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Mãe

12 de Maio de 2010, por José Antônio


Deus,
sei que o senhor é muito importante. Também sei que tem muita gente falando ao mesmo tempo aos seus sagrados ouvidos. Desse modo, poucos fazem silêncio para perceber que o senhor fala mais com a gente do que a gente com o senhor.
 
Deus,
vivo tentando compreendê-lo, mas a sua lógica foge às limitações do meu entendimento. Porém, meus olhos são teimosos em parar nos detalhes distraídos que a vida deixa pingar em nossa existência. Eu gosto de catar esses fragmentos jogados ao longo do dia a dia. Com eles eu faço literatura. Poemas cambetas, crônicas errantes, canções trôpegas... mas eu não desprezo os detalhes. Meus olhos são teimosos. E todo cronista empaca nos detalhes até que descubra neles a obra. Isso é procurar pelo senhor?
 
Deus,
peço a sua atenção, mesmo tendo tanta gente lhe falando junto comigo. Peço a sua atenção, mesmo que eu compreenda tantas vezes atrasado a sua resposta. Escrevo. Escrevo coisas que procuram trazer todo homem e toda mulher para o espaço infinito do meu texto. Escrevo coisas que fazem despertar a eternidade dos cotidianos que pensam que já morreram. Escrevo crônicas.
 
Deus,
quis escrever uma crônica para as mães. No entanto, mãe é algo tão especial que eu também quis um leitor especial: o senhor. Sabe, Deus, eu não quis escrever um texto água com açúcar, mas mãe é tão doce... Eu não quis escrever um texto chorão, mas mãe emociona... Eu não quis escrever um texto laudatório... mas mãe é divina. Mãe, tenho febre... nunca a doença foi tão boa! Mãe, tenho medo do escuro... que escuro, se a mãe dá à luz? Mãe, estou com fome... e o leite jorra em diferentes formas de alimentar... Mãe, volto logo... às vezes o filho não volta, mas mãe sempre espera.
 
Deus,
eu queria inventar uma frase que ficasse, que fosse repetida em todos os dias das mães. Presunção de um pobre escritor, catador de detalhes, sendo que eu mesmo sou um simples detalhe no todo da criação. Talvez o senhor seja cronista, por isso sabe valorizar e engrandecer cada detalhe chamado homem e mulher. Cronista maior, que eterniza o ser humano com o infinito que chamamos de amor. É nesse infinito que o coração da mãe se escreve como incondicional. É nesse coração que o senhor deixou um vislumbre maior do seu próprio amor. Vou olhar mais para as mães. É nelas que vou encontrar algum conforto para alguns cansaços que me fustigam sem mostrarem um sentido.
 
Deus,
essa é a minha crônica. Obrigado por ter lido. Obrigado por continuar a ler através dos olhos do meu leitor. Por falar nisso, quando os olhos do meu leitor estiverem percorrendo minhas linhas, faça com que alguma coisa pura e líquida escorra a fim de que apareça cristalina a imagem de um anjo que um dia nos embalou e nos fez crescer, doando sem pedir. Deus, nesse Dia das Mães dê um beijo em minha mãe, em todas as mães. Na sua também, pois o senhor também tem uma.

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