Centenário de Otto une São João del-Rei e Resende Costa


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José Venâncio de Resende0

fotoLivros de Otto Lara Resende que fazem parte do acervo da Biblioteca Municipal de Resende Costa

O jornalista e escritor Otto Lara Resende completaria 100 anos de nascimento no primeiro dia desse mês de maio. Nascido em São João del-Rei, Otto de Oliveira Lara Resende é o quarto entre os 20 filhos do resende-costense Antônio de Lara Resende, professor, gramático e autor do livro Memórias (2 volumes). Pai do economista André Lara Resende (um dos idealizadores do Plano Real), Otto faleceu no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 1992.

Professor de francês aos 14 anos, começou a trabalhar aos 18 como jornalista no periódico O Diário, de Belo Horizonte. Chegou a editar o Suplemento Literário do Diário de Minas e se formou em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já no Rio de Janeiro, atuou no Diário de Notícias, em O Globo, Diário Carioca, Correio da Manhã, Última Hora, revista Manchete, Jornal do Brasil e TV Globo.

Com os intelectuais e amigos Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, Otto formou o grupo denominado “os quatro mineiros de um íntimo apocalipse”. Ganhou de Nelson Rodrigues, “muy amigavelmente”, a pecha de “intelectual de salão”, da qual a muito custo se livrou, de acordo com o jornalista Sérgio Augusto, que o substituiu algumas vezes em sua coluna na página 2 da Folha. “Não escondia seu incômodo com o bullying do Nelson, que inventava e punha em sua boca coisas divertidíssimas, mas apócrifas e, eventualmente, comprometedoras.”

Em 1952, Otto publicou o seu primeiro livro de contos: “O lado humano”. Em 1957, a Editora José Olympio publicou seu segundo livro de contos, “Boca do Inferno”, que se ambienta em Lagedo (Resende Costa). “’Boca do Inferno’ recebeu crítica feroz por mostrar crianças malvadas em situações de violência; chegaram a chamar os personagens dos contos de ´os monstrinhos de Otto´”, observa o jornalista e professor Guilherme Rezende, que apresentou vídeo-aula alusiva ao centenário do escritor no canal You Tube da Academia Mineira de Letras.

O romance “O braço direito” (1963) foi publicado pela Editora do Autor, fundada por Otto junto com Rubem Braga e Fernando Sabino, entre outros amigos. A história se passa em São João del-Rei e em Resende Costa; há também outras duas novelas, “A Cilada” e “A Testemunha Silenciosa” que também se referem a Resende Costa. Guilherme Rezende cita ainda contos “também muito bons” como “Mater Dolorosa”. “E tem ainda crônicas na Folha de S. Paulo e os perfis de políticos e escritores reunidos em “O Príncipe e o Sabiá.”

“A Cilada” é um conto sobre a avareza, do livro “Os sete pecados capitais”, publicado em 1965 pela Editora Civilização Brasileira e do qual também participaram Guimarães Rosa, Mário Donato e Carlos Heitor Cony, entre outros. 

Em 1975, Otto publicou o livro de contos “As pompas do mundo”, pouco tempo antes de ser eleito membro da Academia Brasileira de Letras (3 de julho de 1979), na cadeira 39, vaga com a morte de Elmano Cardim. Ele ainda publicaria os livros de contos “O elo partido e outras histórias” (1991) e de crônicas “Bom dia para nascer” (1993).

Os livros “Boca do Inferno” e “O braço direito” estão disponíveis ao público na Biblioteca Municipal de Resende Costa.

 

 

“Visceralmente conciliador”

Por ocasião da celebração dos 200 anos da Imprensa no Brasil, completados em 2008, Guilherme Rezende foi convidado pelo professor José Marques de Melo para escrever um texto destacando a contribuição de Otto na formação das raízes do jornalismo nacional. O texto foi publicado primeiro como encarte da “Revista Imprensa” e, posteriormente, no Volume II da Coleção “Personagens que Fizeram História”, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

No artigo “Visceralmente conciliador”, esta faceta de Otto como “ponte” entre extremos, entre polos incomunicáveis, é destacada por Guilherme. Em todas as atividades que exerceu, “Ele se orgulhava de ser essa voz, essa mão que apazigua interesses e temperamentos distantes, que o digam Oswald de Andrade e Nélson Rodrigues, Carlos Lacerda e Samuel Wainer”.   

Otto exerceu a advocacia como procurador (cargo no qual se aposentou), foi membro do Conselho Federal de Educação e diplomata com experiências como adido cultural na Bélgica e em Portugal. Até chegou a ser bancário, nomeado, no início da década de 1960, diretor do Banco Mineiro de Produção pelo então governador Magalhães Pinto. Eventualmente, prestou serviços como assessor político.

Fontes: Wikipédia (Otto Lara Resende); O Estado de S. Paulo (23/04/2022), Otto 100, de Sérgio Augusto. 

Veja o artigo “O que representa Otto Lara de Resende na região de suas origens no centenário de seu nascimento?”, de Guilherme Rezende.

Veja mais sobre Otto no facebook de Guilherme Rezende 

 

 

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