Sempre que se aproxima o período eleitoral, temas de relevância para o país vêm à tona nos principais meios de comunicação, incluindo atualmente as redes sociais. Segurança pública, saúde, serviços públicos, energia limpa, terras raras e minerais críticos, o agronegócio, economia e redução da taxa de juros são temas cotidianamente presentes nas pautas jornalísticas e no portfólio dos pré-candidatos à Presidência da República. Inquestionável a relevância de todos eles para os rumos do Brasil. É sentida, porém, a ausência da Educação nessa longa lista de prioridades.
O educador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, em sua coluna quinzenal na revista Veja, vem insistindo na necessidade de o país promover o que ele chama de “revolução pela educação”. Trata-se de uma escolha governamental pela educação, elegendo-a como prioridade nacional. Para Buarque, é necessário construir “um sistema nacional de escolas com qualidade máxima e equidade plena, em que todos concluam a educação de base plenamente educados para enfrentar e construir o mundo contemporâneo”. O ex-ministro insiste na necessidade de se investir pesadamente na educação de base, nos ciclos iniciais, a fim de estabelecer um próspero modelo de educação de qualidade e acessível a todos.
Infelizmente o que se vê no Brasil é o contrário disso. Impera a total falta de planejamento para a educação, desde os anos iniciais ao ensino superior. Não se pensa em construir escolas públicas que priorizam a formação integral dos alunos, preparando-os para os desafios do futuro. A prioridade do governo é se vangloriar de criar novas universidades, de ampliar os campi, aumentar vagas e criar novos cursos como se a educação fosse mera superação de estatísticas sem, contudo, se preocupar com a qualidade. Ora, sem uma educação de base qualificada, em que condições nossos alunos chegarão às universidades? Nem sempre quantidade é sinônimo de qualidade, já nos ensina o sábio adágio popular. Necessitamos de uma política de estado, não de governo, que eleja a educação como prioridade sine qua non.
No momento, atenções e olhares se voltam para a Copa do Mundo, considerada a maior de todos os tempos, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Ao todo, 48 seleções disputam o torneio, uma vitrine global que apresenta diferentes culturas e costumes, mas também distintas e discrepantes realidades políticas e sociais. A maior Copa de todos os tempos revela ainda o triste quadro de exclusão social. Assistir aos clássicos nos estádios é privilégio para poucos endinheirados. Para ter acesso a determinados jogos, o torcedor terá que desembolsar, dependendo do setor, o equivalente a 35 000 reais! Um absurdo considerando que estamos falando de futebol, o esporte mais popular do planeta.
Ainda vivemos numa sociedade onde imperam a desigualdade e a exclusão social. Como mudar essa realidade excludente? O que fazer para inverter a lógica da desigualdade? Não há outra saída que não seja pela educação. Não significa, porém, afirmar que a educação é a bala de prata lapidada para exterminar todas as mazelas e desigualdades da sociedade. Mas é através dela que construiremos uma base sólida capaz de transformar o homem, através do conhecimento, e construir novas engrenagens sociais por meio da política. É pela educação que formaremos cidadãos críticos, capazes de questionar os rumos de governos e governantes que olham somente para o próprio umbigo, priorizando sempre a manutenção do poder e os privilégios que esse mesmo poder lhes proporciona e aos seus seletos protegidos.
A campanha eleitoral ainda não começou oficialmente no Brasil e ainda não surgiu um pré-candidato à Presidência da República que defenda um sólido projeto para a educação no país. Por enquanto, a torcida é para a seleção brasileira não fracassar precocemente e, quem sabe, conquistar o tão sonhado hexacampeonato mundial. Mas após o sonho terminar e a bola parar de rolar nos luxuosos estádios dos Estados Unidos, Canadá e México, a realidade voltará a nos exigir atenção. Atenção para os principais problemas que afligem o nosso país e para os quais estamos, mais uma vez, tendo a oportunidade de lançar novos olhares e tomar novas atitudes através do voto.
Para essa mudança de realidade, é urgente e vital inserir a educação na lista das prioridades para o país. Se não o fizermos, continuaremos a enxugar gelo. Afinal, é melhor investir em salas de aula a ter que armar cada vez mais as polícias e construir novos presídios. Optemos, pois, por um futuro iluminado pela educação.