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Futebol, paixão mundo afora

29 de Julho de 2026, por Regina Coelho

Como há um tempo entre a preparação, o fechamento e a chegada para distribuição de cada edição do JL, quando o presente artigo estiver disponível aos leitores, a Copa do Mundo de 2026 terá acabado, consagrando a seleção campeã dessa competição de alcance planetário. Independentemente desse desfecho e com o Brasil já fora da disputa pelo Hexa, faço aqui algumas poucas considerações sobre o futebol, seguramente o esporte mais popular do mundo. Isso porque, grosso modo, e, principalmente, fazendo lembrar os meninos de outras épocas e os de agora, ele pode ser jogado apenas com uma bola (ou outro objeto parecido) e em qualquer espaço livre. E mesmo no âmbito profissional, possui regras menos complexas e imprevisibilidade, o que o torna emocionante. E conta hoje com clubes e federações que movimentam bilhões, garantindo entretenimento altamente comercializável e acessível em escala global.

Em cenário grandioso e, no momento, é inevitável ver o football (criado pelos ingleses e trazido para o Brasil por Charles Miller em 1894) pela vitrine de luxo que foi esta Copa, que já entrou para a história por seu tamanho, pela primeira vez sediada em três países e envolvendo número recorde de seleções: 48, espalhadas pelos continentes. A propósito, tal expansão tem sido uma das grandes polêmicas do futebol moderno sobre mérito esportivo, aspectos logísticos e financeiros, debate esse que renderia um outro artigo.

Revivendo imagens e fatos já mostrados em torno dos jogos e a repercussão deles, facilitada e impulsionada por todas as mídias, impressiona constatar a gigantesca mobilização popular gerada por um espetáculo que transcende em muito as quatro linhas do campo, tornando parecidos e eventualmente próximos torcedores de diferentes culturas, credos e nacionalidades. Focados só no futebol, os Mundiais mobilizam o maior público e igual engajamento televisivo mundial durante seu período de duração. Não por acaso, as vendas de televisores crescem nessa época. Para muitos, a tv da sala vira item obrigatório, de preferência, com tela grande (daí a possível troca de aparelho) para o acompanhamento das partidas em família ou entre amigos. Ou então, a combinação é de tudo isso junto, na casa de alguém, com direito a churrasco, bebida e tudo mais. Ou nos bares com seus telões improvisados e aquela decoração montada em cores e adereços próprios do país de cada torcida, naquela concentração de gente muito animada. Algumas pessoas, na verdade, torcedoras só em Copas.

Contam ainda nessas ondas que vêm e vão a cada quatro anos os bolões esportivos, na versão atual, com os palpites dos apostadores registrados no WhatsApp, e os álbuns de figurinhas, uma verdadeira febre que atravessa gerações. Os dois divertimentos, também uma tradição em outros países. E por toda parte, veem-se bandeiras, flâmulas, camisetas e demais peças alusivas ao evento. Clima total de Copa.

Mas o futebol não vive só desses dias de euforia e encanto. E nem do cumprimento do calendário anual das grandiosas competições profissionais. Muito pelo contrário, pois ele, pelo menos por parte dos brasileiros, acontece no ordinário da vida, na simplicidade dos campinhos de várzea, dos terrenos improvisados e dos cantinhos de becos e ruas quase sem movimento. Nas peladas dos finais de semana passados na roça ou na cidade e nos torneios amadores.

E pensar que tudo começa com uma bola. Uma bola, às vezes de meia ou de trapos, e um menino. Culturalmente, um menino com a bola nos pés e a inspiração declarada de ser um dia como seus grandes ídolos. “Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”, indaga Samuel Rosa em feliz parceria musical com Nando Reis em É uma partida de futebol (1996), uma celebração à paixão do(a) torcedor(a) por seu time, e a oportuna lembrança sobre o sonho de grande parcela da meninada, especialmente no Brasil, de fazer carreira vitoriosa nos gramados. Com certeza, entre esses tantos, os talentos de fato vingarão. Que assim seja! E bola pra frente!

  

Homenagem da coluna ao Expedicionários e a todos que, resende-costenses ou não, têm seus nomes marcados na história octogenária do nosso clube.

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