Era pouco antes das 3h de domingo (15) quando a Mocidade Independente do Bonfim dava o último apito do seu desfile na Avenida Tancredo Neves, com a sensação de dever cumprido. Com o enredo “O Apito da Saudade - Nos Trilhos da História a EFOM Desperta a Memória de São João”, a escola do bairro do Bonfim, de gloriosos carnavais, foi pontual, não cometeu erros comprometedores e mostrou muita garra, cores fortes e simpatia.
Aliás, o tema em si, de conteúdo mais local, já era motivo de simpatia. A escola convidou todos a embarcarem nos vagões da memória, conduzidos pelo apito que ecoa das antigas locomotivas da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Por estar distante, acompanhei o desfile pela transmissão da Rádio São João del-Rei nas redes sociais.
Veja aqui o vídeo
A comissão de frente, em azul e branco, levou os integrantes da escola a embarcarem simbolicamente num vagão da Maria Fumaça, patrimônio cultural e protagonista da narrativa. O apito da saudade ecoou e a locomotiva ganhou vida, trazendo à cena o empresário Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa e Dom Pedro II, representando a criação e inauguração da Estrada de Ferro Oeste de Minas e o Brasil Imperial.
O carro abre-alas trouxe uma locomotiva fazendo alusão à Maria Fumaça são-joanense, elegante, sempre admirada por turistas e por crianças. Produzida por artistas no barracão com materiais alternativos. No topo da locomotiva, Wesley representava o maquinista dos velhos tempos, todo em dourado e azul e apetrechado para conduzir a locomotiva.
Um passeio charmoso entre São João do Rei e Tiradentes, com vistas para a Serra de São José e o Rio das Mortes no trajeto, acompanhado de uma natureza envolvente. O trem atravessava um portal simbólico onde passado e presente se encontram.
Formações da escola simbolizavam a criação da estrada, o progresso e a expansão comercial. A ala 2, denominada “Indústria têxtil”, mostrou tecidos azuis e novelos de linha, fazendo alusão à primeira grande indústria instalada na cidade. Cores vibrantes em tons azul e roxo, com acabamento dourado, buscavam representar as matérias-primas.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Robson e Gabriele, representavam o tempo divisor de períodos importantes da história e fonte reveladora para passado, presente e futuro.
A ala das baianas exibia uma fantasia rica em detalhes dourados e balaios com verdura e frutas. As baianas remetiam-nos à importância de alimentos, principal motivo para a construção da ferrovia.
A ala "Cupido" mostrava asas brancas, com detalhes em vermelho e rosa, remetendo à busca por amor. Assim como as mulheres solteiras que ficavam nas estações à espera de encontrar alguém por quem se apaixonar.
O segundo alegórico, de altura exuberante, simbolizava a estação como palco de paixões que foram embaladas pela música. A semi-destaque Lara Fonseca trazia uma fantasia vermelha e rosa com penas e pedrarias, e na parte mais alta do carro, Suelen Cantelmo.
A ala "Seresteiros" exibia instrumentos musicais dourados, trabalhados sobre a roupagem prata e laranja. Afinal, a nossa Maria Fumaça também tinha esse perfil de transportar seresteiros românticos.
A fantasia do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Edinho e Rogéria, era rica em laranja, preto e branco, numa alusão à música que embala os apaixonados. Símbolos musicais, babados, penas e plumas compunham a indumentária.
A fantasia da rainha da bateria Sara Andrade representava a chama que move a locomotiva e aquece as caldeiras. Já a bateria, toda de laranja e estampada de chamas, simbolizava o foguista que alimentava o forno com carvão ou lenha para dar potência à locomoção.
A ala "Pracinhas", em dourado e verde, fazia alusão aos pracinhas do tradicional 11º Batalhão de Infantaria de Montanha (11º BI), que viajaram de Maria Fumaça para o embarque rumo à Segunda Guerra Mundial.
A última alegoria “O futuro é agora” representava a escola Mocidade Independente do Bonfim”, com os maquinistas e os pés da Águia que passa a ser o símbolo da escola.
