Dauro José Buzatti (Lagoa Dourada, 15 abril de 1940), engenheiro de formação, publicou em 2011 o livro Lagoa Dourada 300 anos – Síntese Histórica. Obra importante, resultado de pesquisas feitas pelo autor, elenca nomes de lagoenses importantes que se destacaram pelos serviços prestados ao lugar desde o seu surgimento, nas primeiras décadas do século XVIII. São eles sesmeiros, roceiros e sacerdotes, principalmente.
A exploração do ouro foi fato marcante para o povoamento de Lagoa Dourada. Naquela época, a maior parte da população era constituída de solteiros que circulavam entre um lugar e outro, sempre à procura de ouro e pedras preciosas. O esgotamento dessas riquezas minerais significava, para muitos, novos deslocamentos e consequentes abandonos do lugar; poucos eram os que permaneciam. No entanto, as poucas pessoas que se estabeleciam no entorno da “Alagoa Dourada” ora se reuniam para uma Aplicação (rezas, por exemplo, ainda muito comuns em povoados), ora construíam uma Ermida ou contribuíam para o levantamento de uma capela.
Muitas vezes nos perguntamos como era a vida das pessoas séculos atrás em nosso país. Não havia energia elétrica, nem rádio, nem automóveis nos primeiros séculos desde o descobrimento do Brasil. Não existia ainda água encanada e tratada para consumo doméstico. As privadas eram secas e, geralmente, ao lado das casas. As condições de higiene, portanto, eram muito precárias. Tomar banho, escovar dentes, lavar e passar roupas eram tarefas difíceis de serem realizadas. A falta de higiene era a responsável por inúmeras doenças que causavam mortes devido à falta de tratamento adequado. Portanto, quando nos referimos à saúde, a situação era por demais precária. Buscava-se curar doenças com rituais religiosos, amuletos e ervas conhecidas como medicinais. Muitas doenças, para as quais não havia uma explicação, eram consideradas como castigo divino.
Aos poucos todos os saberes adquiridos ao longo do tempo começaram a ceder lugar para a ciência, a partir do século XIX, com a abertura de cursos de medicina e do desenvolvimento de pesquisas realizadas nesses ambientes de ensino. No Brasil, a primeira escola de medicina foi criada em Salvador/BA no dia 13 de fevereiro de 1808, por ordem de D. João VI.
Em Resende Costa, pelo que consta, médicos começaram a atuar no início do século XX. Doutor Costa Pinto e Doutor Teixeira são os nomes mais conhecidos, pelo menos por pessoas mais idosas. Pouco ou quase nada se sabe a respeito da formação acadêmica deles. E cada um deles era conhecido pelo nome de família, não pelo pronome. André Eustáquio e Alair Coelho, em 11/02/2015, neste jornal, descreveram os feitos de José Vilela da Costa Pinto, natural de Lavras/MG, que se estabeleceu em nossa cidade para atuar como médico e político. O outro, médico e natural de São João del-Rei, José Alencar Teixeira, atuou também, na década 1950, como líder político no município. Ambos permanecem na memória dos resende-costenses, sendo um com nome de praça e o outro, de rua.
Um terceiro médico e que tem seu nome gravado em uma de nossas ruas é Dr. Abeilard. Identificado somente com seu prenome, esse médico, natural de Lagoa Dourada, vinha para cá nas duas primeiras décadas de 1900. Era, pode-se dizer, um médico visitante, tal como há aqueles que por aqui passam, permanecem um dia trabalhando e retornam para seus locais de origem. Primeiro Presidente da Câmara, entre 1912 e 1918, foi um dos responsáveis pela emancipação do município de Lagoa Dourada, em 1911, momento em que a localidade deixou de pertencer a Prados
Naquela época, Abeilard Rodrigues Pereira, possivelmente, vinha a Resende Costa a cavalo. Essa era a maneira mais comum que se usava para percorrer distâncias entre uma localidade e outra naqueles tempos. Em virtude dos serviços aqui prestados, deram-lhe nome da rua onde se estabeleceram as famílias do José da Mata (Duque), José Maia, Alberico Reis (Bilico), Né do Chico Daniel e José Peluzi. É uma rua curta, sendo um complemento da Av. Prefeito Ocacyr Alves de Andrade, que se estende até a Praça Marcos Reis.
Segundo a professora Eunice de Sousa Gomes, na casa de José Peluzi havia um quadro com a fotografia do médico. Alto, corpulento, careca e de bigode (como praticamente todos os homens da época), dr. Abeilard também permaneceu na memória do povo de Carandaí e de sua terra natal. Em Lagoa Dourada, há uma escola pública que leva seu nome e também uma das principais ruas do município, onde está a sede da Prefeitura Municipal. Dr. Abeilard faleceu em agosto de 1918. Seu nome deverá ser mantido nos edifícios e ruas de cidades por onde esteve trabalhando como médico, como é o caso da nossa Resende Costa.