Solidariedade incompreendida


Informe Publicitário Sicoob Credivertentes

por João Pinto de Oliveira*0

“Freud explica” que a solidariedade é uma manifestação direta da “pulsão de vida” – afinal, com ela estabelecemos laços sociais, unimos pessoas, conectamos realidades. Ao mesmo tempo, há quem diga que a América Latina tem o povo mais empático do globo – e isso faz do nosso chão uma terra mais que fértil para o Cooperativismo.

Sempre o foi. E celebrar os 40 anos do Sicoob Credivertentes prova justamente isso. Por outro lado, a História também registra seus “poréns” com lições importantes.

Um deles fica ali, na herança de vícios colonialistas baseados em vantagens de uns (poucos, a começar por altas autoridades) sobre os outros. É bem provável, inclusive, que isso explique a dificuldade de alguns em lidar com instituições de cunho mutualista, solidário, humanista.

Ao mesmo tempo, nos alerta para o fato de que mesmo os bons sistemas precisaram lidar com deturpadores aqui e acolá. Em 40 anos circulando pelo mercado, encontrando outros dirigentes e conhecendo centenas de trajetórias, ouvi diferentes relatos sobre isso: sobre aqueles que quiseram auferir vantagens personalistas e individualistas em vez contribuir para o bem comum; sobre interesses próprios lesando o propósito cooperativo, inclusivo, coletivo.

O resultado? Deturpações que chegaram a ser fatais para algumas instituições, infelizmente liquidadas.

Também pudera. Em certa cooperativa de produção, por exemplo, associados aprovaram carência de 30 dias para o pagamento de débitos – em geral relacionados à aquisição de rações, adubos, etc. A inflação por aqueles tempos, no entanto, batia a taxa de 60% ao mês!

Ora, era previsível ter, como consequência, uma descapitalização assombrosa. Afinal, se quitada uma compra no prazo de 30 dias, a cooperativa recebia apenas 40% do devido. Com tamanha defasagem, como repor materiais e manter estoques?

Houve mais: naqueles tempos, a média dos pagamentos acabavam ultrapassando em muito os prazos estipulados. Sim, em geral os associados demoravam 100 dias para quitarem débitos. Iam “enrolando”, acertando em parcelas, comprando mais... corroendo o poder aquisitivo da pobre cooperativa.

Entendeu-se, então, algo que o Sicoob Credivertentes sempre soube (e por isso segue firme, numa trajetória de quatro décadas): governança, responsabilidade, ética e profissionalismo são ingredientes indispensáveis ao Cooperativismo em qualquer setor, com qualquer alcance, em instituições de qualquer tamanho.

A solidariedade, nobre e pura, também.

*presidente do Conselho de Administração

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