A saga da família Albuquerque: novo livro de Stela Vale Lara fala de amor e resistência


Cultura

Cássia Vale Lara Calsavara0

fotoStela ao lado das amigas Regina Coelho (esq.) e Maria Moreira

O trabalho no circo, os obstáculos de uma mãe solo, os percalços da imigração, o tão enraizado preconceito racial são alguns dos temas abordados em A saga da família Albuquerque, mais recente obra de Stela Vale Lara. Com uma narrativa suave e envolvente, a autora entrelaça assuntos atuais e impactantes, de discussão tão necessária ao conhecimento, em uma trama encantadora, por onde o leitor adentra e quer seguir até o fim.

Nesse percurso, personagens bem construídas atravessam gerações e deixam suas marcas na Fazenda do Sossego, na Serra da Canastra, onde se passa a maior parte da história. Na fazenda, brotam os sonhos de quem deseja ir além das montanhas, como a menina Maria, que queria trabalhar no circo. Também ali se aloja, desconfortável talvez, a efusiva Lorena, que veio da redondeza, quase uma anti-heroína, mas que nem por isso deixa de ter suas razões. Outra personagem forte é Maria Teresa, avó cuidadosa e zelosa com a propriedade da família, pois ali, mais que história, existe muito suor. Mas é Quitéria, entre tantas vozes femininas, quem mais cativou Stela: “Ela se entregou ao amor e criou sua filha sem traumas, amando suas origens, o Nordeste. É uma lutadora!”

A criação das personagens, explica a autora, é um trabalho instigante. Ela chega a perceber, às vezes, semelhanças com pessoas conhecidas. “É o que na literatura chamamos de simulacro. Ninguém cria do nada, existe uma associação. Minha escrita não é só criatividade, é inspiração também.” E a inspiração, diz, vem a qualquer momento, a ponto de ter que desligar o fogo das panelas no fogão para fazer suas anotações. Sim, todo o enredo é manuscrito!

Stela se recorda, com carinho, de quando Paulo, seu marido, dizia que essa cena lembrava o sacerdote e compositor italiano, Antonio Vivaldi (1678-1741), que interrompia suas missas para anotar uma ideia repentina para suas melodias. Paulo também era crítico da obra, embora não tenha visto sua finalização. Todas as tardes, Stela lia para ele o que havia escrito e ouvia suas considerações, sempre muito francas.

Escrever é artesanal, é tecer, moldar e vislumbrar novas formas de ser, alicerçadas em vivência e superação. É isso que pontua Maria Teresa em uma bonita passagem do livro. Em um diálogo caloroso com seu filho Fabrício, ensina, com a sabedoria dos sobreviventes, que não se pode viver de lembranças, porque o rio tem que seguir seu curso. “Tem muito de mim ali”, resume Stela. Mas, quando define o que os leitores vão encontrar em sua obra, ela é arrebatadora: “Verão nas entrelinhas que o amor pressupõe perdas e que a amizade deve ser sincera. Isso eu gostaria de passar.”

 

Onde adquirir

A obra A saga da família Albuquerque foi lançada em Resende Costa no dia 5 de setembro na Pousada Diva. O livro pode ser adquirido diretamente com a autora ou na banca de jornais de Resende Costa.

Stela Vale Lara também escreveu, com Alair Coêlho de Resende: Resende Costa, a flor das Vertentes e Maritê. Em carreira solo, publicou Amor cigano e A saga da família Albuquerque.

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