Conhecer a história do lugar onde se vive também pode contribuir para compreender a importância de preservá-lo. Em Resende Costa, ações de educação patrimonial vêm sendo desenvolvidas junto às escolas com o objetivo de aproximar crianças e adolescentes dos bens culturais preservados e da história do município. Durante a II Semana do Patrimônio Cultural, realizada neste ano entre os dias 16 a 21 de agosto, alunos do 5º ano da Escola Municipal Conjurados participaram de uma atividade voltada ao conhecimento dos bens culturais protegidos por tombamento. A iniciativa integrou o cronograma de educação patrimonial executado anualmente pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer pelo Conselho do Patrimônio Cultural.
De acordo com Wagner Barbosa, chefe da Divisão de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e membro do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, o planejamento das ações e educação patrimonial é realizado periodicamente. “O planejamento começou com a criação do cronograma de educação patrimonial, que é feito a cada 4 anos, no qual são elencados os bens culturais que receberão as ações de educação patrimonial e quais são as ações previstas.”
A escolha dos estudantes do 5º ano da rede municipal levou em consideração o fato de serem alunos com mais maturidade e, consequentemente, apresentarem maior compreensão sobre o tema. Antes da produção dos desenhos, eles participaram de uma formação sobre patrimônio cultural e conheceram os bens protegidos por tombamento no município. “Os alunos do 5° ano foram escolhidos por serem mais velhos e já terem um entendimento maior sobre o tema”, diz Wagner.
Cada turma recebeu um bem cultural como tema para desenvolver uma atividade artística. Para produzir os desenhos, os estudantes tiveram acesso a fotografias antigas e atuais dos bens tombados em Resende Costa, podendo observar as transformações ocorridas ao longo do tempo. “Cada turma ficou com um bem cultural protegido por tombamento e os alunos desenvolveram os desenhos através de duas fotografias dos bens, uma antiga e outra atual”, explica Wagner.
O contato com os bens patrimoniais preservados também envolveu informações sobre a história de cada um deles. De acordo com Wagner, os alunos puderam comparar as imagens e observar não apenas as edificações, mas também as intervenções realizadas ao longo dos anos. “Durante a formação sobre Patrimônio Cultural, os alunos foram apresentados aos bens culturais protegidos por tombamento e por registro no nosso município e aprenderam um pouco da história de cada bem”, destaca o chefe da Divisão de Cultura.
O patrimônio como parte da identidade
Mais do que levar os alunos a conhecer sobre prédios e espaços históricos preservados, a atividade chamou a atenção da Divisão de Cultura pelo sentimento demonstrado pelos estudantes em relação aos bens culturais do município. “O senso de pertencimento dos alunos com os bens da cidade é o que mais chamou a atenção”, reforça Wagner Barbosa. Segundo ele, ainda crianças, os estudantes demonstraram compreender a necessidade de se preservar o patrimônio cultural visando ao futuro. “Os alunos demonstraram conhecimento da necessidade de preservar os prédios e as tradições para as gerações futuras, assim como a importância deles para a comunidade.” Para ele, o trabalho realizado nas escolas contribui para a formação de cidadãos mais conscientes sobre a história e o patrimônio do município. “Dessa forma, aos poucos vamos formando cidadãos que se preocupam com a história e com o patrimônio da cidade, que é um direito de todos.”
A escola, nesse processo, ocupa um papel importante. Na avaliação do chefe da Divisão de Cultura, é no ambiente escolar que crianças e adolescentes desenvolvem conhecimento e também pensamento crítico sobre a sociedade. “É na escola que nossas crianças e adolescentes são formados, desde as primeiras letras e números, a desenvolver pensamentos críticos. É na escola que são formados os nossos cidadãos.”
Nesse sentido, a educação patrimonial busca fazer com que os estudantes compreendam o significado dos bens culturais e sua relação com a memória coletiva. “A educação patrimonial é fundamental para que eles saibam e vivenciem o que é o patrimônio cultural, para que não criem a falsa ideia de que o patrimônio é ruim para a sociedade, e sim, que é a preservação da nossa história.”
A preservação, segundo Wagner, também representa uma forma de garantir que as próximas gerações tenham acesso à história construída pelas anteriores. “É a preservação da nossa história para que todas as gerações tenham acesso a esse patrimônio, assim como nossos antepassados tiveram e nós temos hoje em dia.”
Educação patrimonial além da Semana do Patrimônio
A atividade realizada na Escola Conjurados não foi uma ação isolada. Ela integra o cronograma anual de ações de educação patrimonial desenvolvido pelo município. “Essa ação faz parte do cronograma de ações que devem ser executadas no decorrer do ano”, esclarece Wagner Barbosa.
A programação vem sendo ampliada desde 2025, quando foi realizada a primeira Semana do Patrimônio Cultural. Neste ano, na segunda edição, as ações voltadas ao público escolar foram intensificadas. “Em 2025 realizamos a I Semana do Patrimônio Cultural e neste ano a II Semana, quando intensificamos as ações de educação patrimonial com o público escolar”, esclarece Wagner.
Além da atividade com os alunos da Escola Conjurados, a programação deste ano também envolveu estudantes do ensino médio da Escola Estadual Assis Resende. Foram realizadas visitas guiadas, formações e um inventário participativo. A proposta do inventário foi permitir que os próprios estudantes apontassem bens culturais que consideram importantes e que ainda não possuem proteção. “Os próprios alunos indicaram os bens que precisam ser protegidos na cidade e que não possuem proteção”, diz Wagner.
A programação também contou com formação para os membros do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e uma retreta da Banda Santa Cecília – inventariada como bem cultural imaterial do município - no Mirante das Lajes.
As iniciativas desenvolvidas ao longo do ano reforçam a proposta de aproximar a população, especialmente os estudantes, da história e dos bens culturais de Resende Costa. A expectativa é que o conhecimento adquirido desde cedo contribua para que a preservação deixe de ser responsabilidade apenas dos órgãos públicos e passe a ser compreendida como uma responsabilidade coletiva.

