Um jornal para quem gosta de ler


Editorial

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Em meio a inúmeros desafios e superando todos eles, o JL chega a este mês de abril de 2026 aos seus 23 anos de existência com a edição 276. O que era um sonho (por que não dizer utopia?) de uma geração de jovens idealistas, tornou-se um grande e importante projeto cultural em Resende Costa. No dia 14 de abril de 2003, uma Quinta-feira Santa, a primeira edição do Jornal das Lajes chegou às mãos dos leitores na cidade. Eram poucas páginas que traziam impressas a vontade imensurável daqueles jovens de criar um veículo de comunicação com o objetivo de promover o debate de ideias, informar, promover entretenimento por meio da leitura, resgatar a memória histórica da cidade e dialogar com o poder público sobre problemas e desafios enfrentados pelos cidadãos resende-costenses.

Tempos em que a internet ainda era coisa rara, lenta e para poucos na cidade. Não se pensava em redes sociais, compartilhamento on-line de informações e tampouco em disseminações de fake news por meio de aplicativos de conversas instantâneas. As primeiras edições do Jornal das Lajes foram distribuídas no comércio e na banca de revistas da praça Dr. Costa Pinto (atual Banca do Batista), o que acontece ainda hoje. Sinal de que tradição é coisa séria e não morre fácil, nem mesmo na era de galopantes transformações tecnológicas.

Os 23 anos de criação do Jornal das Lajes precisam ser comemorados e saudados como um grande feito de colaboração com a cultura de Resende Costa. O periódico, além de ter se constituído num importante meio de veiculação de notícias, entrevistas e artigos de opinião, revelou escritores, motivando-os a produzirem publicações de diferentes estilos. Mais de uma década de publicação ininterrupta – nem mesmo o trágico período da pandemia impediu o JL de continuar suas atividades – gerou um gigantesco arquivo composto de fotografias e outros materiais jornalísticos que revelam a vida política, cultural e social de Resende Costa a partir do início dos anos 2000.

Para muitos o Jornal das Lajes e sua versão impressa com 16 páginas e circulação regional é uma resistência do jornalismo profissional e tradicional. Somos provavelmente o único veículo de comunicação impressa ainda em circulação nas cidades da região. Fato este que nos enche de orgulho e nos motiva a continuar remando com energia e vibração para manter esse importante trabalho que tanto colabora com a cultura e a imprensa local e regional.

O leitor deve estar observando a quantidade de vezes que este editorial menciona a palavra “cultura”. É natural e ao mesmo tempo proposital. Ao longo desses anos de publicação, o nosso JL ganhou dos próprios leitores o rótulo de “jornal cultural”. O que também nos enche de orgulho, afinal quantos conteúdos literários, históricos, memorialísticos e de entretenimento foram produzidos ao longo dessas duas décadas de publicações? A amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) publicou pela Coleção Lageana o livro “Um olhar sobre Resende Costa” somente com reportagens especiais, crônicas, poemas e artigos publicados no Jornal das Lajes. Obras literárias também surgiram a partir e/ou influenciadas pelo JL com o selo editorial da amiRCo, nossa instituição amiga, parceira e irmã de trabalho e de idealismo em prol da cultura resende-costense.

Poderíamos continuar enumerando por longas páginas as contribuições e realizações do Jornal das Lajes em Resende Costa, bem como nas cidades da região onde o periódico se faz presente (pelo impresso e on-line) através de reportagens de fôlego sobre política, economia, meio ambiente, cultura e outros assuntos essenciais que compõem a pauta de interesses do público leitor. Contudo, o momento é de agradecimento e de renovação do desejo de continuarmos a caminhada contando histórias, promovendo cultura, formando opinião e dialogando com a comunidade, em suas diferentes esferas, sempre amparados pelo equilíbrio e pela tolerância frente a pensamentos e opiniões contrários.

Agradecemos aos nossos incansáveis colaboradores e patrocinadores por acreditarem no nosso trabalho e sonharem conosco a construção de uma sociedade que valoriza a cultura, prioriza a educação e deseja fomentar o bom e saudável hábito da leitura. Sim, o JL nasceu, cresceu e continuará sua trajetória sendo uma publicação para quem de fato gosta de ler e deseja ser, acima de tudo, um cidadão que anseia por opiniões livres e essencialmente construtivas.

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