Reinauguração do Museu da Inquisição: Um marco histórico e cultural

Um painel dedicado aos Açores passa a integrar de forma permanente o contexto expositivo do Museu.


Artigo

Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores - MG0

fotoClaudio Motta no espaço dos Açores no Museu da Inquisição. .

O belíssimo Museu da Inquisição, o primeiro do Brasil, fundado em 19 de agosto de 2012, foi reinaugurado, no sábado (28), em grande estilo, reunindo elegância, conteúdo histórico relevante e uma recepção memorável.

Tive a imensa satisfação e honra de participar deste momento singular, a convite do amigo Dr. Marcelo Miranda Guimarães, escritor, pesquisador, teólogo, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHG-MG) e fundador deste importante espaço cultural, uma iniciativa privada que se consolida como referência nacional.

A Casa dos Açores de Minas Gerais esteve presente e se fez representar neste evento de elevado significado histórico, especialmente pela inclusão de um painel dedicado aos Açores, que passa a integrar de forma permanente o contexto expositivo do museu. 

Açores, a Inquisição e os cristãos-novos

A história revela que a presença de judeus e cristãos-novos nos Açores remonta ao decreto de 1496, durante o reinado de Dom Manuel I. Episódios marcantes, como o martírio do médico António Borges, queimado pela Inquisição em 1559, e o caso de Maria Lopes, evidenciam a dureza deste período.

A partir de 1575, com a primeira visitação do Tribunal do Santo Ofício, diversos açorianos foram perseguidos. Entre os que migraram para o Brasil, destacam-se famílias como Bicudo, Resende da Costa, Fernandes de Melo, Homem de Carvalho, Fernandes e Azevedo, cujos legados permanecem vivos em nossa formação histórica.

Após o fim da Inquisição, em 1821, os Açores receberam judeus marroquinos de origem espanhola, como as famílias Bensaúde, Buzaglo, Benayón, Sentob, Aflalo e Metaná, enriquecendo ainda mais o mosaico cultural do arquipélago.

Estudos indicam que 13,4% da população açoriana possui ascendência judaica, reforçando a profundidade dessa herança histórica.

Açores e Minas: laços que o tempo não apaga

Durante o ciclo do ouro no século XVIII, muitos açorianos migraram para o Brasil, especialmente para Minas Gerais, contribuindo decisivamente para a formação cultural, social e econômica da região.

“Os açorianos deixaram mais do que pegadas: trouxeram fé, coragem e esperança para as montanhas de Minas. Seus sobrenomes ecoam nas famílias, suas tradições ainda iluminam festas e rezas, sua fala deixou marcas na língua que aqui floresceu. Vieram do mar para semear identidade, fundindo o Atlântico ao coração do Brasil” (texto que assinei com muito orgulho).

Este novo painel representa um reconhecimento histórico essencial e reforça os laços entre Açores, Portugal e Brasil, valorizando a memória, a identidade e as raízes que nos unem.

Parabenizo o Dr. Marcelo Miranda Guimarães por esta extraordinária iniciativa e pela dedicação à preservação da história e da verdade.

Fonte: Torre do Tombo - inquisicao.info - Scribd

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