Centenária Biblioteca Municipal de Resende Costa recebe nova bibliotecária

Ingredy Chagas, graduada em biblioteconomia pela UFMG, foi nomeada no fim de janeiro último


André Eustáquio


Ingredy Chagas, bibliotecária da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto (Foto André Eustáquio)

Em 2018, a Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto completou 100 anos de fundação. O centenário foi celebrado em Resende Costa como um evento de grande importância para a geração atual e para a história do município. Desde a inauguração da nova sede da biblioteca, na praça Nossa Senhora de Fátima, melhorias foram feitas na instituição, como novas aquisições de livros, organização e higienização do acervo. No entanto, uma das principais demandas tornou-se realidade somente no final de janeiro último. A Prefeitura Municipal convocou a bibliotecária concursada Ingredy Chagas Egg para assumir o cargo aberto desde o concurso público de 2016.

A bibliotecária da centenária Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto é natural de Conselheiro Lafaiete e tem 31 anos. Ingredy Chagas graduou-se em Biblioteconomia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2015. A competência de Ingredy é atestada por seu currículo acadêmico, no qual constam atividades de extensão, monitoria, desenvolvimento de projetos de iniciação científica e demais pesquisas.

Ingredy fez estágio na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e, antes de se mudar para Resende Costa, trabalhou durante dois anos como bibliotecária também em uma biblioteca municipal. Nesta entrevista ao JL, ela fala sobre sua profissão, sua ligação com os livros e com a leitura, além de projetos para modernização e divulgação da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto.

 

Como aconteceu sua nomeação para a Biblioteca Municipal de Resende Costa? Fiz o concurso da Prefeitura de Resende Costa em 2016 para o cargo de Bibliotecária. No início de janeiro de 2020, fui contatada pela prefeitura para assumir o cargo de bibliotecária na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto. Ao receber a notícia, fiquei feliz e já no primeiro momento decidi aceitar.

Como será o seu trabalho como bibliotecária da centenária Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto? Conhecendo a história da Biblioteca centenária de Resende Costa, o trabalho será feito no sentido de suprir as necessidades que ainda existem na biblioteca. Basicamente, a biblioteca é bem estruturada, possui um acervo muito bom, mas precisa ser informatizada com a implantação do Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas, fazer o tratamento documental (catalogação, classificação e indexação) e, a longo prazo, por ser um trabalho demorado, tornar disponível o catálogo on-line para os usuários.

Qual foi sua primeira expectativa ao iniciar o trabalho em Resende Costa? Eu fiquei admirada, gostei muito da biblioteca. Ela tem uma estrutura muito boa, com um espaço cultural muito bom, onde será possível realizar atividades de incentivo à leitura e desenvolver um trabalho muito enriquecedor. Agora, enquanto bibliotecária, causou-me um impacto muito positivo, gostei do acervo, da estrutura. Vejo, no primeiro momento, a possibilidade de futuramente propor eventos e fazer com que novos usuários frequentem a biblioteca.

Como você avalia a estrutura e o acervo da Biblioteca Municipal de Resende Costa? O acervo da biblioteca é bom, possui vários títulos de livros que hoje têm uma elevada procura. Mas esse acervo não está informatizado e não possui o tratamento documental adequado. Porém, é preciso mencionar o ótimo trabalho que é feito pelos funcionários da biblioteca, tanto na organização quanto na conservação da mesma.

Existe um banco de dados referente ao número de pessoas que frequentam a biblioteca? Não se tem um controle físico dessas informações, mas esse é um trabalho que vamos iniciar também para poder obter esses dados. O que já pude observar é que a biblioteca é bem frequentada pelos usuários para empréstimo de livros e uso do espaço para estudo.

Você pode dizer se já tem novos projetos para a biblioteca? Sim. Conhecendo a biblioteca, pelo que eu já pude ver, já tenho alguns projetos. Vamos começar a trabalhar no tratamento técnico documental (catalogação, classificação e indexação do acervo) e a implantação do Software de Gestão, para que a informação seja disponibilizada ao usuário de forma rápida e eficaz. Essa é uma das primeiras iniciativas a serem feitas. Vamos trabalhar também no sentido de criar eventos culturais, no médio prazo, para poder incentivar a leitura, trazendo os usuários para conhecer e frequentar a biblioteca.

A sua profissão demanda um contato pessoal e afetivo com os livros. O que a motivou escolher ser bibliotecária? A profissão de bibliotecária é muito bonita. Trabalhar com livros, gerir, disseminar e disponibilizar a informação, incentivar as pessoas a lerem é fantástico. Quando criança sempre tive contato com livros, sempre frequentei biblioteca. Fui crescendo e vi a importância da leitura, do conhecimento e a importância de levar isso para as outras pessoas. Quando conheci o curso, vi todo o potencial que a Biblioteconomia possui. Muita gente pensa que a profissão está voltada somente para emprestar e guardar livros, mas existe todo o trabalho de gestão da informação e de como tratar e disseminar essa informação de forma clara e segura. Para o público que está se iniciando na leitura, o bibliotecário como mediador é muito importante. Poder participar de grupos, compartilhar experiências, incentivar e despertar o gosto pela leitura nas outras pessoas é gratificante.

O que a biblioteca representa para as pessoas? Qual seu papel na sociedade? A biblioteca vai muito mais além da disseminação da informação, ela é um lugar de interação, de compartilhamento de experiências, de convívio social. A biblioteca desempenha um importante papel social de incentivo à leitura, promovendo oficinas, rodas de leituras, hora do conto, encontro com o escritor e palestras.

 

“Ser bibliotecário não é apenas administrar uma biblioteca. É conhecer o contexto da biblioteca, saber buscar, organizar, disponibilizar, disseminar a informação, desenvolver ações de incentivo à leitura”

 

O que fazer para atrair mais público às bibliotecas, especialmente crianças, adolescentes e jovens? Essa questão é muito importante. Principalmente hoje, com o advento das tecnologias e das mídias sociais, muitas pessoas não têm vontade de pegar um livro, seja impresso ou em meio digital, para poder fazer uma leitura e tirar alguma informação daquele material. A revolução tecnológica no campo da informática trouxe a importância de se trabalhar com essas ferramentas para atrair o público jovem e adolescente. É necessário, porém, envolver as mídias sociais, trabalhar muito bem as redes sociais, divulgando o trabalho da biblioteca e do bibliotecário. Mostrar também a importância da leitura de maneira mais dinâmica, mais ativa, de forma que atraia o público infantojuvenil. Para isso, seja através de jogos, oficinas, contação de história, teatro, para mostrar que ler é bom, que ler é prazeroso, fazer com que olhem a biblioteca como um espaço de interação e que se sintam motivados a frequentá-la. Isso é um grande desafio e leva-se tempo para poder implantar e fazer com que os usuários se sintam motivados.

As bibliotecas públicas têm atraído frequentadores? Esse é um desafio das bibliotecas públicas que vem sendo trabalhado diariamente com a intenção de incentivar a leitura e o interesse pela informação. É um trabalho que será desenvolvido na biblioteca de Resende Costa através de projetos de integração, apresentação da biblioteca, mostrando os serviços que são oferecidos, bem como eventos e o seu acervo.

Especula-se muito sobre o futuro do livro impresso. Em sua opinião, o livro impresso poderá futuramente desaparecer? No meu ponto de vista, o livro impresso não vai totalmente desaparecer. Hoje, com a evolução tecnológica, as pessoas conseguem ter acesso a um livro digital no celular, mas o livro digital não inutiliza o livro impresso.

Em Resende Costa, falta mais divulgação da biblioteca pública, sobretudo nas redes sociais? Ainda não tenho uma total dimensão da divulgação, mas é importante criar páginas nas redes sociais para divulgar propostas, novas aquisições e eventos que serão promovidos pela biblioteca.

Como a comunidade pode interagir mais e melhor com a Biblioteca Municipal? A Biblioteca Municipal poderá desenvolver atividades culturais, divulgar os serviços disponibilizados, as novas aquisições, divulgar o trabalho que estará sendo feito, incentivar a comunidade a conhecer o espaço. Com esse incentivo, a comunidade poderá ter uma melhor interação com a biblioteca.

As bibliotecas, especialmente as municipais, têm conseguido acompanhar o desenvolvimento das novas tecnologias e as consequentes demandas que surgem a partir delas? Existem vários municípios, principalmente capitais, que possuem bibliotecas amplamente desenvolvidas, informatizadas e que oferecem acesso a materiais digitais. Mas ainda existem diversas cidades que ainda não têm um nível de desenvolvimento tão grande. Há várias bibliotecas no Brasil que possuem um acervo atualizado, infraestrutura bem desenvolvida, porém isso ainda não é uma regra em todo o país.

Como é constituído o acervo da Biblioteca Municipal de Resende Costa? O acervo, de acordo com o livro de registro, possui 10.658 livros cadastrados. É um acervo bom, formado por livros de Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira, Romances, Religiosos, Didáticos, Infantojuvenil, Autoajuda, Obras de Referências, entre outros.

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