A Biblioteca Pública Municipal Antônio Gonçalves Pinto, em Resende Costa, foi palco de uma noite de celebração literária e profunda imersão afetiva. No dia 28 de agosto, a comunidade se reuniu para o lançamento da obra O menino e as sombras do menino, editora Mondru, do escritor resende-costense Evaldo Balbino. O evento foi marcado por um diálogo sensível entre autor, leitores, familiares e amigos, que prestigiaram o escritor e debateram os caminhos da criação literária.
A mesa de abertura foi mediada pela professora Regina Coelho, que conduziu o bate-papo ao lado do autor. Durante a conversa, Evaldo Balbino compartilhou detalhes sobre seus processos de escrita e a essência da nova obra. O livro, composto por 16 contos, tem como foco principal as infâncias reconstruídas pelo discurso literário, propondo um mergulho pelo qual o olhar do adulto se veste com a sensibilidade, os olhos e o sentir da criança.
Um dos pontos altos da noite foi a discussão em torno do sentido de “sombras”, que perpassa todas as narrativas dos contos. Aprofundando essa análise, a professora Regina Coelho chamou atenção para o forte caráter memorialístico da obra, que resgata marcas e ecos do passado por meio da ficção.
O lançamento transcorreu em um clima de bate-papo descontraído com o público presente. A conversa enveredou pelas imagens poéticas que marcam os textos, aspecto reforçado pelo autor, que destacou sua predileção pela prosa poética, tanto no papel de leitor quanto no de escritor.
A interação com os leitores rendeu reflexões instigantes, como a observação do público sobre o caráter universal dos textos do livro. Ficou evidente que narrar o local é, por essência, um ato universal, pois é feito com arte para traduzir o humano em geral, de qualquer lugar e tempo.
Estimulados por uma demanda do público, autor e plateia também debateram a relação entre literatura e filosofia, discutindo como a literatura é capaz de filosofar de modo mais leve e lúdico. Evaldo Balbino reafirmou a liberdade irrevogável da palavra literária. Para o escritor, a literatura, mais livre das amarras da estrita racionalidade, opera com desenvoltura para expressar de maneira fluida aquilo que a filosofia muitas vezes tenta capturar de forma racionalizante. O autor ponderou que prefere os filósofos cujas palavras mantêm uma liberdade quase enlouquecida, a exemplo de Platão e Nietzsche, linhagem na qual encontra a expressão máxima da liberdade do pensamento.
A noite foi encerrada com a tradicional sessão de autógrafos, abraços e registros fotográficos ao lado de leitores, familiares e amigos, consolidando o evento como um marco para a cena cultural de Resende Costa.
