São Sebastião da Vitória, Capital Distrital do Pão de Queijo


Cidades

José Venâncio de Resende0

fotoPão de queijo, tradição, sabor e história em São Sebastião da Vitória, distrito de São João del-Rei (foto divulgação)

São Sebastião da Vitória é, a partir do dia 28 de agosto, oficialmente a Capital Distrital do Pão de Queijo, no âmbito do Município de São João del-Rei. A lei, aprovada pela Câmara Municipal, foi assinada pelo prefeito Aurélio Suenes, na abertura do 10º Festival do Pão de Queijo, que aconteceu entre os dias 28 e 30 de agosto naquele distrito a cerca de 20km da cidade pela rodovia BR 265 (sentido Lavras).

O reconhecimento tem fins honoríficos, culturais, turísticos e de promoção do desenvolvimento local. Os principais objetivos são os de valorizar e preservar a tradição da produção artesanal no distrito; incentivar o turismo gastronômico, rural e cultural; fortalecer a identidade cultural e gastronômica de São Sebastião da Vitória; estimular a geração de emprego, renda e oportunidades para os produtores locais; e fomentar ações de promoção, divulgação, qualificação e preservação da tradição gastronômica.

A nova lei propõe que o poder público possa promover ações, campanhas, eventos, parcerias e outras iniciativas voltadas à divulgação do título instituído e à valorização da tradição gastronômica do distrito. Também procura valorizar uma tradição construída ao longo dos anos e que integra a identidade cultural da comunidade. “São Sebastião da Vitória consolidou-se como referência municipal na produção artesanal do pão de queijo e na realização do Festival do Pão de Queijo, evento já incorporado ao calendário cultural e turístico do município. A cada edição, o festival fortalece empreendimentos familiares, movimenta a economia local, incentiva a produção artesanal, gera oportunidades de trabalho e atrai visitantes de diversas cidades.”

Além disso, considera que o pão de queijo constitui uma das mais relevantes expressões da gastronomia mineira, reunindo conhecimentos tradicionais, técnicas de produção transmitidas entre gerações e importante valor cultural, turístico e econômico.

 

O festival

Além da estrela da festa, o tradicional pão de queijo, São Sebastião da Vitória foi palco de muitas atrações artísticas e da feira de artesanato local. Foram mais de 10 apresentações musicais, com “cem por cento de artistas locais, valorizando artistas da nossa terra”, segundo o secretário de Cultura e Turismo, Caio Andrade. “A ampliação dos investimentos por parte da prefeitura e o título de Capital Distrital do Pão de Queijo são o reconhecimento do trabalho das famílias, padarias e fábricas, cujo empreendedorismo mantém viva essa tradição”, acrescentou.

O pão de queijo mineiro surgiu em meados do Século XVIII, época em que a agropecuária no estado começava a se especializar na produção de leite e de seus derivados. Por sua distância geográfica da costa, Minas Gerais consumia pouca farinha importada, mas tinha ampla produção de mandioca, raiz nativa do continente e matéria-prima do polvilho.

Os primeiros pães de queijo eram obtidos misturando aparas endurecidas (ou a "grosa") das rodelas de queijo com o polvilho. Ovos e leite, itens também abundantes na região, foram posteriormente acrescentados para incrementar textura e sabor.

 

História local

A devoção a São Sebastião deu origem ao nome do distrito, em referência à construção da primeira capela, inaugurada em 4 de outubro de 1884 pelo padre José Bonifácio dos Santos. De acordo com a tradição oral, o local já era conhecido como Vitória (o que explica a devoção a Nossa Senhora das Vitórias) devido às celebrações da vitória na Guerra dos Emboabas (conflito em 1707-1709 travado nas Minas Gerais pelo direito à exploração das recém-descobertas de jazidas de ouro, vencido pelos mineiros). O nome São Sebastião foi posteriormente adicionado.

São Sebastião da Vitória foi oficializado como distrito pela Lei Municipal nº 70, de 15 de janeiro de 1900.  A Paróquia surgiu em março de 1925 quando a capela foi elevada à categoria de matriz, por decreto canônico de Dom Helvécio Gomes de Oliveira, então arcebispo de Mariana. A construção da atual igreja matriz, ampla e confortável, teve início em março de 1961.  Assim, a Paróquia já é centenária, tornando-se ao longo do tempo um fator de aglutinação da comunidade (fonte: Wikipedia).

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