Promover um jantar mensal e criar o Dia de Minas Gerais para aglutinar a comunidade de imigrantes mineiros. Estas são as primeiras iniciativas da Delegação Oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais em Portugal, liderada pelos empresários Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia.
Inicialmente, a reportagem apresenta os representantes da Casa dos Açores - MG, em Portugal.
Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia são sócios na plataforma NEW - New Economy World, entidade que também preside a Delegação da Casa dos Açores-MG. “Dentro da nossa atividade, a New Economy World é na sua essência uma plataforma de internacionalização de empresas. Basicamente, o que fazemos é transportar competências, valências, capacidade de implementação de um determinado continente para outro.”
Em termos concretos, Alexandre e Pedro trabalham com empresas, desde a Ásia até a América Central e a América do Sul, mas também atuam na Europa e na África. Assim, “transportamos, realizamos, concretizamos a implementação da internacionalização dessas empresas de um continente para outro. Obviamente, também trabalhamos muito na Europa e temos um foco muito especial em África”.
Alexandre é membro do conselho de supervisão do Grupo Brodheim, cuja família fundadora foi obrigada a deixar a Áustria depois da Segunda Guerra Mundial, especificamente 1946. Em Portugal, construiu uma história ao longo dos últimos séculos, sendo donos de inúmeras lojas de marcas de luxo, assim como da Optivisão, grupo de referência na península ibérica. “Há cerca de 15 anos, decidi juntar-me a Pedro Gouveia, criando uma relação de empreendedorismo profissional em vários projetos.”
Pedro Gouveia também atua na área de comunicação, através da marca OGAM. “Estamos ligados também à área imobiliária, de construção, através da IC- Construções & Remodelações & Decoração.”
Alexandre Brodheim ainda é vice-presidente da direção da Câmara de Comércio Portugal-Israel, enquanto Pedro Gouveia é vice-presidente da assembleia geral. Já na Associação de Cabo Verde, em Portugal, a New Economy World exerce o papel de coordenação das relações institucionais/internacionais.
Marca Açores
É essa experiência que ambos pretendem colocar a serviço do projeto da Casa dos Açores-MG em Portugal. Ou seja, parcerias, negócios, empreendimentos “que possamos fazer em conjunto com os Açores e com Minas Gerais”, explica Alexandre. Afinal, “é um enorme privilégio abrirmos em Portugal a primeira delegação, mundialmente falando, da Casa dos Açores de Minas Gerais, no caso específico, na capital Lisboa. É a primeira vez que existe um projeto deste gênero: uma delegação que promove cultura, valores, toda a parte social dos Açores em conjugação com Minas Gerais”.
Um projeto que tem a aprovação do Governo dos Açores, o que é muito importante, prossegue Alexandre. Além de apoiar institucionalmente o projeto, “do ponto de vista operacional e estratégico, o governo açoriano está muito presente no nosso dia a dia e, portanto, ajuda-nos, de facto, a transportar os valores intrínsecos dos Açores, que hoje é muito mais do que aquele espaço que encontramos no meio do Oceano Atlântico. Açores é uma marca que investe seriamente nesse transporte de cultura e valores para outros continentes”.
Conexões
O português Pedro Gouveia tem relações com o Brasil há muitos anos, onde esteve pela primeira vez aos 19 anos de idade. “Tenho relações muito fortes com o Brasil e também com todo o continente africano. Eu faço para a África uma média de cinco viagens por ano, desde os meus 20 e poucos anos. No caso do Brasil, a mesma coisa. Eu tenho muitas conexões na América do Sul, em países como Argentina, Bolívia e Paraguai.”
As ligações de amizade e empresariais com os Açores foram fundamentais para a ideia de se criar a Delegação da Casa dos Açores-MG em Portugal, relata Pedro. “Eu tenho grandes amigos nos Açores e tenho alguma representação nos Açores, em termos empresariais. Eu já trabalhei as três principais marcas dos Açores no passado, na área da comunicação.”
A amizade com Claudio Motta fez a diferença, conta Pedro Gouveia. "Claudio, por que não criar uma delegação da Casa dos Açores de Minas Gerais, aqui em Portugal, no sentido de dar um apoio a toda esta comunidade mineira que está aqui? No sentido de aproveitar esta umbrella (guarda-chuva) chamada Casa dos Açores"?
De imediato, a ideia foi bem acolhida por Claudio Motta. Então, Pedro conversou com Alexandre Brodheim, que não apenas gostou da ideia como também se tornou o presidente da Delegação da Casa dos Açores-MG em Portugal. “Eu sou o vice-presidente. E a coisa avançou nesse sentido.”
Comunidade mineira
Um dos objetivos é integrar a comunidade mineira em Portugal, estimada em 250 mil pessoas, revela Pedro. A ideia é promover o primeiro jantar, ainda neste mês de outubro, para 50 a 100 pessoas, “e criar o Dia de Minas Gerais, com feijão tropeiro, com a vossa costelinha, com aquilo que vocês gostam. Estamos convencidos de que nós vamos atingir este objetivo, porque vocês mineiros são um povo muito caloroso e muito unido”.
O jantar será na Cooperativa Nova Morada, em Oeiras, onde vai ser a sede da Delegação da Casa dos Açores-MG. “É uma cooperativa muito interessante, a mais rica do país, no concelho (equivalente a município) de Oeiras, que é muito tecnológico, muito high-tech. Nós conseguimos envolvê-los no projeto e eles vão ser também nossos parceiros institucionais.”
O Dia de Minas Gerais será, assim, um momento de confraternização, para os mineiros poderem estar juntos, sejam primos, conhecidos, amigos de conhecidos, “o que vai ser fantástico assistir a tudo isto”, observa Pedro Gouveia.
Potencial de negócios
Além da confraternização entre os mineiros, Pedro vê um potencial enorme a ser explorado nos negócios. “Nós sabemos, por exemplo, que Minas Gerais tem uma bacia leiteira, tem uma das áreas de tecnologias mais avançadas, na parte de verdes, na parte de leite e de carnes. Então, o problema está em que muitos empresários vêm para cá (Portugal) e não sabem com quem falar. Vou falar com quem? Vou investir em que área?” E isto vale para outras áreas como café, artesanato etc.
Pedro e Alexandre dispõem de uma rede network em Portugal. “Nós temos acesso efetivamente a tudo.” Por exemplo, se o mineiro quer comprar uma casa, “pode vir ter conosco que nós preparamos todo o terreno para ele comprar uma casa. Conversamos com a imobiliária, mostramos opções”. Se ele precisa de um contador (contabilista), “nós arranjamos um contabilista´”. Se ele precisa de um advogado, “nós arranjamos um advogado”. Se ele precisa de fazer uma internacionalização da sua própria empresa, em Portugal e para a África, “nós temos a única plataforma, homologada pelo governo do Brasil, que é a New Economy World, e ajudamos as pessoas a fazerem essa internacionalização. Portanto, o potencial de negócios é enorme”.
Assim, qualquer mineiro que tenha interesse em viabilizar o seu negócio, vai encontrar em Portugal apoio para estruturar da melhor forma o seu projeto, resume Pedro. “No fundo, é trazer as empresas (grandes e pequenas) para cá e viabilizar seus negócios. Por que não utilizar Portugal como sendo o centro de expansão para outros países na Europa e também para a África que está aqui do lado?”, pergunta.
Aliás, Pedro Gouveia considera fundamental fazer a ponte com a África. “Eu acho que a África é um mercado onde se multiplica por cinco vezes, ou mais, o que você vende em Portugal. Portanto, pode ser muito importante esta própria ligação.”
Sintonia
Os objetivos da plataforma internacional NEW estão em sintonia com a estratégia dos Açores, explica Alexandre. “Portanto, pegamos em algo que está num determinado local do mapa global e implementamos em outro determinado local, que é exatamente a mesma estratégia que os Açores pretendem. A marca Açores engloba uma série de áreas, como laticínios, tecnologias e outras com grande capacidade e potencial de desenvolvimento.”
“Mas não nos podemos esquecer que a região é pequena”, observa Alexandre. “E, por mais que a região seja atrativa no mundo, é preciso ter algum poder para fazer este transporte; e nós pretendemos pôr à disposição da marca Açores todo o networking que nós temos construído a nível mundial, toda a conjugação através desta plataforma para podermos transportar a cultura, os valores e o empreendedorismo açoriano para todas as regiões onde nós já estamos estabelecidos.” Daí este projeto ter um alto potencial.
Um “excelente exemplo” é o da diáspora açoriana, espalhada por Estados Unidos, Canadá, Brasil e outras regiões do mundo, que tem um mercado potencial imenso. “Mas não tem a capacidade por si próprio de fazer essa viagem intercontinental”, enfatiza Alexandre. “Nós temos esse chamado, tanto da Casa dos Açores de Minas Gerais como dos Açores em geral, de conseguir identificar produtos, pessoas e empresas com talento, e poder arranjar parceiros noutras regiões onde estão açorianos, espalhados como sabe pelo mundo inteiro; e que tenham a capacidade deles e de outros parceiros de apoiar estes projetos. E assim podemos fazer o match perfeito entre o potencial do produto, o potencial da cultura açoriana traduzida nesses produtos, mas também a capacidade financeira para poder apoiar precisamente o que é feito hoje.”
Raízes açorianas
Em uma segunda etapa, Pedro Gouveia vê a possibilidade de se desenvolverem estudos para identificar a origem açoriana de mineiros que vivem em Portugal. “É um trabalho que podemos fazer a posteriori. Nessa primeira fase, nós queremos criar a captação deles através de sócios, criar, no fundo, um clube no qual eles vão ter privilégios aqui. Na segunda fase, eu acho que esse projeto será muito interessante. Com esses mesmos associados, podemos começar a estudar as próprias raízes genealógicas deles porque muitos, com certeza, estão ligados a raízes efetivamente açorianas.”
New Economy World e África
“Um dos nossos focos principais é fazer a diferença no mundo”, explica Alexandre, “por ações muito concretas com foco quer no continente africano, onde temos transportado e levado empresas de referência para apoiar genuinamente projetos de desenvolvimento, quer no Brasil e em outros países da América do Sul”.
Na África, o grupo está estabelecido em uma região que engloba uma dezena de países cuja sigla é CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental). São eles: Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Nigéria e Senegal. “Há cerca de cinco anos, localizamos o centro de operações no sul de África, em países como Namíbia, Zimbábue, Botswana, Angola (com menos incidência) e Quênia. Estamos também a levar empresas para poderem implementar e poderem desenvolver nas áreas da saúde, da construção e de outros tipos de serviços”, conclui Alexandre.
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Os empresários Pedro Gouveia e Alexandre Brodheim.