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A imprensa em Resende Costa

16 de Abril de 2013, por Rosalvo

A imprensa sempre cumpriu um papel fundamental na vida das sociedades humanas. No passado, sobretudo a partir dos anos 50, os meios de comunicação social, que hoje chamamos “mídia”, tiveram um extraordinário desenvolvimento, graças ao grande avanço das tecnologias eletro-eletrônicas. A imprensa escrita, entretanto, manteve sua importância e continua se expandindo, inclusive em nossa cidade, da qual já se pode falar em uma “história da imprensa resende-costense”.

A comemoração dos 10 anos de vida do Jornal das Lajes nos convida a perscrutar, no nosso passado, as tentativas de se ter um jornal. Foram quatro tentativas no século passado e uma “realidade” neste século.

Parece que não se tem notícia da existência de algum jornal até a década de 1930. Uma primeira tentativa de se criar um jornal em nossa terra terá sido em 1932. Tenho em mãos o primeiro exemplar do “Resende Costa”, já bem desgastado pelo tempo, publicado em 24 de janeiro. Abaixo do título o seu objetivo: “Órgão dedicado aos interesses do Município”. Logo abaixo: “Redator e diretor: Carmo Barbosa”.

O “Resende Costa” tem 4 páginas, em forma de tabloide pequeno. Pela capa e pelo seu conteúdo percebe-se que se trata de um jornal mais ligado à administração pública. A capa traz no centro a foto do Cel. Francisco Mendes de Resende (eleito prefeito um ano antes) e um texto que cobre a capa inteira, nos moldes de um “Editorial”. Os demais artigos dizem respeito aos atos da administração municipal: decretos e balancetes do município. Nele já há uma cobrança ao poder público: a solução de um problema da “Ponte Nova”, entre São Francisco Xavier [atual Cel. Xavier Chaves] e César de Pina (estação ferroviária da RMV). Noticia-se também a troca do forro do Teatro Municipal.

Há uma matéria transcrita do jornal “A Época”, (semanário!) de Entre Rios, dando notícia da construção da estrada ligando Resende Costa a Entre Rios. A justificativa da obra é curiosa: os habitantes de São João del-Rei e redondezas gastam um dia inteiro de viagem a Belo Horizonte, pelo trem da “Oeste”; com a ligação RC/ER, essa viagem passaria para 6 horas, indo de carro até Brumadinho e daí de trem (Central) até BH.  Não se tem notícia da duração desse jornal.

Outra tentativa aconteceu em 1949, agora um tabloide grande: o bi-mensal “O Resende Costa”. Tenho em mãos a edição número 1, de quatro páginas, datado de 6 de janeiro. A página de rosto tem um texto longo, “Apresentação”, em forma de Editorial, e um soneto do Miled Hannas: “Prece”.

Interessante conhecer o box com o ”Expediente”: O Resende Costa – Órgão do povo e pelo povo.  Diretor: Miled Hannas – Redator: José Procópio da Silva – Gerente: Geraldo Sebastião Chaves – Sub-gerente: Adão Pinto Lara – Assinatura anual: CR$ 20,00.

Nesse primeiro número, além dos textos dos editores (exceto o Adão), já entram as “colunas”: literatura (dois textos do Gentil Ursino Vale), agro-pecuária, católica, sociais, artes e diversões (cinema), poesia (além do soneto do Miled, um soneto de Natal do José Procópio), política (um texto do Geraldo Chaves) e um texto interessante, diria filosófico, do Dr. Geraldo Rezende (Geraldo do Lulu). Enfim, muita coisa boa naquele longínquo 1949. Lembro-me de ter visto também o número 2. Não sei até quando circulou o “O Resende Costa”.

Mas o nosso Zé Procópio era um obstinado sonhador com um jornal resende-costense. Assim, ele voltou à carga em 1963, com o “O inconfidente”, que veio a lume em 15 de dezembro de 1963. A primeira edição teve como objetivo comemorar a primeira formatura do antigo Ginásio Nossa Senhora da Penha. Em seu editorial, discorrendo sobre o papel da imprensa e esbanjando seu latim, ele dizia que a imprensa é ut ignis: lumino et aestuo, ou seja, é como o fogo, ilumina, mas queima.

Outra tentativa foi a do “Jornal Novo”, idealizado e dirigido pelo então vereador e presidente da Câmara, Antônio Pedro da Silva Melo (Toninho do Zé Augusto), pequeno tabloide mimeografado, que circulou no final da década de 70, encerrado nos inícios da década de 80. Era um órgão mais a serviço das ações da prefeitura e do partido político do regime militar, o Arena/PDS, à época no poder em Resende Costa.

Depois do “Jornal Novo” e no clima de expectativas do novo século surgiu a ideia de um “novo jornal”, idealizado em 2003 pelo Denilson Daher. O número 1 circulou, com quatro páginas, em abril. Sua primeira equipe: André Oliveira, Cássio Jônatas, padre Claudir Trindade, Ednanda Coelho, Márcia Resende, Paulo Andrade, Rômulo Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane Resende e Wanessa de Paula. Na folha de rosto, além do Editorial, o artigo do Denilson, sob o significativo título de “Liberdade”. Na verdade, um belo manifesto sobre a liberdade, a característica fundamental do jornal e da imprensa em geral. O Jornal das Lajes, sob a égide da liberdade, tem como objetivo “agir como um elo entre a sociedade e os órgãos administradores e lutar pela justiça e pelo progresso de Resende Costa”, diz o fundador, que deixou o JL a partir da 16ª. edição, em junho de 2004. Mas a semente que ele plantou continua crescendo, como se pode ver na tabela abaixo:

 

edição

páginas

tiragem

 

edição

páginas

tiragem

    1ª.

    04

  1.000

 

    9ª.

    12

  2.000

    2ª.

    08

  2.000

 

   26ª.

    12

  3.000

    7ª.

    10

  2.000

 

  117ª.

    16

  4.000

Comentários

  • Author

    Parabéns a toda a equipe do Jornal das Lajes, que mantém este legado de uma imprensa colaborativa e livre de vícios, idealizando o desenvolvimento de Resende Costa e sempre empenhada em exigir melhores condições à sociedade.
    Nestes 10 anos de vida o jornal tem sido um exemplo de cidadania e de difusão de nossa história e cultura. Sinto saudades do tempo que contribuía com o Jornal das Lajes, no entanto estou muito contente em acompanhar a materialização e sustentação daquilo que idealizamos anos atrás.
    Hoje, como leitor e cidadão resende-costense, gostaria de agradecer a todos os colaboradores do Jornal das Lajes, que ao longo destes dez anos se predispuseram a trabalhar voluntariamente, a fim de manter informada a nossa população e contribuíram significativamente para que o JL tornasse um veículo de comunicação de confiança e conquistasse a respeitabilidade de toda a comunidade. O Jornal das Lajes também propaga as revindicações dos anseios da sociedade, divulga as ações da administração pública nos três poderes (judiciário, executivo e legislativo) e retrata (e compõem) a história de Resende Costa.

    Feliz Aniversário Jornal das Lajes, parabéns por esta primeira década, tenho certeza que outras virão!


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