, por exemplo, sem que elas tenham seguido carreira militar. Assim aconteceu com João Evangelista e outros munícipes que tiveram acrescentados aos seus nomes essas denominações honoríficas. Se observarmos, na cidade há ruas que receberam nomes desses conterrâneos, tidos como filhos ilustres: Tenente Francisco Marcos dos Reis, Capitão Marcos de Oliveira Braga, Major Joaquim Leonel de Resende Lara, Coronel Francisco Mendes de Resende são alguns deles.
João Evangelista de Souza Maia, portanto, mereceu ter seu nome perpetuado devido à sua habilidade em atuar como político em Resende Costa. Manteve residência nos “Quatro Cantos”, (travessa entre as avenidas Monsenhor Nelson, Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e rua Assis Resende), tendo sua casa apelidada de “Senado”, pois era nela que muitas decisões tomadas por políticos locais eram previamente elaboradas. Atribuía-se ao coronel a habilidade em cuidar dos assuntos de interesse da comunidade, destacando-se como pessoa hábil em “desvencilhar-se das incômodas e inoportunas situações por que passam os homens públicos em face das complicações partidárias e dos pedidos de favor solicitados como troca ou compensação por prestígio político”. [2]
João Evangelista casou-se com dona Eufrásia Mendes de Resende Maia, da qual ainda não temos datas de nascimento e morte. Diz-se, no entanto, que não teve filhos. Os nomes de família Mendes, Resende e Maia também são muito presentes entre nós. Portanto, é comum vê-los estampados em placas de logradouros na cidade.
Em se tratando da praça Coronel Souza Maia, seu nome tem sido substituído por “Praça do Rosário” ou, simplesmente “Rosário” pelo povo. Isso, sem dúvidas, tem a ver com a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário em meados do século XIX. Ir à igreja do Rosário para missas e festas prevaleceu e tornou-se mais forte e falada do que a da praça Coronel Souza Maia. O uso da Praça Coronel Souza Maia tem servido mais para os Correios ou outros órgãos públicos ligados a registros de imóveis, em virtude de Rosário não ser um nome oficial escolhido pela Câmara Municipal nem reconhecido pela Prefeitura Municipal.
[1] CHAVES, José Maria da Conceição. Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: desde os proêmios de sua existência até os dias presentes; [org. Elaine Amélia Martins, Rosalvo Gonçalves Pinto] – Resende Costa/MG: Amirco, 2014, p.229.
[2] Idem, p. 229.
Gabriel Passos: político mineiro na memória da cidade
29 de Outubro de 2025, por Edésio Lara 0

Ministro Gabriel Passos (foto divulgação)
Há em Resende Costa número expressivo de logradouros que têm nomes de pessoas ilustres. Muitas vezes, nas placas afixadas pela cidade, há o prenome seguido de um nome de família da pessoa escolhida, entre tantas, como merecedoras de serem lembradas pela comunidade por serviços prestados a ela. São nomes dados há mais tempo, tais como são os de Marcos Reis, Anderson Reis, ou Maria Celina, constituído esse último de dois nomes próprios. Muitos não são mais reconhecidos pela população, vão caindo no esquecimento. Se perguntarmos quem foram essas pessoas, até mesmo moradores dessas ruas não vão saber quem foram elas. Recentemente, a opção tem sido a de registrar nome completo da pessoa homenageada e, às vezes, acompanhado de uma função que tenha exercido no município: prefeito, professor, vereador, padre, maestro, por exemplo.
Uma avenida no centro da cidade, que nasce na Praça Rosa Penido e termina na Rua Padre Joaquim Carlos, tem o nome de Gabriel Passos. O casarão, de número 8, agora onde funciona a Secretaria Municipal de Educação do nosso município, foi a residência da minha família: na parte de cima, dormitórios, sala de visitas, banheiro e cozinha. Em baixo, a oficina de sapateiro do meu avô Quinzinho, que tinha uma bela foto do ex-presidente, o também mineiro, Juscelino Kubitschek. A avenida termina onde ficava a residência da dona Celina.
Gabriel de Resende Passos nasceu em 1901 na cidade de Itapecerica/MG, que não fica distante de Resende Costa. Passando pela estrada de terra até São Tiago, 147 km ligam nossa cidade à terra natal dele. Gabriel Passos foi pessoa importante, de destaque no cenário político nacional. Advogado, jornalista e político, destacou-se como Secretário do Interior e Justiça, Procurador-Geral da República e Ministro de Minas e Energia. No fim da década de 1920 (1928), tornou-se redator do jornal Estado de Minas. Como ministro de estado, atuou no sentido de instalar uma refinaria de petróleo na cidade de Betim/MG, inaugurada em 1968, sete anos após sua morte, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1962, quando estava com 61 anos de idade. Desde então, a refinaria da Petrobras passou a ter seu nome: Refinaria Gabriel Passos (Regap).
Gabriel Passos foi deputado federal por quatro mandatos. Candidatou-se ao governo de Minas Gerais pelo partido União Democrática Nacional (UDN), quando foi derrotado pelo seu concunhado Juscelino Kubitschek (as esposas de ambos eram irmãs), que ocupou o cargo de governador entre os anos de 1951 e 1955.
Devido à sua atuação como político, é fácil encontrar seu nome em logradouros e edifícios ou mesmo numa grande empresa, como é o caso da Petróleo Brasileiro S. A. (Petrobras). Ele aparece em ruas de Santa Cruz de Minas, Tiradentes e São João del-Rei, que tem a sede da prefeitura municipal localizada na Rua Ministro Gabriel Passos, 199. E, como não poderia ser diferente, a principal avenida da cidade de Itapecerica leva o nome do seu ilustre filho: Avenida Ministro Gabriel Passos.
Mas as homenagens não param por aí: seu nome está em muitas outras cidades do nosso estado, principalmente. Esperamos que o nome da nossa avenida permaneça. E que todos aqueles que quiserem saber quem foi Gabriel Passos saibam que se tratou de um mineiro que bons serviços prestou à nossa pátria.
GERALDO MONTEIRO DE OLIVEIRA
01 de Outubro de 2025, por Edésio Lara 0
Poucos vão se lembrar de Geraldo Monteiro de Oliveira. Ele nasceu em 02/08/1915, na Fazenda do Retiro de Cima, localizada no povoado do Cajuru, zona rural do município de Resende Costa, e lá foi criado juntamente com seus nove irmãos, sendo duas meninas e oito meninos. Pois ele, na terceira década do século passado, conseguiu tornar-se técnico agrícola na cidade de Viçosa-MG antes de retornar ao Retiro de Cima, em 1937, com a idade de vinte e dois anos.
Inquieto, o jovem Geraldo Monteiro, já transitando entre sua cidade natal e a capital mineira, onde veio morar no bairro Lagoinha, bem próximo da rodoviária, se empenhou em liderar um grupo capaz de abrir caminho, isto é, uma estrada que ligasse o distrito de Jacarandira à cidade sede. É sabido que o serviço foi feito com muito esforço, fazendo cortes no chão com enxada e outras ferramentas, como enxadão, arado e pá de cavalo, que puxava a terra. Com apoio da Prefeitura Municipal, o trabalho durou quatro anos. Concluída a construção da estrada, Geraldo Monteiro foi morar na cidade do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, ingressou na Aeronáutica e tornou-se administrador do aeroporto Santos Dumont, localizado no centro da cidade.
Essa empreitada liderada por Geraldo Monteiro contribuiu, sem dúvida, para que o jovem se envolvesse com a política em Resende Costa. Elegeu-se vereador pelo Partido Social Trabalhista (PST) e, posteriormente, a prefeito municipal, exercendo mandato entre os anos de 1951 a 1955 pela coligação da UDN (União Democrática Nacional) com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo Antônio da Silva Barbosa como vice-prefeito. Noutro momento, em 1972, Geraldo Monteiro de Oliveira voltou à prefeitura, tendo Aristides Coelho dos Santos como vice, desta vez pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Dois anos após ter sido eleito, renunciou ao cargo, ficando para Aristides Coelho a incumbência de assumir o Executivo nos dois anos seguintes.
Retornando a Belo Horizonte, onde trabalhou como funcionário da base aérea do aeroporto local cursou engenharia, revelou-se uma pessoa apaixonada pela aviação. O gosto por aeronaves ele o transferiu para Emerson, um de seus dois filhos (o outro chamava-se Edson). Emerson, além de pilotar pequenos aviões, fazia manutenção em aeronaves. Segundo familiares, costumava fazer testes sobrevoando áreas próximas a Belo Horizonte, às vezes chegando até Resende Costa. E foi em uma dessas viagens que veio a falecer, quando o avião que pilotava caiu na Lagoa dos Ingleses, localizada a 30km de Belo Horizonte.
Júlia Monteiro, sobrinha-neta de Geraldo Monteiro, tem algumas lembranças dele. Segundo ela, ele recebia muito bem as pessoas em casa localizada na praça Mendes de Resende e não se cansava de ajudar os outros. Era muito alegre. Gostava de andar de jeep, sem capota, quando ia cumprimentando pessoas por onde passava, independentemente de conhecê-las ou não. Júlia ouviu de familiares que seu tio-avô não gostava de beber água filtrada; preferia a natural, costume que, certamente, adquiriu morando na roça.
Enquanto eu e Júlia conversávamos, seu primo Márcio André nos enviou uma mensagem curiosa. Segundo ele “o tio Ladico era uma pessoa que gostava de apicultura e que as pessoas achavam muito engraçado, ou curioso ele aparecer com uma roupa que mais lembrava a figura de um astronauta”. Outro caso é o de que “na construção da estrada, citada aqui, eles tinham uma máquina (possivelmente um trator) que tinha um farol muito forte. Naqueles lugares ainda intransitáveis e vistos à noite, “muitas pessoas se referiam à famosa luz como sendo fantasma, luz de pedra”.
Geraldo Monteiro faleceu em 09/07/2009, com 93 anos de idade. Para homenageá-lo, a Câmara e a Prefeitura Municipal deram o nome do ex-prefeito ao “Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro de Oliveira”, inaugurado no bairro Tijuco, no dia 29 de junho de 2014, e uma pequena rua, que começa na Rua Dr. Abeilard e termina na Rua Pérsio Babo de Resende, em frente à agência dos Correios. O conjunto habitacional atendeu a muitas famílias que precisavam ter casa própria e a pequena rua, de 60 passos – ou 60 metros – contados por mim, fixam na memória do povo a figura de Geraldo Monteiro de Oliveira, que amava a nossa cidade e a ela prestou importantes serviços.
Rua Padre Heitor: uma homenagem ao polêmico sacerdote são-joanense
27 de Agosto de 2025, por Edésio Lara 0

Casario histórico na rua Padre Heitor (foto Edésio Lara)
Os resende-costenses, de forma respeitosa, sempre acolheram bem seus sacerdotes, desde a instalação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, ocorrida em 1840. Afinal de contas, os serviços por eles prestados são muitos. Líderes espirituais, eles guiam os cristãos na fé, celebram missas, apregoam a palavra de Deus, administram sacramentos, como o batismo e a eucaristia. Realizam atendimentos diversos às pessoas enfermas. Como guias espirituais, responsabilizam-se pela coordenação de atividades pastorais. Com tantos serviços prestados à comunidade, tornam-se pessoas muito solicitadas pelos fiéis. Os católicos, por sua vez, se empenham em contribuir auxiliando-os em demandas diárias das quais podem participar.
Em 7 de novembro de 1840, o primeiro sacerdote a assumir a paróquia foi um filho dessa terra: Padre Joaquim Carlos de Resende Alvim. Na Lage, atuou durante 39 anos desde sua posse como vigário colado até 13 de novembro de 1879, quando faleceu com 82 anos de idade. Devido a isso, seu nome está cravado em uma das principais ruas da cidade. Quem vai à sacristia da matriz pode apreciar a “Galeria dos Vigários” e perceber que a maioria deles é natural de cidades vizinhas e até de outros países, como Itália e Espanha. Naturais de São João del-Rei, destacam-se três padres: Antônio Correia de Lima, Heitor de Assis e Nelson Rodrigues Ferreira, que faleceu em 18 de março de 1988, depois de ininterruptos 44 anos de atuação como pároco do município. Antônio Correia de Lima aqui permaneceu durante um ano e Heitor de Assis, ao longo de 7 anos e quatro meses, entre 1935 e 1942. Correia de Lima não tem seu nome fixado em uma rua; os outros dois, ao contrário, permaneceram na memória com as homenagens recebidas por meio de nomes de ruas e edifícios.
A passagem de Padre Heitor por Resende Costa foi, sem dúvida, mais polêmica. Natural da Vila de Nazareno, atual cidade de Nazareno, à época pertencente a São João del-Rei, empenhou-se ele em promover uma reforma na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. O pedido de licença para reformar o enquadramento e a cobertura da igreja tornou-se, na verdade, em destruição de boa parte do templo. O que deveria ser preservado veio abaixo para dar lugar à edificação que permanece atualmente. Quem consulta as obras publicadas por José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves) e Gentil Ursino Vale percebe que a empreitada do Padre Heitor não foi bem recebida por boa parte da população. Muito se perdeu da beleza da antiga igreja, sustentada por pedras talhadas, algumas delas ainda espalhadas por aí.
Gentil Vale, em “Escavações no Tempo (Memórias)”, publicado em 1984, disse que, retornando do Caraça (onde estudou), encontrou Padre Heitor no lugar de padre Epifânio. “Era quase preto, alto, magro e muito culto. Sempre apressado e dotado de grande espírito de iniciativa, era o homem de mil e um instrumentos. [...] Durante sua gestão à frente da paróquia, fez-se demolição da igreja matriz e, em seu lugar, construiu-se novo templo”. Ainda segundo Gentil, o padre, “contrariando algumas ponderações de paroquianos mais conservadores, fazendo ouvidos moucos à grita do povo autênticas obras de arte em geral, entregou-se ao lamentável trabalho de jogar por terra uma construção de real valor histórico e que continha autênticas obras de arte em seu contexto.” (p. 95-96).
Perderam-se, na época, segundo Gentil Vale, o lavabo da sacristia, de pedra inteiriça e trabalhada, e os dois altares laterais. E segundo Antônio de Lara Resende, em mensagem enviada a Juca Chaves, no livro “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage”, publicado pela amiRCo/Coleção Lageana, muito contrariado com os resultados da reforma da matriz, disse que “até a pia batismal foi arrancada e abandonada por muito tempo” (p. 79).
Padre Heitor, três anos depois de iniciada a obra em 10 de maio de 1939, deixou a cidade e se transferiu para Fernando de Noronha a fim de atuar como capelão das Forças Federais alojadas na ilha para, posteriormente, assumir sua nova paróquia em Barão de Cocais/MG. Nesta cidade padre Heitor faleceu em 20 de outubro de 1947 devido a um acidente de carro.
Apesar da controversa obra feita na Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, o povo, através da Câmara Municipal, decidiu nomear a pequena rua que fica exatamente ao lado da referida matriz, como Rua Padre Heitor. A pequena via possui somente quatro casas de morada e tem o tamanho exato do espaço ocupado pela igreja e seu adro. Parte de suas casas ainda guarda – com suas portas, janelas de madeira e telhados – lembranças do casario característico da cidade de épocas passadas.
Um lagoense homenageado com nome de rua em Resende Costa
04 de Agosto de 2025, por Edésio Lara 0
Dauro José Buzatti (Lagoa Dourada, 15 abril de 1940), engenheiro de formação, publicou em 2011 o livro Lagoa Dourada 300 anos – Síntese Histórica. Obra importante, resultado de pesquisas feitas pelo autor, elenca nomes de lagoenses importantes que se destacaram pelos serviços prestados ao lugar desde o seu surgimento, nas primeiras décadas do século XVIII. São eles sesmeiros, roceiros e sacerdotes, principalmente.
A exploração do ouro foi fato marcante para o povoamento de Lagoa Dourada. Naquela época, a maior parte da população era constituída de solteiros que circulavam entre um lugar e outro, sempre à procura de ouro e pedras preciosas. O esgotamento dessas riquezas minerais significava, para muitos, novos deslocamentos e consequentes abandonos do lugar; poucos eram os que permaneciam. No entanto, as poucas pessoas que se estabeleciam no entorno da “Alagoa Dourada” ora se reuniam para uma Aplicação (rezas, por exemplo, ainda muito comuns em povoados), ora construíam uma Ermida ou contribuíam para o levantamento de uma capela.
Muitas vezes nos perguntamos como era a vida das pessoas séculos atrás em nosso país. Não havia energia elétrica, nem rádio, nem automóveis nos primeiros séculos desde o descobrimento do Brasil. Não existia ainda água encanada e tratada para consumo doméstico. As privadas eram secas e, geralmente, ao lado das casas. As condições de higiene, portanto, eram muito precárias. Tomar banho, escovar dentes, lavar e passar roupas eram tarefas difíceis de serem realizadas. A falta de higiene era a responsável por inúmeras doenças que causavam mortes devido à falta de tratamento adequado. Portanto, quando nos referimos à saúde, a situação era por demais precária. Buscava-se curar doenças com rituais religiosos, amuletos e ervas conhecidas como medicinais. Muitas doenças, para as quais não havia uma explicação, eram consideradas como castigo divino.
Aos poucos todos os saberes adquiridos ao longo do tempo começaram a ceder lugar para a ciência, a partir do século XIX, com a abertura de cursos de medicina e do desenvolvimento de pesquisas realizadas nesses ambientes de ensino. No Brasil, a primeira escola de medicina foi criada em Salvador/BA no dia 13 de fevereiro de 1808, por ordem de D. João VI.
Em Resende Costa, pelo que consta, médicos começaram a atuar no início do século XX. Doutor Costa Pinto e Doutor Teixeira são os nomes mais conhecidos, pelo menos por pessoas mais idosas. Pouco ou quase nada se sabe a respeito da formação acadêmica deles. E cada um deles era conhecido pelo nome de família, não pelo pronome. André Eustáquio e Alair Coelho, em 11/02/2015, neste jornal, descreveram os feitos de José Vilela da Costa Pinto, natural de Lavras/MG, que se estabeleceu em nossa cidade para atuar como médico e político. O outro, médico e natural de São João del-Rei, José Alencar Teixeira, atuou também, na década 1950, como líder político no município. Ambos permanecem na memória dos resende-costenses, sendo um com nome de praça e o outro, de rua.
Um terceiro médico e que tem seu nome gravado em uma de nossas ruas é Dr. Abeilard. Identificado somente com seu prenome, esse médico, natural de Lagoa Dourada, vinha para cá nas duas primeiras décadas de 1900. Era, pode-se dizer, um médico visitante, tal como há aqueles que por aqui passam, permanecem um dia trabalhando e retornam para seus locais de origem. Primeiro Presidente da Câmara, entre 1912 e 1918, foi um dos responsáveis pela emancipação do município de Lagoa Dourada, em 1911, momento em que a localidade deixou de pertencer a Prados
Naquela época, Abeilard Rodrigues Pereira, possivelmente, vinha a Resende Costa a cavalo. Essa era a maneira mais comum que se usava para percorrer distâncias entre uma localidade e outra naqueles tempos. Em virtude dos serviços aqui prestados, deram-lhe nome da rua onde se estabeleceram as famílias do José da Mata (Duque), José Maia, Alberico Reis (Bilico), Né do Chico Daniel e José Peluzi. É uma rua curta, sendo um complemento da Av. Prefeito Ocacyr Alves de Andrade, que se estende até a Praça Marcos Reis.
Segundo a professora Eunice de Sousa Gomes, na casa de José Peluzi havia um quadro com a fotografia do médico. Alto, corpulento, careca e de bigode (como praticamente todos os homens da época), dr. Abeilard também permaneceu na memória do povo de Carandaí e de sua terra natal. Em Lagoa Dourada, há uma escola pública que leva seu nome e também uma das principais ruas do município, onde está a sede da Prefeitura Municipal. Dr. Abeilard faleceu em agosto de 1918. Seu nome deverá ser mantido nos edifícios e ruas de cidades por onde esteve trabalhando como médico, como é o caso da nossa Resende Costa.