Rua Padre Heitor: uma homenagem ao polêmico sacerdote são-joanense
27 de Agosto de 2025, por Edésio Lara 0

Casario histórico na rua Padre Heitor (foto Edésio Lara)
Os resende-costenses, de forma respeitosa, sempre acolheram bem seus sacerdotes, desde a instalação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, ocorrida em 1840. Afinal de contas, os serviços por eles prestados são muitos. Líderes espirituais, eles guiam os cristãos na fé, celebram missas, apregoam a palavra de Deus, administram sacramentos, como o batismo e a eucaristia. Realizam atendimentos diversos às pessoas enfermas. Como guias espirituais, responsabilizam-se pela coordenação de atividades pastorais. Com tantos serviços prestados à comunidade, tornam-se pessoas muito solicitadas pelos fiéis. Os católicos, por sua vez, se empenham em contribuir auxiliando-os em demandas diárias das quais podem participar.
Em 7 de novembro de 1840, o primeiro sacerdote a assumir a paróquia foi um filho dessa terra: Padre Joaquim Carlos de Resende Alvim. Na Lage, atuou durante 39 anos desde sua posse como vigário colado até 13 de novembro de 1879, quando faleceu com 82 anos de idade. Devido a isso, seu nome está cravado em uma das principais ruas da cidade. Quem vai à sacristia da matriz pode apreciar a “Galeria dos Vigários” e perceber que a maioria deles é natural de cidades vizinhas e até de outros países, como Itália e Espanha. Naturais de São João del-Rei, destacam-se três padres: Antônio Correia de Lima, Heitor de Assis e Nelson Rodrigues Ferreira, que faleceu em 18 de março de 1988, depois de ininterruptos 44 anos de atuação como pároco do município. Antônio Correia de Lima aqui permaneceu durante um ano e Heitor de Assis, ao longo de 7 anos e quatro meses, entre 1935 e 1942. Correia de Lima não tem seu nome fixado em uma rua; os outros dois, ao contrário, permaneceram na memória com as homenagens recebidas por meio de nomes de ruas e edifícios.
A passagem de Padre Heitor por Resende Costa foi, sem dúvida, mais polêmica. Natural da Vila de Nazareno, atual cidade de Nazareno, à época pertencente a São João del-Rei, empenhou-se ele em promover uma reforma na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. O pedido de licença para reformar o enquadramento e a cobertura da igreja tornou-se, na verdade, em destruição de boa parte do templo. O que deveria ser preservado veio abaixo para dar lugar à edificação que permanece atualmente. Quem consulta as obras publicadas por José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves) e Gentil Ursino Vale percebe que a empreitada do Padre Heitor não foi bem recebida por boa parte da população. Muito se perdeu da beleza da antiga igreja, sustentada por pedras talhadas, algumas delas ainda espalhadas por aí.
Gentil Vale, em “Escavações no Tempo (Memórias)”, publicado em 1984, disse que, retornando do Caraça (onde estudou), encontrou Padre Heitor no lugar de padre Epifânio. “Era quase preto, alto, magro e muito culto. Sempre apressado e dotado de grande espírito de iniciativa, era o homem de mil e um instrumentos. [...] Durante sua gestão à frente da paróquia, fez-se demolição da igreja matriz e, em seu lugar, construiu-se novo templo”. Ainda segundo Gentil, o padre, “contrariando algumas ponderações de paroquianos mais conservadores, fazendo ouvidos moucos à grita do povo autênticas obras de arte em geral, entregou-se ao lamentável trabalho de jogar por terra uma construção de real valor histórico e que continha autênticas obras de arte em seu contexto.” (p. 95-96).
Perderam-se, na época, segundo Gentil Vale, o lavabo da sacristia, de pedra inteiriça e trabalhada, e os dois altares laterais. E segundo Antônio de Lara Resende, em mensagem enviada a Juca Chaves, no livro “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage”, publicado pela amiRCo/Coleção Lageana, muito contrariado com os resultados da reforma da matriz, disse que “até a pia batismal foi arrancada e abandonada por muito tempo” (p. 79).
Padre Heitor, três anos depois de iniciada a obra em 10 de maio de 1939, deixou a cidade e se transferiu para Fernando de Noronha a fim de atuar como capelão das Forças Federais alojadas na ilha para, posteriormente, assumir sua nova paróquia em Barão de Cocais/MG. Nesta cidade padre Heitor faleceu em 20 de outubro de 1947 devido a um acidente de carro.
Apesar da controversa obra feita na Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, o povo, através da Câmara Municipal, decidiu nomear a pequena rua que fica exatamente ao lado da referida matriz, como Rua Padre Heitor. A pequena via possui somente quatro casas de morada e tem o tamanho exato do espaço ocupado pela igreja e seu adro. Parte de suas casas ainda guarda – com suas portas, janelas de madeira e telhados – lembranças do casario característico da cidade de épocas passadas.
Um lagoense homenageado com nome de rua em Resende Costa
04 de Agosto de 2025, por Edésio Lara 0
Dauro José Buzatti (Lagoa Dourada, 15 abril de 1940), engenheiro de formação, publicou em 2011 o livro Lagoa Dourada 300 anos – Síntese Histórica. Obra importante, resultado de pesquisas feitas pelo autor, elenca nomes de lagoenses importantes que se destacaram pelos serviços prestados ao lugar desde o seu surgimento, nas primeiras décadas do século XVIII. São eles sesmeiros, roceiros e sacerdotes, principalmente.
A exploração do ouro foi fato marcante para o povoamento de Lagoa Dourada. Naquela época, a maior parte da população era constituída de solteiros que circulavam entre um lugar e outro, sempre à procura de ouro e pedras preciosas. O esgotamento dessas riquezas minerais significava, para muitos, novos deslocamentos e consequentes abandonos do lugar; poucos eram os que permaneciam. No entanto, as poucas pessoas que se estabeleciam no entorno da “Alagoa Dourada” ora se reuniam para uma Aplicação (rezas, por exemplo, ainda muito comuns em povoados), ora construíam uma Ermida ou contribuíam para o levantamento de uma capela.
Muitas vezes nos perguntamos como era a vida das pessoas séculos atrás em nosso país. Não havia energia elétrica, nem rádio, nem automóveis nos primeiros séculos desde o descobrimento do Brasil. Não existia ainda água encanada e tratada para consumo doméstico. As privadas eram secas e, geralmente, ao lado das casas. As condições de higiene, portanto, eram muito precárias. Tomar banho, escovar dentes, lavar e passar roupas eram tarefas difíceis de serem realizadas. A falta de higiene era a responsável por inúmeras doenças que causavam mortes devido à falta de tratamento adequado. Portanto, quando nos referimos à saúde, a situação era por demais precária. Buscava-se curar doenças com rituais religiosos, amuletos e ervas conhecidas como medicinais. Muitas doenças, para as quais não havia uma explicação, eram consideradas como castigo divino.
Aos poucos todos os saberes adquiridos ao longo do tempo começaram a ceder lugar para a ciência, a partir do século XIX, com a abertura de cursos de medicina e do desenvolvimento de pesquisas realizadas nesses ambientes de ensino. No Brasil, a primeira escola de medicina foi criada em Salvador/BA no dia 13 de fevereiro de 1808, por ordem de D. João VI.
Em Resende Costa, pelo que consta, médicos começaram a atuar no início do século XX. Doutor Costa Pinto e Doutor Teixeira são os nomes mais conhecidos, pelo menos por pessoas mais idosas. Pouco ou quase nada se sabe a respeito da formação acadêmica deles. E cada um deles era conhecido pelo nome de família, não pelo pronome. André Eustáquio e Alair Coelho, em 11/02/2015, neste jornal, descreveram os feitos de José Vilela da Costa Pinto, natural de Lavras/MG, que se estabeleceu em nossa cidade para atuar como médico e político. O outro, médico e natural de São João del-Rei, José Alencar Teixeira, atuou também, na década 1950, como líder político no município. Ambos permanecem na memória dos resende-costenses, sendo um com nome de praça e o outro, de rua.
Um terceiro médico e que tem seu nome gravado em uma de nossas ruas é Dr. Abeilard. Identificado somente com seu prenome, esse médico, natural de Lagoa Dourada, vinha para cá nas duas primeiras décadas de 1900. Era, pode-se dizer, um médico visitante, tal como há aqueles que por aqui passam, permanecem um dia trabalhando e retornam para seus locais de origem. Primeiro Presidente da Câmara, entre 1912 e 1918, foi um dos responsáveis pela emancipação do município de Lagoa Dourada, em 1911, momento em que a localidade deixou de pertencer a Prados
Naquela época, Abeilard Rodrigues Pereira, possivelmente, vinha a Resende Costa a cavalo. Essa era a maneira mais comum que se usava para percorrer distâncias entre uma localidade e outra naqueles tempos. Em virtude dos serviços aqui prestados, deram-lhe nome da rua onde se estabeleceram as famílias do José da Mata (Duque), José Maia, Alberico Reis (Bilico), Né do Chico Daniel e José Peluzi. É uma rua curta, sendo um complemento da Av. Prefeito Ocacyr Alves de Andrade, que se estende até a Praça Marcos Reis.
Segundo a professora Eunice de Sousa Gomes, na casa de José Peluzi havia um quadro com a fotografia do médico. Alto, corpulento, careca e de bigode (como praticamente todos os homens da época), dr. Abeilard também permaneceu na memória do povo de Carandaí e de sua terra natal. Em Lagoa Dourada, há uma escola pública que leva seu nome e também uma das principais ruas do município, onde está a sede da Prefeitura Municipal. Dr. Abeilard faleceu em agosto de 1918. Seu nome deverá ser mantido nos edifícios e ruas de cidades por onde esteve trabalhando como médico, como é o caso da nossa Resende Costa.
A Rua Pérsio Babo de Resende
02 de Julho de 2025, por Edésio Lara 0
Pessoas homenageadas com nomes de rua, em Resende Costa, são muitas. Algumas nascidas na cidade, outras não. Mas qual o motivo de dar nome de não resende-costenses a logradouros? A causa é simples. O povo, naturalmente, elege como importantes aqueles que se destacaram como políticos, principalmente. Juscelino Kubitschek de Oliveira, ex-presidente, e Gabriel de Rezende Passos, ex-ministro de Minas e Energia, ambos mineiros, têm seus nomes cravados em uma rua e em uma avenida no município. Bastou o reconhecimento pelo trabalho que fizeram para receberem essa reverência conferida pelo povo. Pelo que sei, nenhum deles esteve em nossa cidade. Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, sem nunca ter vindo aqui, também pôde ser exaltado com nome de uma avenida. No entanto, como dito na coluna do mês passado, foi excluído para dar lugar ao nome do Monsenhor Nelson. O estimado sacerdote, apesar de ter passado maior parte de sua vida aqui, entre nós, era natural de Emboabas, distrito de São João del-Rei.
Há, também, outras pessoas que não nasceram aqui nem se sobressaíram como políticos, artistas, professores ou grandes empresários. É o caso de Pérsio Babo de Resende. Ele tem nome de rua aqui em Resende Costa e, também, no bairro Ouro Preto, na capital mineira. Aqui em nossa cidade, ela é paralela à Praça Mendes de Resende. Essa é uma rua que passou a existir desde quando parte da Praça Mendes de Resende foi cedida para a instalação da sede da Telecomunicações de Minas Gerais S/A (Telemig), fundada em 1953 e extinta em 1998. Trata-se de uma rua pequenina, que nasce onde residiu a família do senhor Aquim Coelho de Resende – um dos muitos alfaiates da cidade – e se encerra onde há uma academia de ginástica. Nela há um conjunto de cinco imóveis, três deles destinados a atividades comerciais.
Mas quem foi Pérsio Babo de Resende? Pouca gente sabe, porém há os que vão se lembrar muito dele. Foi um jovem simpático e muito bonito, natural de Belo Horizonte, que frequentava muito nossa cidade. Apesar de sua mãe, Leda Babo de Resende, ser natural de Patos de Minas, seu pai, Geraldo Majela de Resende (chamado por todos de Dr. Geraldo), nasceu aqui na Fazenda do Pinhão e sempre se apresentou como uma pessoa apaixonada por Resende Costa. Isso o fez vir para cá com frequência para passear e visitar familiares, trazendo consigo a esposa e os filhos Marco Túlio, Pérsio, Flavio e Leda Maria. Pérsio, segundo filho do casal, nasceu em 11 de novembro de 1955. Aluno do Colégio Santo Agostinho, na capital mineira, cursava o terceiro ano do científico e se preparava para prestar o vestibular, com o objetivo de fazer o curso de Odontologia, quando, prematuramente, veio a falecer no dia 3 de março de 1973, com a idade de 17 anos.
Seus irmãos se lembram dele como um jovem extremamente sensível e carinhoso. Era uma pessoa linda, amava a vida, a família e os amigos. Sempre foi amado por todos, sem se esforçar para isso. Pérsio tocava violão, escrevia poesias e amava o Cruzeiro, seu time do coração. Seu lindo sorriso era contagiante. Dono de um coração gigante, era uma pessoa única e que representou uma geração; sem vícios, generoso, e espalhou doçura e amizade entre todos que conviveram com ele. Regina Azevedo, sua prima, nos disse que Pérsio deixou muita saudade ao ponto de ainda hoje, passados 52 anos de sua morte, muito se falar dele entre amigos e familiares. Desde então, uma pequena rua localizada a poucos metros da casa de seus avós recebeu o nome de Pérsio Babo de Resende.
A avenida que teve nome de um importante estadista: Getúlio Vargas!
28 de Maio de 2025, por Edésio Lara 0
Homenagear ex-presidentes da república colocando seus nomes em ruas, edifícios, estradas, viadutos tornou-se comum no Brasil e, pode-se dizer, em muitos outros países. Há casos em que o nome de um político passou mesmo a ser nome de cidade. É o caso de João Pessoa (antiga Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, fundada em 1585), capital do Estado da Paraíba. O político paraibano foi assassinado em 1930, quando concorria a vice-presidente da república na chapa encabeçada por Getúlio Vargas. Após sua morte, a capital paraibana, que teve outros nomes, passou a ser identificada pelo nome do ilustre filho da terra. Em Minas Gerais, por exemplo, há duas cidades que levam nomes de dois ex-presidentes. É o caso da cidade de Presidente Juscelino, que homenageia o ex-presidente Juscelino Kubitschek, mineiro de Diamantina, com mandato entre os anos de 1956 a 1961; e da cidade de Presidente Bernardes, em memória do também ex-presidente Arthur da Silva Bernardes, outro mineiro, natural de Viçosa, que foi o 12º presidente do Brasil entre 1922 e 1916. Portanto, deparar-se com logradouros que têm nomes de ex-presidentes da república por aí afora é normal.
Em Resende Costa, um ex-presidente já foi nome de avenida. Trata-se de Getúlio Vargas. Ditador para alguns, para outros um grande estadista, o gaúcho esteve à frente da nação em dois momentos: a partir de 1930 e, posteriormente, desde 1945 para, somando os dois mandatos, permanecer no poder por quase 20 anos. Advogado, militar e político, foi dele a implantação no Brasil do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) e do Banco do Nordeste, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Durante seu governo, regulamentou o trabalho do menor aprendiz, que vigorou até o ano de 2005. Destacam-se, também, a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o direito a férias remuneradas para o trabalhador, a instituição do salário mínimo no país, a promoção da industrialização com a criação de estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), a Petrobrás, além da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). São ainda do seu governo a fundação do Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930, e do Ministério da Educação e Saúde, em 1931.
Como se vê, os feitos relacionados aos mandatos de Getúlio Vargas foram importantes, com vários deles perdurando até hoje. E devido a isso, o nome do ex-presidente é encontrado com muita facilidade em diversos logradouros públicos do país. Quem reside em Belo Horizonte/MG ou frequenta muito a capital mineira sabe muito bem onde fica a Av. Getúlio Vargas. Ocorre o mesmo, pode-se dizer, no Rio de Janeiro/RJ, que também tem uma enorme avenida com seu nome. E há, ainda, a famosíssima Fundação Getúlio Vargas (FGV), fundada em 1944, que tem sua sede localizada no Rio de Janeiro, mais filiais em São Paulo e Brasília. Ela tem por objetivo, enquanto instituição privada de ensino superior (graduação e pós-graduação), preparar pessoal qualificado para as administrações pública e privada do país.
Em meio a uma crise instalada no governo, Getúlio se suicidou em 24 de agosto de 1954, com um tiro no peito, dentro do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Deixou naquele momento uma carta-testamento ao povo brasileiro. Da carta manuscrita, tornada pública em 1967, ele deixou registrado: Deixo à sanha de meus inimigos o legado de minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro, e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia.
Getúlio Vargas recebeu homenagens após sua morte. Entre elas, como dito aqui, estão os nomes de ruas e avenidas. Em Resende Costa, a Câmara Municipal optou por tirar-lhe o nome de uma avenida no centro da cidade. Uma parte da Av. Getúlio Vargas tornou-se Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e outra, Monsenhor Nelson. Não houve sequer o desejo de colocar uma placa com seu nome em outra via pública ou edifício público do município. Porém, o que se apagou aqui permanece vivo em outros lugares do nosso país.
Ruas de memória: Uma pequena praça com nome de um músico resende-costense
30 de Abril de 2025, por Edésio Lara 0

A pracinha Maestro João Augusto dos Reis, localizada entre a Rua Pedro Alves e a Rua Moreira da Rocha, no centro da cidade (foto André Eustáquio)
Há em Resende Costa um número expressivo de praças. Algumas levam o nome de pessoas que de maneira ou de outra prestaram algum serviço à comunidade, e de forma voluntária. São religiosos, artistas e políticos de uma época em que não recebiam qualquer remuneração pelo que faziam. Duas se destacam: a Praça Cônego Cardoso e a Mendes de Resende. São duas praças lindas, bem cuidadas e localizadas na parte alta da cidade. A primeira fica em frente à Matriz de Nossa Senha da Penha de França; a segunda, atrás da mesma igreja. Cônego Cardoso prestou seus serviços na cidade entre os anos de 1916 e 1921. Já o Coronel Francisco Mendes de Resende - primeiro administrador municipal - constituiu família e residiu na praça que leva seu nome.
Entre outras, há uma que passa despercebida, apesar de ficar no centro da cidade. Eu a vejo como sendo uma “micropraça”, de tão pequena que é. Tem, aproximadamente, 70m² e formato triangular. Só possui um banco de alvenaria, lá instalado em 1976, com dizeres já gastos pelo tempo: “Homenagem ao prefeito Ocacyr Alves de Andrade”. Seus canteiros não têm flores. Há uma luminária ao centro e que geralmente está apagada, denotando total descuido da Prefeitura Municipal pelo espaço. A única palmeira que a enfeitava foi cortada e em seu lugar nada foi plantado. Não é incorreto dizer que há quem tem gosto por derrubar árvores na cidade. Numa época em que o mundo se vira para questões climáticas adversas que sugerem a preservação de áreas verdes e recomenda o plantio de árvores, não dá para entender como a força do machado ou da motosserra ainda se impõe.
A pracinha, que se localiza entre a Rua Pedro Alves e a Rua Moreira da Rocha, recebeu o nome de “Maestro João Augusto dos Reis”. O maestro ficou mais conhecido por Joãozinho sapateiro, profissão que assumiu aqui em Resende Costa e posteriormente em São João del-Rei, na Avenida Leite de Castro, para onde se mudou com a família. Sua mãe gostava de chamá-lo por João dos óculos, simplesmente pelo fato de ele os usar e achar bonito. Joãozinho tornou-se músico aqui em Resende Costa. Deve ter recebido ensinamentos dentro da própria Banda Santa Cecília, que funcionava como uma escola de música no município. Bandas de música eram e ainda continuam sendo, em muitos lugares, o espaço em que se ensina gratuitamente música em nosso país. Seu sobrinho, Ronan César dos Reis (filho do Miguel sapateiro e irmão de Joãozinho) nos disse que seu tio, além de ter atuado como regente da nossa banda de música, exerceu a função noutras cidades, a exemplo de Lagoa Dourada e São João del-Rei.
No livro “Retratos de Centenária Resende Costa”, publicado pela Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) em 2016, na página 124, lá está a imagem dele de terno e gravata, segurando seu trompete com a mão direita, tendo na esquerda, possivelmente, as partes musicais que a Santa Cecília usava naquele momento em suas apresentações, sendo dirigida por Joaquim Pinto Lara (Sô Quinzinho). Apesar de estar sem data, a foto deve ser de meados do século passado, entre as décadas de 1950/60.
Atualmente, poucas pessoas têm lembranças dele, da dona Cici, sua esposa, e de muitos dos seus filhos. A residência da família era no fim da pequena Rua Pedro Alves, nº 74 (nome de músico são-joanense que se estabeleceu em Resende Costa para atuar também como professor das primeiras letras). Atualmente, nela reside a professora Maria do Carmo.
O maestro faleceu há bastante tempo. Era filho do senhor João Franklin dos Reis (carreiro, candeeiro de bois) e de dona Alice Reis (dona de casa, doméstica). Teve uma irmã de nome Maria e oito irmãos: Tarcísio, José, Benedito, Mário, Dativo, Miguel, Cinval e Antônio Damasceno, todos eles muito conhecidos no município. No paredão que serve de divisa entre a pracinha e a casa onde residiu, permanece seu nome: Rua Maestro João Augusto Reis, colocando-o entre aqueles que, de certa forma, se destacaram e prestaram serviços à nossa comunidade.