A menina ficava na janela toda tardinha.
Olhava a lua e namorava o céu. Passava os olhos revistando as estrelas, comparando tamanhos e luminosidades. Tinha dentro de si uma borboleta que não sabia como voar entre as estrelas e escolher uma. A menina olhava o céu e ria festiva quando uma estrela cadente despencava do infinito. Pensava que a estrela caíra para ela e corria para o quintal. A estrela não estava lá. Menina bobinha, o que vem do infinito vai para o infinito.
A moça ficava na varanda toda noite.
Flertava com o céu e se envergonhava de ficar nua à luz da lua. As estrelas agora faziam parte de sua alcova. Brilhavam intensamente com espasmos luminosos na escuridão dos segredos da moça. Sua borboleta aprendera a voar e agarrar com suas asas vorazes qualquer estrela cadente. Moça flamejante, o desejo cria estrelas que caem mas que sempre se levantam.
A mulher fica no postigo toda madrugada.
Molha a lua com gotas de estrelas. A hora alta aprendeu a passear em sua pele e jorrar em seu firmamento íntimo os infinitos que fecundam mais infinitos. Sua borboleta pousa onde quer e recebe o pólen que ela mesmo elege. E nesses pousos, reaprende a voar entre as estrelas que lhe dão prazer na serenidade da lua. Mulher soberana, seu reinado persiste porque a menina-moça ainda existe.