Agora, oficialmente, cidades-irmãs na história, na cultura e na economia. As leis da irmandade já foram aprovadas, respectivamente, pelas Câmaras Municipais de Resende Costa (20 de abril), Prados (05 de maio) e Tiradentes (11 de maio). A Câmara Municipal de Lagoa Dourada deverá votar o projeto de lei até junho.
A iniciativa visa ao maior intercâmbio e aproximação entre as cidades, levando em conta as suas origens e tradições, de forma a fortalecer as relações culturais, sociais e econômicas e estimular o fomento intermunicipal. Assim, a legislação propõe o estreitamento dos laços de irmandade, realização de acordos, convênios, programas e projetos, troca de informações e difusão de ações, iniciativas e experiências comuns, alinhamento de políticas públicas e culturais e ações administrativas; e até autorização “a integrar-se, juntamente com as cidades-irmãs nela (nesta lei) referenciadas, à Rota Açoriana de Minas Gerais através da Casa dos Açores – MG”, como ficou explícito no texto da lei de Prados.
Resende Costa, antigo Arraial da Lage de meados do século XVIII, celebra em 2 de junho 114 anos de emancipação política. Prados comemora, em 24 de maio, 322 anos de fundação. Tiradentes, antiga São José del-Rei do início do século XVIII, completou 308 anos de história em 19 de janeiro deste ano. E Lagoa Dourada, antigo povoado de 1717, se prepara para realizar o 26º Reszendão, em 24-26 de julho – celebração dos 300 anos de casamento dos açorianos João de Resende Costa e Helena Maria de Jesus, os primeiros Resendes de Minas Gerais.
Justificativa
Os laços açorianos entre Resende Costa, Prados, Tiradentes e Lagoa Dourada são antigos. Reportam ao final do século XVII e início do século XVIII quando começaram a chegar os primeiros açorianos à antiga Comarca do Rio das Mortes, com sede em São João del-Rei. Um deles foi João de Resende Costa, nascido em 02/11/1695 em Vila do Porto, Santa Maria, uma das nove ilhas do arquipélago português dos Açores.
João de Resende Costa migrou para a região por volta de 1720, instalando-se em Lagoa Dourada, então freguesia (equivalente a distrito) de Prados. Aqui conheceu Helena Maria de Jesus, uma das três famosas ilhoas açorianas. Helena nasceu em 15/01/1710 na freguesia de Nossa Senhora das Angústias, ilha do Faial, Açores, e migrou em 1723 para São João del-Rei junto com a mãe viúva e outras duas irmãs.
Este ano, completam-se três séculos do casamento de João de Resende Costa com Helena Maria de Jesus na igreja matriz Nossa Senhora da Conceição de Prados. O casal estabeleceu-se na Fazenda Engenho Velho dos Cataguazes (ou Catauás), posteriormente denominada Engenho Grande, em Lagoa Dourada, dando origem à extensa família Resende.
Um dos filhos de João e Helena, José de Resende Costa, foi um dos primeiros moradores do antigo Arraial da Lage, então freguesia de São José del-Rei, atual Tiradentes. O neto de João e Helena, José de Resende Costa (filho), nasceu no antigo Arraial da Lage e, com a emancipação em 1911, o arraial tornou-se município de Resende Costa em homenagem ao seu ilustre filho. Ambos, pai e filho, participaram da Inconfidência Mineira.
Desde 3 de outubro de 2018, Resende Costa é cidade-irmã do município açoriano de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, de acordo com a lei nº 4.390 aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo então prefeito Aurélio Suenes de Resende.
Ao se tornarem oficialmente cidades-irmãs, as quatro formam uma rede de cidades açorianas ligadas aos Resende Costa, que em futuro próximo deverão integrar-se à Rota Açoriana de Minas Gerais, já patenteada pela Casa dos Açores de Minas Gerais. O principal objetivo da Casa dos Açores-MG é resgatar e valorizar as tradições açorianas no Estado, tanto religiosas e culturais quanto sociais e econômicas, bem como promover o intercâmbio cultural e comercial entre os dois lados do Oceano Atlântico.
Os proponentes José Venâncio, os vereadores Coló e Cleiton e o secretário de Cultura André Eustáquio.

