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O relevo de Resende Costa

27 de Agosto de 2025, por Instituto Rio Santo Antônio

Fotografia tirada na região do povoado do Cajuru que mostra o terreno ondulado, típico do município de R. Costa (foto arquivo Adriano Valério)

Continuando nossa conversa sobre informações geográficas de Resende Costa, baseada num documento impresso elaborado pelo estado em 1982, falaremos sobre o relevo do município, acrescentando alguns comentários quando for necessário.

Conforme consta no documento: “No município de Resende Costa predominam as declividades fortes, englobadas no intervalo de 12 a 50% que, segundo o Manual Brasileiro para Levantamento da Capacidade de Uso da Terra, podem ser trabalhadas mecanicamente em curvas de nível (esta técnica consiste na orientação do plantio seguindo as linhas imaginárias que unem pontos de mesma altitude em um terreno) e por máquinas simples de tração animal ou em certos limites por tratores de esteira. As vertentes formam ângulos que variam de 7º a 26º. Essas áreas distribuem-se por todo o município sendo mais densa na porção NW.”

“Outra classe bastante representativa no município é a que engloba declividades inferiores a 12%. Corresponde a um relevo suave, com ângulos de 40’ a 7º, que pode ser trabalhado em todas as direções e sentidos, e em alguns casos em curva de nível por tratores de roda. Distribui-se por todo o município correspondendo aos topos das colinas e principalmente às planícies fluviais dos rios do Peixe e Santo Antônio, dos ribeirões do Pinhão, dos Pintos, dos Marianos, de Baixo, de Cima, dos Paulos, São José da Ponte Nova e do Mosquito.”

“Ocupando uma área pouco expressiva ocorrem no município alguns núcleos de declividade superior a 50%, correspondendo aos trechos serranos: serra da Galga, do Capão Grande, dos Macacos, da Água Limpa, do Ginete, do Corisco e das Vertentes. São áreas bastante íngremes com vertente que formam ângulos de 26º a 45º. São terrenos que não podem ser trabalhados mecanicamente nem mesmo por máquinas simples de tração animal e, em alguns casos, existem limitações até mesmo para os trabalhos com instrumentos e ferramentas manuais.”

Falando propriamente do relevo, o município de Resende Costa está localizado num cinturão orogenético conhecido como Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste e no domínio morfoclimático dos “Mares de Morros”. Essa denominação faz referência ao aspecto ondulado do relevo da região, com destaque para as colinas e os morros arredondados que lembram ondas no horizonte.

Ressalta-se que, conjuntamente com o documento escrito, há um mapa do município contendo várias informações, dentre essas a declividade. Pela análise visual do citado mapa, das terras do município, em termos percentuais, aproximadamente 60% são onduladas (declividades fortes, englobadas no intervalo de 12 a 50%), 30% são planas (declividades inferiores a 12%) e 10% são “montanhosas” (declividade superior a 50%).

Sobre a utilização das terras do município, as áreas planas, especialmente as várzeas dos cursos d’água, e as encostas mais suaves foram historicamente utilizadas para a agricultura. Até o terceiro quartel do século XX era muito comum a utilização da tração animal para movimentar as terras (seja com a aração ou com o trabalho no solo) ou para transportar insumos e a produção. Posteriormente passou-se a utilizar máquinas modernas, o que aumentou a área cultivada e a produção.

Uma questão a ser destacada é que a nossa região não foi alvo de grandes empresas agrícolas ou de reflorestamento de eucalipto, que expandiram nos anos 1970/80 por Minas. Isso foi devido ao maior preço da terra se comparado com o centro-norte-leste do estado e, especialmente, à geografia regional. Nesse quesito, as questões do relevo e hídricas foram determinantes. O relevo ondulado dos “Mares de Morros” limita a mecanização em algumas áreas. E a existência de muitas nascentes e cursos d’água diminui a área produtiva, uma vez que o seu entorno é Área de Preservação Permanente, isto é, deve ser mantido com vegetação nativa. Tomemos como exemplo a bacia do rio Santo Antônio, onde, além da predominância de um relevo ondulado, há uma alta densidade de drenagem e de rios.

A densidade de drenagem ou densidade da rede de canais é calculada dividindo-se o comprimento total de todos os canais (em km) pela área da bacia hidrográfica (em km²). A bacia do rio Santo Antônio possui uma drenagem média de 2,51 km/km², considerada alta pela literatura específica da área. Já a densidade de rios é a relação entre o número de rios ou curso d’água e a área da bacia hidrográfica. Se for comparada com a literatura, percebe-se que a bacia citada também possui elevada densidade de rios, uma média de 3,52 rios/km².

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