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Conectados/Desconectados

25 de Fevereiro de 2026, por Regina Coelho

Numa das filas dos caixas do supermercado, já perto de ser atendida, aguardo a vez de pagar as compras, quando, na minha frente, um senhor tira de uma bolsa um talão de cheques, destaca dele uma folha e, por alguma possível dificuldade em preenchê-la devidamente, pede à moça que o atende que faça isso por ele. Ela, mocinha ainda, meio constrangida e em resposta ao pedido dele, afirma não saber fazer aquilo e sai do caixa em busca de ajuda. O dono do cheque se volta então para mim e, mais constrangido ainda, me diz: “eu sou mesmo um bobão, não faço Pix, não uso cartão porque tenho medo, acho perigoso”. Respondo a ele que também ainda uso cheque (pouco, é verdade) e que lhe dou razão quanto à insegurança que tem em usar formas mais modernas de fazer seus pagamentos.

É que quanto a isso, a esse, digamos, certo distanciamento de algumas inovações tecnológicas, tenho um lado parecido com o desse senhor, não exatamente por medo, mas por falta de vontade. Tanto que, por exemplo, somente no ano passado aderi ao Pix. E ainda assim, movida por uma necessidade. Entre os preparativos de uma viagem fora do país, o item dinheiro estrangeiro a ser levado foi uma preocupação que deixei de ter ao fazer a solicitação do cartão físico/digital da Wise, empresa que atua no mercado de câmbio fazendo a troca de moedas diretamente por um aplicativo do celular. E dessa maneira, incentiva o uso de uma chave Pix própria para o recebimento de transferências diretamente na conta. Daí o meu Pix, para esse meu específico caso, sem a precisão da compra física de dólares e, consequentemente, do incômodo da doleira na cintura, com a grana toda, durante a viagem.

Interessante é que, diferentemente do que possa sugerir, essa pequena palavra de três letras não é uma sigla. De acordo com o Banco Central, esse meio de pagamento foi assim batizado porque o termo lembra tecnologia, transações. E pixels, ou seja, os pontos luminosos de uma tela. Idealizado em 2016 pelo BC do Brasil e lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, tornou-se uma ferramenta significativa de uso diário para milhões de brasileiros. E tome Pix! Pra cá e pra lá, pra tudo, de todos os valores. Muitas vezes com o uso do QRCode (Quick Response Code), terminologia técnica traduzida para o português como Código de Resposta Rápida, um tipo de código que armazena informações e é lido rapidamente por câmeras de celulares.

Uma outra boa sacada é o WhatsApp. O nome é um trocadilho formado com a junção da expressão informal em inglês “What’s up?”, cuja tradução é algo como “E aí?”, “Qual é?” com App (abreviação de Application/ Aplicativo), ou seja, Whats+App. Isso posto, voltemos a esse bem-sucedido recurso de comunicação instantânea disponível para certos tipos de celular. Usado por bilhões de pessoas em mais de 180 países, por aqui costuma ser chamado com intimidade por seus usuários de Zap ou Zap Zap. E graças às mensagens de texto e de áudio, às ligações de voz e chamadas de vídeo que ele possibilita, já ultrapassou na preferência as ligações telefônicas tradicionais.

De conhecimento mais restrito é a denominação PDF (Portable Document Format/ Formato de Documento Portátil), que, conforme diz o nome, é um formato de arquivo usado para apresentar e compartilhar documentos de modo seguro e integral.

Pix, QRCode, WhatsApp, PDF... Incorporados naturalmente à língua, esses e outros neologismos criados em todas as áreas do conhecimento refletem a existência de novas tecnologias e manifestações culturais e de novos comportamentos sociais.

Retomando a cena narrada na abertura desta matéria, digo remotamente daqui àquele senhor que bobão ele não é. Certamente é um trabalhador. E o essencial para pagar suas contas – o dinheiro – não deve lhe faltar, certamente também adquirido honestamente.

O mundo digital é uma realidade importante hoje. Numa sociedade tão desigual como a que temos no país, no entanto, conectar-se ou não a ele é uma questão de cada pessoa.

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