Alguém já disse que a história é pouco criativa. Sei lá se a história é sequer criativa, pois vive mostrando os mesmos espetáculos com atores diferentes. Mudam-se cenários e atores, porém a trama e os personagens são os mesmos.
Olhe para a história e você verá uma proliferação de Hitlers, de Napoleões, de Leonardos da Vinci, de Chaplins... para ficar somente com esses. Aí, você me dirá que eles são únicos, pois se destacaram. Então, eu lhe pergunto: Qual foi o critério desse destaque? Será que outros de igual valor não conquistaram a eternidade dos registros? Será que a história é um desgastado relato de peripécias e proezas de mambembes ideologicamente selecionados se apresentando para uma platéia sempre desinformada?
É por isso que certas previsões me dão acesso de riso. Inclusive as minhas. Aí vão algumas, baseadas na critividade tautológica da história:
Na tela vítrea dos lares,
Feições bonitas brotarão
Em imagens vespertinas.
Mas, rosas sem seiva,
Rapidamente murcharão.
Ainda frente à tela vítrea dos lares,
Olhos hipnotizados esquecerão a lua
Para verem lugares arrojados de um globo
Contando sempre a mesma história
Que não esconde a mesmice nua.
As três segundas letras do alfabeto
Mostrarão retaguardas sem passado
Em busca de riquezas com futuro.
A ironia da fama fugaz apresentará
O retro em rosto e o rosto em retro transformado.
Virei Nostradamus. Vamos decifrar as profecias, todas elas sobre a televisão: a primeira estrofe diz que a televisão mostrará, em novelas da tardinha, modelos bonitos mas sem conteúdo. E logo cairão no ostracismo. A segunda estrofe diz que as pessoas estarão tão ligadas à TV que se esquecerão das simplicidades ricas. Tudo isso para ver aquelas produções arrojadas das novelas das oito, que, apesar de não serem às oito, contam sempre a mesma trama.
A terceira estrofe diz que o BBB (as três segundas letras do alfabeto) lançará novas bundas para posarem na Playboy e essas bundas ficarão mais famosas do que as suas donas... que ficarão com cara de bunda.
Tá vendo, cara? É fácil ser Nostradamus. Basta explorar as histórias repetidas da História e transformá-las em metáforas. (Ah!... e não se esqueça de colocar tudo em versos.)
Previsões para 2009
11 de Janeiro de 2009, por José Antônio