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Casal tem nomes de rua e até de bairro em Resende Costa

27 de Maio de 2026, por Edésio Lara

José Nicolau Filho (Zé Padeiro)

Mês passado, quando abordei o assunto relativo aos nomes de rua que lembram cidades vizinhas à nossa, disse do extinto nome Rua Lagoa Dourada. Noutro tempo, ela era conhecida como Cava Funda. A rua passou a receber outro nome:  Francisca Felix Vieira (1913/1954). Afinal, muitos perguntarão: Quem foi esta senhora? Trata-se da primeira esposa do senhor José Nicolau Filho (1910/1991), mais conhecido por Zé Padeiro. Localizada na saída para os povoados Barracão e Ressaca, esquina com a atual Avenida Alfredo Penido (Avenida dos Artesanatos) e seguindo até a praça Expedicionário Vicente Machado Neto, recentemente revitalizada pela Prefeitura Municipal e que tem uma linda árvore de óleo, há nela residências e estabelecimentos comerciais. A via recebe pouco trânsito de veículos e ainda guarda casario de meados do século passado.   

Zé Padeiro, descendente de italianos pelo lado paterno, e do materno, de portugueses, chegou a residir no povoado do Barracão. Não foi alfabetizado, mas era craque quando se dedicava a fazer contas. Era comerciante nato. Possuía um caminhãozinho no qual fazia viagens frequentes a São João del-Rei, circulando com produtos diversos a serem vendidos lá e cá. Outra atividade que teve foi a de plantar mandioca, laranja e receber pessoas na piscina que mandou construir no vasto terreno que tinha e que se transformou em bairro, chamado “Bairro do Zé Padeiro”. Trabalhador, Zé Padeiro, segundo Maria Rosa Vieria Castro (71), a décima quarta e última filha do casal, dedicava-se a levar pães, torradinhos e roscas para vender em Desterro de Entre Rios, antiga Capela Nova. Ia num dia e voltava noutro, transportando os produtos no lombo de um burro em duas canastras, uma de cada lado do animal. Lá ele conheceu Francisca, com quem se casou.

A jovem Francisca casou-se com ele quando completou 18 anos de idade e teve 14 filhos. Ao completar 23 anos de casada, faleceu com a idade de 41 anos. De acordo com Gisélia Vieira, sua filha, agora com 80 anos de idade, sua mãe foi uma guerreira. Natural de Desterro de Entre Rios, era dedicada ao lar, trabalhou muito e conseguiu, com os recursos financeiros provindos do seu trabalho, criar patrimônio e ajudar o marido a criar seus filhos. Era ela que ajudava a preparar e colocar para assar os pães e os biscoitos para venda. Se o marido, em momentos difíceis, às vezes deixava passar do ponto seus produtos no forno a lenha, era ela quem se incumbia de preparar as fornadas seguintes e colocar os produtos em boas condições para o consumo de seus clientes.

Pouco tempo depois do falecimento de Francisca, Zé Padeiro cuidou de buscar nova esposa. E, curiosamente, a escolhida foi Geralda Vanini Coelho, também da cidade vizinha de Desterro de Entre Rios. Segundo Maria Rosa, que perdeu a mãe quando tinha 3 meses de idade, Geralda, sobrinha de Francisca, mudou-se para Resende Costa a fim de ajudar a cuidar dos filhos mais novos da falecida tia e Zé Padeiro. Ela também era afilhada do casal. Pouco tempo depois, acabou se casando com seu padrinho Zé Padeiro e com ele teve outros 14 filhos. Gisélia e Maria Rosa me disseram que o pai, além dos 28 filhos, teve outros fora dos dois casamentos. Para Gisélia, eles são 4; porém, Maria Rosa discorda ao dizer que, na verdade, eles são 5.   

A Câmara Municipal, em dois momentos, escolheu os nomes do casal (do primeiro matrimônio) para dar nome a duas ruas da cidade: Rua José Nicolau Filho e Rua Francisca Félix Vieira, ambas no bairro Zé Padeiro. Para o bairro Zé Padeiro, foi o povo que naturalmente foi nomeando uma área da cidade onde os casais e seus filhos se estabeleceram com suas moradas e seus trabalhos.  A padaria do casal ficava no início da Rua São João del-Rei (onde hoje funciona uma hamburgueria), bem em frente a uma igreja evangélica, tendo, do outro lado, na Rua Padre Joaquim Carlos, o Lar São Camilo de Lelis (antigo asilo que teve por longo tempo o Zé Padeiro como vice-presidente da instituição). Dona Geralda (por alguns chamada de Lalada), a segunda esposa de Zé Padeiro, diferentemente da primeira, não teve seu nome destinado a uma das vias públicas da cidade.

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