Em 2019, o empresário são-joanense Ronan Garcia Sales de Melo tinha acabado de comprar alguns terrenos, com a intenção de viver seu sonho: dedicar 100% ao ramo da construção civil.
O primeiro empreendimento de Ronan foi o Verona, no bairro Matosinhos, com 32 apartamentos. Fica a 300 metros do Pátio Matosinhos, exatamente onde funcionava a sede do antigo catálogo comercial Guia Mania. “Então, fiz o projeto e comecei a pesquisar outras áreas para realmente entrar no ramo da incorporação.”
No mesmo ano, Ronan encontrou três áreas: Um terreno de 7.600 metros quadrados em Barbacena; uma área em São João del-Rei, onde fica o Kalahari (espaço de shows e festas) na Porta do Colinas; e outro terreno na cidade de Juiz de Fora.
Com a sua experiência em consultoria na liberação de crédito, Ronan idealizou, em Barbacena, um empreendimento de 481 unidades, junto com a Caixa Econômica Federal, para vender apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida. O chamado projeto “Gericado”, “uma coisa que ninguém fazia na época”. Montou uma incorporadora e conseguiu o cadastro para fazer o GERIC (Gerenciamento de Risco de Crédito). Levou para a Caixa pessoas interessadas em fazer contrato de financiamento de imóvel em troca de o banco pagar a obra.
“Minha ideia era trazer investidores para escalar dentro desse modelo”, pensou Ronan. Todo mundo gostava do projeto, mas não havia adesões. Foi então ele lembrou de um dos seus sócios no Rockfort, Bruno Souza, que acreditou nos projetos de Barbacena, de São João del-Rei e de Juiz de Fora.
Um pouco da trajetória
O empresário Ronan de Melo, nascido de família simples no bairro de Matosinhos, foi mecânico (formado pelo SENAI) e torneiro mecânico na empresa Cataluma. Um dia surgiu uma vaga no escritório e o gerente, Reinaldo, perguntou: "Você sabe mexer com o Excel?" Ronan respondeu que sim. “Eu nem tinha computador. Liguei para alguns amigos, comprei um computador correndo e pedi ajuda para aprender Excel.”
Aos 18 anos, Ronan ingressou no UNIPTAN e, como Reinaldo era consultor, foi aprender com ele. Assim, formou-se em administração e fez pós-graduação em controladoria e finanças na UFSJ. “Eu atuei como consultor mais de 15 anos no mercado, atendendo pequenas e médias empresas. Então, eu rodava fazendo consultoria, e depois me especializei na área comercial.”
Logo depois da faculdade, com pouco mais de 20 anos, Ronan foi para Juiz de Fora com a intenção de fazer mestrado na área de finanças. Mas logo conseguiu emprego bem remunerado, desistindo assim do mestrado. Com a esposa na faculdade e grávida em São João del-Rei, decidiu retornar pouco mais de um ano depois.
Após algumas tentativas, foi trabalhar na loja Recarte, do amigo da faculdade, Juninho, por um salário bem menor do que recebia nas consultorias. Em paralelo, aproveitou para fortalecer as suas consultorias. Nesse meio tempo, participou de um processo seletivo no SENAC e foi contratado para cuidar do Centro Gastronômico de Tiradentes onde ficou um ano meio, dois anos, quando sofreu um acidente de moto ao ir almoçar em casa. Bateu a lombar no chão, ficou sem mexer as pernas, quase ficou paralítico. Ronan tinha 25 anos. “Graças a Deus voltei a andar. Nunca mais sentei em uma moto.”
Era mês de abril, a perícia foi marcada para outubro. “Fiquei sem receber, sem nada, e fiquei dois meses com aquele colete, em pé ou deitado.” Sem salário, pensou em retomar as consultorias tão logo recuperasse as condições mínimas de locomoção. Nesse período, por intermédio do seu sogro, Ronan conheceu Marcelo Coutinho*, que iria fazer consultoria em Belo Horizonte.
Mesmo afastado e sentindo dores, Ronan começou a trabalhar como consultor associado na Prolucro, junto com Marcelo Coutinho, viajando três vezes por semana para Belo Horizonte. Depois da perícia, decidiu mudar de vida. “Nunca mais trabalho pra ninguém.” A Prolucro pertencia a Flávio Barcelos, e era formada na maioria por consultores aposentados. “Para mim, foi um choque de realidade. E, assim, foi uma barreira que eu consegui quebrar com o trabalho.”
O tempo que ficava em São João del-Rei, Ronan fazia pesquisa de mercado para vender suas consultorias. “Eu segmentava. Por exemplo, eu quero vender consultoria para estanho, artesanato, madeira de demolição, tecelagem etc. Eu ia fazendo segmento e subsegmento das empresas, porque assim eu podia fazer um market direto, enviar e-mail, visitar essas empresas; se eu fechasse uma consultoria com três empresas do mesmo segmento, seria mais fácil.”
O Guia Mania
Houve uma altura em Ronan tinha organizado no Excel cerca de 2.000 contatos de empresas de São João do Rei, com celular e outras informações. "Eu vou transformar isso num produto", pensou. Foi assim que ele criou, de 2012 para 2013, o Guia Mania, uma espécie de catálogo comercial, junto com o amigo de infância, Rafael Ferreira Evangelista.
Depois de um ano, Ronan seguiu sozinho com o guia. De São João del-Rei, estendeu o Guia Mania para Barbacena e para Juiz de Fora, mas nesta última cidade “não fui muito feliz. Perdi bastante dinheiro em Juiz de Fora, mas em São João e Barbacena o Guia Mania era sucesso total”.
O Guia Mania funcionou até 2019, “durou seis, sete anos, mas foi uma coisa muito intensa, porque eu tinha mais ou menos em cada exemplar 700 a 750 propagandas”. Edições impressa e online. O Guia Mania era uma transição do telefone fixo para o telefone celular na lista tradicional. “Na verdade, o meu projeto era para ser 100% online e o mercado me pediu impresso.”
O guia era 100% segmentado, de acordo como as pesquisas de mercado que Ronan fazia na consultoria. Para além da versão online, a tiragem impressa era de 30.000 exemplares, então chegava a todas as casas. E o site também era um portal de notícias. “Então, nós cobríamos eventos, calendário de cinema, etc. Eu cheguei a ter uns 60 funcionários, e comercialmente nós éramos muito fortes, vendíamos muito. Até hoje o pessoal brinca comigo: Ronan Mania, Ronan Mania!”
*Marcelo Coutinho é o atual secretário de Governo da Prefeitura Municipal