Contemplando as Palavras

Templos da memória

15 de Maio de 2018, por Regina Coelho 0

A história das bibliotecas antecede a própria história do livro e encontra abrigo no momento em que a humanidade começa a dominar a escrita. As primeiras bibliotecas de que se tem notícia são chamadas “minerais”, com seus acervos constituídos de tabletes de argila; depois vieram as bibliotecas “vegetais e animais”, constituídas de papiros e pergaminhos. Mais tarde, com a invenção do papel, fabricado pelos árabes, surgiram as bibliotecas com esse material e, posteriormente, as de livro, propriamente dito.

De todas elas nenhuma foi tão famosa como a de Alexandria, no Egito. Ela teria de 40 a 60 mil manuscritos em rolos de papiro, chegando a possuir 700 mil volumes. Tal fama se deve, além da sua grande quantidade de documentos, aos três grandes incêndios de que foi vítima. Criada em 1800, a maior biblioteca do mundo é a do Congresso dos EUA, em Washington, com mais de 160 milhões de itens entre livros, manuscritos, jornais, revistas, mapas, vídeos e gravações de áudio e todo aparato disponível hoje nessa área. No Brasil, a Biblioteca Nacional é nossa referência maior, tendo sido trazida para o país por Dom João VI em 1808.

BIBLIOTECA – termo composto de biblion (livro) e theca (depositado). Na definição tradicional do termo, é o lugar em que são guardados livros. Na sua acepção mais ampla, é o espaço que acolhe e promove a instrução, a cultura, a pesquisa e a produção científica.

Biblioteca Pública Municipal Antônio Gonçalves Pinto, eis nossa realidade, sem quaisquer comparações com as instituições congêneres citadas, nem por isso motivo de menor orgulho para nós, cidadãos resende-costenses cientes de sua importância para o município. Lembremos a figura daquele que lhe empresta o nome.

“Ainda moço, partiu Antônio Pinto de sua terra natal, que não mais reviu (...). Inteligente, sem curso humanístico, pois que apenas no velho arraial tivera escola das primeiras letras proporcionadas aos conhecimentos da época, conseguiu, por si só, aperfeiçoar-se no uso do vernáculo e ainda aprender as línguas francesa e alemã, tendo ocasião de visitar o Velho Mundo, passando pela França e Alemanha. (...) Guardando indelével recordação de sua terra, dá-lhe Antônio Pinto uma prova de grande afeição que lhe votava, ofertando à Câmara Municipal de Resende Costa toda a sua biblioteca de numerosos volumes, alguns dos quais de diferentes idiomas e de preciosas e raríssimas edições, acondicionadas em duas grandes vitrinas que ele despachou por via marítima.” Isso é o que conta Juca Chaves no seu Memórias do antigo arraial... sobre nosso ilustre conterrâneo.

Uma trajetória de 100 anos como essa é feita de muitas conquistas. De muitos percalços também, considerando principalmente que vivemos num país onde a Educação, que é o maior patrimônio do ser humano, não é levada tão a sério. Prova desse descaso, por exemplo, foi a inexistência de uma sede própria que abrigasse adequadamente nosso acervo. Em razão disso, ele esteve alojado improvisadamente nos seguintes espaços: uma sala da Câmara Municipal, a parte inferior do imóvel onde hoje funciona a Contemp Contabilidade, uma sala da sede atual da Prefeitura Municipal e uma construção anexa ao Teatro Municipal. Até que em setembro de 2008 realizou-se o sonho coletivo da Casa própria para a nossa Biblioteca oficial, erguida na Praça N.S. de Fátima, local conhecido como Mirante das Lajes.

Reconhecer as bibliotecas como centros dinâmicos do saber significa desconstruir o mito dos escritos esquecidos nas prateleiras. Livro é o passado dialogando com o presente. O presente é a tecnologia preservando a memória, porque a história não para, mas também não se apaga. Inovação e tradição não são elementos excludentes entre si, como propaga Bill Gates, quando diz: “É claro que meus filhos terão computadores, mas antes terão livros”.

Democratizar o acesso às bibliotecas significa estimular o conhecimento e o pensamento. Bem--vindos à centenária Biblioteca P. M. Antônio Gonçalves Pinto! Portas abertas para todos!

“Nesta data querida”

17 de Abril de 2018, por Regina Coelho 0

“Equipe atual do Jornal das Lajes: André M. de Oliveira, Cássio Jônatas, Pe. Claudir P. Trindade, Denílson M. Daher, Ednanda D. Coelho, Márcia A. Resende, Paulo E. de Andrade, Rômulo E. de Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane S. de Resende, Wanessa de Paula”. Com essa escalação, o Jornal das Lajes entrou em campo, ou melhor, em circulação há exatos 15 anos.

Em seu editorial de estreia, O despertar do jornal, que apresenta o time citado acima, o pensamento é claro: “...construir um jornal para circular em toda a cidade é uma tarefa árdua, que exige de nossa parte uma enorme dose de compromisso com a sociedade resende-costense”. Ainda na primeira página, em matéria intitulada Liberdade, na coluna Soltando o verbo, Denílson M. Daher faz um levantamento histórico sobre esse pressuposto tão caro à humanidade. E arremata afirmando que “a finalidade (do JL) é agir como um elo entre a sociedade e os órgãos administradores e lutar pela justiça e pelo progresso de Resende Costa”.

Nas suas outras três páginas, o jornal traz matérias sobre o início da formação da nossa cidade, a Campanha da Fraternidade de 2003 (tema: Fraternidade e pessoas idosas), a Semana Santa, a arte e o artesanato, a ação nociva dos cigarros. Na coluna Jogo Aberto, que se mantém até hoje, o entrevistado é Gilberto Pinto, prefeito da época. Na última página, aparecem as Piadas do Zezinho e o Para Curtir, que vem a ser a programação festiva daquele mês.

E há mais. Três realidades expostas nessa primeira edição transformaram-se positivamente ao longo do tempo. Na coluna Giro Esportivo, hoje simplesmente Esporte, a matéria O esquecido Estádio dos eucaliptos (ilustrada com algumas fotos) e o conteúdo dela representam o passado. Revitalizado, o Campo do Expedicionário recebe boa atenção dos que por ele são responsáveis e devida utilização dos que o frequentam. Na seção Atualizando-se, o artigo é Moradores do bairro Pôr do Sol esperam providências do poder público em relação à situação precária do local. Atualizando para 2018 esse quadro. De “vista privilegiada”, como consta no texto de 2003, o Pôr do Sol oferece agora condições satisfatórias de moradia, contando com ruas pavimentadas. Reformado recentemente, o antigo Cruzeiro permanece como símbolo do bairro.

Na página de abertura, a charge de Cássio Jônatas mostra o interior do Teatro Municipal improvisado como biblioteca, um incômodo por um bom tempo vivido pela cidade. Pelos traços do artista os livros aparecem em desordem num ambiente decaído. A indagação Biblioteca Municipal... Resende Costa: cidade da leitura? aparece no alto da imagem. Pois bem! A resposta a isso, pelo menos no que diz respeito ao acolhimento físico adequado do acervo dessa importante instituição, pode ser encontrada num bonito prédio verde situado no Mirante das Lajes, tradicional ponto turístico da terra do artesanato. Cidade da leitura? Fica a dúvida.

No rodapé de cada página, doze pioneiros patrocinadores, que acreditaram nesse projeto de um jornal para Resende Costa, aparecem em destaque. Seguem fielmente ao nosso lado oito deles: Casa da Terra, Drogaria São Geraldo, Estylo Moda, Farmácia N. S. da Penha, Jolu Armarinho (Loja do João Bosco), Supermercado Bom Preço, Supermercado N. S. da Penha e Supermercado Sobrado.

Até onde se sabe, o Jornal das Lajes já atingiu o posto de periódico mais longevo da cidade, com tiragem e distribuição ininterruptas nesses anos de existência. E de uns tempos para cá, circulando ainda na vizinha São João del-Rei. Das 4 páginas de antes às 16 de agora, dos 2.000 exemplares do início aos 4.000 atuais, dos muitos que passaram por aqui trabalhando ou sendo notícia aos que aqui estão, muita coisa mudou. Para melhor, para você, LEITOR(A).

 

P.S.: Por uma feliz coincidência, neste abril de especial comemoração para o JL, celebra-se também o centenário de criação da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, um marco relevante na história do também centenário município.

O melhor nome

13 de Marco de 2018, por Regina Coelho 0

Não sei como funciona para os outros, inclusive para meus colegas aqui do JL, o processo de escolha dos títulos das matérias que escrevemos. No meu caso, quase sempre preciso do texto pronto para definir o nome mais apropriado para ele, o que não é tarefa das mais fáceis. Pouquíssimas vezes parti do título para o artigo, como aconteceu, por exemplo, em Vai procurar sua turma! (nov./2009 – sobre afinidades na formação de turmas), Você é qual? (jan./2012 – sobre pessoas gêmeas) e Uma grande família (dez./2014 – sobre o clã do Pedro Olímpio), entre outros poucos artigos.

O que acontece é que um nome adequado para encabeçar um texto não cai assim do céu. No trabalho de busca por um bom título, certas características devem ser observadas. A primeira delas é que ele capte em suas poucas palavras a essência do que está escrito logo abaixo. É preciso ainda que chame a atenção do(a) leitor(a) por alguma razão, funcionando como um chamariz para a leitura do texto todo. E também, se possível, que seja criativo, que fuja do óbvio.

Aliás, criatividade é o que se pode ver com frequência na nomeação de obras artísticas. Na literatura, naturalmente, que é a arte da palavra, esse componente não falta. Para ficar apenas no âmbito da produção infantil, vejamos alguns títulos interessantes: Rita, não grita! (de Flávia Muniz) – uso de rima; Bisa Bia, Bisa Bel (de Ana Maria Machado) e Marcelo, marmelo, martelo (de Ruth Rocha) – uso de aliteração, repetição de fonemas; Flictz (de Ziraldo) – uso de neologismo, criação de palavra. Em Castelo Rá-tim-bum, antiga série televisiva criada por Cao Hamburger, Flávio de Souza e Ana Muylaert, a palavra que imita os sons de uma bandinha de percussão é um recurso linguístico chamado onomatopeia. Criativos também são estes nomes: Tablado (tradicional escola de teatro carioca), Grupo Corpo (importante companhia brasileira de dança contemporânea nascida em BH) e Vibratos (nova escola de música em Resende Costa).

Uma constatação sobre os títulos de músicas: de modo geral, quem gosta de música, e a maioria gosta, conhece, ainda que superficialmente, muitas delas, mas desconhece os nomes que elas têm. Talvez isso explique uma forte tendência de a gente achar que o título de uma canção é sempre o seu início. Deve ser por essa razão que a célebre Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré, 83, ficou conhecida como Caminhando, que começa assim: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...”

Só para lembrar. A edição de 1968 do Festival Internacional da Canção, na sua versão nacional, entrou para a história da MPB pela tônica de protesto ao regime militar da época, tanto nas canções como na reação do público presente no Maracanãzinho (Rio). Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, interpretada por Cynara e Cybele, venceu o festival, a despeito das vaias da plateia, que preferia Pra não dizer..., interpretada por seu autor.

De volta aos títulos dos jornais e afins. Aliada à originalidade presente em algumas matérias que chegam aos leitores, destaca-se a intertextualidade, que é a citação implícita de um texto por outro, uma espécie de diálogo entre eles. Vamos a ela. Na matéria de 7/2/2018 da revista Veja sobre Larry Nassar, profissional que passou anos abusando das atletas de ponta da ginástica artística dos EUA, o título é O MÉDICO É O MONSTRO. Nitidamente, é possível perceber nessas palavras uma referência à obra O médico e o monstro (The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Robert Louis Stevenson, um dos maiores clássicos literários do terror psicológico. Publicado em 1885, ele é seguramente um dos livros mais adaptados para o teatro, cinema e tevê.

Nesse terreno dos títulos e seus respectivos textos jornalísticos, floresce ainda a praga das matérias enganadoras e sensacionalistas, vide hoje as fake news (notícias falsas) das redes sociais, uma ameaça constante à boa e correta informação. Contra tudo isso, só belas e necessárias palavras.

Põe na conta aí!

16 de Fevereiro de 2018, por Regina Coelho 0

Vender “fiado” é uma prática comum. Até aí tudo bem. O problema começa quando a pessoa devedora não honra esse compromisso conforme o combinado. Bem distante dos tempos do que era acertado no “fio do bigode”, quando o que ficou acordado verbalmente era garantia do cumprimento, o combinado, e isso já não é de hoje, fica registrado. Ainda assim, o credor não está livre do mau pagador e do não pagador. Daí, a triste e injusta fama do “fiado”, que, em si mesmo, é uma opção para quem só pode ou prefere comprar a prazo, com intenção de posterior quitação. E mesmo para o vendedor essa modalidade pode ser vista como uma possibilidade de novas compras do cliente ao voltar para acertar contas anteriores. A relação credor/devedor estremece de vez diante do temido calote. E prevenção contra caloteiros contumazes através de frases bem-humoradas dispostas em cartazes é o que não falta em alguns estabelecimentos comerciais, procedimento típico de muitos botequins e mercearias. Algumas delas:

FIADO- Só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais.

FIADO é como cabelo. Se não cortar, cresce.

O FIADO é assim. Eu vendo, você acha BOM. Eu cobro, você acha RUIM.

FIADO, só amanhã.

Vendi FIADO uma vez. Perdi o amigo e também o freguês.

Imagino que o fiado esteja por toda a parte. Deve ser mesmo quase impossível não admiti-lo. Aqui em Resende Costa, conversando com o João Bosco, 68, da Jolu Armarinho, soube que na sua tradicional e movimentada loja, ao contrário do que eu pensava, a turma do pendura também marca presença. Ao passar pelo Supermercado Sobrado para comprar (à vista) alguns itens, fui abordar um dos proprietários do estabelecimento fundado pelos irmãos Daher Chaves com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre essa questão. Solícito como sempre, o Guinho da Elaine, 65, aceitou de pronto me prestar as informações que procurava, garantindo-me, porém, que as meninas que trabalham nos caixas são mais habilitadas para tal. Vamos ao que foi apurado.

A estimativa delas em relação às vendas feitas a prazo é de 47% aproximadamente. Quanto ao perfil básico de quem tem o costume de comprar para pagar depois, normalmente, a maioria paga suas contas mensalmente e não se assusta com o valor que lhes é apresentado na hora do acerto. Segundo as entrevistadas, essas pessoas já têm uma noção da quantidade de compras que fazem, sabendo mais ou menos o valor que irão pagar. “O bom pagador tem um bom histórico financeiro. Sempre paga a conta antes ou na data do vencimento da compra”, garantem. Para elas “o mau pagador já está acostumado a ser cobrado, não cumpre seu compromisso, inventa mil desculpas e não está preocupado com seu (bom) nome”, complementam. E as meninas do Sobrado, aqui representadas pela Francielle Santana, 25, fazem uma afirmação curiosa: ainda existem clientes que fazem controle do que compram por meio de caderneta, mas são poucos, sendo que a maioria assina um comprovante relativo a cada compra.

Pois é. A velha e boa caderneta resiste. No comércio de cidades menores como a nossa e em bairros de centros maiores, ela é mantida para atender o cliente antigo, mais de casa. Ao mesmo tempo, é um recurso para enfrentar períodos de crise, sem cobranças adicionais na conta.

A referência ao seu uso me remete à época em que meus irmãos e eu, em momentos diferentes da vida de cada um, de acordo com a idade que íamos alcançando, ajudávamos nosso pai na loja dele, depois transformada em armazém. Além das cadernetas, para os fregueses do mês, havia o borrador, um caderno com anotações diárias de compras menores para fregueses diversos. Quando acontecia de a gente se distrair e não anotar no borrador o nome do comprador e dos produtos levados por ele, a bronca era certa: “esquece de vender, mas não esquece de anotar”, dizia o “seu” Adenor, o que era só uma força de expressão, é lógico.

Por parte dos devedores, há quem se defenda proclamando o Devo, não nego, pago quando puder. Será?

Hora do relaxamento

16 de Janeiro de 2018, por Regina Coelho 0

piadas aos montes existem por toda parte. Temáticas e veiculações tradicionais se aliam ao novo na produção e propagação de textos feitos para provocar o riso. Piadistas também, é lógico, podem ser encontrados facilmente por aí. Há os profissionais da área. São pessoas que emprestam, ou melhor, vendem seu talento para o humor ao público. E há os amadores de plantão. Esses estão sempre prontos a fazer graça com tudo, em qualquer lugar, até mesmo em velórios, muitos deles concorridos, não exatamente pela pessoa falecida. Nas turmas de escola ou de trabalho, não pode faltar um engraçadinho ou engraçadinha. Nas despretensiosas e divertidas rodas de conversa, geralmente é essa figura quem monopoliza as atenções gerais com seu vasto repertório de piadas e de casos engraçados envolvendo principalmente gente conhecida dos ouvintes dessas histórias. Para essa criatura hábil na arte de fazer rir vale até aquela velha máxima de “correr o risco de perder um amigo, mas não perder a piada”. Esse risco não vou correr aqui, pois minhas amigas Bia e Lulude foram apenas testemunhas do caso que me contaram e que passo a narrar agora.

Saindo de Vitória (ES) com destino a Barbacena (MG), o ônibus da Viação Rio Doce cumpria seu trajeto de 12 horas, ao longo do qual, fora duas paradas maiores, parava brevemente nas rodoviárias das cidades por onde passava para desembarque e embarque de passageiros. Em cada uma delas um funcionário da Rio Doce anunciava em voz alta os nomes de quem deveria ficar naquele lugar. Isso como forma de alerta aos desatentos quanto à sua vez de desembarcar. Em Cataguases (MG), a cena se repetiu com a seguinte chamada:

- Passageira Maria Eugênia!

Silêncio!

- Passageira Maria Eugênia!

Nada!

Foi aí que uma mulher, muito despachada, por sinal, resolveu ajudar o rapaz e saiu andando pelo ônibus procurando pela outra. Ocorreu a ele ir até a poltrona 8, onde a “desaparecida” deveria estar. Poltrona vazia. Ao lado, um senhor dormia. Ao ser acordado e indagado sobre o paradeiro da companheira de viagem, por razões óbvias, não soube dizer nada. Então, ouviu-se um grito vindo lá dos fundos do ônibus.

- Achei!!!

Depois de gritar pra todo mundo ouvir que havia achado finalmente a tal da Maria Eugênia, a nova e persistente “ajudante” da empresa parecia triunfante mostrando a todos sua descoberta. Desperta de seu sono profundo e ainda com os cabelos desgrenhados, a dorminhoca, para se explicar, passou a atacar o ocupante da poltrona 7, pondo nele a culpa por ela ter saído de onde estava antes porque o danado roncava muito alto, e ela não conseguia dormir com tanto barulho.

Eis aí a vida em fragmentos de pequenas histórias cotidianas, com sua natural graça, aqui, duplamente entendida. E o engraçado acontece também onde menos se espera! Observem:

 

ALTA HOSPITALAR

"A partir do momento em que o médico comunicar a alta médica, o paciente e o acompanhante deverão aguardar no leito a liberação do sumário de alta e o formulário de alta hospitalar pela equipe de Enfermagem" – Hospital São Lucas - BH

Extraído de uma pasta colocada sobre a mesa de cabeceira do quarto onde estive, o comunicado acima integra uma relação de itens denominada Orientações ao cliente. Diante do que li, como acompanhante da minha irmã Olguinha, hospitalizada há pouco mais de um ano para se submeter a uma cirurgia de varizes, fiquei na dúvida se deveria seguir o que o texto recomendava. Brincadeirinha!

Os jornais também estão cheios de pérolas. Não são erros gramaticais, mas maneiras involuntárias de escrever uma coisa que tornam cômico o escrito. Exemplos não faltam:

No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos.

Parece que ela foi morta pelo assassino.

Ferido nos joelhos, ele perdeu a cabeça.

O rapaz levou um tiro na nuca pelas costas.

A CVC aposta em Portugal para o feriado de Carnaval. A saída é no dia..., e o programa terrestre sai a partir de... por pessoa. Inclui guia falando português, traslado...

Falando sério, no país da “piada pronta” (termo cunhado pelo jornalista Zé Simão), onde, segundo o Zorra (programa de humor da TV Globo), “tá difícil competir com a realidade”, o riso saudável é respiro puro.