Comemorações de 600 anos dos Açores começam em Santa Maria

Imigrantes açorianos tiveram papel importante na formação da identidade de Minas Gerais, começando a chegar entre final dos anos 1600 e início dos 1700.


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Em Santa Maria, o início das comemorações dos 600 anos de Açores.

As comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores tiveram início no dia 29 de agosto, em evento no município de Vila do Porto, ilha de Santa Maria. Na ocasião, o município apresentou o logotipo oficial que irá marcar o programa comemorativo. A identidade visual presta homenagem à ilha de Santa Maria, a primeira ilha a ser descoberta, destacando o seu papel pioneiro e a sua importância na história e na identidade do arquipélago. Criado por Luciana Magalhães, procura traduzir seis séculos de história, descoberta, memória e identidade açoriana, tendo Santa Maria como ponto de partida desta celebração. 

Veja aqui a explicação sobre o logotipo

A programação do evento contou com palestra do historiador Avelino Meneses, professor da Universidade dos Açores, sobre a história do arquipélago formado por 9 ilhas no Oceano Atlântico e povoado a partir de Santa Maria. Também marcou presença o secretário Regional de Assuntos Parlamentares, Paulo Estevão, para quem as comemorações iniciaram e vão terminar na ilha de Santa Maria.

Em sua palestra, o professor Avelino Meneses, ao falar da incerteza com a qual trabalha o cientista, seja ele historiador ou não, cita o exemplo dos Açores. Os 500 anos do descobrimento dos Açores, comemorados há um século, “foram celebrados em 1932 porque na altura se pensava que Santa Maria teria sido descoberta por Gonçalo Velho Cabral, em 1432. Agora no século XXI, já estamos a celebrar os 600 anos dos Açores em 2027 porque se pensa que os Açores foram descobertos por Diogo Silves em 1427”. E deixa a pergunta: “o que vai acontecer no próximo século? Nenhum de nós vai saber porque já não estaremos cá como é natural”.

Para o professor Avelino Meneses, Santa Maria, na história dos Açores, é uma ilha singular. “Do ponto de vista natural, é a mais antiga ilha dos Açores, aliás praticamente tem vulcanismo ativo. Do ponto de vista histórico, foi a primeira na ordem da descoberta e do povoamento. Curiosamente, agora, quando se começam a celebrar os 600 anos do descobrimento dos Açores, foi Santa Maria a primeira ilha a dar o ponta-pé de saída.”

Ele assinala que os Açores têm “uma história nova, mas uma história longa. Nova, porque fomos descobertos na transição da idade média para a idade moderna. Portanto, os Açores conhecem essencialmente duas épocas históricas: a idade moderna e a idade contemporânea. Mas, de qualquer maneira, 600 anos nestes torrões, no meio do mar, com tantos e tantos desafios, já é muito tempo e corresponde à superação de muitas e muitas dificuldades. Infelizmente, alguns não as puderam superar cá e tiveram, portanto, de procurar outras paradas.”

Daí a importância da participação da diáspora nas comemorações dos 600 anos, segundo o historiador. “Os imigrantes açorianos são uma extensão dos Açores no exterior, e aliás do ponto de vista político deviam ter a possibilidade de possuir maior intervenção na prática política insular.” Até porque “a diáspora açoriana numericamente é muito superior à população das próprias ilhas”. Um desafio para quem governa os Açores é “fazer chegar a história e a cultura açoriana aos descendentes dos primeiros açorianos, quer nos Estados Unidos, quer no Canadá”, e mesmo no Brasil que fala português.

Atividades locais

A ilha de Santa Maria pretende dar visibilidade a esse acontecimento histórico, previsto para durar até 2027. Mas Bárbara Chaves, presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, quer mais: “Nós decidimos que essas comemorações têm de ser mais alargadas: começá-las agora em 2026 e levá-las até o fim do ano de 2032”. A ideia é abranger um conjunto de anos e de datas importantes e que são referências para a descoberta dos Açores e para o povoamento de Santa Maria. “E que queremos, sem dúvida, realçar.” 

A expectativa de Bárbara Chaves é que associações e instituições e todos os que queiram envolver-se nas comemorações tenham oportunidade para desenvolver atividades e refletir sobre o caminho percorrido em termos culturais, sociais, do sistema de habitação e das apetências econômicas. “Precisamos ter consciência do caminho que tivemos a percorrer ao longo desses 600 anos de história e podermos perceber melhor onde é que estamos hoje e o que queremos para o futuro.”

Entre as atividades que pretende desenvolver, ela enfatiza aquelas que envolvam as comunidades ao nível dos “impérios” e da valorização do rico patrimônio arquitetônico. “Eu tenho um carinho especial com as festividades do Espírito Santo e a forma envolvente como a nossa comunidade desenvolve estas festas e estas atividades.” Por isso, é “uma oportunidade de dar a conhecer melhor os nossos rituais, os nossos foliões, os nossos impérios; as comunidades de imigrantes que desenvolvem essas atividades tão bem; também trazer as nossas comunidades e as nossas vilas-irmãs para conhecer a ilha de Santa Maria; para levar marienses também a conhecer as realidades de outras comunidades”.

Estrutura de missão

A partir deste mês (até 30 de novembro de 2028) passa a funcionar uma estrutura de missão, criada pelo Governo Regional dos Açores, para preparar as comemorações dos 600 anos da descoberta e do povoamento do arquipélago. O organismo foi criado por Resolução do Conselho do Governo (n.º 106/2026), ficando responsável pela preparação, planejamento, coordenação, acompanhamento e execução técnica e operacional do programa comemorativo.

A estrutura funcionará junto ao Governo Regional com competência em matéria de comunidades e deverá assegurar a coerência institucional, científica, cultural, educativa e comunicacional das comemorações. “O ponto de partida será o 600.º aniversário da descoberta da ilha de Santa Maria, assinalado em 2027 e apresentado na resolução como o marco inaugural da descoberta do arquipélago. O trabalho deverá, contudo, abranger também as efemérides posteriores relacionadas com a descoberta, o povoamento e a afirmação histórica das restantes ilhas.”

Entre os objetivos definidos, estão a articulação entre os departamentos governamentais, as autarquias locais e as entidades parceiras, assim como o envolvimento das comunidades açorianas e da sociedade civil. A estrutura deverá ainda promover iniciativas de natureza histórica, cultural, educativa, econômica e científica e assegurar a preservação do legado institucional, científico e cultural resultante das comemorações. O coordenador do organismo será apoiado por uma equipe técnica de acompanhamento e por uma equipe consultiva de natureza exclusivamente técnica e científica.

Segundo o secretário Regional de Assuntos Parlamentares, Paulo Estevão, haverá um portal que “permitirá que todos os eventos realizados no mundo, ao longo da nossa diáspora, relacionados com os 600 anos, serão transmitidos.”  

Fonte: Paulo Magalhães, Município de Vila do Porto, Diário dos Açores 

Veja ainda a reportagem Rota Açoriana de Minas Gerais lançada em evento na capital mineira

 

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