O Verso e o Controverso

APAC: marcas de uma visita

19 de Setembro de 2018, por João Magalhães 0

Momento de partilha e encontro com os recuperandos

Cansei de ver, em letras grandes, APAC, nas vindas de São Paulo para Resende Costa, via Lavras. O que seria? Em conversa com o Dr. Luiz Antônio Pinto sobre sua atuação com estagiários de medicina, tive a explicação: APAC –Associação de Proteção e Assistência aos Condenados. Entidade com profundo senso humanitário. Mediante os detalhes da atuação dela junto aos presos, senti necessidade de abordar o assunto nesta coluna que tem, como um dos seus fulcros, o Humanismo. Implicaria uma visita. André Eustáquio, nosso editor-chefe, ampliou: Quem sabe uma reportagem especial? Fizemos a visita. E aconteceu.

A visita foi-me um sacramento que imprime caráter: marcas indeléveis no espírito.

Marca um: uma sensação intensa, bem resumida por dom Serafim Fernandes de Araújo, cardeal arcebispo emérito de Belo Horizonte: “Na APAC não é ter esperança, é ser esperança”, ou seja, o que se espera está-se realizando. Este sentimento encaminhou-me, também, para Dom Paulo Evaristo Arns, de cuja Pastoral fiz parte por muito tempo: “Ex spe in spem” (De esperança em esperança).

Marca dois: O Movimento Jesus. Chamo assim porque Jesus não institucionalizou nada. Sua ação consistiu em reformar e/ou inovar no estabelecido: “Foi dito aos antigos, eu, porém, vos digo...” De repente constato numa instituição um trabalho focado neste Movimento.

Da conversa com Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, presidente da APAC de São João del-Rei e vice-presidente da FBAC (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados), vieram as informações da origem da entidade. Surgiu de movimentos voluntários de católicos e evangélicos. Ou seja, grupos de pastoral penitenciária. Movimento iniciado no presídio Humaitá em São José dos Campos, em 1972, sob liderança dos advogados Mário Ottoboni e Franz de Castro Holzvarth, pais-fundadores da APAC.

O propósito: desenvolver um projeto voltado à recuperação do preso, suprindo uma deficiência do Estado. Ganhou personalidade jurídica em 1974 e passou a atuar como órgão parceiro da Justiça na execução da pena.

O melhor da conversa – agora fortificada pelo nosso cicerone na visita, Wellington Paixão, ainda cumprindo pena, mas já trabalhando com o presidente Fuzatto e com o Judiciário no apostolado apaqueano – foi o testemunho vivencial dos 12 Elementos Fundamentais do Método APAC.

  1. Participação da Comunidade: Significa usar de meios adequados para impedir uma ruptura da comunidade com a vida do preso. Desde o primeiro momento, acomunidade, ou seja, pessoas de seu meio (familiares, companheiros, amigos, colegas) devem estar presentes.

“Se mobilizarmos a sociedade por meio de audiências públicas, de convites às lideranças civis, de políticas religiosas e de grupos distintos da sociedade, utilizando-se dos meios de comunicação social, dos testemunhos de recuperandos, das apresentações de teatro, coral, etc. para conhecer in loco uma unidade da APAC, dar-se á, com o tempo, o rompimento das barreiras do preconceito, que, geralmente, estão arraigadas em nossa cultura. Ou seja, aquela ideia de que o preso tem que sofrer, tem que morrer precisa ser superada.”

  1. O recuperando ajudando o recuperando: “Despertar nos recuperandos os sentimentos de responsabilidade, de ajuda mútua, de solidariedade e de fraternidade e da importância de viver em comunidade.

Possibilita que o recuperando seja protagonista de sua própria recuperação. Dentro dessa visão, destaca-se o Conselho de Sinceridade e Solidariedade (CSS), constituído tão somente por recuperandos, cabendo-lhes as tarefas de limpeza, organização, segurança e disciplina.”

  1. Trabalho: Seu valor dentro e fora da unidade, dependendo do regime do internado. No regime fechado, o objetivo é a recuperação dos valores: despertar a autoestima, as potencialidades, o senso de estética e a criatividade. A ênfase vai para o trabalho artesanal, o mais diversificado possível.

No regime semiaberto, objetiva-se a profissionalização. É preciso atentar-se para não transformar este trabalho numa empresa.

  1. Espiritualidade: Ferramenta de recuperação de valores morais. O método vê o homem como um ser biopsicossocial e espiritual.

“Por esta razão, deverão ser organizadas equipes de evangelização cristã para que, por meio de um trabalho ecumênico, possa ajudar o recuperando a dar-se conta de que o ser humano também é espirito. Contudo, não se pode afirmar que somente a espiritualidade resolve o problema”, mas contribui muito.

  1. Assistência jurídica: “Segundo dados estatísticos, 95% da população carcerária não reúne condições financeiras para contratar um advogado, por isso é preciso que a APAC ofereça uma assistência jurídica gratuita, especificamente na fase de execução da pena, atentando-se, para que essa assistência jurídica se restrinja apenas aos condenados que manifestem adesão oferecida pela APAC e que possuam mérito.”
  1. Assistência à saúde: Referindo-se às condições insalubres de cumprimento de pena, diz Mário Ottoboni: “O condenado, geralmente quando não entra doente na prisão, fatalmente irá sair doente dela.” “É importante que esse atendimento seja, sempre que possível, realizado por voluntários, permitindo que o recuperando possa entender, com mais facilidade, que alguém se preocupa com sua sorte eque ele não está abandonado.”
  1. A família: Considerando as dificuldades e sofrimento das famílias para firmar presença junto aos detentos; considerando que a família por total falta de estrutura contribui, juntamente com outros fatores, para o surgimento do crime e da violência, inútil será o esforço da equipe se, ao preparar o recuperando para o retorno à sociedade, não trabalhar concomitantemente a família.

“Assim como os familiares dos recuperandos necessitam receber a atenção, a instituição deve ficar atenta em relação às vítimase/ou familiares das vítimas, oferecendo programas e assistências que objetivem minimizar o sofrimento e prejuízos.”

  1. O voluntário e o curso para sua formação: “Nada, absolutamente nada, substitui o trabalho dos voluntários que, por meio de gestos concretos de caridade, revelam aos recuperandos o amor gratuito, constante e incondicional.”

Importante observar que toda equipe, constituída de voluntários e de funcionários contratados para trabalhar tão somente no setor administrativo, precisa ser devidamente treinada, uma vez que um trabalho dessa natureza, de difícil execução, não pode ser pautado pelo amadorismo e improvisação.

No conjunto dos voluntários, destacam-se os ‘casais padrinhos’, que, ao adotarem os recuperandos como afilhados, contribuem para que sejam refeitas, em nível psicológico, as imagens desfocadas e negativas queos recuperandos possam ter em relação à figura do pai, da mãe ou de ambos, ou ainda das pessoas que os substituíram em seu papel de amor.”

  1. Centro de Reintegração Social: “A Comunidade poderá construir prisões denominadas Centro de Reintegração Social– CRS – de pequeno porte, compreendendo os regimes previstos na Lei, devidamente separados um do outro, o que não modifica a obrigação constitucional do Estado de construir, equipar e manter as prisões.”
  1. Mérito: Todas as conquistas, elogios, cursos realizados, saídas autorizadas etc., bem como as faltas e as sanções disciplinares aplicadas deverão constar do prontuário do recuperando para oportunamenteser anexado a pedidos de benefícios jurídicos. Insere-se nesse contexto a importância de se constituir a CTC – Comissão Técnica de Classificação.
  1. Jornada de Libertação com Cristo: “A jornada apresenta-se nesse contexto como sendo um dos pontos altos da metodologia. Momento forte de reflexão e encontro consigo mesmo, em que, ao longo de quatro dias, pautados por palestras de cunho espiritual – misto de valorização humana e testemunhos –, expõe o recuperando à terapia da realidade, levando-o, ao final, a um encontro pessoal consigo mesmo e com o ser superior.”

APAC: “Amando ao Próximo, Amarás a Cristo.”

  1. Valorização humana: É a base do método APAC.

(Citações extraídas da bibliografia gentilmente oferecida. Procurou-se transmitir o mais perto possível o fraseado dos autores)

As mães da mentira

15 de Agosto de 2018, por João Magalhães 0

“O pai da mentira”. É um dos títulos do diabo (Jo 8,44). E a mãe? São muitas: as redes sociais.

Em tempos de guerra, mentiras por mar e por terra. Antigo provérbio, agora, desatualizado. Em tempos de internet, mentiras (e quantas!) pelo ar e pela atmosfera.

Quando li pela primeira vez o anglicismo fake news, confesso que, devido a meu inglês já muito oxidado, corri ao dicionário: “Fake”: falsidade, falso. Por que não “notícias falsas”?

Calúnias, difamações, mentiras nocivas sempre fizeram parte e farão da história dos homens. Como quase sempre ganham da verdade, devem preocupar e muito a quem zela pelo humano. É o caso do mandamento mosaico: “não apresentarás um falso testemunho contra teu próximo”. (Ex 20,16)

Modernamente, essas falsidades, travestidas de vídeos, fotomontagens, textos atribuídos a autores midiáticos etc., sob o nome geral de fake news, instantaneamente espalhadas, chegam a milhões de olhos e ouvidos por todo o globo. E causam prejuízos gravíssimos. Até mortes, como o atesta o linchamento de vinte pessoas, na Índia, devido a notícias desse jaez, conforme foi noticiado recentemente.

E é bom notar que as falsidades chegam rápido também para quem não tem internet, pela voz/ouvido dos aparelhos!

Uma estatística recente: no Brasil, o número de aparelhos celulares ultrapassa nossa população. Aparelhos que funcionam, embora nem todos atualizados tecnologicamente.

E os males vêm. Destroem reputação, ferem a honra, roubam desatentos e ingênuos, vendem curas e miraculosos remédios inócuos, reforçam ignorâncias. Quem acompanha a vida do país sabe, por exemplo, que aumenta muito o número de pais que não vacinam seus filhos por causa de notícias falsas sobre efeitos malignos dessas vacinas.

Chegamos ao ponto de profissionalizar o manejo e a criação de falsidades. Lucra-se com isso. São mentirosos profissionais que assassinam a moralidade, a honra das pessoas para fins escusos e pouco se importam com o bem da sociedade.  E a influência nos processos eleitorais? E tantos outros casos!?

Pesquisas feitas sobre o grau de credibilidade das pessoas tentam explicar o porquê da crença em fake news. Podem-se resumir nestes itens:  as pessoas tendem a acreditar que tudo é verdade; basta que as informações estejam próximas da verdade para serem aceitas; mesmo quem conhece um assunto tem predisposição a crer em falácias sobre ele: muitas técnicas para facilitar a identificação de erros revelam-se inócuas. E os malandros sabem e se aproveitam disso.

O que fazer? Como escapar do ceticismo: em que (quem) acreditar, já que o fenômeno é geral e universal? Onde está o real, a verdade?

É um desafio para o jornalismo sério e responsável. Esta mídia honesta tenta montar esquemas para desmascarar as fakes, mas confessa a enorme dificuldade para tal.    

Bruxuleia-se uma luz, acende-se outra, mais potente. Pesquisas recentes (Reuters Institute), que incluem o Brasil, revelam uma queda de confiança no Facebook, pois consideram essa rede social “egocêntrica”, “assustadora”, “multifacetada”, “genérica”. Aumenta, porém, a confiança no WhatsApp, que acham mais “amigável”, “divertido”, “agregador”, “honesto”, “discreto” e “confiável”.

Acho que mudou para pior. No Facebook, a sociedade por seus representantes pode agir, cobrar, intimar as fontes. Já no WhatsApp, as fontes são milhares, mesmo com a determinação, segundo ele informou, de limitar a vinte encaminhamentos. Cada usuário posta o quer!

Alguma solução? Creio numa melhora, se além do poder público se empenhar e partir para punições, as pessoas cônscias conseguirem um distanciamento, ou seja, buscar acesso às nascentes das falácias, diversificar suas fontes de informação, intensificar seu poder de observação, usar suas lupas para localizar detalhes enganosos e suspeitar deles, relativizar suas afirmações, postergar atitudes. Menos fé e mais análise.

Vivendo e agindo em bolhas: grupos que se abeberam das mesmas fontes que afervoram a fé comum e se fecham para outras iluminações, a verdade estará cada vez mais ausente.

É o que eu penso. E você?

Que título dar: Aberração? Perversidade? Guerra suja?

18 de Julho de 2018, por João Magalhães 0

A criatividade do ser humano é quase infinita, tanto para o bem como para o mal. Quem passou pela cena procura anular a lembrança para o horror não voltar. Quem nunca passou arrepia-se só em imaginar. Que cena? Torturar os pais diante dos filhos, ou pior, os filhos diante dos pais.

A cena bíblica de Herodes matando cruelmente os inocentes por motivos políticos (Mt 2,16-17) choca até hoje. Estas cenas de praticar o infanticídio e ou sofrimentos físicos ou psíquicos em frente aos pais, ou o parricídio e ou torturas diante das crianças, presentes em ditaduras, inclusive na última brasileira, causam horror a quem preza sua condição de ser humano.

Arrancar crianças de seu pais, sumir com elas e encaminhar para adoção deixam cicatrizes indeléveis nas famílias vítimas. Práticas comuns nas recentes ditaduras latino-americanas e não só. Veio agora o noticiário de processos na Espanha contra sequestradores e adotantes de crianças sequestradas na ditadura de Franco. Só agora?!

A imigração é um problema mundial de extrema relevância e gravidade. É multidão o número de pessoas que largam seu solo natal. Entre total miséria e insegurança de vida, preferem arriscar, afinal não têm mais nada a perder. Vão para algum lugar onde enxergam alguma esperança de sobreviver.

Do lado dos países alvos dessa esperança fica o desafio. Abrir as portas? Receber? Negar? Devolver às origens? Deixá-las nos braços da morte: o mar, o deserto, o barco precário, a fome, a doença, a insolação...?

E tomo de empréstimo o parágrafo de Luís Fernando Veríssimo, Drama, publicado no dia 28 de junho no jornal o Estado de S. Paulo: “O drama dos refugiados no mundo todo chega a uma espécie de ápice de horror a cada imagem de uma criança morta. Pode-se fazer uma graduação do horror, dividi-lo em categorias, do lamentável ao lancinante, mas nada nos fere mais do que a foto de um cadáver de um bebê que deu na praia como um dejeto humano, ou de uma criança ferida com o olhar esmaecido de quem não sabe o que lhe aconteceu, ou por quê.”

Não se trata evidentemente de negar a cada país o direito de administrar seu território, de defender suas fronteiras, de abrir ou fechar portas aos imigrantes, mas devem-se questionar os métodos.

A tática desumana adotada pelo governo Donald Trump, nos EUA, para impedir imigrações clandestinas, prendendo os pais e separando os filhos deles, mandando-os para abrigos, alguns até tachados de campos de concentração, abalou o mundo das nações que ainda têm em seu âmbito uma boa faixa humanitária, inclusive a sociedade norte-americana e até o partido do governo, o Republicano.  E o número de menores? Mais de 2 mil!

E tal barbaridade agrava-se com possíveis sequelas na vida dessas crianças arrancadas de seus pais, sobretudo da mãe. Segundo o professor de psiquiatria da Universidade do Texas, em Austin, Luís Zayas, uma separação traumática trará danos psíquicos, com grande possibilidade, não afastando uma longa duração deles. E enumera o que pode acontecer: um agarramento desesperado aos pais, um pavor neurótico de sair da presença deles; ansiedade de separação; choro incontrolável; dificuldade para dormir; pesadelos recorrentes; distúrbios alimentares; problemas de confiança nos pais, ou até de raiva. “Vemos algumas crianças até mesmo atacarem os pais. Elas nem sempre entendem o motivo da separação e até colocam a culpa neles; têm dificuldade em se reconectar”, diz o professor.

O professor Saeed Cardoso Jodi Berger, da Universidade de Houston, que estuda os efeitos do trauma sobre os imigrantes, acrescenta: abuso de drogas, alcoolismo, comportamento suicida e transtorno de estresse pós-traumático, ou seja, um conjunto de sintomas físicos e psíquicos que a vítima pode apresentar.

Entenda transtorno de estresse pós-traumático: a vítima ou testemunha de cenas ameaçadoras de sua vida, ao recordar-se do fato, revive o episódio como se estivesse ocorrendo naquele momento, seja a dor ou o sofrimento.

“Cinco Salamão”?!

12 de Junho de 2018, por João Magalhães 0

Explico o título, no fim. Nos anos recentes, assistindo ao desrespeito e até menosprezo por instituições humanitárias, como o Movimento Internacional da Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras...vendo a transgressão às convenções diplomáticas, origem aliás da Cruz Vermelha, e pior: comprovando corrupção até dentro delas, acho urgente batalhar pelo ideal de seu fundador, Jean Henry Dunant – a meu ver, um dos maiores humanistas de nossa História.

Em mãos, o livro do jornalista mineiro José Passos de Carvalho: “Epítome Histórico da Cruz Vermelha”. Um resumo (epítome) de suas pesquisas sobre a Cruz Vermelha. Foi presidente da filial de Lavras/MG por cinco mandatos, de 1983 a 2004.

O livro foi um riscar de fósforo a iluminar lembranças antigas minhas (décadas de 60/70) da Cruz Vermelha Brasileira. Quando à página 166 vi a foto de 1944, do Hospital Infantil da filial da Cruz Vermelha de São Paulo (hoje, Hospital dos Defeitos da Face), abriu-se a tela da Escola de Auxiliares de Enfermagem (hoje, equivalentes a Técnicos de Enfermagem), pertencente ao complexo hospitalar.

 Através desta escola, a Cruz Vermelha é parte de minha vida. Começou por uma curiosidade: teria a cruz vermelha do hábito da Ordem Religiosa – fundada por São Camilo de Lellis (século16) para o cuidado corporal e espiritual dos enfermos –influenciado na escolha do símbolo da Cruz Vermelha?

Parece que sim, pois há referência de que Henry Dunant admirava os religiosos camilianos por vê-los acudindo feridos e doentes.

A Escola, extraordinária pelo ensino técnico, pela formação humanitária e pela benemerência, priorizava os candidatos que já trabalhassem em hospitais e sem formação em enfermagem. Propiciava também aos alunos os dois anos de ginásio, exigidos para se formar auxiliar de enfermagem.

Integrei-me à Direção da Enfermagem do Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo, onde era capelão camiliano, para abrir espaços na Escola e no Hospital para quem quisesse. Daí, para pertencer ao corpo docente da Escola, foi um pulo. Por minha conta, as aulas de Língua Portuguesa e as de Ética Profissional.

A Cruz Vermelha fez parte de minha vida até a Escola fechar. O que aconteceu, quando a legislação exigiu o 2º grau completo e instituiu os cursos de Técnico de Enfermagem.

Faz bem relembrar os sete princípios fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Crescente Vermelho (uma lua crescente vermelha) é o nome adotado, a pedido da Turquia, nos países árabes membros.

Humanidade: Conforme seus lemas: “In paceet in bello, caritas (Na paz e na guerra, a caridade, o amor); “Inter arma, caritas” (No meio das armas, a caridade) e “Sedaredolorem, opus divinum” (Aliviar a dor é uma obra divina). Evitar e aliviar o sofrimento humano. Proteger a vida e a saúde. Respeito ao ser humano. Compreensão mútua, amizade, cooperação, paz.

Imparcialidade: Nenhuma distinção de nacionalidade, raça, religião, condição social nem orientação política.

Neutralidade: Não tomar parte em hostilidades ou em controvérsias, em qualquer momento, de ordem política, racial, religiosa e ideológica.

Independência: Coadjuvante do poder público nos desamparos sociais, obedecendo às leis, sem abdicar, porém, dos próprios princípios.

Voluntariado: Movimento de socorro voluntário e de caráter desinteressado.

Unidade: Uma sociedade una em cada país, acessível a todos em todo território da nação.

Universalidade: As sociedades nacionais têm os mesmos direitos e o dever de se ajudarem mutuamente.

Vamos ao título. Quando Passos de Carvalho explica os símbolos vigentes da Cruz Vermelha: CruzLua crescenteCristal VermelhoEstrela de DavidEstrela da vidaCobra e bastão de Asclepius – dei com o Escudo de Salomão: uma estrela de cinco pontas.

Talvez se veja, ainda, essa estrela desenhada atrás de portas de casas antigas aqui da região. O povo a chamava de “Cinco salamão”!  Estranho! “Cinco Salamão”?!

Mais tarde percebi. “Salamão”: corruptela de Salomão. E o “Cinco”? Seria referência às cinco pontas? Nada disso. Corruptela de “signo”. Portanto: “Signo de Salomão” corrompeu-se paraCinco Salamão”!

Cinco salamão! Xô, mau olhado!

O adolescente/adulto de Resende Costa

15 de Maio de 2018, por João Magalhães 0

Na condição de decano do nosso Jornal das Lajes, por idade, pois o decano por atuação é o André, nosso editor-chefe e presidente, não poderia omitir-me no seu aniversário de 15 anos que se deu agora com o número 180, abril de 2018.

Quando saiu o humilde número 1, abril de 2003, encontrando-me com o fundador, Denilson Daher, pediu-me ele se poderia revisar o Português do próximo número. Tinha eu, então, após 35 anos, recentemente, deixado de atuar no ensino da Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Aceitei com alegria e incorporei-me à turma desde o 2º número, cujo editorial escrevi, a pedido do Denilson.

Em analogia com o biológico, nosso jornal é adolescente por idade, mas adulto e saudavelmente amadurecido por conteúdo, participação social, pontos de vista e crescimento.  Formou uma família de excelente qualidade humana. De uma formação que o conduziu ao prestígio e valorização de que goza atualmente.

Desculpe pela presunção. Sei que, conforme o ditado: “Louvor em boca própria é vitupério”, mas o contato com quem o acompanha e lê e sua intensa procura não só aqui, mas também na região, o testemunham. Até as críticas que recebe. Afinal, “ninguém chuta cachorro morto”.

Escrevi no editorial do 2º número: “Lembrando a nossos leitores o que dizíamos em nosso primeiro editorial, o jornal nascia, empunhando duas bandeiras muito importantes: a bandeira da imparcialidade e a bandeira da cidadania atuante. Chegamos ao 2º mês de vida com a mesma proposta, com idêntico entusiasmo: noticiar, comentar, elogiar, incentivar, sugerir, promover os bons eventos e as coisas positivas de nosso município, mas igualmente alertar, apontar, denunciar, cobrar dos responsáveis falhas que sempre acontecem na sociedade dos homens”.

É a crença nesta proposta e a fidelidade a ela que mantêm a higidez robusta do nosso jornal até hoje e, praza a Deus, há de continuar.

O jornal, desde seu nascimento, tornou-se o cronista do nosso município. Graças a ele, o Tijuco, antigamente quase que um arraial separado da “Vila”; os  Povoados de nosso município (Campos Gerais, Ribeirão, Pintos, Tabuado, Curralinhos, Cajuru etc,); as famílias de migrantes libanesas que muito contribuíram e contribuem (Daher, El-Corab, Hannas, Roman, Salomão), os benzedores e curadores (Emydio, Antônio Purcino, Moretshon, Jesus Barbeiro) que cuidaram dos males de tantas pessoas; e pessoas, quase personagens  como foram - só para citar alguns  - o Zé Padeiro, Barbosinha, Zé Procópio, dona Dulce Mendes...e tantos outros.

E muito mais: fazendas históricas, eventos políticos, festividades religiosas, igrejas, crônicas do cotidiano antigo da cidade, a biblioteca, profissões e profissionais do nosso passado, lendas e “causos”, cinema, teatro... e assim vai.

A melhor amostra, é o livro da Coleção Lageana: “Um Olhar Sobre Resende Costa”, 608 páginas – Coletânea de textos do Jornal das Lajes. Sucesso de vendas.

 Por isso, afirmo: tudo que aconteceu de importante, de significativo, de bom ou de condenável de 2003 até o presente, procure e você encontrará em nossas páginas

 Nos anos de militância no clero católico, promovi e/ou trabalhei com muitos grupos voluntários. Nunca vi um trabalho voluntário, onde quem atua não ganha nada, a não ser a gratificação íntima de participar, durar e crescer tanto!

Escreve o Denilson: “Era muito divertido fotografar com uma câmera amadora, emprestada por uma das integrantes do jornal na época; andar a pé pela cidade com uma mala para a distribuição do jornal: nos dias do fechamento da edição, ir para o ponto de carona, esperar pela boa vontade de um motorista para chegar a São João del-Rei a fim de levar o material para diagramação e impressão e aproveitar para procurar novos anunciantes...”.

Hoje nosso jornal é o que é! Que o digam, seus leitores.