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7 bilhões

11 de Novembro de 2011, por José Antônio

Somos sete bilhões de pessoas no mundo!!! Quando eu nasci – e nem tanto tempo faz, pelo menos assim eu prefiro acreditar – éramos três bilhões. De onde surgiram esses quatro bilhões, em tão pouco tempo? Dá o que pensar. E eu penso, logo existo, no meio dessa multidão...

Estima-se que 106 bilhões de pessoas já tenham vivido na terra, durante toda sua existência. Considerando que o homo sapiens teve origem cerca de 200 mil anos atrás, hoje, 6,6% de toda a humanidade está existindo em 0,0005% de sua história.

Quando se fala em bilhões eu logo penso em dinheiro. Deve ser porque eu, desde criança, ouvia falar dos bilionários, daqueles sujeitos que aparecem na Forbes. Lá só aparecem esses. Acredito que ganharei na mega-sena, sozinho, um prêmio acumulado, o prêmio da virada, embora esse seja apenas um prêmio milionário, mas que deve chegar a um quinto do bilhão. É que nunca ganhei nada e, desse modo, ainda não desperdicei minha sorte, muito menos meus quinze minutos de fama.

Falar em sorte, me veio um episódio entre mim e o Bichinho (lembram-se dele?). Pois certa vez ele veio me oferecer uma rifa de uma Variant (lembram-se dela?). Pois é, a rifa ia correr daí a uns quatro meses e eu fiquei de pagar depois. Mas o Bichinho começou a mandar os filhos me cobrarem lá em casa, todos os dias, cada dia um dos três, eu acho. Aquela cobrança me deixou tão injuriado (eu jamais tinha sido tão cobrado na minha vida!) que devolvi o bilhete. Adivinharam? Pois não é que era o bilhete premiado! Isso fora o fogão de ferro fundido que ele me vendeu e que eu deixei na casa dele por uns dias. Adivinharam? Quando fui buscar o fogão ele o tinha vendido para outro e fiquei a ver navios...

Teve também o caso da rifa de um Fiat 147 novinho que meu irmão estava vendendo, para juntar dinheiro para a formatura dele. Pois ele me pôs, calouro que eu era na faculdade, a vender os últimos bilhetes, senão ele teria de pagá-los, à véspera do sorteio. Adivinharam? Vendi o bilhete premiado, mais precisamente o último do talão.

É por isso que não reclamo, deve estar reservado algum prêmio bilionário, digo, milionário para mim.

Voltemos aos sete bilhões, aos 7 bilhões de pessoas. Ghandi disse que há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, mas não há o suficiente para a ganância. É verdade! Ghandi também disse que todas as suas experiências lhe provaram que não existe outro deus que não a verdade. E essas verdades impõem uma escolha à humanidade: ou o suficiente ou a ganância. Ghandi era um otimista, ou seja, para ele a verdade estava na suficiência. Eu sou pessimista! O homem, creio, escolherá a ganância, ainda que não seja a melhor escolha, ainda que isso represente o seu fim. Só não sei quando a ganância, definitivamente, dominará a suficiência.

Veja que a fome até merece um “we are the world” de vez em quando, mas o que preocupa mesmo, o que está sendo notícia a todo instante é a bancarrota da Grécia. Se a África está repleta de famélicos, o mundo não se importa, porém, se o azeite, o vinho e o cordeiro estão ameaçados de sumir da mesa dos gregos, isso sim, é um desastre. O pior – neste caso, coitado dos gregos – é que o sacrifício dos gregos é para pagar banqueiros.

Somos sete bilhões, mas ainda dá para dar um “graças a Deus”. Afinal podemos nos refugiar em Resende Costa, mirando o horizonte do alto das lajes, longe da África e da Grécia, por enquanto. Eu até me dou ao luxo, digo melhor, vamos ser francos, ao egoísmo de me deitar (nu) na areia de uma praia fluvial do Rio Santo Antônio, isolado, só. Pior vai ficar quando, dizem, deixarmos de guerrear por petróleo para brigar por água...

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