No dia 28 de abril (2026), consegui visitar a lápide do saudoso Papa Francisco. Posso dizer, sem exagero, que a minha fé se divide em dois tempos: antes e depois de Francisco e de seu admirável pontificado.
A fé, assim como a própria vida, exige amadurecimento. E, quando amadurece, nos obriga a enxergar o mundo por outras frestas. Foi exatamente isso que aconteceu comigo através do magistério de Francisco. Desde a infância, a opulência me causava incômodo; havia algo nela que me parecia distante do Evangelho. Então surgiu Francisco, com sua simplicidade desarmante, para consolidar um caminho que eu buscava sem sequer perceber: uma fé concreta, encarnada na vida, uma fé que recoloca Cristo no centro não como discurso, mas como prática cotidiana.
Mas não apenas isso. Francisco nos ensinou uma fé capaz de olhar para as periferias existenciais, de tocar as feridas humanas sem medo, de escancarar aquilo que deveria ser evidente desde sempre: uma Igreja para todos, todos e todos...
Foi um homem que viveu aquilo que pregou. Sua sepultura traduz isso de maneira quase silenciosa. Pela televisão, eu não imaginava que fosse tão simples; diante dela, a simplicidade impressiona ainda mais. Não há grandiosidade ornamental, apenas a sobriedade de quem compreendeu que a força do Evangelho não habita no excesso, mas na entrega.
Francisco, o “Papa da Igreja em saída”, deixou também em seu descanso eterno uma última catequese: escolheu repousar fora da sede oficial da Igreja Católica. Até na morte permaneceu fiel ao caminho que anunciou durante toda a vida.
Não consegui encontrá-lo fisicamente em vida, mas, de algum modo, hoje o encontro em um lugar mais caro: no coração. Há presenças que o tempo encerra e há outras que permanecem caminhando dentro de nós. Francisco pertence a essas últimas.
A semente foi novamente lançada à terra. Agora, cabe a nós decidir se teremos coragem de continuar o caminho que o Senhor nos indicou através dele.
Muito obrigado, Francisco!