Mais livros, menos telas


Editorial

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fotoGabriel Eduardo Braga Coelho, aluno da Paula Assis, medalhista de ouro na OBMEP 2024, entre os 200 melhores do Brasil em sua categoria.

A geração atual vem acompanhando o desenvolvimento galopante das novas tecnologias. E a expressão maior delas é a Inteligência Artificial (IA), sobre a qual não é mais possível prever qual será o próximo passo, tampouco mensurar os impactos que ela trará ao comportamento humano num futuro que já chegou.

Prevê-se, para o curto prazo, a extinção de inúmeras profissões que poderão ser substituídas por robôs “inteligentes” e muito mais eficientes do que a mão de obra humana. Ante este contexto imprevisível, quais serão as consequências do aprimoramento da Inteligência Artificial nas relações interpessoais? E no processo educacional, os professores serão substituídos por algoritmos multidisciplinares capazes de ensinar os alunos a pensar criticamente?

Discute-se à exaustão os efeitos deletérios das redes sociais e do excesso de telas no desenvolvimento cognitivo e intelectual de crianças e adolescentes. Já se fala, inclusive, de uma “geração hiperconectada”, que depende para quase tudo das telas dos celulares e de aplicativos cada vez mais versáteis. O que preocupa, no entanto, é a incapacidade dos jovens de estabelecerem relações fora das telas e dos aplicativos, constituindo-se no que o psicólogo e escritor norte-americano Jonathan Haidt chama de uma “geração ansiosa”.

 Para um grupo cada vez maior de pessoas, de diferentes faixas etárias, mas predominantemente os adolescentes e jovens, a vida passou a acontecer restritamente nas redes sociais. Já os parâmetros morais que regem a boa convivência entre as pessoas passaram a ser ditados por “influencers” e blogueiros, cujos conteúdos são, no mínimo, questionáveis.

Reportagem de destaque desta edição do Jornal das Lajes mostra o sucesso de alunos da rede municipal de Resende Costa em olimpíadas escolares e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Um diagnóstico que podemos extrair das duas escolas em foco na reportagem (E. M. Conjurados Resende Costa e E. M. Paula Assis) é que os bons resultados alcançados pelos alunos das respectivas instituições são fruto do incentivo dado a eles pelos professores e pelo aprendizado contínuo. Ou seja, sublinha-se a importância fundamental dos professores na preparação dos estudantes que participaram das olimpíadas e do Enem.

É certo que as novas tecnologias contribuem no processo ensino/aprendizado, facilitando e agilizando os trabalhos de pesquisa, ampliando horizontes para novas descobertas e instigando a curiosidade dos alunos. No entanto, a condução do processo ainda depende do professor. Tomemos como exemplo a trajetória do jovem Gabriel Eduardo Braga Coelho, aluno da E. M. Paula Assis e medalhista de ouro na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). A estratégia para o sucesso, Gabriel tem na ponta da língua: “Serei eternamente grato à Escola Municipal Paula Assis e à professora Goretti por essa conquista tão significativa na minha vida”. Ou seja, gratidão à escola e à professora de matemática que o preparou. Parabéns, Gabriel, pela conquista e por reconhecer a importância da escola na sua preparação.

Não se trata, evidentemente, de demonizar as novas tecnologias e atribuir a elas os problemas crônicos da educação no Brasil, uma vez que muitos deles são causados pela negligência de gestores públicos que insistem em não priorizar sobretudo a educação de base.

O cientista político Fernando Schüler, em artigo publicado recentemente na revista Veja, refletiu muito bem sobre o que deve ser o papel da tecnologia na formação cultural e intelectual das novas gerações: “A tecnologia é ótima quando expande nosso repertório intelectual, traz informações e novos ângulos para observar o mundo. Mas é péssima se substitui o senso crítico”. E não há outro caminho - pelo menos por enquanto – para formarmos cidadãos pensantes, que não seja investir pesadamente na educação.

É necessário que as nossas crianças tenham cada vez mais acesso à leitura e às bibliotecas; leiam mais e teclem menos; se interajam mais nos pátios das escolas e mantenham-se distantes das redes e dos jogos eletrônicos. Uma juventude bem formada certamente saberá aproveitar o que de bom as novas tecnologias têm a oferecer. E a missão dos educadores continuará ser a de preparar e mostrar aos jovens, por meio do conhecimento, os caminhos que os levarão a uma vida feliz e saudável.

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